{"id":32388,"date":"2026-05-06T09:33:16","date_gmt":"2026-05-06T09:33:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32388"},"modified":"2026-05-06T09:33:16","modified_gmt":"2026-05-06T09:33:16","slug":"cardeal-mario-grech-propoe-linhas-sinodais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/cardeal-mario-grech-propoe-linhas-sinodais\/","title":{"rendered":"Cardeal Mario Grech prop\u00f5e linhas sinodais"},"content":{"rendered":"<p>Na interven\u00e7\u00e3o que efetuou no encontro com os sacerdotes e di\u00e1conos na Casa de Vilar, em 28 de abril de 2026, O Cardeal M\u00e1rio Grech, secret\u00e1rio geral do S\u00ednodo dos Bispos prop\u00f4s caminhos de renovamento pastoral das igrejas locais na esteira do S\u00ednodo (de 2021-2014).<\/p>\n<p>Em primeiro lugar acentuou que devem ser as igrejas locais as protagonistas da fase de atualiza\u00e7\u00e3o das propostas do S\u00ednodo, lembrando que devem tornar-se espa\u00e7os de aplica\u00e7\u00e3o das propostas sinodais, como primeiro e fundamental n\u00edvel para o exerc\u00edcio da sinodalidade, salientando que o pr\u00f3prio Papa Francisco fez notar que o S\u00ednodo n\u00e3o foi celebrado apenas em Roma, mas se expressou tamb\u00e9m e todas as dioceses do mundo, embora com intensidades diversas, apelando ao acolhimento pelas igrejas locais de todo o esp\u00edrito sinodal, salientado o facto de o papa Francisco n\u00e3o lan\u00e7ou\u00a0 nenhum documento pr\u00f3prio, considerando que o\u00a0<em>Documento Final<\/em>\u00a0deve tornar-se ponto de desenvolvimento da miss\u00e3o eclesial da evangeliza\u00e7\u00e3o, afirmando que cada Igreja local deve agora interrogar-se sobre os caminhos do renovamento pastoral que o S\u00ednodo a impulsiona a p\u00f4r em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Defendeu a realiza\u00e7\u00e3o progressiva de uma passagem da centralidade da estrutura a uma\u00a0<strong>centralidade da rela\u00e7\u00e3o<\/strong>, o que exige uma transforma\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento do estilo, passando de uma pastoral da organiza\u00e7\u00e3o para uma pastoral do acolhimento, citando o Papa Francisco ao afirmar que \u201cuma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja da escuta\u201d, na procura de ler sempre o que o Esp\u00edrito Santo diz \u00e0 Igreja. O S\u00ednodo exorta n\u00e3o apenas a valorizar os minist\u00e9rios j\u00e1 existentes, mas a procurar que outros minist\u00e9rios possam ser introduzidos para responder\u00a0 \u00e0s exig\u00eancias de cada Igreja local. Apela tamb\u00e9m \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o dos organismos diocesanos de participa\u00e7\u00e3o, citando o n.\u00ba 103 do Documento final: \u201cA participa\u00e7\u00e3o dos Batizados nos processos de decis\u00e3o, bem como as pr\u00e1ticas de presta\u00e7\u00e3o de contas e avalia\u00e7\u00e3o, realizam-se atrav\u00e9s de media\u00e7\u00f5es institucionais, antes de mais os organismos de participa\u00e7\u00e3o que, a n\u00edvel da Igreja local, o direito can\u00f3nico j\u00e1 prev\u00ea\u201d, lembrando o S\u00ednodo diocesano, os conselhos presbiteral e pastoral, e os conselhos paroquiais.<\/p>\n<p><strong>Sinodalidade e miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Apela ainda a modelos de lideran\u00e7a capazes de promover a coopera\u00e7\u00e3o entre todos, por uma colabora\u00e7\u00e3o articulada entre eles, desenvolvendo a transpar\u00eancia, a responsabilidade e a presta\u00e7\u00e3o de contas, isto \u00e9 a sinodalidade.