{"id":32498,"date":"2026-06-05T09:23:07","date_gmt":"2026-06-05T09:23:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32498"},"modified":"2026-06-05T09:23:07","modified_gmt":"2026-06-05T09:23:07","slug":"fe-explicita-e-implicita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/fe-explicita-e-implicita\/","title":{"rendered":"F\u00e9 expl\u00edcita e impl\u00edcita"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma filosofia e n\u00e3o se baseia numa opini\u00e3o humana. A f\u00e9 \u00e9 um dom sobrenatural que Deus concede ao homem e \u00e9 mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda em Deus que n\u00e3o pode nem enganar-se nem enganar-nos.<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>Jesus Cristo afirmou que a f\u00e9 \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.\u00a0 Com sua autoridade divina, Jesus assim explicou : \u00a0\u201cAquele que crer e for batizado ser\u00e1 salvo; aquele que n\u00e3o crer ser\u00e1 condenado\u201d (Marcos 16,16).\u00a0 Por diversas vezes, Jesus falou sobre a import\u00e2ncia da f\u00e9 como um dom sobrenatural e uma resposta humana ao Deus que revela (Lucas 7,50; Marcos 9,23; Mateus 17,20 e etc).\u00a0 A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma filosofia e n\u00e3o se baseia numa opini\u00e3o humana. A f\u00e9 \u00e9 um dom sobrenatural que Deus concede ao homem e \u00e9 mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda em Deus que n\u00e3o pode nem enganar-se nem enganar-nos.\u00a0 A f\u00e9 transcende a raz\u00e3o e \u00a0\u201ca certeza dada pela luz divina \u00e9 maior que a que \u00e9 dada pela luz da raz\u00e3o natural\u201d (Santo Tom\u00e1s de Aquino).\u00a0 \u201cPor\u00e9m, ainda que a f\u00e9 esteja acima da raz\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e1 jamais haver verdadeira desarmonia entre uma e outra, porquanto o mesmo Deus que revela os mist\u00e9rios e infunde a f\u00e9 dotou o esp\u00edrito humano da luz da raz\u00e3o; e Deus n\u00e3o poderia negar-se a si mesmo, nem a verdade jamais contradizer a verdade\u201d (Conc\u00edlio Vaticano I: DF, 4).<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XII, Santo Anselmo recordou que \u201cFides quaerens intellectum\u201d = \u201ca f\u00e9 procura compreender\u201d. \u00a0Assim, um conhecimento mais penetrante despertar\u00e1 por sua vez uma f\u00e9 maior, cada vez mais ardente de amor. Segundo a famosa express\u00e3o de Santo Agostinho, &#8220;eu creio para compreender, e compreendo para melhor crer&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que nem todas as pessoas honestas demonstram f\u00e9 de maneira expl\u00edcita.\u00a0 Sobre isso, o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II assim comentou :\u00a0 \u201cSe uma vida \u00e9 realmente correta, \u00e9 porque o Evangelho, embora n\u00e3o conhecido ou rejeitado a n\u00edvel consciente, na realidade j\u00e1 desenvolve sua a\u00e7\u00e3o no \u00edntimo da pessoa que procura com empenho honesto a verdade e est\u00e1 disposta a aceit\u00e1-la, logo que chegue a conhec\u00ea-la. Com efeito, exatamente semelhante disponibilidade \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a que opera na alma\u201d\u00a0 (Jo\u00e3o Paulo II: \u201cCruzando o limiar da esperan\u00e7a\u201d pg 181).\u00a0\u00a0 Assim, o Conc\u00edlio Vaticano II explicou que \u201caqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com cora\u00e7\u00e3o sincero e tentam, sob a a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consci\u00eancia podem conseguir a salva\u00e7\u00e3o eterna\u201d (Conc\u00edlio Vaticano II: LG 16).