{"id":32696,"date":"2026-07-22T09:27:48","date_gmt":"2026-07-22T09:27:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32696"},"modified":"2026-07-22T09:27:48","modified_gmt":"2026-07-22T09:27:48","slug":"o-livro-do-papa-nos-lembra-que-a-verdade-e-desarmante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/o-livro-do-papa-nos-lembra-que-a-verdade-e-desarmante\/","title":{"rendered":"O livro do Papa nos lembra que a verdade \u00e9 desarmante"},"content":{"rendered":"<p>A m\u00eddia vaticana entrevistou Alessandro Banfi, editor do livro &#8220;Desarmada e desarmante. A paz \u00e9 um dom&#8221;, publicado pela Livraria Editora Vaticana. &#8220;A paz \u00e9 um dom, mas tamb\u00e9m uma responsabilidade, e o Papa&#8221;, afirma o jornalista e autor, &#8220;est\u00e1 longe de uma concep\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica ou ideol\u00f3gica. A paz de Cristo passa pelo sacrif\u00edcio.&#8221;<\/p>\n<p>As entrevistas se multiplicaram nesta ter\u00e7a-feira, 21 de julho, para Alessandro Banfi. Jornalista, roteirista de televis\u00e3o, diretor de comunica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o O\u00e1sis e editor do livro de Le\u00e3o XIV rec\u00e9m-publicado pela Livraria Editora Vaticana (LEV), intitulado &#8220;Desarmada e desarmante. A paz \u00e9 um dom&#8221;. O texto inclui uma introdu\u00e7\u00e3o in\u00e9dita do Papa. &#8220;Para mim&#8221;, confidenciou ele imediatamente durante a transmiss\u00e3o ao vivo da R\u00e1dio Vaticano de ter\u00e7a-feira, &#8220;esta antologia foi uma honra&#8221;, na qual &#8220;a palavra verdade&#8221; \u00e9, de fato, a protagonista. Por fim, comentou ao vivo a cita\u00e7\u00e3o de Bob Dylan: &#8220;Le\u00e3o ama poesia&#8221;.<\/p>\n<p>O Papa nos lembra que o primeiro dom que Cristo ressuscitado ofereceu aos seus amigos e ao mundo inteiro foi a paz. Um dom, por\u00e9m, como especifica Le\u00e3o XIV, que n\u00e3o era barato, n\u00e3o estava \u00e0 venda. Devemos n\u00f3s, Alessandro, aprender a olhar para a cruz para nos tornarmos artes\u00e3os da paz?<\/p>\n<p>Sim, essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a entre a paz que a Igreja prop\u00f5e e um irenismo gen\u00e9rico e benevolente. A paz de Cristo passa atrav\u00e9s de um sacrif\u00edcio unilateral, o do servo sofredor. A paz, em outras palavras, \u00e9 um dom, mas tamb\u00e9m uma responsabilidade, uma resposta a esse dom, como diz a etimologia da palavra responsabilidade, e, ao mesmo tempo, essa posi\u00e7\u00e3o pacifista n\u00e3o esconde nada do drama violento da vida. N\u00e3o se trata de uma supress\u00e3o irrealista do mal ou do \u00f3dio, mas sim de uma supera\u00e7\u00e3o, e esse, na minha opini\u00e3o, \u00e9 o ponto fant\u00e1stico que o Papa destaca na passagem que voc\u00ea citou. Est\u00e1 bem longe de uma concep\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica ou ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p><b>Alessandro, o que o motivou a editar este volume? Qual era a necessidade?<\/b><\/p>\n<p>Gostei muito da ideia de reunir as palavras-chave deste pontificado em um \u00fanico volume conciso. Palavras divididas em cap\u00edtulos, onde todos os pronunciamentos do Papa, desde o discurso institucional ao corpo diplom\u00e1tico no Dia Mundial da Paz, passando pela visita \u00e0 par\u00f3quia, at\u00e9 o di\u00e1logo com os jovens em Tor Vergata, ressaltam a centralidade deste tema. Situa\u00e7\u00f5es diferentes, \u00eanfases diferentes, mas uma preocupa\u00e7\u00e3o comum: construir di\u00e1logos, pontes e interc\u00e2mbios, convidando a todos a romper com o paradigma amigo-inimigo. Penso tamb\u00e9m em suas primeiras viagens ao L\u00edbano e \u00e0 Turquia, como tamb\u00e9m \u00e0 Arg\u00e9lia, onde o testemunho dos m\u00e1rtires foi combinado com a refer\u00eancia a Santo Agostinho.