{"id":32323,"date":"2026-04-24T09:50:35","date_gmt":"2026-04-24T09:50:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32323"},"modified":"2026-04-24T09:50:35","modified_gmt":"2026-04-24T09:50:35","slug":"sede-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/sede-de-deus\/","title":{"rendered":"Sede de Deus"},"content":{"rendered":"<p>Num artigo publicado no Jornal\u00a0<em>The Catholic Herald<\/em>, o Cardeal Arcebispo em\u00e9rito de Westminster, Vincent Nichols, refletia sobre poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es do surpreendente aumento de Batismos de adultos nas Dioceses inglesas: t\u00eam duplicado nos \u00faltimos dois anos. N\u00e3o se trata aqui das ades\u00f5es de anglicanos \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, fen\u00f3meno que tamb\u00e9m tem tido significativo incremento mas que, porventura, tem na sua g\u00e9nese motiva\u00e7\u00f5es de outro tipo e menos radicais. Sem ignorar as particularidades idiossincr\u00e1ticas dos ingleses, podemos extrapolar para toda a realidade europeia \u2013 tamb\u00e9m para n\u00f3s \u2013 as suas considera\u00e7\u00f5es,<\/p>\n<p>Ponderando tantas caminhadas de f\u00e9 que na P\u00e1scoa enriqueceram a Igreja com novos ne\u00f3fitos, Vincent Nichols destaca quatro\u00a0<em>constantes<\/em>\u00a0ou fatores-chave:<\/p>\n<p>\u2013 Raramente se trata de um caminho feito de forma isolada. No itiner\u00e1rio rumo \u00e0 f\u00e9 e ao Batismo, o\u00a0<strong>acompanhamento<\/strong>\u00a0de outros \u00e9, frequentemente decisivo: amigos, entes queridos, grupos paroquiais\u2026 Porque \u00abesta caminhada para a f\u00e9 tem muito a ver com\u00a0<strong>perten\u00e7a<\/strong>\u00bb. \u00abA quem perten\u00e7o realmente? A quem posso recorrer? Em quem posso confiar?\u00bb. N\u00f3s n\u00e3o somos indiv\u00edduos isolados\u2026 \u00abA busca de perten\u00e7a, de ser aceite, de ser inclu\u00eddo, muitas vezes tem um papel poderoso no caminho rumo \u00e0 f\u00e9. Isto porque essa busca leva-nos \u00e0 fonte de toda a perten\u00e7a, \u00e0 origem da nossa vida como dom de Deus, que nos criou como suas filhas e filhos, como irm\u00e3s e irm\u00e3os uns dos outros, no dom comum da vida\u00bb.<\/p>\n<p>\u2013 Outra motiva\u00e7\u00e3o poderosa de tantas caminhadas rumo \u00e0 f\u00e9 \u00e9 a\u00a0<strong>busca de sentido para a vida<\/strong>. A sociedade oferece muitos projetos, proporciona carreiras, oferece bem estar material, estatuto s\u00f3cio profissional\u2026 Mas tudo isso \u00e9 inseguro, inst\u00e1vel e insuficiente. O cora\u00e7\u00e3o humano anseia por mais e por melhor. \u00abA f\u00e9 oferece um horizonte pelo qual podemos definir o nosso rumo e esfor\u00e7o. \u2026 A Igreja, no seu ensinamento, na sua tradi\u00e7\u00e3o de discernimento, nos seus santos, na sua arte e poesia, abre a muitos o vislumbre do verdadeiro sentido, atraindo muitos das incertezas atuais para um padr\u00e3o de vida mais deliberado e com prop\u00f3sito. E em Cristo Jesus temos o nosso caminho. Ele \u00e9 o nosso caminho para a realiza\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>\u2013 Outra dimens\u00e3o a considerar:\u00a0<strong>a beleza do catolicismo<\/strong>. Entrar numa catedral como a de Westminster, demorar-se numa Igreja, proporciona a muitos uma experi\u00eancia in\u00e9dita e impressionante de espa\u00e7o, paz, beleza. Porque n\u00f3s \u00abfomos criados para apreciar a beleza\u00bb: da natureza, da pessoa amada, da arte, da poesia, da m\u00fasica. E \u00aba verdadeira resposta humana \u00e0 beleza \u00e9 o assombro, o espanto, uma abertura do cora\u00e7\u00e3o e da mente\u00bb. \u00abHoje, esta beleza \u00e9 um caminho poderoso para Deus\u00bb. Por isso \u00e9 decisivo que as nossas igrejas sejam lugares de beleza, que as nossas celebra\u00e7\u00f5es sejam belas.