{"id":32677,"date":"2026-07-18T11:32:33","date_gmt":"2026-07-18T11:32:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32677"},"modified":"2026-07-25T12:18:33","modified_gmt":"2026-07-25T12:18:33","slug":"xvi-domingo-do-tempo-comum-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/xvi-domingo-do-tempo-comum-3\/","title":{"rendered":"XVI Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL<\/strong><\/p>\n<p>O modo de agir de Deus sempre supera como o imaginamos. As leituras nos sensibilizam para essa a\u00e7\u00e3o misteriosa e surpreendente de Deus. Experimentando sua miseric\u00f3rdia em nossa vida, somos capacitados para sermos misericordiosos e refletir sua bondade em nossos gestos.<\/p>\n<p>A primeira leitura (Sb 12,13.16-19) apresenta essa l\u00f3gica divina, que ultrapassa os crit\u00e9rios humanos de retribui\u00e7\u00e3o. Deus se manifesta como miseric\u00f3rdia e indulg\u00eancia, revelando um poder que se expressa prioritariamente na compaix\u00e3o. Assim, desvela-se sua grandeza e se instaura um horizonte \u00e9tico para o agir humano: os filhos e filhas de Deus s\u00e3o chamados a se conformar ao seu cora\u00e7\u00e3o misericordioso.<\/p>\n<p>No Evangelho (Mt 13,24-43), por meio de par\u00e1bolas, Jesus mostra que o Reino dos C\u00e9us n\u00e3o constitui um espa\u00e7o de perfei\u00e7\u00e3o elitista, reservado a um pequeno grupo de justos. Ao contr\u00e1rio, caracteriza-se como \u00e2mbito inclusivo de crescimento, no qual todos t\u00eam a possibilidade de maturar suas escolhas, crescer humanamente e abrir-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o transformadora da gra\u00e7a. A pedagogia do Reino respeita os ritmos da liberdade humana, oferecendo tempo e espa\u00e7o para que cada pessoa responda, de forma respons\u00e1vel e gradual, ao convite divino \u00e0 vida segundo o Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>A segunda leitura (Rm 8,26-27) assegura que o Esp\u00edrito Santo vem em aux\u00edlio da fragilidade humana, sustentando-nos precisamente onde nossas capacidades se mostram limitadas. Esse mesmo Esp\u00edrito revela que a bondade divina n\u00e3o \u00e9 apenas um atributo contemplado, mas sobretudo uma realidade eficaz que opera continuamente na hist\u00f3ria e na realidade das pessoas.<\/p>\n<p><strong>I COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> I leitura (Sb 12,13.16-19)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O texto em an\u00e1lise integra a terceira grande se\u00e7\u00e3o do livro da Sabedoria (Sb 10,1-19,22). Nessa unidade liter\u00e1ria, o autor desenvolve uma releitura teol\u00f3gica da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Confrontam-se as a\u00e7\u00f5es punitivas dirigidas aos \u00edmpios e as interven\u00e7\u00f5es salvadoras que Deus reserva aos justos, isto \u00e9, ao povo eleito. Essa estrat\u00e9gia liter\u00e1ria visa demonstrar a justi\u00e7a e a miseric\u00f3rdia divinas na condu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O autor inicia essa se\u00e7\u00e3o apresentando a atua\u00e7\u00e3o da Sabedoria divina na hist\u00f3ria de Israel (Sb 10,1-11,14), evidenciando como ela guia, protege e orienta o povo ao longo dos acontecimentos fundamentais da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Em seguida, estabelece um contraponto ao descrever o modo como Deus interveio em rela\u00e7\u00e3o aos eg\u00edpcios (Sb 11,15-20) e aos id\u00f3latras cananeus (Sb 12,3-19). O trecho da leitura se insere na \u00faltima parte, na qual se enfatiza o tratamento dispensado por Deus \u00e0s popula\u00e7\u00f5es cananeias.<\/p>\n<p>O autor diz que Deus exerce seu poder com absoluta justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia (v. 13). Diferentemente dos \u00eddolos ou dos poderosos humanos, Deus n\u00e3o precisa provar sua autoridade por meio da viol\u00eancia ou do medo. Ele mostra que seu poder se realiza sobretudo no cuidado pelos fracos (v. 16-18). Essa passagem real\u00e7a que Deus governa todas as coisas com sabedoria, pois nada existe fora do seu dom\u00ednio. Justamente por ser o \u00fanico verdadeiro, julga com equidade e age sempre segundo a verdade, sem arbitrariedades.