<\/p>\n<p>Prop\u00f5e depois a recupera\u00e7\u00e3o do modelo de \u201cuma Igreja em sa\u00edda\u201d, para ir ao encontro do mundo e da sociedade, promovendo formas de \u201ccaminhar em conjunto\u201d, lembrando que a sinodalidade se\u00a0<strong>orienta para a miss\u00e3o<\/strong>, tarefa constante da Igreja, lembrando que as estruturas da Igreja devem valorizar uma \u201cpastoral do ambiente\u201d, valorizando os locais de trabalho, a aten\u00e7\u00e3o ao mundo digital, ao mundo das associa\u00e7\u00f5es de empenho social, a colabora\u00e7\u00e3o com outras comunidades crist\u00e3s, o bem comum, a justi\u00e7a social, a integra\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, o respeito pela diversidade e pela ecologia integral.<\/p>\n<p>Finalmente, referia duas dimens\u00f5es como \u201cinstrumentos para o futuro\u201d: a forma\u00e7\u00e3o e o discernimento, nas palavras do\u00a0<em>Documento final<\/em>\u00a0(n. 143): que a forma\u00e7\u00e3o seja\u00a0<strong>integral, cont\u00ednua e partilhada.<\/strong>\u00a0A finalidade n\u00e3o deve se a aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias te\u00f3ricas, mas a cria\u00e7\u00e3o da capacidade de abertura e encontro, de partilha e colabora\u00e7\u00e3o, de reflex\u00e3o e discernimento comum e de leitura teol\u00f3gica das experi\u00eancias concretas.<\/p>\n<p>Numa segunda interven\u00e7\u00e3o, o Cardeal falava das dificuldades e oportunidades da realiza\u00e7\u00e3o concreta do caminho sinodal, distinguindo as dificuldades dos sacerdotes na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas exig\u00eancias. Analisou uma primeira dificuldade de ordem pr\u00e1tica, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es da vida laboral e social, a promo\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o de novas iniciativas que v\u00e3o de encontro \u00e0s necessidades do povo de Deus.<\/p>\n<p>Uma segunda dificuldade relaciona-se com as escolhas pastorais de alguns bispos para desenvolver o caminho sinodal na pr\u00f3pria diocese. Referiu que muitos bispos se tornaram promotores entusiastas das propostas do caminho sinodal, mas a realiza\u00e7\u00e3o concreta desse esp\u00edrito encontrou muitas dificuldades, lembrando que a aplica\u00e7\u00e3o das propostas implica o protagonismo de cada um na sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Refere a ideia do papa Francisco de que um obst\u00e1culo \u00e0 miss\u00e3o \u00e9 o clericalismo, que se encontra tamb\u00e9m nos leigos.<\/p>\n<p><strong>Cultura da sinodalidade<\/strong><\/p>\n<p>A sua proposta final acentuava a necessidade de uma cultura da sinodalidade, recorrendo de novo ao Documento final, em que se afirma: \u201cA experi\u00eancia do S\u00ednodo pode ajudar Bispos, Presb\u00edteros e Di\u00e1conos a redescobrir a corresponsabilidade no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, que exige tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o com os outros membros do Povo de Deus. Uma distribui\u00e7\u00e3o mais articulada das tarefas e das responsabilidades, um discernimento mais corajoso daquilo que pertence propriamente ao minist\u00e9rio ordenado e daquilo que pode e deve ser delegado a outros, favorecer\u00e1 o seu exerc\u00edcio de modo espiritualmente mais sadio e pastoralmente mais din\u00e2mico em cada uma das suas ordens\u201d, ajudando tamb\u00e9m \u201ca superar o clericalismo, entendido como uso do poder em benef\u00edcio pr\u00f3prio e distor\u00e7\u00e3o da autoridade da Igreja que est\u00e1 ao servi\u00e7o do Povo de Deus\u201d, lembrando que\u00a0 \u201cO clericalismo, fomentado tanto pelos pr\u00f3prios Sacerdotes como pelos Leigos, gera uma cis\u00e3o no Corpo eclesial que fomenta e ajuda a perpetuar muitos dos males que hoje\u201d (n. 74).<\/p>\n<p>Uma recomenda\u00e7\u00e3o final acentuava a proposta de \u201cuma Igreja em sa\u00edda\u201d ao encontro da sociedade, na edifica\u00e7\u00e3o do bem comum, e sugerindo a forma\u00e7\u00e3o e o discernimento como instrumentos para o futuro.