{"id":32370,"date":"2026-05-01T13:42:19","date_gmt":"2026-05-01T13:42:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32370"},"modified":"2026-05-01T13:43:27","modified_gmt":"2026-05-01T13:43:27","slug":"so-se-desilude-quem-estava-iludido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/so-se-desilude-quem-estava-iludido\/","title":{"rendered":"\u201cS\u00f3 se desilude quem estava iludido\u201d!"},"content":{"rendered":"<p>Quando uma professora me disse esta frase, n\u00e3o compreendi de imediato. Achei que a desilus\u00e3o que sent\u00edamos perante os outros tinha, \u00fanica e exclusivamente, que ver com o que esse \u201coutro\u201d nos fazia.<\/p>\n<p>Na verdade, eu associava a desilus\u00e3o apenas \u00e0 pessoa que tinha tido uma atitude que eu n\u00e3o tinha gostado ou que me tinha magoado. Era mais f\u00e1cil assim, realmente. Quando eu me desiludia n\u00e3o tinha qualquer responsabilidade no acontecimento, no evento, na situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas no dia em que a minha professora me (e nos) disse esta frase algo mudou em mim. Come\u00e7ou a nascer e instalou-se uma nova perspetiva. Nesta face do caleidosc\u00f3pio tamb\u00e9m aparecia a minha responsabilidade. Tamb\u00e9m entrava aquilo que eu era.<\/p>\n<p>Comecei a compreender que a ilus\u00e3o era um cen\u00e1rio colocado por mim. Um v\u00e9u que eu deixava cair em cima da pessoa do outro e que estava de acordo com aquilo que eu queria que ele fosse e fizesse. Como se eu decidisse amar de uma vers\u00e3o de algu\u00e9m que s\u00f3 existia no meu entendimento e na minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>E era assim que quando aquela pessoa, aquele amigo, aquele familiar fazia algo que me deixava \u201cdesiludida\u201d eu me permitia colocar-me no lugar de v\u00edtima. O outro passava a ser o \u201cmau\u201d e eu a \u201cboazinha\u201d. Rapidamente conclu\u00ed que tamb\u00e9m eu tinha um papel importante no sentir-me desapontada. Desiludida. Quem sabe at\u00e9 se a \u201cculpa\u201d n\u00e3o era mais minha do que do outro.<\/p>\n<p>Como assim?<\/p>\n<p>Se eu coloco no outro o peso de ser como eu quero e espero deixo de o ver e de o observar como \u00e9. Deixo de encontrar espa\u00e7o para a sua pessoa, para o seu ser individual, para as atitudes que tem de acordo com a sua pr\u00f3pria raiz. Se eu quero o outro \u00e0 minha maneira e \u00e0 minha imagem, sou eu quem n\u00e3o est\u00e1 a agir bem em primeiro lugar. O que o outro me vai devolver \u00e9 apenas uma continua\u00e7\u00e3o \u00f3bvia da minha atitude e postura iniciais.<\/p>\n<p>Se eu quero realmente amar e compreender algu\u00e9m, tenho de encontrar espa\u00e7o em mim para uma consci\u00eancia mais ampla. Para considerar a hist\u00f3ria do outro como parte sua. Para esperar dele apenas o que ele \u00e9 e n\u00e3o aquilo que eu gostava que fosse.<\/p>\n<p>(iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando uma professora me disse esta frase, n\u00e3o compreendi de imediato. Achei que a desilus\u00e3o que sent\u00edamos perante os outros tinha, \u00fanica e exclusivamente, que ver com o que esse \u201coutro\u201d nos fazia. Na verdade, eu associava a desilus\u00e3o apenas \u00e0 pessoa que tinha tido uma atitude que eu n\u00e3o tinha gostado ou que me tinha magoado. Era mais f\u00e1cil assim, realmente. Quando eu me desiludia n\u00e3o tinha qualquer responsabilidade no acontecimento, no evento, na situa\u00e7\u00e3o. Mas no dia em que a minha professora me (e nos) disse esta frase algo mudou em mim. Come\u00e7ou a nascer e instalou-se uma nova perspetiva. Nesta face do caleidosc\u00f3pio tamb\u00e9m aparecia a minha responsabilidade. Tamb\u00e9m entrava aquilo que eu era. Comecei a compreender que a ilus\u00e3o era um cen\u00e1rio colocado por mim. Um v\u00e9u que eu deixava cair em cima da pessoa do outro e que estava de acordo com aquilo que eu queria que ele fosse e fizesse. Como se eu decidisse amar de uma vers\u00e3o de algu\u00e9m que s\u00f3 existia no meu entendimento e na minha cabe\u00e7a. E era assim que quando aquela pessoa, aquele amigo, aquele familiar fazia algo que me deixava \u201cdesiludida\u201d eu me permitia colocar-me no lugar de v\u00edtima. O outro passava a ser o \u201cmau\u201d e eu a \u201cboazinha\u201d. Rapidamente conclu\u00ed que tamb\u00e9m eu tinha um papel importante no sentir-me desapontada. Desiludida. Quem sabe at\u00e9 se a \u201cculpa\u201d n\u00e3o era mais minha do que do outro. Como assim? Se eu coloco no outro o peso de ser como eu quero e espero deixo de o ver e de o observar como \u00e9. Deixo de encontrar espa\u00e7o para a sua pessoa, para o seu ser individual, para as atitudes que tem de acordo com a sua pr\u00f3pria raiz. Se eu quero o outro \u00e0 minha maneira e \u00e0 minha imagem, sou eu quem n\u00e3o est\u00e1 a agir bem em primeiro lugar. O que o outro me vai devolver \u00e9 apenas uma continua\u00e7\u00e3o \u00f3bvia da minha atitude e postura iniciais. Se eu quero realmente amar e compreender algu\u00e9m, tenho de encontrar espa\u00e7o em mim para uma consci\u00eancia mais ampla. Para considerar a hist\u00f3ria do outro como parte sua. Para esperar dele apenas o que ele \u00e9 e n\u00e3o aquilo que eu gostava que fosse. 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