<\/p>\n<p>\u00c0 luz dessa compreens\u00e3o, o texto mostra que o modo de Deus agir educa seu povo (v. 19). A paci\u00eancia, a mansid\u00e3o e a miseric\u00f3rdia divinas tornam-se modelo para a a\u00e7\u00e3o humana. Deus oferece tempo para a convers\u00e3o e n\u00e3o destr\u00f3i imediatamente o pecador. Assim, o povo aprende que a verdadeira for\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 na imposi\u00e7\u00e3o ou na dureza, mas na capacidade de perdoar e de conduzir o outro ao bem. A pedagogia divina convida o ser humano a exercitar a mesma justi\u00e7a misericordiosa com a qual Deus sustenta e julga o mundo.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> II leitura (Rm 8,26-27)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Nossa experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por uma limita\u00e7\u00e3o: nem sempre sabemos formular adequadamente aquilo que nos cabe pedir. Diante disso, o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo vem em aux\u00edlio da nossa fraqueza (v. 26).<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito assume a tarefa de articular, diante de Deus, os anseios e necessidades que n\u00f3s mesmos n\u00e3o conseguimos expressar de maneira adequada. Ele se associa aos \u201cgemidos\u201d humanos, acrescentando-lhes sua pr\u00f3pria intercess\u00e3o \u201cinef\u00e1vel\u201d, de modo que a ora\u00e7\u00e3o alcance a Deus em profundidade e verdade.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito Santo atua como mediador eficaz e aut\u00eantico int\u00e9rprete no di\u00e1logo entre o ser humano e Deus. Ele eleva a ora\u00e7\u00e3o, purifica suas inten\u00e7\u00f5es e a conforma \u00e0 vontade divina, dirigindo-a \u00e0quele que conhece os cora\u00e7\u00f5es (v. 27). Dessa forma, a s\u00faplica que o Esp\u00edrito inspira \u00e9 acolhida por Deus.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Evangelho (Mt 13,24-43)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A par\u00e1bola do trigo e do joio (v. 24-30) apresenta um cen\u00e1rio extra\u00eddo da vida agr\u00edcola palestinense. O elemento inesperado da narrativa reside na decis\u00e3o do propriet\u00e1rio, que ordena que ambas as plantas cres\u00e7am conjuntamente at\u00e9 o tempo da ceifa, quando ent\u00e3o se proceder\u00e1 \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre o que deve ser recolhido e o que ser\u00e1 queimado.<\/p>\n<p>A par\u00e1bola funciona como cr\u00edtica \u00e0s pr\u00e1ticas de exclus\u00e3o vigentes no Juda\u00edsmo do Segundo Templo. Jesus conviveu com pecadores e pessoas moralmente marginalizadas, acolhendo-as como destinat\u00e1rias da salva\u00e7\u00e3o e convidando-as a integrar a comunidade do Reino. Em contrapartida, grupos como os fariseus percebiam tal atitude como escandalosa e inadmiss\u00edvel, pois aqueles \u201ctransgressores da Lei\u201d n\u00e3o poderiam pertencer ao ambiente santo de Deus. A par\u00e1bola questiona essa atitude excludente, propondo a prioridade da miseric\u00f3rdia divina sobre qualquer forma de rigorismo segregante.<\/p>\n<p>Na explica\u00e7\u00e3o posterior oferecida pelo pr\u00f3prio evangelista (v. 36-43), o foco se desloca da quest\u00e3o da conviv\u00eancia entre trigo e joio para a tem\u00e1tica do ju\u00edzo. Diante de comunidades marcadas pelo esfriamento espiritual, pelo aburguesamento e pelo laxismo, Mateus recorre aos termos da apocal\u00edptica judaica para despertar os crist\u00e3os de sua letargia na f\u00e9. Imagens como \u201cfogo ardente\u201d, \u201cchoro\u201d e \u201cranger de dentes\u201d n\u00e3o constituem descri\u00e7\u00f5es literais do fim do mundo, mas dispositivos ret\u00f3ricos destinados a provocar convers\u00e3o, renovar o compromisso com o Evangelho e reavivar a consci\u00eancia de responsabilidade diante da miss\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p>As par\u00e1bolas do gr\u00e3o de mostarda (v. 31-32) e do fermento (v. 33) apresentam estruturas semelhantes e se concentram em destacar a despropor\u00e7\u00e3o entre a pequenez inicial e a amplitude do resultado. O gr\u00e3o de mostarda, apesar de min\u00fasculo, produz um arbusto de propor\u00e7\u00f5es significativas. O fermento, embora aparentemente insignificante, transforma toda a massa. Ambas as imagens ilustram o dinamismo interno do Reino de Deus: uma origem modesta na prega\u00e7\u00e3o de um carpinteiro de Nazar\u00e9, que chega aos recantos do mundo e transforma a hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p>As par\u00e1bolas respondem \u00e0s obje\u00e7\u00f5es daqueles que duvidavam da efic\u00e1cia hist\u00f3rica da mensagem de Jesus, mostrando que o Reino possui for\u00e7a inerente e irrevers\u00edvel. Elas oferecem aos ouvintes renovada motiva\u00e7\u00e3o, encorajando-os a assumir um compromisso mais aut\u00eantico com a a\u00e7\u00e3o transformadora do Reino no mundo.