{"id":32750,"date":"2026-08-06T10:05:30","date_gmt":"2026-08-06T10:05:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32750"},"modified":"2026-08-06T10:05:30","modified_gmt":"2026-08-06T10:05:30","slug":"o-papa-em-assis-construir-a-civilizacao-do-amor-e-nao-das-contraposicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/o-papa-em-assis-construir-a-civilizacao-do-amor-e-nao-das-contraposicoes\/","title":{"rendered":"O Papa em Assis: construir a civiliza\u00e7\u00e3o do amor, e n\u00e3o das contraposi\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Na Piazza Santa Maria dos Anjos, o Papa encontrou-se com os jovens, que lhe fizeram tr\u00eas perguntas.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><source srcset=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1500.844.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg 1x\" media=\"(min-width: 1024px)\" data-original-set=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1500.844.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg 1x\" \/><source srcset=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg 1x\" media=\"(min-width: 768px)\" data-original-set=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg 1x\" \/><source srcset=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg\" data-original-set=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786001097834.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg\" \/><\/picture><\/figure>\n<p>A primeira foi de<b>\u00a0Karolina, de Zagreb\u00a0<\/b>que\u00a0<i>pediu ao Santo Padre, que conselho daria aos jovens que cresceram na espiritualidade franciscana, para poderem continuar a ser aut\u00eanticos disc\u00edpulos de Cristo e levar esperan\u00e7a aos jovens sem perder a alegria do Evangelho?<\/i><\/p>\n<p>O Santo Padre disse que a pr\u00f3pria pergunta j\u00e1 continha parte da resposta, pois testemunhaste \u2013 disse &#8211; o estilo de simplicidade, fraternidade e proximidade que te convenceu e permitiu amadurecer na f\u00e9, inserida numa comunidade, mas aberta a todos. E isto numa regi\u00e3o da Europa que, h\u00e1 apenas trinta anos, conheceu a guerra e a perigosa liga\u00e7\u00e3o entre confiss\u00e3o religiosa e nacionalismo.<\/p>\n<p>Na verdade &#8211; continuou o Papa -, a presen\u00e7a dos franciscanos inspirou, durante s\u00e9culos, o di\u00e1logo e ajudou \u00e0 conviv\u00eancia pac\u00edfica entre cat\u00f3licos, ortodoxos e mu\u00e7ulmanos. Hoje, ser fiel a esta tradi\u00e7\u00e3o de proximidade significa ir contracorrente. Cada vez mais se pedir\u00e1 aos crist\u00e3os para serem construtores de paz no seio de sociedades tentadas a instrumentalizar a religi\u00e3o no confronto entre identidades. Portanto, ser testemunha de Cristo continua algo fascinante e exigente, porque alarga a mente e o cora\u00e7\u00e3o al\u00e9m de fronteiras artificiais, ou seja, al\u00e9m dos medos induzidos pela m\u00e1 informa\u00e7\u00e3o e pelos muros dos preconceitos.<\/p>\n<p>Evitar a cultura do poder e construir a civiliza\u00e7\u00e3o do amor n\u00e3o \u00e9 algo que se compreenda e aceite de imediato. Com S\u00e3o Francisco, &#8211; disse o Papa &#8211; aprendei a radicalidade evang\u00e9lica, que \u00e9 o oposto do fundamentalismo: n\u00e3o torna cegos nem violentos, mas sens\u00edveis, atentos, sempre no seguimento de Jesus e, por isso, humildes e acolhedores para com todos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas d\u00e1 muita alegria.