{"id":32505,"date":"2026-06-06T13:27:55","date_gmt":"2026-06-06T13:27:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32505"},"modified":"2026-06-09T12:36:55","modified_gmt":"2026-06-09T12:36:55","slug":"x-domingo-do-tempo-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/x-domingo-do-tempo-comum\/","title":{"rendered":"X Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<ol>\n<li><strong> INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>No 10\u00ba Domingo do Tempo Comum do Ano A, destaca-se a tem\u00e1tica do encontro e da miseric\u00f3rdia, do perd\u00e3o e do acolhimento \u00e0 pessoa pecadora. Jesus Cristo \u00e9 o rosto da miseric\u00f3rdia do Pai (cf.\u00a0<em>Misericordiae Vultus<\/em>, 2015, papa Francisco): encarnado, evidencia quanto Deus n\u00e3o nos trata como exigem nossas faltas, mas nos guia com compaix\u00e3o, seguran\u00e7a e ternura. Hoje, Jesus contrap\u00f5e uma pr\u00e1tica de f\u00e9 baseada estritamente na justi\u00e7a a outra, ampliada pela miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p>Embora sejamos pecadores e marcados pela realidade do mal, Jesus se aproxima de n\u00f3s de modo insistente: ele nos olha e nos ama, nos perdoa e nos chama (Evangelho). A raz\u00e3o do convite para estarmos pr\u00f3ximos do Senhor \u00e9 que ele mesmo \u00e9 o \u201crem\u00e9dio\u201d que nos salva. Somente pr\u00f3ximos de Jesus conseguiremos purificar nossa vida, iluminar nossos caminhos e p\u00f4r em pr\u00e1tica seus bons ensinamentos.<\/p>\n<p>Para nos tornarmos perseverantes na proposta de vida que o Senhor Deus nos apresenta, somos convidados a renovar nossa f\u00e9, pois \u00e9 com essa chama acesa que conseguiremos permanecer no caminho do Senhor. Dessa forma, \u00e9 preciso, pois, revigorar-nos na f\u00e9 e dar gl\u00f3ria a Deus, como nos diz o ap\u00f3stolo. Que esta liturgia dominical, oportunidade privilegiada de encontro com Deus na pessoa do seu Filho, Jesus Cristo, nos renove e nos restaure em nossas mais diversas realidades, de vida e de f\u00e9.<\/p>\n<p><strong>COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> I leitura (Os 6,3-6)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Nos escritos veterotestament\u00e1rios, deparamo-nos com a figura do profeta. Ele \u00e9 mediador, receptor e articulador da palavra do Senhor, sentinela e guardi\u00e3o. N\u00e3o mant\u00e9m posto fixo, pois est\u00e1 presente na pra\u00e7a, no pal\u00e1cio e no \u00e1trio do templo \u2013 ressoam seus gritos em todas as camadas da sociedade. Os profetas est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Deus, sobretudo pelo uso da linguagem. S\u00e3o homens da palavra e, por isso, est\u00e3o a seu servi\u00e7o. \u00c9 assim que se manifesta o sentido da voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica: conduzir Israel no caminho da f\u00e9 e da obedi\u00eancia a Deus. Nesse sentido, na pr\u00e1tica do amor e da justi\u00e7a, o povo se reencontra no caminho que o leva a Deus e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na primeira leitura, escutamos o profeta Oseias. De modo geral, ele tamb\u00e9m assume, em si mesmo e em sua miss\u00e3o, essas caracter\u00edsticas apresentadas acima. A data de sua atua\u00e7\u00e3o aproxima-se do reinado de Jerobo\u00e3o II, entre 782 e 753 a.C. Contudo, alguns trechos chegam perto da queda da Samaria, em 722 a.C. Nesta \u00e9poca, o povo vivencia, de um lado, certa decad\u00eancia religiosa