<\/p>\n<p><strong>III. PISTAS PARA A REFLEX\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos t\u00e3o acelerados e de cobran\u00e7a de produtividade, as leituras nos convidam a contemplar a bondade e a paci\u00eancia de Deus em sua pedagogia conosco.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do povo de Israel, apresentada no livro da Sabedoria, mostra como Deus age com miseric\u00f3rdia. As par\u00e1bolas do Evangelho afirmam que a atua\u00e7\u00e3o divina n\u00e3o consiste na puni\u00e7\u00e3o imediata, mas sim na considera\u00e7\u00e3o pela liberdade humana e na oferta permanente de reconcilia\u00e7\u00e3o. Somente no tempo oportuno se manifestar\u00e1 o ju\u00edzo definitivo, que cabe exclusivamente a Deus. Enquanto isso, o Esp\u00edrito Santo vem em nosso aux\u00edlio para nos conduzir \u00e0 comunh\u00e3o com Deus na ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O processo de evangeliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exige de n\u00f3s paci\u00eancia e miseric\u00f3rdia. Os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas, mas seres de liberdade que ora se disp\u00f5em \u00e0 a\u00e7\u00e3o divina, ora a recusam. Por isso, o tempo da realiza\u00e7\u00e3o cabe sempre a Deus, que perscruta os cora\u00e7\u00f5es. <em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Vida Pastoral-Paulus)<\/span><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-19-A-Dom-XVI-TC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL O modo de agir de Deus sempre supera como o imaginamos. As leituras nos sensibilizam para essa a\u00e7\u00e3o misteriosa e surpreendente de Deus. Experimentando sua miseric\u00f3rdia em nossa vida, somos capacitados para sermos misericordiosos e refletir sua bondade em nossos gestos. A primeira leitura (Sb 12,13.16-19) apresenta essa l\u00f3gica divina, que ultrapassa os crit\u00e9rios humanos de retribui\u00e7\u00e3o. Deus se manifesta como miseric\u00f3rdia e indulg\u00eancia, revelando um poder que se expressa prioritariamente na compaix\u00e3o. Assim, desvela-se sua grandeza e se instaura um horizonte \u00e9tico para o agir humano: os filhos e filhas de Deus s\u00e3o chamados a se conformar ao seu cora\u00e7\u00e3o misericordioso. No Evangelho (Mt 13,24-43), por meio de par\u00e1bolas, Jesus mostra que o Reino dos C\u00e9us n\u00e3o constitui um espa\u00e7o de perfei\u00e7\u00e3o elitista, reservado a um pequeno grupo de justos. Ao contr\u00e1rio, caracteriza-se como \u00e2mbito inclusivo de crescimento, no qual todos t\u00eam a possibilidade de maturar suas escolhas, crescer humanamente e abrir-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o transformadora da gra\u00e7a. A pedagogia do Reino respeita os ritmos da liberdade humana, oferecendo tempo e espa\u00e7o para que cada pessoa responda, de forma respons\u00e1vel e gradual, ao convite divino \u00e0 vida segundo o Esp\u00edrito. A segunda leitura (Rm 8,26-27) assegura que o Esp\u00edrito Santo vem em aux\u00edlio da fragilidade humana, sustentando-nos precisamente onde nossas capacidades se mostram limitadas. Esse mesmo Esp\u00edrito revela que a bondade divina n\u00e3o \u00e9 apenas um atributo contemplado, mas sobretudo uma realidade eficaz que opera continuamente na hist\u00f3ria e na realidade das pessoas. I COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS I leitura (Sb 12,13.16-19) O texto em an\u00e1lise integra a terceira grande se\u00e7\u00e3o do livro da Sabedoria (Sb 10,1-19,22). Nessa unidade liter\u00e1ria, o autor desenvolve uma releitura teol\u00f3gica da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Confrontam-se as a\u00e7\u00f5es punitivas dirigidas aos \u00edmpios e as interven\u00e7\u00f5es salvadoras que Deus reserva aos justos, isto \u00e9, ao povo eleito. Essa estrat\u00e9gia liter\u00e1ria visa demonstrar a justi\u00e7a e a miseric\u00f3rdia divinas na condu\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. O autor inicia essa se\u00e7\u00e3o apresentando