{"id":32706,"date":"2026-07-25T12:06:35","date_gmt":"2026-07-25T12:06:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32706"},"modified":"2026-08-01T11:02:30","modified_gmt":"2026-08-01T11:02:30","slug":"xvii-domingo-do-tempo-comum-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/xvii-domingo-do-tempo-comum-3\/","title":{"rendered":"XVII Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL<\/strong><\/p>\n<p>Somos seres movidos por desejos. Alguns bons, outros nem tanto. A liturgia deste domingo prop\u00f5e uma reflex\u00e3o acerca das prioridades que orientam a exist\u00eancia humana, bem como dos valores que estruturam nosso agir.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o, rei de Israel, \u00e9 apresentado como modelo de sabedoria no texto da primeira leitura (1Rs 3,5.7-12). Tal qualidade se evidencia na capacidade de discernimento que permite identificar aquilo que \u00e9 perene, evitando a valoriza\u00e7\u00e3o demasiada dos bens ef\u00eameros e a aliena\u00e7\u00e3o provocada por falsas seguran\u00e7as.<\/p>\n<p>No Evangelho (Mt 13,44-52), por meio de par\u00e1bolas, Jesus exorta os disc\u00edpulos a reconhecer o Reino de Deus como prioridade absoluta. Diante desse bem supremo, compreendido como o verdadeiro \u201ctesouro\u201d, todos os demais interesses, aspira\u00e7\u00f5es e posses devem ocupar um lugar secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>O pequeno trecho da carta aos Romanos (segunda leitura: Rm 8,28-30) retoma essa perspectiva ao convocar seus destinat\u00e1rios para configurarem a pr\u00f3pria exist\u00eancia segundo as exig\u00eancias de Jesus. Deus predestinou cada pessoa a ser conforme a imagem do Filho, Jesus.<\/p>\n<p><strong>I COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong> I leitura (1Rs 3,5.7-12)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esse texto evidencia que, no contexto de Israel, a figura do rei \u00e9 compreendida como instrumento de Deus. O rei serve de mediador para realizar os planos de Deus para seu povo. \u00c9 por meio da pessoa r\u00e9gia que a a\u00e7\u00e3o divina se manifesta na hist\u00f3ria, orientando e governando a vida comunit\u00e1ria de Israel.<\/p>\n<p>Salom\u00e3o n\u00e3o interpretou sua fun\u00e7\u00e3o r\u00e9gia como privil\u00e9gio destinado \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de interesses pessoais, e sim como minist\u00e9rio recebido de Deus e destinado ao servi\u00e7o do povo (v. 7-8). O monarca reconhece que a autoridade comporta responsabilidade \u00e9tica e que seu exerc\u00edcio deve ser orientado pela sabedoria pr\u00e1tica (v. 9), entendida como capacidade de discernimento e como busca do bem comum.<\/p>\n<p>Por fim, o texto destaca a qualidade da s\u00faplica de Salom\u00e3o e a resposta positiva de Deus ao seu pedido (v. 11-12). Ele n\u00e3o solicita riquezas, prest\u00edgio ou poder, mas sim as disposi\u00e7\u00f5es interiores e as compet\u00eancias necess\u00e1rias para cumprir fielmente a miss\u00e3o confiada por Deus. Assim, Salom\u00e3o se torna, para o autor b\u00edblico, um paradigma humano capaz de escolher aquilo que possui valor perene, sem se deixar seduzir por bens passageiros.<\/p>\n<p>Ao afirmar que o pedido de Salom\u00e3o \u201cagradou ao Senhor\u201d (v. 10), o texto prop\u00f5e implicitamente ao povo de Israel a ado\u00e7\u00e3o de valores duradouros, essenciais e espiritualmente significativos, em contraste com a busca de bens transit\u00f3rios.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> II leitura (Rm 8,28-30)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A passagem de Rm 8,28-30 se insere no grande argumento paulino sobre a a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus em Cristo e sobre a esperan\u00e7a que sustenta a vida dos fi\u00e9is. Paulo afirma, de in\u00edcio, que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus (v. 28). Logo, a hist\u00f3ria pessoal e comunit\u00e1ria das pessoas n\u00e3o \u00e9 marcada pelo acaso, mas acompanhada pela Provid\u00eancia divina.