<\/p>\n<p>A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 um ato eclesial e isso significa que Deus nos chama a crer na Igreja como m\u00e3e e mestra da f\u00e9.\u00a0 \u00a0A f\u00e9 da Igreja precede, gera, sustenta e alimenta nossa f\u00e9.\u00a0 Jesus nos pede para ouvir a Igreja (Mateus 18,17;\u00a0 Mateus 16,18).\u00a0 Por isso, a Igreja Cat\u00f3lica afirma que \u201cn\u00e3o podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Cat\u00f3lica foi fundada por Deus atrav\u00e9s de Jesus Cristo como institui\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, apesar disso n\u00e3o quiserem nela entrar ou nela perseverar\u201d (Conc\u00edlio Vaticano II: LG 14).\u00a0 Na verdade, \u201cningu\u00e9m pode ter a Deus por Pai, que n\u00e3o tenha a Igreja por m\u00e3e\u201d\u00a0 (S\u00e3o Cipriano, s\u00e9culo III).<\/p>\n<p>Na f\u00e9, a intelig\u00eancia e a vontade humanas cooperam com a gra\u00e7a divina.\u00a0 Neste sentido, Santo Tom\u00e1s assim definiu :\u00a0 \u201cCrer \u00e9 um ato da intelig\u00eancia que assente \u00e0 verdade divina a mando da vontade movida por Deus atrav\u00e9s da gra\u00e7a\u201d.\u00a0 \u00a0Embora sublinhando o car\u00e1ter sobrenatural da f\u00e9, a Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m destaca o valor da racionabilidade da f\u00e9.\u00a0\u00a0 No s\u00e9culo IV, Santo Agostinho explicou que a f\u00e9, se n\u00e3o for pensada, nada \u00e9, ou seja, crer nada mais \u00e9 sen\u00e3o pensar consentindo; todo o que cr\u00ea pensa; crendo, pensa e pensando, cr\u00ea. Se se tira o assentimento, tira-se a f\u00e9, pois, sem o assentimento, realmente n\u00e3o se cr\u00ea (Santo Agostinho : De fide, spe et caritate, 7: CCL 64, 61.).<\/p>\n<p>O ato de f\u00e9 \u00e9 por sua natureza volunt\u00e1rio.\u00a0 Por isso, a Igreja afirma que jamais \u00e9 l\u00edcito a algu\u00e9m levar os homens a abra\u00e7ar a f\u00e9 cat\u00f3lica por coa\u00e7\u00e3o, contra a pr\u00f3pria consci\u00eancia (C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico, c\u00e2n.748 \u00a7 2).<\/p>\n<p>Lu\u00eds Eug\u00eanio San\u00e1bio e Souza\u00a0 &#8211; escritor, in Vaticano News<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma filosofia e n\u00e3o se baseia numa opini\u00e3o humana. A f\u00e9 \u00e9 um dom sobrenatural que Deus concede ao homem e \u00e9 mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda em Deus que n\u00e3o pode nem enganar-se nem enganar-nos. Jesus Cristo afirmou que a f\u00e9 \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.\u00a0 Com sua autoridade divina, Jesus assim explicou : \u00a0\u201cAquele que crer e for batizado ser\u00e1 salvo; aquele que n\u00e3o crer ser\u00e1 condenado\u201d (Marcos 16,16).\u00a0 Por diversas vezes, Jesus falou sobre a import\u00e2ncia da f\u00e9 como um dom sobrenatural e uma resposta humana ao Deus que revela (Lucas 7,50; Marcos 9,23; Mateus 17,20 e etc).\u00a0 A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 uma filosofia e n\u00e3o se baseia numa opini\u00e3o humana. A f\u00e9 \u00e9 um dom sobrenatural que Deus concede ao homem e \u00e9 mais certa que qualquer conhecimento humano, porque se funda em Deus que n\u00e3o pode nem enganar-se nem enganar-nos.\u00a0 A f\u00e9 transcende a raz\u00e3o e \u00a0\u201ca certeza dada pela luz divina \u00e9 maior que a que \u00e9 dada pela luz da raz\u00e3o natural\u201d (Santo Tom\u00e1s de Aquino).