{"id":32439,"date":"2026-05-21T10:10:56","date_gmt":"2026-05-21T10:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32439"},"modified":"2026-05-21T10:10:56","modified_gmt":"2026-05-21T10:10:56","slug":"economia-de-guerra-o-negocio-da-inseguranca-geopolitica-permanente-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/economia-de-guerra-o-negocio-da-inseguranca-geopolitica-permanente-parte-i\/","title":{"rendered":"Economia de guerra, o neg\u00f3cio da inseguran\u00e7a geopol\u00edtica permanente (Parte I)"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Quem ganha e quem perde com uma economia orientada para a guerra? As ind\u00fastrias da tecnodefesa, o setor do petr\u00f3leo e o mercado de armamentos s\u00e3o os maiores benefici\u00e1rios. Pouco se fala, por\u00e9m, dos custos em termos de vidas humanas, meio ambiente, fragilidade das rela\u00e7\u00f5es internacionais e restri\u00e7\u00e3o das liberdades pessoais. Vittorio Pelligra, professor de pol\u00edtica econ\u00f4mica da Universidade de Cagliari em entrevista \u00e0 Vatican News.<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>A guerra gera lucros e consider\u00e1veis oportunidades de neg\u00f3cios. Beneficiam-se disso sobretudo alguns pa\u00edses e setores econ\u00f4micos, e n\u00e3o necessariamente aqueles ligados \u00e0 economia ilegal. O\u00a0<i>Financial Times<\/i>\u00a0recordou que, nos \u00faltimos meses, apesar da crise no Oriente M\u00e9dio em curso \u2013 ou talvez justamente por causa dela \u2013, o conjunto das atividades produtivas globais continuou crescendo em ritmo superior a 3% ao ano.<\/p>\n<p>Mas, se o impulso de que a economia se aproveita em situa\u00e7\u00f5es de conflitos armados ou crises de diversas naturezas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais um mist\u00e9rio, hoje o que se tornou neg\u00f3cio \u00e9 o medo, em torno do qual vai se estruturando uma nova ordem mundial fundada na inseguran\u00e7a e na instabilidade. N\u00e3o se trata mais de algo material, mas de um bem sobre cujo valor se aposta para o futuro: uma esp\u00e9cie de \u201cfuturos\u201d, como nos mercados financeiros, agravado, por\u00e9m, pela aus\u00eancia total de risco, que normalmente \u00e9 caracter\u00edstica constitutiva de qualquer investimento. A conclus\u00e3o \u00e9 que a paz, em si, j\u00e1 n\u00e3o compensa.<\/p>\n<p><b>A \u201cnova monarquia do medo\u201d<\/b><\/p>\n<p>Quem est\u00e1 convencido disso \u00e9 Vittorio Pelligra, professor de pol\u00edtica econ\u00f4mica e diretor do Centro de Ci\u00eancias Comportamentais e Estat\u00edsticas da Universidade de Cagliari, especialista em economia civil e estudioso da aplica\u00e7\u00e3o de modelos te\u00f3ricos por meio do di\u00e1logo com a psicologia cognitiva e as neuroci\u00eancias. Em recentes interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ele falou de uma \u201cnova monarquia do medo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cHoje mudou profundamente o modelo de neg\u00f3cios de quem atua no setor da chamada tecnodefesa, que n\u00e3o se baseia mais apenas na produ\u00e7\u00e3o de armamentos\u201d, afirma em entrevista aos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Vaticano.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque o novo crit\u00e9rio dominante \u2013 j\u00e1 n\u00e3o operando mais dentro da l\u00f3gica da dissuas\u00e3o, pela qual se arma para enviar um sinal aos potenciais advers\u00e1rios sobre os custos que sofreriam ao desencadear um ataque \u2013 \u00e9 o que os especialistas chamam de\u00a0<i>pre-emption<\/i>, ou seja, uma esp\u00e9cie de a\u00e7\u00e3o preventiva, na qual se tende a preparar-se para algo que poderia acontecer, mesmo que ainda n\u00e3o tenha acontecido e talvez nunca aconte\u00e7a. Em ess\u00eancia, deve-se manter uma situa\u00e7\u00e3o de perigo constante.