{"id":32567,"date":"2026-06-20T10:02:25","date_gmt":"2026-06-20T10:02:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32567"},"modified":"2026-06-29T09:35:00","modified_gmt":"2026-06-29T09:35:00","slug":"xii-domingo-do-tempo-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/xii-domingo-do-tempo-comum\/","title":{"rendered":"XII Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<ol>\n<li><strong> INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O dia do Senhor \u00e9 ocasi\u00e3o especial para a reuni\u00e3o da comunidade em torno da Palavra e da Eucaristia, em mem\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O domingo sempre ser\u00e1 o dia privilegiado do crist\u00e3o, tendo em vista que foi no primeiro dia da semana que o Senhor ressuscitou \u2013 esse \u00e9 o evento fundador de nossa f\u00e9. Em linhas gerais, a liturgia do 12\u00b0 Domingo do Tempo Comum tem como tem\u00e1tica destacada a persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Evangelho segundo S\u00e3o Mateus, no Serm\u00e3o da montanha, a persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada uma bem-aventuran\u00e7a: \u201cBem-aventurados sois v\u00f3s quando vos injuriarem e perseguirem [&#8230;]\u201d (Mt 5,11a). Em outra oportunidade, Jesus alerta seus disc\u00edpulos de que, se ele mesmo foi perseguido, eles tamb\u00e9m o ser\u00e3o (Jo 15,20). \u00c9 importante notar que persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente de sofrimento. Este \u00e9 inato \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana: sofremos porque provamos do mal e do pecado, de situa\u00e7\u00f5es-limite, de nossa fragilidade e vulnerabilidade. A persegui\u00e7\u00e3o, por sua vez, possui uma nuance diferente: os justos \u00e9 que s\u00e3o os perseguidos, precisamente por carregarem consigo a virtude da justi\u00e7a. Jesus, o Justo do Pai, incorporar\u00e1 esse papel: perseguido, assumir\u00e1 a imagem do Servo do Senhor e levar\u00e1 essa miss\u00e3o at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Tanto a primeira leitura quanto o Evangelho se enquadram nessa l\u00f3gica. O texto de Jeremias mostra-nos a figura do profeta, que, de um lado, est\u00e1 seduzido por Deus e, de outro, est\u00e1 sendo perseguido pelos \u00edmpios, injustos e maldosos de seu tempo. J\u00e1 o trecho do Evangelho, estruturado pela tr\u00edplice repeti\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o tenhais medo\u201d, \u00e9 constitu\u00eddo pelas recomenda\u00e7\u00f5es de Jesus para a miss\u00e3o, conscientizando seus disc\u00edpulos de que as persegui\u00e7\u00f5es integram esse caminho. \u00c9 preciso, pois, confiarmos em Deus.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS<\/strong><\/li>\n<li><strong> I leitura (Jr 20,10-13)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A obra de Jeremias, no Antigo Testamento, expressa-se mormente pela sua densidade teol\u00f3gica e riqueza espiritual. O profeta est\u00e1 situado entre os s\u00e9culos VII e VI a.C., um dos per\u00edodos mais cr\u00edticos da hist\u00f3ria do povo: o colapso de Jud\u00e1 e a destrui\u00e7\u00e3o da cidade santa, Jerusal\u00e9m. Sua miss\u00e3o prof\u00e9tica est\u00e1, portanto, atrelada \u00e0 decad\u00eancia pol\u00edtica, \u00e0 infidelidade religiosa e \u00e0 iminente cat\u00e1strofe nacional. Sendo sinal vivo da alian\u00e7a de Deus com o povo, o profeta \u00e9 voz de esperan\u00e7a diante de tantas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e desafiadoras.