<\/p>\n<p>Em seguida, essa perspectiva se amplia ao afirmar que Deus \u201cpredestinou\u201d os fi\u00e9is a serem conformados \u00e0 imagem de seu Filho (v. 29). A predestina\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser entendida como um determinismo r\u00edgido, e sim como o desejo amoroso de Deus, que sempre quis a humanidade configurada ao Cristo. Esse processo de transforma\u00e7\u00e3o ocorre na vida crist\u00e3 pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. A pessoa vai sendo moldada segundo o modelo de Cristo, cujo modo de viver, amar e se entregar revela plenamente a vontade salv\u00edfica do Pai.<\/p>\n<p>Enfim, h\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o em sequ\u00eancia do itiner\u00e1rio da salva\u00e7\u00e3o (v. 30). \u00c9 uma vis\u00e3o unit\u00e1ria do agir divino (predestinar, chamar, justificar e glorificar), no qual o chamado inicial conduz \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, \u00e0 inser\u00e7\u00e3o no relacionamento justo com Deus, e culmina na glorifica\u00e7\u00e3o, que indica a participa\u00e7\u00e3o plena na vida divina. O uso do tempo verbal no passado (\u201cglorificou\u201d), embora a refer\u00eancia seja a uma realidade futura, expressa a firmeza da promessa. Para Paulo, o que Deus iniciou na vida daqueles que creem j\u00e1 carrega a garantia da realiza\u00e7\u00e3o definitiva.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Evangelho (Mt 13,44-52)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Neste domingo, conclu\u00edmos a leitura do cap\u00edtulo de Mateus dedicado \u00e0s par\u00e1bolas. Nesse ensinamento (Mt 13,1-52), Jesus instrui a respeito do mist\u00e9rio do Reino dos C\u00e9us por meio de imagens do cotidiano das pessoas, provocando quest\u00f5es para a convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Na primeira parte (v. 44-46), encontram-se duas par\u00e1bolas a respeito do valor incompar\u00e1vel do Reino dos C\u00e9us. Ambas as imagens, de um tesouro escondido no campo e de uma p\u00e9rola de grande valor, demonstram que o an\u00fancio realizado por Jesus constitui um bem supremo diante do qual todos os demais valores devem ser relativizados. O disc\u00edpulo aut\u00eantico \u00e9 aquele que reconhece, na descoberta do Reino, uma experi\u00eancia decisiva e transformadora, capaz de redefinir prioridades de valores e orientar toda a exist\u00eancia em torno da novidade de grande valor.<\/p>\n<p>A segunda parte (v. 47-50) apresenta o Reino sob a met\u00e1fora de uma rede lan\u00e7ada ao mar, que recolhe peixes de diversas esp\u00e9cies. De forma semelhante \u00e0 par\u00e1bola do joio e do trigo, esse texto ensina que o Reino n\u00e3o se desenvolve como um espa\u00e7o exclusivo para alguns perfeitos, mas como uma realidade onde convivem, simultaneamente, bons e maus. No tempo oportuno, Deus separar\u00e1 uns dos outros. Ele concede ao ser humano tempo suficiente para amadurecer escolhas e reorientar a pr\u00f3pria vida. Essa men\u00e7\u00e3o ao ju\u00edzo final (v. 49-50) funciona como apelo \u00e0 comunidade para escolher decididamente pelo Reino.<\/p>\n<p>A terceira parte (v. 51-52) apresenta breve di\u00e1logo conclusivo entre Jesus e os disc\u00edpulos. O evangelista enfatiza que o verdadeiro disc\u00edpulo \u00e9 aquele que \u201ccompreende\u201d, termo que, no vocabul\u00e1rio teol\u00f3gico mateano, significa acolher o ensinamento de Jesus com aten\u00e7\u00e3o, discernimento e compromisso. Assim, o escriba que extrai de seu tesouro coisas novas e velhas representa as pessoas de origem judaica, conhecedoras das Escrituras de Israel (o \u201cvelho\u201d), que agora s\u00e3o convidadas a reinterpret\u00e1-las \u00e0 luz da novidade do Evangelho (o \u201cnovo\u201d).<\/p>\n<p>Nessa din\u00e2mica constante entre tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, o disc\u00edpulo encontra o caminho do Reino dos C\u00e9us e, uma vez que come\u00e7a a percorr\u00ea-lo, \u00e9 chamado a nele perseverar com decis\u00e3o, coer\u00eancia e empenho.