{"id":32736,"date":"2026-08-01T11:00:24","date_gmt":"2026-08-01T11:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32736"},"modified":"2026-08-01T11:00:24","modified_gmt":"2026-08-01T11:00:24","slug":"de-que-nos-fala-o-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/de-que-nos-fala-o-medo\/","title":{"rendered":"De que nos fala o medo?"},"content":{"rendered":"<p>O medo fala-nos sempre de futuro. Quando nos falta a capacidade de viver no presente, surge o medo.<\/p>\n<p>O medo fala-nos de possibilidades que podem nunca vir a concretizar-se. Mas enquanto surgem e desfilam na nossa tela mental, retiram-nos do centro. Transportam-nos para um lugar de vulnerabilidade quase infantil e desprotegido.<\/p>\n<p>O que ser\u00e1 que nos ensina, ent\u00e3o, o medo? Como podemos encontrar estrat\u00e9gias para o fintar e para o sentar num lugar que nos afete um pouco menos?<\/p>\n<p>O medo ensina-nos a sobreviver. Protege-nos. Est\u00e1 ali como um guarda-costas empenhado e comprometido. Observa tudo e todos e envia-nos mensagens premeditadas e antecipadas para nos impedir de sofrer. Tem boas inten\u00e7\u00f5es, pelo menos! O problema \u00e9 que quando o faz em excesso, tornando-se um guarda-costas demasiado focado em n\u00f3s e no que fazemos, torna-se sufocante. Deixa de ser um protetor e passa a ser quase um agressor. \u00c9 aqui que precisamos de entrar com medidas mais dr\u00e1sticas.<\/p>\n<p>Quando o medo ocupa todo o nosso espa\u00e7o interno, precisamos de tentar encontrar gavetas que nos ajudem a respirar. A ideia n\u00e3o ser\u00e1 eliminar o medo, de todo. Mas dizer-lhe que, de momento, estamos bem. Estamos seguros e protegidos. N\u00e3o h\u00e1 perigo. E se houver, n\u00f3s somos adultos e crescidos e vamos conseguir resolver o que vier. Fica um al\u00edvio, n\u00e3o fica?<\/p>\n<p>Colocar a m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, fechar os olhos e dizer ao medo:<\/p>\n<p>Est\u00e1 tudo bem. Eu sei que me queres proteger e guardar de todo o mal. Mas nem tu, nem ningu\u00e9m o pode fazer. Por muito que gost\u00e1ssemos.<\/p>\n<p>Tenho entendido os (meus) medos como uma pris\u00e3o. Uma jaula que se ergue \u00e0 volta de tudo e que deixa pouco espa\u00e7o para respirar. Mas j\u00e1 compreendi que tudo o que queremos rejeitar em n\u00f3s ganha for\u00e7a. E o mesmo acontece com o medo se eu lhe disser que n\u00e3o o quero aqui.<\/p>\n<p>Num mundo em que todos parecem t\u00e3o seguros de si em todos os aspetos, parece absurdo falar de medo e de vulnerabilidade. Mas existem. Dentro de todos os que parecem impar\u00e1veis e perfeitos.<\/p>\n<p>Que os nossos medos encontrem um lugar ao sol para nos dar descanso e que o mar nos traga a presen\u00e7a e a motiva\u00e7\u00e3o para viver apenas um dia de cada vez.<\/p>\n<p>(iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O medo fala-nos sempre de futuro. Quando nos falta a capacidade de viver no presente, surge o medo. O medo fala-nos de possibilidades que podem nunca vir a concretizar-se. Mas enquanto surgem e desfilam na nossa tela mental, retiram-nos do centro. Transportam-nos para um lugar de vulnerabilidade quase infantil e desprotegido. O que ser\u00e1 que nos ensina, ent\u00e3o, o medo? Como podemos encontrar estrat\u00e9gias para o fintar e para o sentar num lugar que nos afete um pouco menos? O medo ensina-nos a sobreviver. Protege-nos. Est\u00e1 ali como um guarda-costas empenhado e comprometido. Observa tudo e todos e envia-nos mensagens premeditadas e antecipadas para nos impedir de sofrer. Tem boas inten\u00e7\u00f5es, pelo menos! O problema \u00e9 que quando o faz em excesso, tornando-se um guarda-costas demasiado focado em n\u00f3s e no que fazemos, torna-se sufocante. Deixa de ser um protetor e passa a ser quase um agressor. \u00c9 aqui que precisamos de entrar com medidas mais dr\u00e1sticas. Quando o medo ocupa todo o nosso espa\u00e7o interno, precisamos de tentar encontrar gavetas que nos ajudem a respirar. A ideia n\u00e3o ser\u00e1 eliminar o medo, de todo. Mas dizer-lhe que, de momento, estamos bem. Estamos seguros e protegidos. N\u00e3o h\u00e1 perigo. E se houver, n\u00f3s somos adultos e crescidos e vamos conseguir resolver o que vier. Fica um al\u00edvio, n\u00e3o fica? Colocar a m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, fechar os olhos e dizer ao medo: Est\u00e1 tudo bem. Eu sei que me queres proteger e guardar de todo o mal. Mas nem tu, nem ningu\u00e9m o pode fazer. Por muito que gost\u00e1ssemos. Tenho entendido os (meus) medos como uma pris\u00e3o. Uma jaula que se ergue \u00e0 volta de tudo e que deixa pouco espa\u00e7o para respirar. Mas j\u00e1 compreendi que tudo o que queremos rejeitar em n\u00f3s ganha for\u00e7a. E o mesmo acontece com o medo se eu lhe disser que n\u00e3o o quero aqui. Num mundo em que todos parecem t\u00e3o seguros de si em todos os aspetos, parece absurdo falar de medo e de vulnerabilidade. Mas existem. Dentro de todos os que parecem impar\u00e1veis e perfeitos. Que os nossos medos encontrem um lugar ao sol para nos dar descanso e que o mar nos traga a presen\u00e7a e a motiva\u00e7\u00e3o para viver apenas um dia de cada vez. 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