{"id":32730,"date":"2026-07-30T09:49:42","date_gmt":"2026-07-30T09:49:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32730"},"modified":"2026-07-30T09:50:12","modified_gmt":"2026-07-30T09:50:12","slug":"e-perdido-o-tempo-que-o-coracao-nao-percebe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/e-perdido-o-tempo-que-o-coracao-nao-percebe\/","title":{"rendered":"\u00c9 perdido o tempo que o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o percebe."},"content":{"rendered":"<p>A imin\u00eancia do meu anivers\u00e1rio obriga-me a conversar com o tempo, que eu acredito poder dominar contando as \u00f3rbitas da Terra \u00e0 volta do Sol. Para qu\u00ea? S\u00f3 para saber o qu\u00e3o perto estou da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida, que para os homens portugueses \u00e9 de 78,99 anos?<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho controlo sobre o tempo, e saber o n\u00famero de vezes que a Terra deu a volta ao Sol s\u00f3 me ajuda a medir anos de vida, n\u00e3o a vida nos anos. Como se mede esta?<\/p>\n<p>Certa vez, uma professora perguntou a uma crian\u00e7a qual era o melhor caminho entre dois pontos. Enquanto um adulto desenharia uma linha reta de A a B, a crian\u00e7a desenhou uma muito longa e sinuosa. A professora, surpreendida, perguntou-lhe porqu\u00ea um caminho t\u00e3o longo, e a crian\u00e7a respondeu:\u00a0<em>&#8220;Porque me pediste o melhor caminho, n\u00e3o o mais r\u00e1pido. E o melhor caminho \u00e9 aquele que permite ver mais coisas.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Esta resposta \u00e9 o grande desafio de cada vivente. Dever\u00edamos tentar substituir a pergunta\u00a0<em>&#8220;O que espero da vida?&#8221;<\/em>\u00a0por<em>\u00a0&#8220;O que a vida espera de mim?&#8221;.\u00a0<\/em>Passar do\u00a0<em>controlo do tempo<\/em>\u00a0para o\u00a0<em>amor ao tempo<\/em>.<\/p>\n<p>Mas como posso descobrir\u00a0<em>o que a vida espera de mim<\/em>, neste momento?<\/p>\n<p>H\u00e1 dias, li um artigo que tinha o seguinte t\u00edtulo:\u00a0<em>&#8220;A arte do suficiente\u201d<\/em>. Em s\u00edntese, \u00e9 um convite a poder ver o que j\u00e1 existe. Nas nossas vidas, o fosso entre o desejo e a realidade tende a aumentar continuamente&#8230; Tendemos a querer sempre mais, imaginando que o pr\u00f3ximo passo nos completar\u00e1 finalmente. &#8220;<em>Suficiente&#8221;<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9\u00a0<em>&#8220;acontentar-se&#8221;<\/em>, mas\u00a0<em>&#8220;ser feliz&#8221;<\/em>. Devemos envolver a energia inesgot\u00e1vel do desejo n\u00e3o em metas a atingir, pr\u00f3prios de uma vis\u00e3o consumista, quantificada e linear do tempo (diploma, t\u00edtulo, emprego, dinheiro, felicidade&#8230;), mas no processo de descoberta de n\u00f3s mesmos e do mundo que habitamos.<\/p>\n<p><em>O infinito n\u00e3o se alcan\u00e7a acumulando coisas finitas, mas tornando algo finito infinito: isto \u00e9, amando.<\/em>\u00a0A\u00a0<em>arte do suficiente<\/em>\u00a0procura a plenitude no momento, at\u00e9 porque o considera como \u00faltimo. Se a felicidade \u00e9 sempre algo a ser conquistado, porque \u00e9 isso que o mundo diz, ent\u00e3o come\u00e7amos a querer controlar o tempo, aceler\u00e1-lo para atingir um objetivo o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, apenas para descobrir que existe outro, e outro, e outro\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a\u00a0<em>arte do suficiente<\/em>, proposta por Jesus Cristo quando falou em encontrar o reino dos c\u00e9us, isto \u00e9, a felicidade, \u00e9 contracorrente:\u00a0<em>\u00abVigiai, pois, porque n\u00e3o sabeis o dia nem a hora\u00bb. Isto \u00e9<\/em>, devemos permanecer acordados para receber o que a vida tem para nos dar agora. A\u00a0<em>arte do suficiente<\/em>\u00a0n\u00e3o\u00a0<em>apressa o momento<\/em>\u00a0porque o verdadeiro ainda n\u00e3o chegou, mas\u00a0<em>permanece no momento<\/em>\u00a0porque ele j\u00e1 cont\u00e9m tudo. Ou seja, devemos gastar a energia do desejo n\u00e3o ao\u00a0<em>distante<\/em>, o que ainda n\u00e3o est\u00e1, mas ao\u00a0<em>instante<\/em>, que agora \u00e9 pleno.<\/p>\n<p>Isto n\u00e3o significa desistir dos objetivos, muito pelo contr\u00e1rio! Significa desfrutar de cada passo do processo em dire\u00e7\u00e3o a uma meta como se esta j\u00e1 tivesse sido alcan\u00e7ada, como a crian\u00e7a que vai de A a B, onde A e B s\u00e3o meramente os dois limites de um infinito.<\/p>\n<p>N\u00e3o devo ter pressa em viver muitos anos. Devo aproveitar ao m\u00e1ximo cada instante.<\/p>\n<p>Assim como temos olhos para ver a luz e ouvidos para ouvir os sons, temos um cora\u00e7\u00e3o para perceber o tempo. E todo o tempo que o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o percebe, \u00e9 perdido, desperdi\u00e7ado&#8230;<\/p>\n<p>(iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imin\u00eancia do meu anivers\u00e1rio obriga-me a conversar com o tempo, que eu acredito poder dominar contando as \u00f3rbitas da Terra \u00e0 volta do Sol. Para qu\u00ea? S\u00f3 para saber o qu\u00e3o perto estou da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida, que para os homens portugueses \u00e9 de 78,99 anos? N\u00e3o tenho controlo sobre o tempo, e saber o n\u00famero de vezes que a Terra deu a volta ao Sol s\u00f3 me ajuda a medir anos de vida, n\u00e3o a vida nos anos. Como se mede esta? Certa vez, uma professora perguntou a uma crian\u00e7a qual era o melhor caminho entre dois pontos. Enquanto um adulto desenharia uma linha reta de A a B, a crian\u00e7a desenhou uma muito longa e sinuosa. 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