<\/p>\n<p>No livro, o Papa Le\u00e3o XIV enfatiza que a paz \u00e9, antes de tudo, uma responsabilidade. H\u00e1 uma passagem que me impactou profundamente: &#8220;Se o nosso primeiro instinto ao nos depararmos com um problema, uma tens\u00e3o ou uma ofensa, for julgar os outros, acus\u00e1-los e at\u00e9 conden\u00e1-los, ser\u00e1 inevit\u00e1vel que primeiro a indiferen\u00e7a e depois o \u00f3dio se desenvolvam ao nosso redor&#8221;. O Papa cita ent\u00e3o Santo Agostinho, que nos exortou a mudar os tempos, n\u00e3o a reclamar. Como podemos fazer isso?<\/p>\n<p>Com escolhas concretas. Fiquei profundamente impressionado, em sua introdu\u00e7\u00e3o in\u00e9dita a este livro, com a men\u00e7\u00e3o do Papa Le\u00e3o ao epis\u00f3dio hist\u00f3rico, de certa forma esquecido, em que um funcion\u00e1rio sovi\u00e9tico, em 1983, desobedecendo ordens, evitou uma guerra nuclear com os Estados Unidos. Ele comenta esse fato ver\u00eddico e, em certo ponto, escreve a seguinte frase: &#8220;A consci\u00eancia de um \u00fanico homem pode valer o mundo inteiro&#8221;. Essa ideia, essa consci\u00eancia, d\u00e1 esperan\u00e7a; est\u00e1 na mente do homem, nos d\u00e1 a perspectiva correta para vislumbrar um horizonte de paz. O fim da guerra, o fim do \u00f3dio e da viol\u00eancia come\u00e7a por mim, na minha casa, com os meus colegas, com os meus vizinhos, e n\u00e3o h\u00e1 paz sem justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O Santo Padre nos lembra ent\u00e3o que a paz se constr\u00f3i, se edifica. Ele escreve: &#8220;Com a verdade, at\u00e9 mesmo quem faz a guerra afirma estar agindo em nome da paz. Ningu\u00e9m tem a aud\u00e1cia de declarar que quer a guerra pela guerra.&#8221; Ent\u00e3o eu pergunto: hoje, \u00e0s vezes temos medo de pronunciar a palavra verdade? Qu\u00e3o desarmante \u00e9 falar sobre a verdade?<\/p>\n<p>Muito! Um dos cap\u00edtulos que me d\u00e1 mais satisfa\u00e7\u00e3o nesta antologia, que tive a honra, a grande honra de fazer, \u00e9 o dedicado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o em tempos de guerra. E isso tem a ver com a verdade. Tamb\u00e9m tem a ver com o trabalho que desenvolvi por muitos anos. N\u00f3s o chamamos de propaganda e informa\u00e7\u00e3o, a guerra de palavras. O Papa insistiu, de fato, convidando a inverter o ponto de vista de quem narra os conflitos. N\u00e3o como se descreve um videogame, diz ele, mas colocando-se na \u00f3tica das v\u00edtimas, na perspectiva de quem \u00e9 v\u00edtima. Pessoas reais, portanto. A refer\u00eancia a pessoas que s\u00e3o v\u00edtimas da guerra, de carne e osso, mulheres e crian\u00e7as. A palavra &#8220;inimigo&#8221;, como sempre, em todas as guerras, esconde uma abstra\u00e7\u00e3o. A incapacidade de ver que aquela pessoa \u00e9 um ser humano, como eu.<\/p>\n<p><b>Alessandro, por fim, uma cita\u00e7\u00e3o de Bob Dylan. Voc\u00ea esperava por isso?<\/b><\/p>\n<p>Me surpreendeu, mas talvez eu n\u00e3o deveria ter ficado t\u00e3o surpreso, pois n\u00e3o se trata apenas de um papa norte-americano, estadunidense, mas de um Papa que viveu profundamente a cultura de seu pa\u00eds, mesmo tendo migrantes em sua fam\u00edlia de origem. Trata-se de um Pont\u00edfice que realmente sabe abordar todos os aspectos da cultura contempor\u00e2nea. Basta pensar no encontro com o ator Banderas, na \u00faltima viagem \u00e0 Espanha, ou no encontro com os escritores, onde estavam presentes os maiores nomes do mundo. Quando li a refer\u00eancia ao Bob Dylan antinuclear, lembrei-me daquela grande \u00e9poca. Bob Dylan escreveu esse texto em 1962. Naqueles anos, houve momentos de grande tens\u00e3o, como a crise de Cuba, mas tamb\u00e9m momentos em que a vontade de desarmamento bilateral era muito sincera, sentida em todo o mundo. A \u00faltima coisa que lhe digo \u00e9 que, como filho de Agostinho, esse Papa gosta de poesia. Agostinho foi um grande poeta, al\u00e9m de um grande Padre da Igreja.