<\/p>\n<p><strong>Propostas de sinodalidade<\/strong><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia desta confer\u00eancia, Jo\u00e3o Paiva, Professor da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto, refletia tamb\u00e9m sobre o sentido da sinodalidade, propondo a passagem da dimens\u00e3o institucional ao desenvolvimento de uma capacidade de escutar , propondo reflex\u00f5es sobre dados concretos, como uma m\u00edstica do sil\u00eancio e da ora\u00e7\u00e3o, uma busca do equil\u00edbrio corporal, a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis na conflitualidade (que considerou poder tornar-se fonte de ovas energias), a possibilidade de uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica superadora do populismo, acentuando tamb\u00e9m o tratamento equilibrado do tema da sexualidade. Salientou igualmente o papel da mulher na Igreja, apelando \u00e0 capacidade de uma lideran\u00e7a feminina valorizadora da a\u00e7\u00e3o pastoral. Lan\u00e7ou uma proposta global: burilar o dizer, o fazer, o ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na interven\u00e7\u00e3o que efetuou no encontro com os sacerdotes e di\u00e1conos na Casa de Vilar, em 28 de abril de 2026, O Cardeal M\u00e1rio Grech, secret\u00e1rio geral do S\u00ednodo dos Bispos prop\u00f4s caminhos de renovamento pastoral das igrejas locais na esteira do S\u00ednodo (de 2021-2014). Em primeiro lugar acentuou que devem ser as igrejas locais as protagonistas da fase de atualiza\u00e7\u00e3o das propostas do S\u00ednodo, lembrando que devem tornar-se espa\u00e7os de aplica\u00e7\u00e3o das propostas sinodais, como primeiro e fundamental n\u00edvel para o exerc\u00edcio da sinodalidade, salientando que o pr\u00f3prio Papa Francisco fez notar que o S\u00ednodo n\u00e3o foi celebrado apenas em Roma, mas se expressou tamb\u00e9m e todas as dioceses do mundo, embora com intensidades diversas, apelando ao acolhimento pelas igrejas locais de todo o esp\u00edrito sinodal, salientado o facto de o papa Francisco n\u00e3o lan\u00e7ou\u00a0 nenhum documento pr\u00f3prio, considerando que o\u00a0Documento Final\u00a0deve tornar-se ponto de desenvolvimento da miss\u00e3o eclesial da evangeliza\u00e7\u00e3o, afirmando que cada Igreja local deve agora interrogar-se sobre os caminhos do renovamento pastoral que o S\u00ednodo a impulsiona a p\u00f4r em pr\u00e1tica. Defendeu a realiza\u00e7\u00e3o progressiva de uma passagem da centralidade da estrutura a uma\u00a0centralidade da rela\u00e7\u00e3o, o que exige uma transforma\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento do estilo, passando de uma pastoral da organiza\u00e7\u00e3o para uma pastoral do acolhimento, citando o Papa Francisco ao afirmar que \u201cuma Igreja sinodal \u00e9 uma Igreja da escuta\u201d, na procura de ler sempre o que o Esp\u00edrito Santo diz \u00e0 Igreja. O S\u00ednodo exorta n\u00e3o apenas a valorizar os minist\u00e9rios j\u00e1 existentes, mas a procurar que outros minist\u00e9rios possam ser introduzidos para responder\u00a0 \u00e0s exig\u00eancias de cada Igreja local. Apela tamb\u00e9m \u00e0 revitaliza\u00e7\u00e3o dos organismos diocesanos de participa\u00e7\u00e3o, citando o n.\u00ba 103 do Documento final: \u201cA participa\u00e7\u00e3o dos Batizados nos processos de decis\u00e3o, bem como as pr\u00e1ticas de presta\u00e7\u00e3o de contas e avalia\u00e7\u00e3o, realizam-se atrav\u00e9s de media\u00e7\u00f5es institucionais, antes de mais os organismos de participa\u00e7\u00e3o que, a n\u00edvel da Igreja local, o direito can\u00f3nico j\u00e1 prev\u00ea\u201d, lembrando o S\u00ednodo diocesano, os conselhos presbiteral e pastoral, e os conselhos paroquiais. Sinodalidade e miss\u00e3o Apela ainda a modelos de lideran\u00e7a capazes de promover a coopera\u00e7\u00e3o entre todos, por uma colabora\u00e7\u00e3o articulada entre eles, desenvolvendo a transpar\u00eancia, a responsabilidade e a presta\u00e7\u00e3o de contas, isto \u00e9 a sinodalidade. 