<\/p>\n<p>\u2013 Por fim (mas a ordem destes fatores \u00e9 comutativa), o Cardeal Arcebispo em\u00e9rito de Westminster destaca o\u00a0<strong>anseio pelo sil\u00eancio<\/strong>, frequentemente indissoci\u00e1vel do apre\u00e7o pela beleza. E, atualmente, s\u00e3o t\u00e3o raros e preciosos os o\u00e1sis de sil\u00eancio! \u00abPara real\u00e7ar o caminho da beleza, temos de garantir que h\u00e1 momentos de sil\u00eancio nas nossas vidas e nas nossas liturgias\u00bb. \u00abMuitas vezes \u00e9 no sil\u00eancio que ouvimos o chamamento de Deus, a m\u00fasica que nos atrai para a presen\u00e7a e o abra\u00e7o de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Na parte final do seu artigo, o Card. Nichols refere o encontro que teve com uma senhora que ia ser batizada depois de frequentar a Missa dominical h\u00e1 quase vinte anos. O que \u00e9 que a levara a decidir-se? Depois de tentativas e sugest\u00f5es baldadas, a mulher declarou: \u00abN\u00e3o percebo porqu\u00ea, mas o que acontece naquele altar afeta-me profundamente\u00bb. Ela tinha reconhecido, quase instintivamente, que no altar da Igreja se realizava o sacrif\u00edcio supremo e total de Jesus Cristo que se oferecia inteiramente pela nossa liberta\u00e7\u00e3o e que recapitulava e resgatava o sentido de tantos sofrimentos humanos, de tanto amor abnegado. \u00abAssim, o sacrif\u00edcio e o sofrimento deixam de ser insignificantes e tornam-se um farol de gra\u00e7a no nosso mundo. E isso leva-nos ao mais belo presente confiado \u00e0 Igreja, o santo sacrif\u00edcio da Missa\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abTalvez o interesse crescente em fazer este caminho, especialmente entre adultos mais jovens e entre homens, nos d\u00ea uma vis\u00e3o das necessidades mais profundas sentidas na nossa cultura atual\u00bb. Este \u00e9 o desafio da miss\u00e3o que temos pela frente. No seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 a pessoa de Jesus. O contacto pessoal com o Ressuscitado, na ora\u00e7\u00e3o pessoal e atrav\u00e9s da liturgia da Igreja, \u00e9 fulcral para a renova\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e o seu an\u00fancio sempre novo.<\/p>\n<p>(Secretariado Diocesano da Liturgia)<\/p>\n<div class=\"mh-social-bottom\">\n<div class=\"mh-share-buttons clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num artigo publicado no Jornal\u00a0The Catholic Herald, o Cardeal Arcebispo em\u00e9rito de Westminster, Vincent Nichols, refletia sobre poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es do surpreendente aumento de Batismos de adultos nas Dioceses inglesas: t\u00eam duplicado nos \u00faltimos dois anos. N\u00e3o se trata aqui das ades\u00f5es de anglicanos \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, fen\u00f3meno que tamb\u00e9m tem tido significativo incremento mas que, porventura, tem na sua g\u00e9nese motiva\u00e7\u00f5es de outro tipo e menos radicais. Sem ignorar as particularidades idiossincr\u00e1ticas dos ingleses, podemos extrapolar para toda a realidade europeia \u2013 tamb\u00e9m para n\u00f3s \u2013 as suas considera\u00e7\u00f5es, Ponderando tantas caminhadas de f\u00e9 que na P\u00e1scoa enriqueceram a Igreja com novos ne\u00f3fitos, Vincent Nichols destaca quatro\u00a0constantes\u00a0ou fatores-chave: \u2013 Raramente se trata de um caminho feito de forma isolada. No itiner\u00e1rio rumo \u00e0 f\u00e9 e ao Batismo, o\u00a0acompanhamento\u00a0de outros \u00e9, frequentemente decisivo: amigos, entes queridos, grupos paroquiais\u2026 Porque \u00abesta caminhada para a f\u00e9 tem muito a ver com\u00a0perten\u00e7a\u00bb. \u00abA quem perten\u00e7o realmente? A quem posso recorrer? Em quem posso confiar?