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente na passagem da dissuas\u00e3o para a preven\u00e7\u00e3o que a inseguran\u00e7a geopol\u00edtica se torna o adubo para que esse tipo de ind\u00fastria prospere, ao mesmo tempo em que multiplica o crescimento das armas e se transforma numa forma de capital da qual nos tornamos dependentes.<\/p>\n<p>Assim, toda a ind\u00fastria da defesa j\u00e1 n\u00e3o serve mais para garantir maior seguran\u00e7a, mas se desenvolve sobre um estado de inseguran\u00e7a permanente, do qual ela necessita para poder crescer. Estrutura-se uma causalidade circular, gra\u00e7as \u00e0 qual a instabilidade geopol\u00edtica exige novos investimentos, mas esses investimentos t\u00eam como objetivo impedir que a inseguran\u00e7a desapare\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Armas e defesa: os primeiros benefici\u00e1rios<\/b><\/p>\n<p>O interesse em que isso aconte\u00e7a tem nome e sobrenome. Antes de tudo, \u201co enorme aparato das grandes empresas tradicionais do setor de defesa, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, que reencontraram nesses anos uma nova juventude. Basta olhar suas a\u00e7\u00f5es na Bolsa\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o\u00a0<i>The New York Times<\/i>, em dois meses de guerra no Ir\u00e3, o Pent\u00e1gono gastou mais do que o valor destinado anualmente para muni\u00e7\u00f5es. Para o pr\u00f3ximo or\u00e7amento federal, Donald Trump pediu que fossem destinados 1,3 trilh\u00e3o de d\u00f3lares para a defesa, gerando enormes ganhos para as ind\u00fastrias produtoras.<\/p>\n<p>O \u00faltimo relat\u00f3rio do Sipri mostra que, entre 2021 e 2025, o aumento global da compra de armas cresceu 9,2%. No mesmo per\u00edodo, a Europa, devido \u00e0s transfer\u00eancias para a Ucr\u00e2nia e aos projetos de rearmamento, triplicou suas importa\u00e7\u00f5es de armamentos, passando a representar 33% do total mundial, contra 12% no quinqu\u00eanio 2016-2020.<\/p>\n<p><b>O controle tecnol\u00f3gico como dado inevit\u00e1vel<\/b><\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m todo um \u201cecossistema de empresas de novas tecnologias, ligadas \u00e0 rob\u00f3tica, intelig\u00eancia artificial, extra\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de dados. A seguran\u00e7a \u00e9 vista como a capacidade de antecipar, reagir e prever a amea\u00e7as mais ou menos concretas\u201d.<\/p>\n<p>Fazem parte desse conglomerado empresas como Palantir e Anduril. A primeira, por exemplo, apresentou no m\u00eas passado um balan\u00e7o trimestral com aumento de 85% na receita em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2025 e previs\u00e3o de crescimento de 71% para este ano.<\/p>\n<p>S\u00e3o startups de alta tecnologia que trabalham para muitos governos e departamentos de defesa, mas possuem \u201ccaracter\u00edsticas diferentes dos grandes contratantes do Estado, porque fazem inova\u00e7\u00e3o e investimentos onde acreditam haver maior lucratividade\u201d. Elas \u201cn\u00e3o s\u00e3o orientadas pelo poder p\u00fablico, mas orientam os investimentos dos governos e podem contar com um fluxo constante de contratos bilion\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201ca conex\u00e3o entre tecnologia e armamentos hoje \u00e9 explicitamente teorizada\u201d.<\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo livro, Alex Karp, CEO da Palantir, \u201cexplica \u00e0s empresas do Vale do Sil\u00edcio o dever moral que elas t\u00eam de trabalhar com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica para tornar o pa\u00eds mais seguro\u201d e defender o Ocidente das amea\u00e7as externas.