e, de outro, prosperidade material e paz pol\u00edtica. O trecho proposto para esta liturgia integra um conjunto maior que nos fala da infidelidade do povo na hist\u00f3ria: os erros de ordem social e religiosa que tocam a vida de Israel, bem como suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>O profeta, ao mencionar os percal\u00e7os que integraram a hist\u00f3ria de Israel, deseja despertar no povo a consci\u00eancia de que \u00e9 necess\u00e1rio voltar-se a Deus: \u201c\u00c9 preciso saber segui-lo\u201d. O povo n\u00e3o possui perseveran\u00e7a na alian\u00e7a com o Senhor: \u201cO vosso amor \u00e9 como orvalho que cedo se desfaz\u201d. O imperativo do profeta, porta-voz de Deus, deve ser acolhido com generosidade de cora\u00e7\u00e3o: \u201cquero amor, e n\u00e3o sacrif\u00edcios\u201d. O Senhor espera do povo eleito fidelidade \u00e0 alian\u00e7a, para que n\u00e3o se desvie do caminho proposto, caindo na tenta\u00e7\u00e3o de outros deuses. Deus espera que seu povo seja conduzido no caminho da f\u00e9 e da obedi\u00eancia.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> II leitura (Rm 4,18-25)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Este trecho da carta aos Romanos tem inequ\u00edvoca import\u00e2ncia no conjunto da constru\u00e7\u00e3o l\u00f3gico-argumentativa do ap\u00f3stolo sobre a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre f\u00e9 e salva\u00e7\u00e3o. Paulo est\u00e1 respondendo, em certa medida, a dificuldades que surgem na comunidade de Roma. Alguns crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo acreditam que a condi\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a observ\u00e2ncia estrita da Lei mosaica. Para o ap\u00f3stolo, n\u00e3o \u00e9 assim. Se, anteriormente, Paulo j\u00e1 havia afirmado que a pessoa humana \u00e9 justificada pela f\u00e9, agora ele retoma um personagem b\u00edblico, Abra\u00e3o, para dar significado \u00e0 sua argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Abra\u00e3o \u00e9 modelo de pessoa temente e fiel ao Senhor. Deus prometeu-lhe terra farta e descend\u00eancia numerosa, e ele n\u00e3o duvidou, mas revigorou-se na f\u00e9 e deu gl\u00f3ria a Deus, diz-nos o texto. Com f\u00e9 em Deus, Abra\u00e3o estava convencido de que o Senhor tinha poder para cumprir o que havia prometido. Dessa forma, o v. 22 tem relev\u00e2ncia: \u201cEsta sua atitude de f\u00e9 lhe foi creditada como justi\u00e7a\u201d. Abra\u00e3o foi justificado n\u00e3o pela observ\u00e2ncia da Lei \u2013 at\u00e9 porque viveu em um tempo anterior \u00e0 Lei \u2013, mas por sua f\u00e9. A f\u00e9 vivenciada por esse homem \u2013 verdadeira, sincera e aut\u00eantica \u2013 foi ocasi\u00e3o para sua salva\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo acontecer\u00e1 conosco: se crermos naquele que ressuscitou Jesus dos mortos, seremos herdeiros de sua gra\u00e7a, vida e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Evangelho (Mt 9,9-13)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A per\u00edcope evang\u00e9lica pode ser dividida em duas partes, que se conectam entre si: a voca\u00e7\u00e3o de Mateus, o publicano, e o banquete com os pecadores. O texto \u00e9 repleto de simbolismos e significados, que n\u00e3o se encerram em si mesmos nem naquele que \u00e9 chamado; pelo contr\u00e1rio, acentuam a a\u00e7\u00e3o de Jesus e apontam-nos as caracter\u00edsticas fundamentais de sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira parte do texto j\u00e1 nos causa certa surpresa. Jesus chama um coletor de impostos, um publicano, para segui-lo; ou seja, um pecador. Ele contribu\u00eda para a injusti\u00e7a social e econ\u00f4mica praticada pelo Imp\u00e9rio Romano. Era uma posi\u00e7\u00e3o social malvista pelos judeus, pois, muitas vezes, era o lugar da corrup\u00e7\u00e3o, da gan\u00e2ncia e da opress\u00e3o. A surpresa que um judeu sentiu ao presenciar aquela cena n\u00e3o deve ter passado despercebida: Jesus rompe com os crit\u00e9rios humanos, sociais e religiosos da \u00e9poca. Mateus j\u00e1 era um condenado do seu tempo. O Senhor chama algu\u00e9m marginalizado e pecador para segui-lo, n\u00e3o um justo segundo a Lei.<\/p>\n<p>O primeiro vers\u00edculo j\u00e1 carrega consigo grande densidade de sentido: \u201cJesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse: \u2018Segue-me!\u2019. Ele se levantou e seguiu a Jesus\u201d. O sujeito do verbo \u201cver\u201d \u00e9 Jesus. \u00c9 o Senhor quem percebe Mateus, e nota-o em sua profiss\u00e3o e atividade: coletor de impostos. Na verdade, o texto quer-nos dizer que Jesus enxerga Mateus em sua realidade, particularmente naquela que era ocasi\u00e3o de pecado para ele. O Senhor n\u00e3o \u00e9 ing\u00eanuo, mas sabe dos limites e das possibilidades daquele homem. Mateus est\u00e1 sentado, uma posi\u00e7\u00e3o passiva e inerte \u2013 parece quase morto em sua atual condi\u00e7\u00e3o de vida. Jesus faz-lhe um convite \u2013 \u201cSegue-me\u201d \u2013, e ele se levanta e vai. O fato de Mateus levantar-se de sua posi\u00e7\u00e3o e seguir o Senhor tamb\u00e9m deve ser sublinhado: estar levantado, ereto, erguido, de p\u00e9, ser\u00e1 a posi\u00e7\u00e3o do Ressuscitado, que venceu as cadeias da morte. \u00c9 de p\u00e9 que o Ressuscitado aparece no meio da comunidade reunida. Com esse chamado, Mateus renovou e ressignificou toda sua hist\u00f3ria; agora, de p\u00e9, \u201cressuscitado\u201d para uma vida nova, seguir\u00e1 a Jesus, seu Mestre e Senhor.<\/p>\n<p>A segunda parte do texto \u00e9, na verdade, consequ\u00eancia da primeira: o chamado se prolonga em dom de comunh\u00e3o, proximidade e amizade. Est\u00e3o \u00e0 mesa, em casa de Mateus, para uma refei\u00e7\u00e3o: foi preparado um banquete! Ajuntam-se ali, al\u00e9m dos disc\u00edpulos de Jesus, muitos cobradores de impostos e pecadores. A cena \u00e9 notada por alguns fariseus, conhecedores da Lei, que se outorgavam o t\u00edtulo de justos. Cheios de maldade no cora\u00e7\u00e3o, questionam os disc\u00edpulos com base naquilo que veem. A resposta de Jesus torna-se o \u00e1pice desta liturgia; mais uma vez, o Senhor utiliza de uma mesa de refei\u00e7\u00e3o para transmitir um ensinamento importante. Sua miss\u00e3o de chamar os pecadores, e n\u00e3o os justos, para participarem do Reino dos C\u00e9us se justifica pelo fato de que os primeiros, sim, carecem desse chamado \u2013 s\u00e3o os doentes que precisam de m\u00e9dico, n\u00e3o os sadios. Quem for realmente justo j\u00e1 participa, antecipadamente, do Reino.