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00eddia vaticana entrevistou Alessandro Banfi, editor do livro &#8220;Desarmada e desarmante. A paz \u00e9 um dom&#8221;, publicado pela Livraria Editora Vaticana. &#8220;A paz \u00e9 um dom, mas tamb\u00e9m uma responsabilidade, e o Papa&#8221;, afirma o jornalista e autor, &#8220;est\u00e1 longe de uma concep\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica ou ideol\u00f3gica. A paz de Cristo passa pelo sacrif\u00edcio.&#8221; As entrevistas se multiplicaram nesta ter\u00e7a-feira, 21 de julho, para Alessandro Banfi. Jornalista, roteirista de televis\u00e3o, diretor de comunica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o O\u00e1sis e editor do livro de Le\u00e3o XIV rec\u00e9m-publicado pela Livraria Editora Vaticana (LEV), intitulado &#8220;Desarmada e desarmante. A paz \u00e9 um dom&#8221;. O texto inclui uma introdu\u00e7\u00e3o in\u00e9dita do Papa. &#8220;Para mim&#8221;, confidenciou ele imediatamente durante a transmiss\u00e3o ao vivo da R\u00e1dio Vaticano de ter\u00e7a-feira, &#8220;esta antologia foi uma honra&#8221;, na qual &#8220;a palavra verdade&#8221; \u00e9, de fato, a protagonista. Por fim, comentou ao vivo a cita\u00e7\u00e3o de Bob Dylan: &#8220;Le\u00e3o ama poesia&#8221;. O Papa nos lembra que o primeiro dom que Cristo ressuscitado ofereceu aos seus amigos e ao mundo inteiro foi a paz. Um dom, por\u00e9m, como especifica Le\u00e3o XIV, que n\u00e3o era barato, n\u00e3o estava \u00e0 venda. Devemos n\u00f3s, Alessandro, aprender a olhar para a cruz para nos tornarmos artes\u00e3os da paz? Sim, essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a entre a paz que a Igreja prop\u00f5e e um irenismo gen\u00e9rico e benevolente. A paz de Cristo passa atrav\u00e9s de um sacrif\u00edcio unilateral, o do servo sofredor. A paz, em outras palavras, \u00e9 um dom, mas tamb\u00e9m uma responsabilidade, uma resposta a esse dom, como diz a etimologia da palavra responsabilidade, e, ao mesmo tempo, essa posi\u00e7\u00e3o pacifista n\u00e3o esconde nada do drama violento da vida. N\u00e3o se trata de uma supress\u00e3o irrealista do mal ou do \u00f3dio, mas sim de uma supera\u00e7\u00e3o, e esse, na minha opini\u00e3o, \u00e9 o ponto fant\u00e1stico que o Papa destaca na passagem que voc\u00ea citou. Est\u00e1 bem longe de uma concep\u00e7\u00e3o ut\u00f3pica ou ideol\u00f3gica. Alessandro, o que o motivou a editar este volume? Qual era a necessidade? Gostei muito da ideia de reunir as palavras-chave deste pontificado em um \u00fanico volume conciso. Palavras divididas em cap\u00edtulos, onde todos os pronunciamentos do Papa, desde o discurso institucional ao corpo diplom\u00e1tico no Dia Mundial da Paz, passando pela visita \u00e0 par\u00f3quia, at\u00e9 o di\u00e1logo com os jovens em Tor Vergata, ressaltam a centralidade deste tema. Situa\u00e7\u00f5es diferentes, \u00eanfases diferentes, mas uma preocupa\u00e7\u00e3o comum: construir di\u00e1logos, pontes e interc\u00e2mbios, convidando a todos a romper com o paradigma amigo-inimigo. Penso tamb\u00e9m em suas primeiras viagens ao L\u00edbano e \u00e0 Turquia, como tamb\u00e9m \u00e0 Arg\u00e9lia, onde o testemunho dos m\u00e1rtires foi combinado com a refer\u00eancia a Santo Agostinho. No livro, o Papa Le\u00e3o XIV enfatiza