<\/p>\n<p><strong>III. PISTAS PARA A REFLEX\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Sempre temos muitas op\u00e7\u00f5es para escolher. A escolha de algo implica perda de outras coisas. O desafio ordin\u00e1rio est\u00e1 em optar pelo que realmente \u00e9 importante e desapegar-se do que \u00e9 desnecess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o da primeira leitura \u00e9 pedir a Deus sabedoria, que n\u00e3o significa informa\u00e7\u00f5es a respeito de algo, mas capacidade de discernimento e de a\u00e7\u00e3o para a vida pr\u00e1tica. O Evangelho instiga nossa mente para refletirmos sobre o que buscamos e prop\u00f5e um tesouro a ser descoberto na interioridade da ora\u00e7\u00e3o. Quando esse bem maior \u00e9 encontrado, todas as outras coisas perdem valor. Por fim, Paulo nos recorda que somos destinados para o eterno amor de Deus, e n\u00e3o para a fascina\u00e7\u00e3o do que \u00e9 provis\u00f3rio.<\/p>\n<p>Entre as muitas possibilidades que temos, o Evangelho sempre se apresenta como a melhor de todas. Por ele optaram in\u00fameras testemunhas ao longo da hist\u00f3ria, e ainda hoje podemos reconhecer, em nosso meio, como a experi\u00eancia de f\u00e9 em Cristo muda a vida das pessoas e a nossa pr\u00f3pria. <em><span style=\"font-size: 10pt;\">(Vida Pastoral &#8211; Paulus)<\/span><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-26-A-Dom-XVII-TC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>XVII DOMINGO DO TEMPO COMUM<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL Somos seres movidos por desejos. Alguns bons, outros nem tanto. A liturgia deste domingo prop\u00f5e uma reflex\u00e3o acerca das prioridades que orientam a exist\u00eancia humana, bem como dos valores que estruturam nosso agir. Salom\u00e3o, rei de Israel, \u00e9 apresentado como modelo de sabedoria no texto da primeira leitura (1Rs 3,5.7-12). Tal qualidade se evidencia na capacidade de discernimento que permite identificar aquilo que \u00e9 perene, evitando a valoriza\u00e7\u00e3o demasiada dos bens ef\u00eameros e a aliena\u00e7\u00e3o provocada por falsas seguran\u00e7as. No Evangelho (Mt 13,44-52), por meio de par\u00e1bolas, Jesus exorta os disc\u00edpulos a reconhecer o Reino de Deus como prioridade absoluta. Diante desse bem supremo, compreendido como o verdadeiro \u201ctesouro\u201d, todos os demais interesses, aspira\u00e7\u00f5es e posses devem ocupar um lugar secund\u00e1rio. O pequeno trecho da carta aos Romanos (segunda leitura: Rm 8,28-30) retoma essa perspectiva ao convocar seus destinat\u00e1rios para configurarem a pr\u00f3pria exist\u00eancia segundo as exig\u00eancias de Jesus. Deus predestinou cada pessoa a ser conforme a imagem do Filho, Jesus. I COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS I leitura (1Rs 3,5.7-12) Esse texto evidencia que, no contexto de Israel, a figura do rei \u00e9 compreendida como instrumento de Deus. O rei serve de mediador para realizar os planos de Deus para seu povo. \u00c9 por meio da pessoa r\u00e9gia que a a\u00e7\u00e3o divina se manifesta na hist\u00f3ria, orientando e governando a vida comunit\u00e1ria de Israel. Salom\u00e3o n\u00e3o interpretou sua fun\u00e7\u00e3o r\u00e9gia como privil\u00e9gio destinado \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o de interesses pessoais, e sim como minist\u00e9rio recebido de Deus e destinado ao servi\u00e7o do povo (v. 7-8). O monarca reconhece que a autoridade comporta responsabilidade \u00e9tica e que seu exerc\u00edcio deve ser orientado pela sabedoria pr\u00e1tica (v. 9), entendida como capacidade de discernimento e como busca do bem comum. Por fim, o texto destaca a qualidade da s\u00faplica de Salom\u00e3o e a resposta positiva de Deus ao seu pedido (v. 11-12). Ele n\u00e3o solicita riquezas, prest\u00edgio ou poder, mas sim as disposi\u00e7\u00f5es interiores e as compet\u00eancias necess\u00e1rias para cumprir fielmente a miss\u00e3o confiada por Deus. Assim, Salom\u00e3o se torna, para o autor b\u00edblico, um paradigma humano capaz de escolher aquilo que possui valor perene, sem se deixar seduzir por bens passageiros. Ao afirmar que o pedido de Salom\u00e3o \u201cagradou ao Senhor\u201d (v. 10), o texto prop\u00f5e implicitamente ao povo de Israel a ado\u00e7\u00e3o de valores duradouros, essenciais e espiritualmente significativos, em contraste com a busca de bens transit\u00f3rios. II leitura (Rm 8,28-30) A passagem de Rm 8,28-30 se insere no grande argumento paulino sobre a a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus em Cristo e sobre a esperan\u00e7a que sustenta a vida dos