a atua\u00e7\u00e3o da Sabedoria divina na hist\u00f3ria de Israel (Sb 10,1-11,14), evidenciando como ela guia, protege e orienta o povo ao longo dos acontecimentos fundamentais da tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Em seguida, estabelece um contraponto ao descrever o modo como Deus interveio em rela\u00e7\u00e3o aos eg\u00edpcios (Sb 11,15-20) e aos id\u00f3latras cananeus (Sb 12,3-19). O trecho da leitura se insere na \u00faltima parte, na qual se enfatiza o tratamento dispensado por Deus \u00e0s popula\u00e7\u00f5es cananeias. O autor diz que Deus exerce seu poder com absoluta justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia (v. 13). Diferentemente dos \u00eddolos ou dos poderosos humanos, Deus n\u00e3o precisa provar sua autoridade por meio da viol\u00eancia ou do medo. Ele mostra que seu poder se realiza sobretudo no cuidado pelos fracos (v. 16-18). Essa passagem real\u00e7a que Deus governa todas as coisas com sabedoria, pois nada existe fora do seu dom\u00ednio. Justamente por ser o \u00fanico verdadeiro, julga com equidade e age sempre segundo a verdade, sem arbitrariedades. \u00c0 luz dessa compreens\u00e3o, o texto mostra que o modo de Deus agir educa seu povo (v. 19). A paci\u00eancia, a mansid\u00e3o e a miseric\u00f3rdia divinas tornam-se modelo para a a\u00e7\u00e3o humana. Deus oferece tempo para a convers\u00e3o e n\u00e3o destr\u00f3i imediatamente o pecador. Assim, o povo aprende que a verdadeira for\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 na imposi\u00e7\u00e3o ou na dureza, mas na capacidade de perdoar e de conduzir o outro ao bem. A pedagogia divina convida o ser humano a exercitar a mesma justi\u00e7a misericordiosa com a qual Deus sustenta e julga o mundo. II leitura (Rm 8,26-27) Nossa experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por uma limita\u00e7\u00e3o: nem sempre sabemos formular adequadamente aquilo que nos cabe pedir. Diante disso, o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo vem em aux\u00edlio da nossa fraqueza (v. 26). O Esp\u00edrito assume a tarefa de articular, diante de Deus, os anseios e necessidades que n\u00f3s mesmos n\u00e3o conseguimos expressar de maneira adequada. Ele se associa aos \u201cgemidos\u201d humanos, acrescentando-lhes sua pr\u00f3pria intercess\u00e3o \u201cinef\u00e1vel\u201d, de modo que a ora\u00e7\u00e3o alcance a Deus em profundidade e verdade. O Esp\u00edrito Santo atua como mediador eficaz e aut\u00eantico int\u00e9rprete no di\u00e1logo entre o ser humano e Deus. Ele eleva a ora\u00e7\u00e3o, purifica suas inten\u00e7\u00f5es e a conforma \u00e0 vontade divina, dirigindo-a \u00e0quele que conhece os cora\u00e7\u00f5es (v. 27). Dessa forma, a s\u00faplica que o Esp\u00edrito inspira \u00e9 acolhida por Deus. Evangelho (Mt 13,24-43) A par\u00e1bola do trigo e do joio (v. 24-30) apresenta um cen\u00e1rio extra\u00eddo da vida agr\u00edcola palestinense. O elemento inesperado da narrativa reside na decis\u00e3o do propriet\u00e1rio, que ordena que ambas as plantas cres\u00e7am conjuntamente at\u00e9 o tempo da ceifa, quando ent\u00e3o se proceder\u00e1 \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre o que deve ser recolhido e o que ser\u00e1 queimado. A par\u00e1bola funciona como cr\u00edtica \u00e0s pr\u00e1ticas de exclus\u00e3o vigentes no Juda\u00edsmo do Segundo Templo. Jesus conviveu com pecadores e pessoas moralmente marginalizadas, acolhendo-as como destinat\u00e1rias da salva\u00e7\u00e3o e convidando-as a integrar a comunidade do Reino. Em contrapartida, grupos como os fariseus percebiam tal atitude como escandalosa e inadmiss\u00edvel, pois aqueles \u201ctransgressores da Lei\u201d n\u00e3o poderiam pertencer ao ambiente santo de Deus. A par\u00e1bola questiona essa atitude excludente, propondo a prioridade da miseric\u00f3rdia divina sobre qualquer forma de rigorismo segregante. Na explica\u00e7\u00e3o posterior oferecida pelo pr\u00f3prio evangelista (v. 36-43), o foco se desloca da quest\u00e3o da conviv\u00eancia entre trigo e joio para a tem\u00e1tica do ju\u00edzo. Diante de comunidades marcadas pelo esfriamento espiritual, pelo aburguesamento e pelo laxismo, Mateus recorre aos termos da apocal\u00edptica judaica para despertar os crist\u00e3os de sua letargia na f\u00e9. 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