{"id":32292,"date":"2026-04-17T09:11:04","date_gmt":"2026-04-17T09:11:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32292"},"modified":"2026-04-17T09:12:51","modified_gmt":"2026-04-17T09:12:51","slug":"viver-em-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/viver-em-verdade\/","title":{"rendered":"Viver em verdade"},"content":{"rendered":"<p>Viver em verdade \u00e9 um desafio permanente.<\/p>\n<p>Parece que a cada momento somos chamados a fazer desvios da ess\u00eancia que nos habita. \u00c9 como se o que fosse mais v\u00e1lido e mais aceite socialmente fosse, precisamente, aquilo que n\u00e3o somos.<\/p>\n<p>Para sobreviver, somos muitas vezes chamados a mostrar uma vers\u00e3o da nossa vida que pode parecer mais atraente para os outros, mas menos real para n\u00f3s. E o perigo de mostrarmos algo que n\u00e3o corresponde ao que somos \u00e9 o de deixarmos de saber, ao certo, que linhas cosem a nossa raiz.<\/p>\n<p>Para singrar e para ser aceite h\u00e1 quem consiga mentir, contar meias-verdades, fazer algu\u00e9m acreditar numa hist\u00f3ria que s\u00f3 existe na sua cabe\u00e7a. E \u00e9 assim que o cora\u00e7\u00e3o e alma adoecem automaticamente. S\u00f3 que \u00e9 muito f\u00e1cil (e tentador) convencermo-nos desta vers\u00e3o idealizada. Constru\u00edda para agradar os outros. Erguida para nos proteger daquilo que, por vezes, nos custa ver.<\/p>\n<p>Nalguns momentos, custa-nos ver que a vida que temos ou constru\u00edmos n\u00e3o \u00e9 exatamente aquilo que gostar\u00edamos. Custa-nos ter a consci\u00eancia da possibilidade de podermos ter decidido diferente ou de ter feito melhor. \u00c9 mais simples ficar \u00e0 espera que tudo se resolva, que as coisas aconte\u00e7am por si s\u00f3.<\/p>\n<p>Viver em verdade parece algo \u00f3bvio. Inevit\u00e1vel. Mas talvez n\u00e3o seja assim tanto. Talvez cada um de n\u00f3s esconda (ou guarde?) para si partes que n\u00e3o quer ver reveladas ou escrutinadas pelo olhar alheio. Parece-nos um pouco dif\u00edcil imaginar que o outro nos compreenderia e aceitaria como somos. Sem mais nem menos.<\/p>\n<p>Talvez essas resist\u00eancias a viver uma vida em verdade e em coer\u00eancia existam apenas dentro de n\u00f3s. Talvez esse julgamento externo s\u00f3 exista como proje\u00e7\u00e3o do nosso pr\u00f3prio \u201ctirano\u201d interno.<\/p>\n<p>A maior honestidade que podemos viver \u00e9 quando decidimos s\u00ea-lo connosco. A verdade \u00e9 profundamente mais simples do que o esfor\u00e7o de construir uma ilus\u00e3o ou uma mentira para quem nos olha.<\/p>\n<p>Quem sabe se os outros n\u00e3o est\u00e3o tamb\u00e9m distra\u00eddos com as suas pr\u00f3prias especificidades e n\u00e3o est\u00e3o, sequer, interessados em analisar-nos ou avaliar-nos.<\/p>\n<p>Afinal, talvez uma vida em verdade deva ser vivida de dentro para dentro. E n\u00e3o de dentro para fora.<\/p>\n<p>(\u00a9 iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viver em verdade \u00e9 um desafio permanente. Parece que a cada momento somos chamados a fazer desvios da ess\u00eancia que nos habita. \u00c9 como se o que fosse mais v\u00e1lido e mais aceite socialmente fosse, precisamente, aquilo que n\u00e3o somos. Para sobreviver, somos muitas vezes chamados a mostrar uma vers\u00e3o da nossa vida que pode parecer mais atraente para os outros, mas menos real para n\u00f3s. 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Mas talvez n\u00e3o seja assim tanto. Talvez cada um de n\u00f3s esconda (ou guarde?) para si partes que n\u00e3o quer ver reveladas ou escrutinadas pelo olhar alheio. Parece-nos um pouco dif\u00edcil imaginar que o outro nos compreenderia e aceitaria como somos. Sem mais nem menos. Talvez essas resist\u00eancias a viver uma vida em verdade e em coer\u00eancia existam apenas dentro de n\u00f3s. Talvez esse julgamento externo s\u00f3 exista como proje\u00e7\u00e3o do nosso pr\u00f3prio \u201ctirano\u201d interno. A maior honestidade que podemos viver \u00e9 quando decidimos s\u00ea-lo connosco. A verdade \u00e9 profundamente mais simples do que o esfor\u00e7o de construir uma ilus\u00e3o ou uma mentira para quem nos olha. Quem sabe se os outros n\u00e3o est\u00e3o tamb\u00e9m distra\u00eddos com as suas pr\u00f3prias especificidades e n\u00e3o est\u00e3o, sequer, interessados em analisar-nos ou avaliar-nos. Afinal, talvez uma vida em verdade deva ser vivida de dentro para dentro. 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