<\/p>\n<p>O trecho proposto para esta liturgia (Jr 20,10-13) vem logo em seguida de uma dolorosa experi\u00eancia do profeta. Ele foi preso e a\u00e7oitado por Fassur, o superintendente do templo, em raz\u00e3o de suas profecias. Jeremias est\u00e1 humilhado, isolado, ridicularizado; est\u00e1 se sentindo tra\u00eddo e cercado \u2013 o profeta se reveste da imagem do justo perseguido. O coment\u00e1rio \u201ctalvez ele cometa um engano e n\u00f3s poderemos apanh\u00e1-lo e desforrar-nos dele\u201d (v. 10c) prov\u00e9m dos \u00edmpios que o observam, tramam e arquitetam a maldade. \u201cDenunciai-o, denunciemo-lo\u201d (v. 10b) \u00e9 express\u00e3o indicativa de que a bondade, a justi\u00e7a e a pr\u00e1tica do bem ser\u00e3o alvos de persegui\u00e7\u00f5es, maquina\u00e7\u00f5es e sofrimentos. Jeremias assume o paradoxo do profetismo: ser portador da Palavra de Deus \u00e9 tamb\u00e9m carregar o peso da incompreens\u00e3o e da rejei\u00e7\u00e3o da parte de muitos.<\/p>\n<p>Contudo, o texto n\u00e3o termina por aqui. H\u00e1 uma virada de perspectiva, ocasionada pela f\u00e9. Diz-nos o texto: \u201cMas o Senhor est\u00e1 ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cair\u00e3o vencidos\u201d (v. 11a). Todo o cen\u00e1rio de crise, persegui\u00e7\u00e3o e desespero n\u00e3o \u00e9 ocasi\u00e3o para que o profeta sucumba. Ele d\u00e1 um salto na f\u00e9, pois confia plenamente em Deus. O Senhor combate em favor do justo, a justi\u00e7a divina triunfar\u00e1. Dessa forma, entendemos tamb\u00e9m que a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de conflitos e dificuldades, mas a capacidade de esperar, confiar e acreditar, apesar deles.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> II leitura (Rm 5,12-15)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O texto da carta aos Romanos proposto nesta liturgia se distancia um pouco da tem\u00e1tica da persegui\u00e7\u00e3o, tratada especificamente pelo profeta Jeremias e pelo evangelista Mateus. Contudo, o trecho dessa segunda leitura traz uma reflex\u00e3o importante que nos edifica na f\u00e9 e nos fortalece na miss\u00e3o. O ap\u00f3stolo deseja ratificar que Cristo \u00e9 a imagem do homem novo, o primeiro e iniciador de uma nova humanidade.<\/p>\n<p>Para tanto, S\u00e3o Paulo estabelecer\u00e1 um paralelo significativo entre o primeiro homem, Ad\u00e3o, e o novo homem, Cristo Jesus. Diz-nos o texto: \u201cO pecado entrou no mundo por um s\u00f3 homem\u201d (v. 12a). Ao trazer-nos a imagem do primeiro ser vivente, o ap\u00f3stolo retoma a tem\u00e1tica da desobedi\u00eancia, tratada nos primeiros cap\u00edtulos do livro do G\u00eanesis. Pela desobedi\u00eancia, a humanidade foi marcada, de uma vez por todas, pela realidade do pecado. E foi pelo pecado que a morte entrou no mundo. No entanto, com Jesus, o Filho unig\u00eanito do Pai, toda a humanidade pode contemplar a gra\u00e7a e a salva\u00e7\u00e3o divinas. Pelo seu sangue derramado na cruz, Jesus reconciliou-nos e justificou-nos com Deus e abriu-nos um novo tempo e uma nova esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o feita pelo ap\u00f3stolo atinge seu \u00e1pice no v. 15b: \u201cA transgress\u00e3o de um s\u00f3 levou a multid\u00e3o humana \u00e0 morte, mas foi de modo bem superior que a gra\u00e7a de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido atrav\u00e9s de um s\u00f3 homem, Jesus Cristo, se derramou em abund\u00e2ncia sobre todos\u201d. Destaca-se Jesus como novo Ad\u00e3o, aquele que, de modo superior, fez que o dom de Deus, sua gra\u00e7a e sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, fosse derramado sobre todos n\u00f3s. Se em Ad\u00e3o n\u00f3s pecamos, em Cristo somos justificados.