<\/p>\n<p>Falando da experi\u00eancia de Francisco que reuniu centenas de jovens irm\u00e3os vindos de toda a Europa, todos ocupados em falar sobre Deus, em ora\u00e7\u00f5es, em l\u00e1grimas, em exerc\u00edcios de caridade; e estavam com tanto sil\u00eancio e tanta mod\u00e9stia que a\u00ed n\u00e3o se ouvia nenhum barulho, disse que esse sil\u00eancio \u00e9 o oposto da guerra, com as suas viol\u00eancias, gritos e crueldades. &#8220;As esteiras daqueles frades, tal como hoje os vossos sacos de dormir, falam de paz. Eis a Igreja: uma assembleia de irm\u00e3os e irm\u00e3s, para a qual todos est\u00e3o convidados&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Testemunhai \u2013 disse o Papa &#8211; este estilo em todo o lado, especialmente numa \u00e9poca em que a tecnologia nos desabitua de estar juntos, entre pessoas de carne e osso<\/strong>.<\/p>\n<p>S\u00e3o Francisco intuiu que escolher a pobreza pode aproximar os que est\u00e3o distantes, encoraja ao encontro e convida \u00e0 troca de dons. Intuiu, assim, que o Evangelho n\u00e3o \u00e9 separ\u00e1vel das escolhas de Jesus Cristo, que se fez pobre para nos enriquecer: o Evangelho \u00e9 a sua vida, o seu caminho, a sua confian\u00e7a inabal\u00e1vel no Pai.<\/p>\n<p>Se nos reunirmos em seu nome, Ele vem estar no meio de n\u00f3s e a alegria que nos enche o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 livre e sincera. Mais do que as palavras, esta alegria evangeliza e n\u00e3o se pode esconder.<\/p>\n<p>Depois a pergunta de<b>\u00a0Giovanni, da cidade italiana de Bolonha<\/b>: n<i>um mundo onde reina a cultura do provis\u00f3rio e em que as escolhas de vida definitiva nos assustam, como podemos dizer-Lhe um \u201csim\u201d total e corajoso, evitando \u201colhar para tr\u00e1s depois de deitar a m\u00e3o ao arado\u201d, atribuindo um peso excessivo aos esfor\u00e7os e \u00e0s ren\u00fancias do caminho? O que o ajudou no seu percurso vocacional?<\/i><\/p>\n<p>O Papa fala de uma pergunta corajosa, repleta do desejo daquilo que n\u00e3o passa. Hoje em dia, tendemos a falar negativamente do provis\u00f3rio. Outrora, era a Igreja que educava com insist\u00eancia para o sentido do provis\u00f3rio: este mundo passa, o tempo corre, as coisas terrenas s\u00e3o mut\u00e1veis. S\u00f3 Deus permanece, porque \u00e9 eterno.<\/p>\n<p>Temos, portanto, de nos perguntar o que mudou, para n\u00e3o estarmos entre aqueles que lamentam o passado e, por isso, n\u00e3o enfrentam o presente nem assumem responsabilidades em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.<\/p>\n<p>Hoje com uma interpreta\u00e7\u00e3o por vezes confusa da liberdade, iludimo-nos a pensar que a vida nunca se resolve de uma vez para sempre, porque o contexto em que vivemos muda rapidamente e n\u00f3s pr\u00f3prios tamb\u00e9m mudamos muito. Com isso, por\u00e9m, aumentam o medo e a possibilidade de nos perdermos. Neste contexto, a coragem de fazer uma escolha definitiva \u00e9 talvez o ato mais revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;Decidir para sempre n\u00e3o nos aprisiona numa jaula, mas abre-nos a um dinamismo maior. Amar \u00e9 um \u00eaxodo, uma estrada por descobrir, um caminho que Deus percorre conosco, e este \u00e9 o verdadeiro sentido de toda a voca\u00e7\u00e3o&#8221;. A B\u00edblia inspira-nos a viver assim: como quem \u00e9 chamado a levantar-se, a percorrer a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, recebendo como um dom a orienta\u00e7\u00e3o e o sentido do Senhor, para amar segundo os seus des\u00edgnios. A f\u00e9, a confian\u00e7a e a fidelidade revelam aqui o seu indissol\u00favel entrela\u00e7amento.