\u00a0 \u201cPor\u00e9m, ainda que a f\u00e9 esteja acima da raz\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e1 jamais haver verdadeira desarmonia entre uma e outra, porquanto o mesmo Deus que revela os mist\u00e9rios e infunde a f\u00e9 dotou o esp\u00edrito humano da luz da raz\u00e3o; e Deus n\u00e3o poderia negar-se a si mesmo, nem a verdade jamais contradizer a verdade\u201d (Conc\u00edlio Vaticano I: DF, 4). No s\u00e9culo XII, Santo Anselmo recordou que \u201cFides quaerens intellectum\u201d = \u201ca f\u00e9 procura compreender\u201d. \u00a0Assim, um conhecimento mais penetrante despertar\u00e1 por sua vez uma f\u00e9 maior, cada vez mais ardente de amor. Segundo a famosa express\u00e3o de Santo Agostinho, &#8220;eu creio para compreender, e compreendo para melhor crer&#8221;. \u00c9 verdade que nem todas as pessoas honestas demonstram f\u00e9 de maneira expl\u00edcita.\u00a0 Sobre isso, o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II assim comentou :\u00a0 \u201cSe uma vida \u00e9 realmente correta, \u00e9 porque o Evangelho, embora n\u00e3o conhecido ou rejeitado a n\u00edvel consciente, na realidade j\u00e1 desenvolve sua a\u00e7\u00e3o no \u00edntimo da pessoa que procura com empenho honesto a verdade e est\u00e1 disposta a aceit\u00e1-la, logo que chegue a conhec\u00ea-la. Com efeito, exatamente semelhante disponibilidade \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a que opera na alma\u201d\u00a0 (Jo\u00e3o Paulo II: \u201cCruzando o limiar da esperan\u00e7a\u201d pg 181).\u00a0\u00a0 Assim, o Conc\u00edlio Vaticano II explicou que \u201caqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com cora\u00e7\u00e3o sincero e tentam, sob a a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consci\u00eancia podem conseguir a salva\u00e7\u00e3o eterna\u201d (Conc\u00edlio Vaticano II: LG 16). A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 um ato eclesial e isso significa que Deus nos chama a crer na Igreja como m\u00e3e e mestra da f\u00e9.\u00a0 \u00a0A f\u00e9 da Igreja precede, gera, sustenta e alimenta nossa f\u00e9.\u00a0 Jesus nos pede para ouvir a Igreja (Mateus 18,17;\u00a0 Mateus 16,18).\u00a0 Por isso, a Igreja Cat\u00f3lica afirma que \u201cn\u00e3o podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Cat\u00f3lica foi fundada por Deus atrav\u00e9s de Jesus Cristo como institui\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, apesar disso n\u00e3o quiserem nela entrar ou nela perseverar\u201d (Conc\u00edlio Vaticano II: LG 14).\u00a0 Na verdade, \u201cningu\u00e9m pode ter a Deus por Pai, que n\u00e3o tenha a Igreja por m\u00e3e\u201d\u00a0 (S\u00e3o Cipriano, s\u00e9culo III). Na f\u00e9, a intelig\u00eancia e a vontade humanas cooperam com a gra\u00e7a divina.\u00a0 Neste sentido, Santo Tom\u00e1s assim definiu :\u00a0 \u201cCrer \u00e9 um ato da intelig\u00eancia que assente \u00e0 verdade divina a mando da vontade movida por Deus atrav\u00e9s da gra\u00e7a\u201d.\u00a0 \u00a0Embora sublinhando o car\u00e1ter sobrenatural da f\u00e9, a Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m destaca o valor da racionabilidade da f\u00e9.\u00a0\u00a0 No s\u00e9culo IV, Santo Agostinho explicou que a f\u00e9, se n\u00e3o for pensada, nada \u00e9, ou seja, crer nada mais \u00e9 sen\u00e3o pensar consentindo; todo o que cr\u00ea pensa; crendo, pensa e pensando, cr\u00ea. Se se tira o assentimento, tira-se a f\u00e9, pois, sem o assentimento, realmente n\u00e3o se cr\u00ea (Santo Agostinho : De fide, spe et caritate, 7: CCL 64, 61.). 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