{"id":32493,"date":"2026-06-03T10:36:33","date_gmt":"2026-06-03T10:36:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32493"},"modified":"2026-06-03T10:36:33","modified_gmt":"2026-06-03T10:36:33","slug":"a-beleza-de-ser-humano-reside-na-capacidade-de-amar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/a-beleza-de-ser-humano-reside-na-capacidade-de-amar\/","title":{"rendered":"A beleza de ser humano reside na capacidade de amar"},"content":{"rendered":"<p>Muito se tem falado da primeira Enc\u00edclica de Le\u00e3o XVI sobre a Intelig\u00eancia Artificial (IA). Se este foi o primeiro a escrever um documento teol\u00f3gico, Francisco foi o primeiro a abordar este tema: Dia Mundial da Paz de 2024:\u00a0<em>\u201cIntelig\u00eancia Artificial e Paz\u201d<\/em>;\u00a058\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais:\u00a0<em>\u201cIntelig\u00eancia Artificial e Sabedoria do Cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>; e o discurso no G7 Summit 2024, sobre os riscos e a \u00e9tica da IA.<\/p>\n<p>Quero recordar o mais importante deste discurso aos l\u00edderes das 7 maiores e mais ricas economias e democracias industrializadas do mundo. Porque, h\u00e1\u00a0<em>continuidade aprofundada<\/em>\u00a0na Enc\u00edclica\u00a0<em>Magnifica Humanitas<\/em>\u00a0do discurso do Papa Francisco a 14 de junho de 2024 no G7.<\/p>\n<p>No G7, o Papa Francisco afirmou:\u00a0<em>\u00abE agora \u00e9 leg\u00edtimo imaginar que o uso da IA \u200b\u200binfluenciar\u00e1 cada vez mais o nosso modo de vida, os nossos relacionamentos sociais e, no futuro, at\u00e9 mesmo a forma como concebemos a nossa identidade como seres humanos\u00bb<\/em>.<\/p>\n<p>Francisco insistiu que a IA \u00e9 uma ferramenta poderosa, mas que decis\u00f5es fundamentais devem permanecer sob responsabilidade humana. Ele distinguiu a capacidade humana de\u00a0<em>&#8220;decidir&#8221;<\/em>\u00a0da simples capacidade algor\u00edtmica de\u00a0<em>&#8220;escolher&#8221;<\/em>\u00a0entre op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Papa argumentou explicitamente que algoritmos n\u00e3o s\u00e3o<em>\u00a0&#8220;objetivos nem neutros&#8221;<\/em>, porque carregam os pressupostos e os valores dos seus criadores. Pediu que armas aut\u00f3nomas letais fossem proibidas e declarou que nenhuma m\u00e1quina deveria decidir sobre a vida e a morte de seres humanos.<\/p>\n<p>Francisco falou ainda da necessidade de uma\u00a0<em>&#8220;algor\u00e9tica&#8221;<\/em>\u00a0global e de coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional para regular a tecnologia.<\/p>\n<p>Se faz parte do nosso dia a dia falar sobre a IA: em conversas entre amigos ou colegas de trabalho, na televis\u00e3o, nos jornais\u2026 &#8211; Esse\u00a0<em>mundo<\/em>\u00a0totalmente novo que nos preocupa, mas ao mesmo tempo intriga-nos e fascina-nos. S\u00e3o novas oportunidades de vida que se abrem diante de n\u00f3s, com as quais j\u00e1 come\u00e7amos a familiarizar-nos. &#8211;\u00a0 Tamb\u00e9m testemunhamos, com certo espanto, as mudan\u00e7as no nosso estilo de vida, na forma como trabalhamos, pesquisamos ou nos relacionamos uns com os outros.<\/p>\n<p>O perigo, de facto, da IA degenerar e se tornar inimiga da humanidade \u00e9 mais do que real. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que a IA \u00e9 uma ferramenta ambivalente e que seu uso contribuir\u00e1 para a cria\u00e7\u00e3o de um novo sistema social caracterizado por transforma\u00e7\u00f5es complexas e de grande impacto.<\/p>\n<p>Por exemplo, a intelig\u00eancia artificial poderia viabilizar o acesso universal ao conhecimento, ao progresso na pesquisa cient\u00edfica e a possibilidade de\u00a0<em>deixar<\/em>\u00a0\u00e0s m\u00e1quinas os trabalhos mais dif\u00edceis; mas, ao mesmo tempo, poder\u00e1 trazer consigo maior injusti\u00e7a entre as na\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas e as que se encontram em desenvolvimento, entre as classes sociais dominantes e as mais fr\u00e1geis, pondo em risco a possibilidade de uma\u00a0<em>cultura do encontro<\/em>\u00a0em favor de uma\u00a0<em>cultura do desperd\u00edcio e do descarte.<\/em><\/p>\n<p>Perante tudo isto surgem as quest\u00f5es:<em>\u00a0\u201cAinda seremos humanos?&#8221;, \u201cAt\u00e9 onde podemos avan\u00e7ar em pesquisa e experimenta\u00e7\u00e3o?\u201d, \u201cOnde reside a linha divis\u00f3ria al\u00e9m da qual n\u00e3o podemos ir, sem correr o risco de desumaniza\u00e7\u00e3o?\u201d&#8230;\u00a0<\/em>Essa \u00e9 a ess\u00eancia da \u00e9tica que deve guiar e reger toda a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que significa, ent\u00e3o, ser humano? Qual \u00e9 a\u00a0<em>beleza<\/em>\u00a0de ser humano sen\u00e3o a capacidade de amar, de se comover, de apreciar a beleza; de nos questionarmos e decidirmos, de acolher a vida como ela se apresenta, dando tudo de n\u00f3s para que o mundo se torne melhor; de sermos apaixonados pela vida com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es; de \u200b\u200bfazermos a nossa parte, dia ap\u00f3s dia, e faz\u00ea-lo da melhor maneira poss\u00edvel, cometendo erros,\u00a0<em>caindo<\/em>\u00a0e\u00a0<em>levantando-nos<\/em>\u00a0para recome\u00e7ar a construir; de nos cansarmos e, a cada vez, recome\u00e7armos com esp\u00edrito de esperan\u00e7a?<\/p>\n<p>(iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se tem falado da primeira Enc\u00edclica de Le\u00e3o XVI sobre a Intelig\u00eancia Artificial (IA). Se este foi o primeiro a escrever um documento teol\u00f3gico, Francisco foi o primeiro a abordar este tema: Dia Mundial da Paz de 2024:\u00a0\u201cIntelig\u00eancia Artificial e Paz\u201d;\u00a058\u00ba Dia Mundial das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais:\u00a0\u201cIntelig\u00eancia Artificial e Sabedoria do Cora\u00e7\u00e3o\u201d; e o discurso no G7 Summit 2024, sobre os riscos e a \u00e9tica da IA. Quero recordar o mais importante deste discurso aos l\u00edderes das 7 maiores e mais ricas economias e democracias industrializadas do mundo. Porque, h\u00e1\u00a0continuidade aprofundada\u00a0na Enc\u00edclica\u00a0Magnifica Humanitas\u00a0do discurso do Papa Francisco a 14 de junho de 2024 no G7. No G7, o Papa Francisco afirmou:\u00a0\u00abE agora \u00e9 leg\u00edtimo imaginar que o uso da IA \u200b\u200binfluenciar\u00e1 cada vez mais o nosso modo de vida, os nossos relacionamentos sociais e, no futuro, at\u00e9 mesmo a forma como concebemos a nossa identidade como seres humanos\u00bb. Francisco insistiu que a IA \u00e9 uma ferramenta poderosa, mas que decis\u00f5es fundamentais devem permanecer sob