<\/p>\n<p>A tecnologia, escreve Karp, n\u00e3o \u00e9 um poder neutro, mas geopol\u00edtico, e deve tornar-se aliada das democracias para enfrentar as autocracias, como a China, que j\u00e1 a utilizam para se afirmar no mundo.<\/p>\n<p>O pressuposto \u00e9 que hoje o peso n\u00e3o est\u00e1 apenas nos Estados e ex\u00e9rcitos, mas sobretudo em algoritmos, dados, softwares e no uso da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p><b>O \u201ccapitalismo da vigil\u00e2ncia\u201d<\/b><\/p>\n<p>Trata-se do capitalismo da vigil\u00e2ncia, denunciado pela soci\u00f3loga Shoshana Zuboff em seu ensaio hom\u00f4nimo de 2019.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o poucos os que acreditam que um mundo mais controlado, em que as vidas estejam sob a lente de algum grande irm\u00e3o, institucional ou n\u00e3o, seja prefer\u00edvel. De George Orwell a Dave Eggers, a literatura dist\u00f3pica produziu relatos prof\u00e9ticos sobre aquilo que hoje se tornou realidade, com amea\u00e7as evidentes \u00e0s liberdades pessoais e \u00e0 privacidade.<\/p>\n<p>Na base disso est\u00e1 tamb\u00e9m o mito, constru\u00eddo ao longo dos anos, da transpar\u00eancia a qualquer custo.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u2013 destaca Pelligra \u2013 \u00e9 sempre quem controla os controladores. Esses instrumentos est\u00e3o nas m\u00e3os de poucas pessoas que escapam totalmente \u00e0 din\u00e2mica do controle democr\u00e1tico. Portanto, o \u2018para quem, por que e como\u2019 realizam determinadas opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o quest\u00f5es absolutamente opacas, que o debate p\u00fablico n\u00e3o consegue interceptar e que a pol\u00edtica perdeu a ambi\u00e7\u00e3o de conduzir.\u201d<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia direta \u00e9 que, \u201cquando o \u2018estado de exce\u00e7\u00e3o\u2019 se torna a regra, a pr\u00f3pria escolha pol\u00edtica torna-se sup\u00e9rflua: se a necessidade de rearmamento \u00e9 apresentada como inevit\u00e1vel, n\u00e3o sobra espa\u00e7o para alternativas, e os cidad\u00e3os apenas se adaptam aos governantes\u201d, que, por sua vez, est\u00e3o submetidos a uma narrativa imposta externamente, que apresenta o perigo como iminente e inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim, autorizam-se, justificam-se e aceitam-se viola\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas das liberdades e da privacidade pessoais \u201cem nome de um suposto bem maior\u201d.<\/p>\n<p><b>O perigo de uma tecnologia sem limites<\/b><\/p>\n<p>A s\u00edntese desse pensamento est\u00e1 na ideia do fundador da Palantir, Peter Thiel, segundo a qual a tecnologia decide e a pol\u00edtica executa.<\/p>\n<p>Em contraste com a Doutrina Social da Igreja, trata-se da vit\u00f3ria da l\u00f3gica segundo a qual \u201ctudo aquilo que \u00e9 tecnicamente poss\u00edvel \u00e9 justo e necess\u00e1rio de ser feito. Uma ideia de avan\u00e7o tecnol\u00f3gico que n\u00e3o pode e n\u00e3o deve ser governado, livre de limita\u00e7\u00f5es \u00e9ticas, morais e at\u00e9 democr\u00e1ticas\u201d, denuncia o professor.<\/p>\n<p>Segundo Thiel, a tecnologia \u201cpermite formar consenso contornando todos os procedimentos tradicionais\u201d.