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Evangelho (Mt 10,26-33)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O texto evang\u00e9lico proclamado nesta liturgia leva \u00e0 plenitude a tem\u00e1tica do justo perseguido, lan\u00e7ada pela primeira leitura, de Jeremias. Na verdade, as palavras de Jesus dirigidas hoje aos seus disc\u00edpulos s\u00e3o um convite para que continuem a testemunhar intrepidamente e sem medo o Evangelho que liberta e salva a todos, numa express\u00e3o de confian\u00e7a total em Deus.<\/p>\n<p>O trecho apresenta uma coer\u00eancia f\u00e1cil de ser percebida: depois de transmitir aos seus disc\u00edpulos sua autoridade, Jesus lhes fala dos sofrimentos e das persegui\u00e7\u00f5es que dever\u00e3o enfrentar. Podemos, a prop\u00f3sito, fazer um paralelo com outra passagem b\u00edblica: \u201cO servo n\u00e3o \u00e9 maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, tamb\u00e9m h\u00e3o de perseguir-vos [&#8230;]\u201d (Jo 15,20). Dessa forma, entendemos que o caminho discipular jamais ser\u00e1 uma via de benesses, privil\u00e9gios ou reconhecimentos; pelo contr\u00e1rio, ser\u00e1 um caminho de incompreens\u00f5es, ang\u00fastias, sofrimentos e persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O texto \u00e9 estruturado em torno da tr\u00edplice express\u00e3o \u201cn\u00e3o tenhais medo\u201d (v. 26a; 28a; 31a) \u2013 convite \u00e0 perseveran\u00e7a na f\u00e9 e \u00e0 confian\u00e7a filial. Primeiramente, os disc\u00edpulos s\u00e3o convocados para a dimens\u00e3o do an\u00fancio: \u201co que escutais ao p\u00e9 do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!\u201d (v. 27b). A miss\u00e3o apost\u00f3lica n\u00e3o deve recuar por medo de anunciar a Palavra de Deus em realidades desafiadoras. Nada ficar\u00e1 encoberto; pelo contr\u00e1rio, tudo ser\u00e1 revelado. Em seguida, Jesus os encoraja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es. Os \u00edmpios, injustos, maldosos e pecadores podem matar o corpo, mas n\u00e3o a alma. O Mestre salienta que a perseveran\u00e7a deve fazer parte do caminho do disc\u00edpulo, de modo que n\u00e3o dever\u00e3o temer as realidades que causam \u201cpreju\u00edzo\u201d de ordem material ou corporal. Pelo contr\u00e1rio, deve-se temer as realidades que nos afastam da presen\u00e7a de Deus e nos desviam de sua eternidade. O alerta \u00e9 um indicativo tamb\u00e9m de que as persegui\u00e7\u00f5es nos purificam e nos renovam, de modo que nos elevam at\u00e9 mais pr\u00f3ximo de Deus. Por fim, o texto termina com uma promessa, permeada de esperan\u00e7a e confian\u00e7a em Deus. Aqueles que testemunharem, com f\u00e9, solicitude e confian\u00e7a, o Evangelho de Jesus entre as pessoas ser\u00e3o contados, diante de Deus, entre os justos que assumiram o compromisso e a responsabilidade da miss\u00e3o. <span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Vida Pastoral-Paulus)<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/2026-06-21-A-Dom-XII-TC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>XII