que a paz \u00e9, antes de tudo, uma responsabilidade. H\u00e1 uma passagem que me impactou profundamente: &#8220;Se o nosso primeiro instinto ao nos depararmos com um problema, uma tens\u00e3o ou uma ofensa, for julgar os outros, acus\u00e1-los e at\u00e9 conden\u00e1-los, ser\u00e1 inevit\u00e1vel que primeiro a indiferen\u00e7a e depois o \u00f3dio se desenvolvam ao nosso redor&#8221;. O Papa cita ent\u00e3o Santo Agostinho, que nos exortou a mudar os tempos, n\u00e3o a reclamar. Como podemos fazer isso? Com escolhas concretas. Fiquei profundamente impressionado, em sua introdu\u00e7\u00e3o in\u00e9dita a este livro, com a men\u00e7\u00e3o do Papa Le\u00e3o ao epis\u00f3dio hist\u00f3rico, de certa forma esquecido, em que um funcion\u00e1rio sovi\u00e9tico, em 1983, desobedecendo ordens, evitou uma guerra nuclear com os Estados Unidos. Ele comenta esse fato ver\u00eddico e, em certo ponto, escreve a seguinte frase: &#8220;A consci\u00eancia de um \u00fanico homem pode valer o mundo inteiro&#8221;. Essa ideia, essa consci\u00eancia, d\u00e1 esperan\u00e7a; est\u00e1 na mente do homem, nos d\u00e1 a perspectiva correta para vislumbrar um horizonte de paz. O fim da guerra, o fim do \u00f3dio e da viol\u00eancia come\u00e7a por mim, na minha casa, com os meus colegas, com os meus vizinhos, e n\u00e3o h\u00e1 paz sem justi\u00e7a. O Santo Padre nos lembra ent\u00e3o que a paz se constr\u00f3i, se edifica. Ele escreve: &#8220;Com a verdade, at\u00e9 mesmo quem faz a guerra afirma estar agindo em nome da paz. Ningu\u00e9m tem a aud\u00e1cia de declarar que quer a guerra pela guerra.&#8221; Ent\u00e3o eu pergunto: hoje, \u00e0s vezes temos medo de pronunciar a palavra verdade? Qu\u00e3o desarmante \u00e9 falar sobre a verdade? Muito! Um dos cap\u00edtulos que me d\u00e1 mais satisfa\u00e7\u00e3o nesta antologia, que tive a honra, a grande honra de fazer, \u00e9 o dedicado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o em tempos de guerra. E isso tem a ver com a verdade. Tamb\u00e9m tem a ver com o trabalho que desenvolvi por muitos anos. N\u00f3s o chamamos de propaganda e informa\u00e7\u00e3o, a guerra de palavras. O Papa insistiu, de fato, convidando a inverter o ponto de vista de quem narra os conflitos. N\u00e3o como se descreve um videogame, diz ele, mas colocando-se na \u00f3tica das v\u00edtimas, na perspectiva de quem \u00e9 v\u00edtima. Pessoas reais, portanto. A refer\u00eancia a pessoas que s\u00e3o v\u00edtimas da guerra, de carne e osso, mulheres e crian\u00e7as. A palavra &#8220;inimigo&#8221;, como sempre, em todas as guerras, esconde uma abstra\u00e7\u00e3o. A incapacidade de ver que aquela pessoa \u00e9 um ser humano, como eu. Alessandro, por fim, uma cita\u00e7\u00e3o de Bob Dylan. Voc\u00ea esperava por isso? Me surpreendeu, mas talvez eu n\u00e3o deveria ter ficado t\u00e3o surpreso, pois n\u00e3o se trata apenas de um papa norte-americano, estadunidense, mas de um Papa que viveu profundamente a cultura de seu pa\u00eds, mesmo tendo migrantes em sua fam\u00edlia de origem. Trata-se de um Pont\u00edfice que realmente sabe abordar todos os aspectos da cultura contempor\u00e2nea. Basta pensar no encontro com o ator Banderas, na \u00faltima viagem \u00e0 Espanha, ou no encontro com os escritores, onde estavam presentes os maiores nomes do mundo. Quando li a refer\u00eancia ao Bob Dylan antinuclear, lembrei-me daquela grande \u00e9poca. Bob Dylan escreveu esse texto em 1962. Naqueles anos, houve momentos de grande tens\u00e3o, como a crise de Cuba, mas tamb\u00e9m momentos em que a vontade de desarmamento bilateral era muito sincera, sentida em todo o mundo. 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