responsabilidade humana. Ele distinguiu a capacidade humana de\u00a0&#8220;decidir&#8221;\u00a0da simples capacidade algor\u00edtmica de\u00a0&#8220;escolher&#8221;\u00a0entre op\u00e7\u00f5es. O Papa argumentou explicitamente que algoritmos n\u00e3o s\u00e3o\u00a0&#8220;objetivos nem neutros&#8221;, porque carregam os pressupostos e os valores dos seus criadores. Pediu que armas aut\u00f3nomas letais fossem proibidas e declarou que nenhuma m\u00e1quina deveria decidir sobre a vida e a morte de seres humanos. Francisco falou ainda da necessidade de uma\u00a0&#8220;algor\u00e9tica&#8221;\u00a0global e de coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica internacional para regular a tecnologia. Se faz parte do nosso dia a dia falar sobre a IA: em conversas entre amigos ou colegas de trabalho, na televis\u00e3o, nos jornais\u2026 &#8211; Esse\u00a0mundo\u00a0totalmente novo que nos preocupa, mas ao mesmo tempo intriga-nos e fascina-nos. S\u00e3o novas oportunidades de vida que se abrem diante de n\u00f3s, com as quais j\u00e1 come\u00e7amos a familiarizar-nos. &#8211;\u00a0 Tamb\u00e9m testemunhamos, com certo espanto, as mudan\u00e7as no nosso estilo de vida, na forma como trabalhamos, pesquisamos ou nos relacionamos uns com os outros. O perigo, de facto, da IA degenerar e se tornar inimiga da humanidade \u00e9 mais do que real. N\u00e3o nos esque\u00e7amos de que a IA \u00e9 uma ferramenta ambivalente e que seu uso contribuir\u00e1 para a cria\u00e7\u00e3o de um novo sistema social caracterizado por transforma\u00e7\u00f5es complexas e de grande impacto. Por exemplo, a intelig\u00eancia artificial poderia viabilizar o acesso universal ao conhecimento, ao progresso na pesquisa cient\u00edfica e a possibilidade de\u00a0deixar\u00a0\u00e0s m\u00e1quinas os trabalhos mais dif\u00edceis; mas, ao mesmo tempo, poder\u00e1 trazer consigo maior injusti\u00e7a entre as na\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas e as que se encontram em desenvolvimento, entre as classes sociais dominantes e as mais fr\u00e1geis, pondo em risco a possibilidade de uma\u00a0cultura do encontro\u00a0em favor de uma\u00a0cultura do desperd\u00edcio e do descarte. Perante tudo isto surgem as quest\u00f5es:\u00a0\u201cAinda seremos humanos?&#8221;, \u201cAt\u00e9 onde podemos avan\u00e7ar em pesquisa e experimenta\u00e7\u00e3o?\u201d, \u201cOnde reside a linha divis\u00f3ria al\u00e9m da qual n\u00e3o podemos ir, sem correr o risco de desumaniza\u00e7\u00e3o?\u201d&#8230;\u00a0Essa \u00e9 a ess\u00eancia da \u00e9tica que deve guiar e reger toda a inova\u00e7\u00e3o. O que significa, ent\u00e3o, ser humano? Qual \u00e9 a\u00a0beleza\u00a0de ser humano sen\u00e3o a capacidade de amar, de se comover, de apreciar a beleza; de nos questionarmos e decidirmos, de acolher a vida como ela se apresenta, dando tudo de n\u00f3s para que o mundo se torne melhor; de sermos apaixonados pela vida com todas as suas contradi\u00e7\u00f5es; de \u200b\u200bfazermos a nossa parte, dia ap\u00f3s dia, e faz\u00ea-lo da melhor maneira poss\u00edvel, cometendo erros,\u00a0caindo\u00a0e\u00a0levantando-nos\u00a0para recome\u00e7ar a construir; de nos cansarmos e, a cada vez, recome\u00e7armos com esp\u00edrito de esperan\u00e7a? 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