{"id":32742,"date":"2026-08-03T09:40:34","date_gmt":"2026-08-03T09:40:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32742"},"modified":"2026-08-03T09:40:34","modified_gmt":"2026-08-03T09:40:34","slug":"ao-longe-o-mar-e-o-ceu-tocam-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/ao-longe-o-mar-e-o-ceu-tocam-se\/","title":{"rendered":"Ao longe, o mar e o c\u00e9u tocam-se"},"content":{"rendered":"<p>O mar e o c\u00e9u tocam-se no ponto mais distante que alcan\u00e7a o nosso olhar. No entanto, a linha do horizonte n\u00e3o marca o fim do mar; apenas esconde o que existe para l\u00e1 do que conseguimos alcan\u00e7ar do ponto em que estamos. A linha que parece o fim \u00e9, na verdade, o in\u00edcio de tudo quanto ainda n\u00e3o vemos e que \u00e9, tamb\u00e9m ele, quase infinito.<\/p>\n<p>Ao navegar por entre os nossos dias, aprendemos que tamb\u00e9m na nossa hist\u00f3ria os horizontes se sucedem e que h\u00e1 sempre um, e \u00e9 para l\u00e1 dele que est\u00e1 aquilo que nos chama. Por vezes, preferimos ficar e n\u00e3o arriscar. Outras vezes, fazemo-nos capazes de nos lan\u00e7ar e ir mesmo contra ventos e mar\u00e9s.<\/p>\n<p>A morte n\u00e3o acaba com a vida. Esconde-nos a vida que h\u00e1 para l\u00e1 dela.<\/p>\n<p>Tal como os azuis do mar e do c\u00e9u, a vida passa pela morte depurando-se e, sem deixar de ser vida, eleva-se a outra forma de ser, ainda mais bela: de imperfeita a perfeita.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem n\u00e3o acredite na eternidade. Julga que o eu com que pensa e sente \u00e9 apenas uma ilus\u00e3o finita. N\u00e3o \u00e9. O que pensa em mim \u00e9 que sou eu, mais at\u00e9 do que as minhas m\u00e3os e a minha cara. Esta voz que \u00e9 luz n\u00e3o \u00e9 uma alucina\u00e7\u00e3o. Como sabem eles que este eu, que n\u00e3o veem, tamb\u00e9m deixa de existir com a morte do corpo?<\/p>\n<p>Saibamos que existe um infinito para l\u00e1 do que conseguimos ver. Mais ainda, o c\u00e9u nos toca sempre nesse limite que mais n\u00e3o \u00e9 do que um ponto de encontro a que um dia chegaremos, pelo qual passaremos e, sem deixar de ser quem somos, a partir do qual havemos de ser mais.<\/p>\n<p>Com os p\u00e9s sempre na lama e com o pensamento para l\u00e1 das nuvens, tamb\u00e9m agora, em mim, o mar e o c\u00e9u se encontram.<\/p>\n<p>(iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mar e o c\u00e9u tocam-se no ponto mais distante que alcan\u00e7a o nosso olhar. No entanto, a linha do horizonte n\u00e3o marca o fim do mar; apenas esconde o que existe para l\u00e1 do que conseguimos alcan\u00e7ar do ponto em que estamos. A linha que parece o fim \u00e9, na verdade, o in\u00edcio de tudo quanto ainda n\u00e3o vemos e que \u00e9, tamb\u00e9m ele, quase infinito. Ao navegar por entre os nossos dias, aprendemos que tamb\u00e9m na nossa hist\u00f3ria os horizontes se sucedem e que h\u00e1 sempre um, e \u00e9 para l\u00e1 dele que est\u00e1 aquilo que nos chama. Por vezes, preferimos ficar e n\u00e3o arriscar. Outras vezes, fazemo-nos capazes de nos lan\u00e7ar e ir mesmo contra ventos e mar\u00e9s. A morte n\u00e3o acaba com a vida. Esconde-nos a vida que h\u00e1 para l\u00e1 dela. Tal como os azuis do mar e do c\u00e9u, a vida passa pela morte depurando-se e, sem deixar de ser vida, eleva-se a outra forma de ser, ainda mais bela: de imperfeita a perfeita. H\u00e1 quem n\u00e3o acredite na eternidade. 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