<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 aquele que nos v\u00ea, nos chama e nos restaura em meio aos nossos dilemas humanos, permeados de maldade, pecados e ang\u00fastias. Esse seu movimento gera em n\u00f3s dom de comunh\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, de modo que o Senhor continua pr\u00f3ximo a n\u00f3s, amparando-nos, protegendo e socorrendo. Ele usa de miseric\u00f3rdia, bondade e paci\u00eancia com cada um de n\u00f3s. <span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(in Vida Pastoral- Paulus)<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-06-07-A-Dom-X-TC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>X DOMINGO DO TEMPO COMUM<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL No 10\u00ba Domingo do Tempo Comum do Ano A, destaca-se a tem\u00e1tica do encontro e da miseric\u00f3rdia, do perd\u00e3o e do acolhimento \u00e0 pessoa pecadora. Jesus Cristo \u00e9 o rosto da miseric\u00f3rdia do Pai (cf.\u00a0Misericordiae Vultus, 2015, papa Francisco): encarnado, evidencia quanto Deus n\u00e3o nos trata como exigem nossas faltas, mas nos guia com compaix\u00e3o, seguran\u00e7a e ternura. Hoje, Jesus contrap\u00f5e uma pr\u00e1tica de f\u00e9 baseada estritamente na justi\u00e7a a outra, ampliada pela miseric\u00f3rdia de Deus. Embora sejamos pecadores e marcados pela realidade do mal, Jesus se aproxima de n\u00f3s de modo insistente: ele nos olha e nos ama, nos perdoa e nos chama (Evangelho). A raz\u00e3o do convite para estarmos pr\u00f3ximos do Senhor \u00e9 que ele mesmo \u00e9 o \u201crem\u00e9dio\u201d que nos salva. Somente pr\u00f3ximos de Jesus conseguiremos purificar nossa vida, iluminar nossos caminhos e p\u00f4r em pr\u00e1tica seus bons ensinamentos. Para nos tornarmos perseverantes na proposta de vida que o Senhor Deus nos apresenta, somos convidados a renovar nossa f\u00e9, pois \u00e9 com essa chama acesa que conseguiremos permanecer no caminho do Senhor. Dessa forma, \u00e9 preciso, pois, revigorar-nos na f\u00e9 e dar gl\u00f3ria a Deus, como nos diz o ap\u00f3stolo. Que esta liturgia dominical, oportunidade privilegiada de encontro com Deus na pessoa do seu Filho, Jesus Cristo, nos renove e nos restaure em nossas mais diversas realidades, de vida e de f\u00e9. COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS I leitura (Os 6,3-6) Nos escritos veterotestament\u00e1rios, deparamo-nos com a figura do profeta. Ele \u00e9 mediador, receptor e articulador da palavra do Senhor, sentinela e guardi\u00e3o. N\u00e3o mant\u00e9m posto fixo, pois est\u00e1 presente na pra\u00e7a, no pal\u00e1cio e no \u00e1trio do templo \u2013 ressoam seus gritos em todas as camadas da sociedade. Os profetas est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Deus, sobretudo pelo uso da linguagem. S\u00e3o homens da palavra e, por isso, est\u00e3o a seu servi\u00e7o. \u00c9 assim que se manifesta o sentido da voca\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica: conduzir Israel no caminho da f\u00e9 e da obedi\u00eancia a Deus. Nesse sentido, na pr\u00e1tica do amor e da justi\u00e7a, o povo se reencontra no caminho que o leva a Deus e \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Na primeira leitura, escutamos o profeta Oseias. De modo geral, ele tamb\u00e9m assume, em si mesmo e em sua miss\u00e3o, essas caracter\u00edsticas apresentadas acima. A data de sua atua\u00e7\u00e3o aproxima-se do reinado de Jerobo\u00e3o II, entre 782 e 753 a.C. Contudo, alguns trechos chegam perto da queda da Samaria, em 722 a.C. Nesta \u00e9poca, o povo vivencia, de um lado, certa decad\u00eancia religiosa e, de outro, prosperidade material e paz pol\u00edtica. O trecho proposto para esta liturgia integra um conjunto maior que nos fala da infidelidade do povo na hist\u00f3ria: os erros de