\u00bb. N\u00f3s n\u00e3o somos indiv\u00edduos isolados\u2026 \u00abA busca de perten\u00e7a, de ser aceite, de ser inclu\u00eddo, muitas vezes tem um papel poderoso no caminho rumo \u00e0 f\u00e9. Isto porque essa busca leva-nos \u00e0 fonte de toda a perten\u00e7a, \u00e0 origem da nossa vida como dom de Deus, que nos criou como suas filhas e filhos, como irm\u00e3s e irm\u00e3os uns dos outros, no dom comum da vida\u00bb. \u2013 Outra motiva\u00e7\u00e3o poderosa de tantas caminhadas rumo \u00e0 f\u00e9 \u00e9 a\u00a0busca de sentido para a vida. A sociedade oferece muitos projetos, proporciona carreiras, oferece bem estar material, estatuto s\u00f3cio profissional\u2026 Mas tudo isso \u00e9 inseguro, inst\u00e1vel e insuficiente. O cora\u00e7\u00e3o humano anseia por mais e por melhor. \u00abA f\u00e9 oferece um horizonte pelo qual podemos definir o nosso rumo e esfor\u00e7o. \u2026 A Igreja, no seu ensinamento, na sua tradi\u00e7\u00e3o de discernimento, nos seus santos, na sua arte e poesia, abre a muitos o vislumbre do verdadeiro sentido, atraindo muitos das incertezas atuais para um padr\u00e3o de vida mais deliberado e com prop\u00f3sito. E em Cristo Jesus temos o nosso caminho. Ele \u00e9 o nosso caminho para a realiza\u00e7\u00e3o\u00bb. \u2013 Outra dimens\u00e3o a considerar:\u00a0a beleza do catolicismo. Entrar numa catedral como a de Westminster, demorar-se numa Igreja, proporciona a muitos uma experi\u00eancia in\u00e9dita e impressionante de espa\u00e7o, paz, beleza. Porque n\u00f3s \u00abfomos criados para apreciar a beleza\u00bb: da natureza, da pessoa amada, da arte, da poesia, da m\u00fasica. E \u00aba verdadeira resposta humana \u00e0 beleza \u00e9 o assombro, o espanto, uma abertura do cora\u00e7\u00e3o e da mente\u00bb. \u00abHoje, esta beleza \u00e9 um caminho poderoso para Deus\u00bb. Por isso \u00e9 decisivo que as nossas igrejas sejam lugares de beleza, que as nossas celebra\u00e7\u00f5es sejam belas. \u2013 Por fim (mas a ordem destes fatores \u00e9 comutativa), o Cardeal Arcebispo em\u00e9rito de Westminster destaca o\u00a0anseio pelo sil\u00eancio, frequentemente indissoci\u00e1vel do apre\u00e7o pela beleza. E, atualmente, s\u00e3o t\u00e3o raros e preciosos os o\u00e1sis de sil\u00eancio! \u00abPara real\u00e7ar o caminho da beleza, temos de garantir que h\u00e1 momentos de sil\u00eancio nas nossas vidas e nas nossas liturgias\u00bb. \u00abMuitas vezes \u00e9 no sil\u00eancio que ouvimos o chamamento de Deus, a m\u00fasica que nos atrai para a presen\u00e7a e o abra\u00e7o de Deus\u00bb. Na parte final do seu artigo, o Card. Nichols refere o encontro que teve com uma senhora que ia ser batizada depois de frequentar a Missa dominical h\u00e1 quase vinte anos. O que \u00e9 que a levara a decidir-se? Depois de tentativas e sugest\u00f5es baldadas, a mulher declarou: \u00abN\u00e3o percebo porqu\u00ea, mas o que acontece naquele altar afeta-me profundamente\u00bb. Ela tinha reconhecido, quase instintivamente, que no altar da Igreja se realizava o sacrif\u00edcio supremo e total de Jesus Cristo que se oferecia inteiramente pela nossa liberta\u00e7\u00e3o e que recapitulava e resgatava o sentido de tantos sofrimentos humanos, de tanto amor abnegado. \u00abAssim, o sacrif\u00edcio e o sofrimento deixam de ser insignificantes e tornam-se um farol de gra\u00e7a no nosso mundo. E isso leva-nos ao mais belo presente confiado \u00e0 Igreja, o santo sacrif\u00edcio da Missa\u00bb. \u00abTalvez o interesse crescente em fazer este caminho, especialmente entre adultos mais jovens e entre homens, nos d\u00ea uma vis\u00e3o das necessidades mais profundas sentidas na nossa cultura atual\u00bb. Este \u00e9 o desafio da miss\u00e3o que temos pela frente. No seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 a pessoa de Jesus. O contacto pessoal com o Ressuscitado, na ora\u00e7\u00e3o pessoal e atrav\u00e9s da liturgia da Igreja, \u00e9 fulcral para a renova\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e o seu an\u00fancio sempre novo. 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