fi\u00e9is. Paulo afirma, de in\u00edcio, que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus (v. 28). Logo, a hist\u00f3ria pessoal e comunit\u00e1ria das pessoas n\u00e3o \u00e9 marcada pelo acaso, mas acompanhada pela Provid\u00eancia divina. Em seguida, essa perspectiva se amplia ao afirmar que Deus \u201cpredestinou\u201d os fi\u00e9is a serem conformados \u00e0 imagem de seu Filho (v. 29). A predestina\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser entendida como um determinismo r\u00edgido, e sim como o desejo amoroso de Deus, que sempre quis a humanidade configurada ao Cristo. Esse processo de transforma\u00e7\u00e3o ocorre na vida crist\u00e3 pela a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. A pessoa vai sendo moldada segundo o modelo de Cristo, cujo modo de viver, amar e se entregar revela plenamente a vontade salv\u00edfica do Pai. Enfim, h\u00e1 uma descri\u00e7\u00e3o em sequ\u00eancia do itiner\u00e1rio da salva\u00e7\u00e3o (v. 30). \u00c9 uma vis\u00e3o unit\u00e1ria do agir divino (predestinar, chamar, justificar e glorificar), no qual o chamado inicial conduz \u00e0 justifica\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, \u00e0 inser\u00e7\u00e3o no relacionamento justo com Deus, e culmina na glorifica\u00e7\u00e3o, que indica a participa\u00e7\u00e3o plena na vida divina. O uso do tempo verbal no passado (\u201cglorificou\u201d), embora a refer\u00eancia seja a uma realidade futura, expressa a firmeza da promessa. Para Paulo, o que Deus iniciou na vida daqueles que creem j\u00e1 carrega a garantia da realiza\u00e7\u00e3o definitiva. Evangelho (Mt 13,44-52) Neste domingo, conclu\u00edmos a leitura do cap\u00edtulo de Mateus dedicado \u00e0s par\u00e1bolas. Nesse ensinamento (Mt 13,1-52), Jesus instrui a respeito do mist\u00e9rio do Reino dos C\u00e9us por meio de imagens do cotidiano das pessoas, provocando quest\u00f5es para a convers\u00e3o. Na primeira parte (v. 44-46), encontram-se duas par\u00e1bolas a respeito do valor incompar\u00e1vel do Reino dos C\u00e9us. Ambas as imagens, de um tesouro escondido no campo e de uma p\u00e9rola de grande valor, demonstram que o an\u00fancio realizado por Jesus constitui um bem supremo diante do qual todos os demais valores devem ser relativizados. O disc\u00edpulo aut\u00eantico \u00e9 aquele que reconhece, na descoberta do Reino, uma experi\u00eancia decisiva e transformadora, capaz de redefinir prioridades de valores e orientar toda a exist\u00eancia em torno da novidade de grande valor. A segunda parte (v. 47-50) apresenta o Reino sob a met\u00e1fora de uma rede lan\u00e7ada ao mar, que recolhe peixes de diversas esp\u00e9cies. De forma semelhante \u00e0 par\u00e1bola do joio e do trigo, esse texto ensina que o Reino n\u00e3o se desenvolve como um espa\u00e7o exclusivo para alguns perfeitos, mas como uma realidade onde convivem, simultaneamente, bons e maus. No tempo oportuno, Deus separar\u00e1 uns dos outros. Ele concede ao ser humano tempo suficiente para amadurecer escolhas e reorientar a pr\u00f3pria vida. Essa men\u00e7\u00e3o ao ju\u00edzo final (v. 49-50) funciona como apelo \u00e0 comunidade para escolher decididamente pelo Reino. A terceira parte (v. 51-52) apresenta breve di\u00e1logo conclusivo entre Jesus e os disc\u00edpulos. O evangelista enfatiza que o verdadeiro disc\u00edpulo \u00e9 aquele que \u201ccompreende\u201d, termo que, no vocabul\u00e1rio teol\u00f3gico mateano, significa acolher o ensinamento de Jesus com aten\u00e7\u00e3o, discernimento e compromisso. Assim, o escriba que extrai de seu tesouro coisas novas e velhas representa as pessoas de origem judaica, conhecedoras das Escrituras de Israel (o \u201cvelho\u201d), que agora s\u00e3o convidadas a reinterpret\u00e1-las \u00e0 luz da novidade do Evangelho (o \u201cnovo\u201d). Nessa din\u00e2mica constante entre tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, o disc\u00edpulo encontra o caminho do Reino dos C\u00e9us e, uma vez que come\u00e7a a percorr\u00ea-lo, \u00e9 chamado a nele perseverar com decis\u00e3o, coer\u00eancia e empenho. III. PISTAS PARA A REFLEX\u00c3O Sempre temos muitas op\u00e7\u00f5es para escolher. 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