ordem social e religiosa que tocam a vida de Israel, bem como suas consequ\u00eancias. O profeta, ao mencionar os percal\u00e7os que integraram a hist\u00f3ria de Israel, deseja despertar no povo a consci\u00eancia de que \u00e9 necess\u00e1rio voltar-se a Deus: \u201c\u00c9 preciso saber segui-lo\u201d. O povo n\u00e3o possui perseveran\u00e7a na alian\u00e7a com o Senhor: \u201cO vosso amor \u00e9 como orvalho que cedo se desfaz\u201d. O imperativo do profeta, porta-voz de Deus, deve ser acolhido com generosidade de cora\u00e7\u00e3o: \u201cquero amor, e n\u00e3o sacrif\u00edcios\u201d. O Senhor espera do povo eleito fidelidade \u00e0 alian\u00e7a, para que n\u00e3o se desvie do caminho proposto, caindo na tenta\u00e7\u00e3o de outros deuses. Deus espera que seu povo seja conduzido no caminho da f\u00e9 e da obedi\u00eancia. II leitura (Rm 4,18-25) Este trecho da carta aos Romanos tem inequ\u00edvoca import\u00e2ncia no conjunto da constru\u00e7\u00e3o l\u00f3gico-argumentativa do ap\u00f3stolo sobre a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece entre f\u00e9 e salva\u00e7\u00e3o. Paulo est\u00e1 respondendo, em certa medida, a dificuldades que surgem na comunidade de Roma. Alguns crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo acreditam que a condi\u00e7\u00e3o para a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 a observ\u00e2ncia estrita da Lei mosaica. Para o ap\u00f3stolo, n\u00e3o \u00e9 assim. Se, anteriormente, Paulo j\u00e1 havia afirmado que a pessoa humana \u00e9 justificada pela f\u00e9, agora ele retoma um personagem b\u00edblico, Abra\u00e3o, para dar significado \u00e0 sua argumenta\u00e7\u00e3o. Abra\u00e3o \u00e9 modelo de pessoa temente e fiel ao Senhor. Deus prometeu-lhe terra farta e descend\u00eancia numerosa, e ele n\u00e3o duvidou, mas revigorou-se na f\u00e9 e deu gl\u00f3ria a Deus, diz-nos o texto. Com f\u00e9 em Deus, Abra\u00e3o estava convencido de que o Senhor tinha poder para cumprir o que havia prometido. Dessa forma, o v. 22 tem relev\u00e2ncia: \u201cEsta sua atitude de f\u00e9 lhe foi creditada como justi\u00e7a\u201d. Abra\u00e3o foi justificado n\u00e3o pela observ\u00e2ncia da Lei \u2013 at\u00e9 porque viveu em um tempo anterior \u00e0 Lei \u2013, mas por sua f\u00e9. A f\u00e9 vivenciada por esse homem \u2013 verdadeira, sincera e aut\u00eantica \u2013 foi ocasi\u00e3o para sua salva\u00e7\u00e3o. Do mesmo modo acontecer\u00e1 conosco: se crermos naquele que ressuscitou Jesus dos mortos, seremos herdeiros de sua gra\u00e7a, vida e salva\u00e7\u00e3o. Evangelho (Mt 9,9-13) A per\u00edcope evang\u00e9lica pode ser dividida em duas partes, que se conectam entre si: a voca\u00e7\u00e3o de Mateus, o publicano, e o banquete com os pecadores. O texto \u00e9 repleto de simbolismos e significados, que n\u00e3o se encerram em si mesmos nem naquele que \u00e9 chamado; pelo contr\u00e1rio, acentuam a a\u00e7\u00e3o de Jesus e apontam-nos as caracter\u00edsticas fundamentais de sua miss\u00e3o. A primeira parte do texto j\u00e1 nos causa certa surpresa. Jesus chama um coletor de impostos, um publicano, para segui-lo; ou seja, um pecador. Ele contribu\u00eda para a injusti\u00e7a social e econ\u00f4mica praticada pelo Imp\u00e9rio Romano. Era uma posi\u00e7\u00e3o social malvista pelos judeus, pois, muitas vezes, era o lugar da corrup\u00e7\u00e3o, da gan\u00e2ncia e da opress\u00e3o. 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