DOMINGO DO TEMPO COMUM<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL O dia do Senhor \u00e9 ocasi\u00e3o especial para a reuni\u00e3o da comunidade em torno da Palavra e da Eucaristia, em mem\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. O domingo sempre ser\u00e1 o dia privilegiado do crist\u00e3o, tendo em vista que foi no primeiro dia da semana que o Senhor ressuscitou \u2013 esse \u00e9 o evento fundador de nossa f\u00e9. Em linhas gerais, a liturgia do 12\u00b0 Domingo do Tempo Comum tem como tem\u00e1tica destacada a persegui\u00e7\u00e3o. No Evangelho segundo S\u00e3o Mateus, no Serm\u00e3o da montanha, a persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada uma bem-aventuran\u00e7a: \u201cBem-aventurados sois v\u00f3s quando vos injuriarem e perseguirem [&#8230;]\u201d (Mt 5,11a). Em outra oportunidade, Jesus alerta seus disc\u00edpulos de que, se ele mesmo foi perseguido, eles tamb\u00e9m o ser\u00e3o (Jo 15,20). \u00c9 importante notar que persegui\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente de sofrimento. Este \u00e9 inato \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana: sofremos porque provamos do mal e do pecado, de situa\u00e7\u00f5es-limite, de nossa fragilidade e vulnerabilidade. A persegui\u00e7\u00e3o, por sua vez, possui uma nuance diferente: os justos \u00e9 que s\u00e3o os perseguidos, precisamente por carregarem consigo a virtude da justi\u00e7a. Jesus, o Justo do Pai, incorporar\u00e1 esse papel: perseguido, assumir\u00e1 a imagem do Servo do Senhor e levar\u00e1 essa miss\u00e3o at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias. Tanto a primeira leitura quanto o Evangelho se enquadram nessa l\u00f3gica. O texto de Jeremias mostra-nos a figura do profeta, que, de um lado, est\u00e1 seduzido por Deus e, de outro, est\u00e1 sendo perseguido pelos \u00edmpios, injustos e maldosos de seu tempo. J\u00e1 o trecho do Evangelho, estruturado pela tr\u00edplice repeti\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o tenhais medo\u201d, \u00e9 constitu\u00eddo pelas recomenda\u00e7\u00f5es de Jesus para a miss\u00e3o, conscientizando seus disc\u00edpulos de que as persegui\u00e7\u00f5es integram esse caminho. \u00c9 preciso, pois, confiarmos em Deus. COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS I leitura (Jr 20,10-13) A obra de Jeremias, no Antigo Testamento, expressa-se mormente pela sua densidade teol\u00f3gica e riqueza espiritual. O profeta est\u00e1 situado entre os s\u00e9culos VII e VI a.C., um dos per\u00edodos mais cr\u00edticos da hist\u00f3ria do povo: o colapso de Jud\u00e1 e a destrui\u00e7\u00e3o da cidade santa, Jerusal\u00e9m. Sua miss\u00e3o prof\u00e9tica est\u00e1, portanto, atrelada \u00e0 decad\u00eancia pol\u00edtica, \u00e0 infidelidade religiosa e \u00e0 iminente cat\u00e1strofe nacional. Sendo sinal vivo da alian\u00e7a de Deus com o povo, o profeta \u00e9 voz de esperan\u00e7a diante de tantas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e desafiadoras. O trecho proposto para esta liturgia (Jr 20,10-13) vem logo em seguida de uma dolorosa experi\u00eancia do profeta. Ele foi preso e a\u00e7oitado por Fassur, o superintendente do templo, em raz\u00e3o de suas profecias. Jeremias est\u00e1 humilhado, isolado, ridicularizado; est\u00e1 se sentindo tra\u00eddo e cercado \u2013 o profeta se reveste da imagem do justo perseguido. O