<\/p>\n<p>(Vaticano News)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem ganha e quem perde com uma economia orientada para a guerra? As ind\u00fastrias da tecnodefesa, o setor do petr\u00f3leo e o mercado de armamentos s\u00e3o os maiores benefici\u00e1rios. Pouco se fala, por\u00e9m, dos custos em termos de vidas humanas, meio ambiente, fragilidade das rela\u00e7\u00f5es internacionais e restri\u00e7\u00e3o das liberdades pessoais. Vittorio Pelligra, professor de pol\u00edtica econ\u00f4mica da Universidade de Cagliari em entrevista \u00e0 Vatican News. A guerra gera lucros e consider\u00e1veis oportunidades de neg\u00f3cios. Beneficiam-se disso sobretudo alguns pa\u00edses e setores econ\u00f4micos, e n\u00e3o necessariamente aqueles ligados \u00e0 economia ilegal. O\u00a0Financial Times\u00a0recordou que, nos \u00faltimos meses, apesar da crise no Oriente M\u00e9dio em curso \u2013 ou talvez justamente por causa dela \u2013, o conjunto das atividades produtivas globais continuou crescendo em ritmo superior a 3% ao ano. Mas, se o impulso de que a economia se aproveita em situa\u00e7\u00f5es de conflitos armados ou crises de diversas naturezas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais um mist\u00e9rio, hoje o que se tornou neg\u00f3cio \u00e9 o medo, em torno do qual vai se estruturando uma nova ordem mundial fundada na inseguran\u00e7a e na instabilidade. N\u00e3o se trata mais de algo material, mas de um bem sobre cujo valor se aposta para o futuro: uma esp\u00e9cie de \u201cfuturos\u201d, como nos mercados financeiros, agravado, por\u00e9m, pela aus\u00eancia total de risco, que normalmente \u00e9 caracter\u00edstica constitutiva de qualquer investimento. A conclus\u00e3o \u00e9 que a paz, em si, j\u00e1 n\u00e3o compensa. A \u201cnova monarquia do medo\u201d Quem est\u00e1 convencido disso \u00e9 Vittorio Pelligra, professor de pol\u00edtica econ\u00f4mica e diretor do Centro de Ci\u00eancias Comportamentais e Estat\u00edsticas da Universidade de Cagliari, especialista em economia civil e estudioso da aplica\u00e7\u00e3o de modelos te\u00f3ricos por meio do di\u00e1logo com a psicologia cognitiva e as neuroci\u00eancias. Em recentes interven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ele falou de uma \u201cnova monarquia do medo\u201d. \u201cHoje mudou profundamente o modelo de neg\u00f3cios de quem atua no setor da chamada tecnodefesa, que n\u00e3o se baseia mais apenas na produ\u00e7\u00e3o de armamentos\u201d, afirma em entrevista aos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Vaticano. Isso ocorre porque o novo crit\u00e9rio dominante \u2013 j\u00e1 n\u00e3o operando mais dentro da l\u00f3gica da dissuas\u00e3o, pela qual se arma para enviar um sinal aos potenciais advers\u00e1rios sobre os custos que sofreriam ao desencadear um ataque \u2013 \u00e9 o que os especialistas chamam de\u00a0pre-emption, ou seja, uma esp\u00e9cie de a\u00e7\u00e3o preventiva, na qual se tende a preparar-se para algo que poderia acontecer, mesmo que ainda n\u00e3o tenha acontecido e talvez nunca aconte\u00e7a. Em ess\u00eancia, deve-se manter uma situa\u00e7\u00e3o de perigo constante. \u00c9 justamente na passagem da dissuas\u00e3o para a preven\u00e7\u00e3o que a inseguran\u00e7a geopol\u00edtica se torna o adubo para que esse tipo de ind\u00fastria prospere, ao mesmo tempo em que multiplica o crescimento das armas e se transforma numa forma de capital da qual nos tornamos dependentes. Assim, toda a ind\u00fastria da defesa j\u00e1 n\u00e3o serve mais para garantir maior seguran\u00e7a, mas se desenvolve sobre um estado de inseguran\u00e7a permanente, do qual ela necessita para poder crescer. Estrutura-se uma causalidade circular, gra\u00e7as \u00e0 qual a instabilidade geopol\u00edtica exige novos investimentos, mas esses investimentos t\u00eam como objetivo impedir que a inseguran\u00e7a desapare\u00e7a. Armas e defesa: os primeiros benefici\u00e1rios O interesse em que isso aconte\u00e7a tem nome e sobrenome. Antes de tudo, \u201co enorme aparato das grandes empresas tradicionais do setor de