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Finalmente, referia duas dimens\u00f5es como \u201cinstrumentos para o futuro\u201d: a forma\u00e7\u00e3o e o discernimento, nas palavras do\u00a0Documento final\u00a0(n. 143): que a forma\u00e7\u00e3o seja\u00a0integral, cont\u00ednua e partilhada.\u00a0A finalidade n\u00e3o deve se a aquisi\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias te\u00f3ricas, mas a cria\u00e7\u00e3o da capacidade de abertura e encontro, de partilha e colabora\u00e7\u00e3o, de reflex\u00e3o e discernimento comum e de leitura teol\u00f3gica das experi\u00eancias concretas. Numa segunda interven\u00e7\u00e3o, o Cardeal falava das dificuldades e oportunidades da realiza\u00e7\u00e3o concreta do caminho sinodal, distinguindo as dificuldades dos sacerdotes na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas exig\u00eancias. Analisou uma primeira dificuldade de ordem pr\u00e1tica, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es da vida laboral e social, a promo\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o de novas iniciativas que v\u00e3o de encontro \u00e0s necessidades do povo de Deus. Uma segunda dificuldade relaciona-se com as escolhas pastorais de alguns bispos para desenvolver o caminho sinodal na pr\u00f3pria diocese. Referiu que muitos bispos se tornaram promotores entusiastas das propostas do caminho sinodal, mas a realiza\u00e7\u00e3o concreta desse esp\u00edrito encontrou muitas dificuldades, lembrando que a aplica\u00e7\u00e3o das propostas implica o protagonismo de cada um na sua realiza\u00e7\u00e3o. Refere a ideia do papa Francisco de que um obst\u00e1culo \u00e0 miss\u00e3o \u00e9 o clericalismo, que se encontra tamb\u00e9m nos leigos. Cultura da sinodalidade A sua proposta final acentuava a necessidade de uma cultura da sinodalidade, recorrendo de novo ao Documento final, em que se afirma: \u201cA experi\u00eancia do S\u00ednodo pode ajudar Bispos, Presb\u00edteros e Di\u00e1conos a redescobrir a corresponsabilidade no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio, que exige tamb\u00e9m a colabora\u00e7\u00e3o com os outros membros do Povo de Deus. Uma distribui\u00e7\u00e3o mais articulada das tarefas e das responsabilidades, um discernimento mais corajoso daquilo que pertence propriamente ao minist\u00e9rio ordenado e daquilo que pode e deve ser delegado a outros, favorecer\u00e1 o seu exerc\u00edcio de modo espiritualmente mais sadio e pastoralmente mais din\u00e2mico em cada uma das suas ordens\u201d, ajudando tamb\u00e9m \u201ca superar o clericalismo, entendido como uso do poder em benef\u00edcio pr\u00f3prio e distor\u00e7\u00e3o da autoridade da Igreja que est\u00e1 ao servi\u00e7o do Povo de Deus\u201d, lembrando que\u00a0 \u201cO clericalismo, fomentado tanto pelos pr\u00f3prios Sacerdotes como pelos Leigos, gera uma cis\u00e3o no Corpo eclesial que fomenta e ajuda a perpetuar muitos dos males que hoje\u201d (n. 74). Uma recomenda\u00e7\u00e3o final acentuava a proposta de \u201cuma Igreja em sa\u00edda\u201d ao encontro da sociedade, na edifica\u00e7\u00e3o do bem comum, e sugerindo a forma\u00e7\u00e3o e o discernimento como instrumentos para o futuro. Propostas de sinodalidade Na sequ\u00eancia desta confer\u00eancia, Jo\u00e3o Paiva, Professor da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade do Porto, refletia tamb\u00e9m sobre o sentido da sinodalidade, propondo a passagem da dimens\u00e3o institucional ao desenvolvimento de uma capacidade de escutar , propondo reflex\u00f5es sobre dados concretos, como uma m\u00edstica do sil\u00eancio e da ora\u00e7\u00e3o, uma busca do equil\u00edbrio corporal, a cria\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis na conflitualidade (que considerou poder tornar-se fonte de ovas energias), a possibilidade de uma interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica superadora do populismo, acentuando tamb\u00e9m o tratamento equilibrado do tema da sexualidade. 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