coment\u00e1rio \u201ctalvez ele cometa um engano e n\u00f3s poderemos apanh\u00e1-lo e desforrar-nos dele\u201d (v. 10c) prov\u00e9m dos \u00edmpios que o observam, tramam e arquitetam a maldade. \u201cDenunciai-o, denunciemo-lo\u201d (v. 10b) \u00e9 express\u00e3o indicativa de que a bondade, a justi\u00e7a e a pr\u00e1tica do bem ser\u00e3o alvos de persegui\u00e7\u00f5es, maquina\u00e7\u00f5es e sofrimentos. Jeremias assume o paradoxo do profetismo: ser portador da Palavra de Deus \u00e9 tamb\u00e9m carregar o peso da incompreens\u00e3o e da rejei\u00e7\u00e3o da parte de muitos. Contudo, o texto n\u00e3o termina por aqui. H\u00e1 uma virada de perspectiva, ocasionada pela f\u00e9. Diz-nos o texto: \u201cMas o Senhor est\u00e1 ao meu lado, como forte guerreiro; por isso, os que me perseguem cair\u00e3o vencidos\u201d (v. 11a). Todo o cen\u00e1rio de crise, persegui\u00e7\u00e3o e desespero n\u00e3o \u00e9 ocasi\u00e3o para que o profeta sucumba. Ele d\u00e1 um salto na f\u00e9, pois confia plenamente em Deus. O Senhor combate em favor do justo, a justi\u00e7a divina triunfar\u00e1. Dessa forma, entendemos tamb\u00e9m que a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de conflitos e dificuldades, mas a capacidade de esperar, confiar e acreditar, apesar deles. II leitura (Rm 5,12-15) O texto da carta aos Romanos proposto nesta liturgia se distancia um pouco da tem\u00e1tica da persegui\u00e7\u00e3o, tratada especificamente pelo profeta Jeremias e pelo evangelista Mateus. Contudo, o trecho dessa segunda leitura traz uma reflex\u00e3o importante que nos edifica na f\u00e9 e nos fortalece na miss\u00e3o. O ap\u00f3stolo deseja ratificar que Cristo \u00e9 a imagem do homem novo, o primeiro e iniciador de uma nova humanidade. Para tanto, S\u00e3o Paulo estabelecer\u00e1 um paralelo significativo entre o primeiro homem, Ad\u00e3o, e o novo homem, Cristo Jesus. Diz-nos o texto: \u201cO pecado entrou no mundo por um s\u00f3 homem\u201d (v. 12a). Ao trazer-nos a imagem do primeiro ser vivente, o ap\u00f3stolo retoma a tem\u00e1tica da desobedi\u00eancia, tratada nos primeiros cap\u00edtulos do livro do G\u00eanesis. Pela desobedi\u00eancia, a humanidade foi marcada, de uma vez por todas, pela realidade do pecado. E foi pelo pecado que a morte entrou no mundo. No entanto, com Jesus, o Filho unig\u00eanito do Pai, toda a humanidade pode contemplar a gra\u00e7a e a salva\u00e7\u00e3o divinas. Pelo seu sangue derramado na cruz, Jesus reconciliou-nos e justificou-nos com Deus e abriu-nos um novo tempo e uma nova esperan\u00e7a. A compara\u00e7\u00e3o feita pelo ap\u00f3stolo atinge seu \u00e1pice no v. 15b: \u201cA transgress\u00e3o de um s\u00f3 levou a multid\u00e3o humana \u00e0 morte, mas foi de modo bem superior que a gra\u00e7a de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido atrav\u00e9s de um s\u00f3 homem, Jesus Cristo, se derramou em abund\u00e2ncia sobre todos\u201d. Destaca-se Jesus como novo Ad\u00e3o, aquele que, de modo superior, fez que o dom de Deus, sua gra\u00e7a e sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, fosse derramado sobre todos n\u00f3s. Se em Ad\u00e3o n\u00f3s pecamos, em Cristo somos justificados. Evangelho (Mt 10,26-33) O texto evang\u00e9lico proclamado nesta liturgia leva \u00e0 plenitude a tem\u00e1tica do justo perseguido, lan\u00e7ada pela primeira leitura, de Jeremias. 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