defesa, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, que reencontraram nesses anos uma nova juventude. Basta olhar suas a\u00e7\u00f5es na Bolsa\u201d. Segundo o\u00a0The New York Times, em dois meses de guerra no Ir\u00e3, o Pent\u00e1gono gastou mais do que o valor destinado anualmente para muni\u00e7\u00f5es. Para o pr\u00f3ximo or\u00e7amento federal, Donald Trump pediu que fossem destinados 1,3 trilh\u00e3o de d\u00f3lares para a defesa, gerando enormes ganhos para as ind\u00fastrias produtoras. O \u00faltimo relat\u00f3rio do Sipri mostra que, entre 2021 e 2025, o aumento global da compra de armas cresceu 9,2%. No mesmo per\u00edodo, a Europa, devido \u00e0s transfer\u00eancias para a Ucr\u00e2nia e aos projetos de rearmamento, triplicou suas importa\u00e7\u00f5es de armamentos, passando a representar 33% do total mundial, contra 12% no quinqu\u00eanio 2016-2020. O controle tecnol\u00f3gico como dado inevit\u00e1vel Existe tamb\u00e9m todo um \u201cecossistema de empresas de novas tecnologias, ligadas \u00e0 rob\u00f3tica, intelig\u00eancia artificial, extra\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de dados. A seguran\u00e7a \u00e9 vista como a capacidade de antecipar, reagir e prever a amea\u00e7as mais ou menos concretas\u201d. Fazem parte desse conglomerado empresas como Palantir e Anduril. A primeira, por exemplo, apresentou no m\u00eas passado um balan\u00e7o trimestral com aumento de 85% na receita em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2025 e previs\u00e3o de crescimento de 71% para este ano. S\u00e3o startups de alta tecnologia que trabalham para muitos governos e departamentos de defesa, mas possuem \u201ccaracter\u00edsticas diferentes dos grandes contratantes do Estado, porque fazem inova\u00e7\u00e3o e investimentos onde acreditam haver maior lucratividade\u201d. Elas \u201cn\u00e3o s\u00e3o orientadas pelo poder p\u00fablico, mas orientam os investimentos dos governos e podem contar com um fluxo constante de contratos bilion\u00e1rios\u201d. Al\u00e9m disso, \u201ca conex\u00e3o entre tecnologia e armamentos hoje \u00e9 explicitamente teorizada\u201d. Em seu \u00faltimo livro, Alex Karp, CEO da Palantir, \u201cexplica \u00e0s empresas do Vale do Sil\u00edcio o dever moral que elas t\u00eam de trabalhar com a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica para tornar o pa\u00eds mais seguro\u201d e defender o Ocidente das amea\u00e7as externas. A tecnologia, escreve Karp, n\u00e3o \u00e9 um poder neutro, mas geopol\u00edtico, e deve tornar-se aliada das democracias para enfrentar as autocracias, como a China, que j\u00e1 a utilizam para se afirmar no mundo. O pressuposto \u00e9 que hoje o peso n\u00e3o est\u00e1 apenas nos Estados e ex\u00e9rcitos, mas sobretudo em algoritmos, dados, softwares e no uso da intelig\u00eancia artificial. O \u201ccapitalismo da vigil\u00e2ncia\u201d Trata-se do capitalismo da vigil\u00e2ncia, denunciado pela soci\u00f3loga Shoshana Zuboff em seu ensaio hom\u00f4nimo de 2019. N\u00e3o s\u00e3o poucos os que acreditam que um mundo mais controlado, em que as vidas estejam sob a lente de algum grande irm\u00e3o, institucional ou n\u00e3o, seja prefer\u00edvel. De George Orwell a Dave Eggers, a literatura dist\u00f3pica produziu relatos prof\u00e9ticos sobre aquilo que hoje se tornou realidade, com amea\u00e7as evidentes \u00e0s liberdades pessoais e \u00e0 privacidade. Na base disso est\u00e1 tamb\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":32440,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32439","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32439","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32439\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}