<\/p>\n<p>Desta forma, na f\u00e9, &#8211; disse o Papa -, desmascaramos a ilus\u00e3o de que os problemas se resolvem fugindo, traindo ou tentando dar alguns passos por caminhos sempre diferentes, sem nunca irmos longe. Com efeito, \u00e9 poss\u00edvel multiplicar experi\u00eancias, contactos e consumos, permanecendo, no entanto, sempre no mesmo ponto.<\/p>\n<p>&#8220;O custo humano \u00e9 elevado e o vazio interior, profundo. N\u00e3o raro, chega-se a usar as pessoas e a ser usado por elas. \u201cPara sempre\u201d \u00e9, ent\u00e3o, uma gra\u00e7a \u00e0 qual o pr\u00f3prio Deus nos ajuda a responder com a nossa fidelidade, para uma vida em plenitude&#8221;.<\/p>\n<p><strong>E o conselho do Papa: &#8220;desde a adolesc\u00eancia, \u00e9 importante aprender a conhecer-se a si mesmo, a decidir e a arriscar \u2013 ou seja, a responder ao Senhor que chama \u2013 sem deixar de o fazer na idade adulta, no \u00e2mbito de decis\u00f5es j\u00e1 feitas e perante as que ainda est\u00e3o por tomar. \u00c9 uma aventura na qual ningu\u00e9m deve sentir-se sozinho e que, tal como a f\u00e9, durar\u00e1 at\u00e9 ao \u00faltimo instante&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Falando da sua experi\u00eancia, disse que o \u201cSenhor nunca me deixou sozinho: acompanhou-me sempre, dando-me tamb\u00e9m pessoas com quem caminhar. Assim, enquanto vocacionado ao sacerd\u00f3cio, membro da comunidade agostiniana, mission\u00e1rio, encontrei como que uma luz que me guiou at\u00e9 hoje, at\u00e9 quando tive de dizer \u201csim\u201d a um chamamento muito especial: o de ser Papa\u201d.<\/p>\n<p>O Santo Padre acrescentou dizendo que cada voca\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um caminho de reden\u00e7\u00e3o e cura. O convite de Jesus, que nos chama a segui-Lo, ilumina a nossa dignidade e leva-nos a honrar a dos outros, experimentando e dando confian\u00e7a: esta din\u00e2mica \u00e9 t\u00e3o libertadora que merece toda a nossa paix\u00e3o.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><source srcset=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1500.844.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg 1x\" media=\"(min-width: 1024px)\" data-original-set=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1500.844.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg 1x\" \/><source srcset=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg 1x\" media=\"(min-width: 768px)\" data-original-set=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.1000.563.jpeg 2x, \/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg 1x\" \/><source srcset=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg\" data-original-set=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2026\/08\/06\/2026-08-06-visita-pastorale-ad-assisi---piazza-santa-maria-degli\/1786000496201.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg\" \/><\/picture><\/figure>\n<p>A \u00faltima pergunta foi de\u00a0<b>Luigi de Patern\u00f2, Sic\u00edlia, um jovem de 22 anos.\u00a0<\/b>Falando de Francisco que a<i>pesar de viver numa \u00e9poca em que a Igreja era marcada por contradi\u00e7\u00f5es e dificuldades internas, ele n\u00e3o escolhe o caminho da heresia; n\u00e3o ataca nem julga a Igreja daquele tempo, mas prefere obedecer ao Papa. Hoje em dia, muitos jovens dizem \u201cacreditar, mas n\u00e3o na Igreja\u201d e n\u00f3s, a partir das nossas comunidades, vemos por vezes uma Igreja com as suas contradi\u00e7\u00f5es e as suas crises internas; por isso, pergunto-me: como fazer para permanecermos neste Amor reparador? Por que \u00e9 dif\u00edcil, hoje, ver a Igreja como uma M\u00e3e que, apesar das suas feridas, est\u00e1 sempre pronta a acolher-nos e a amar-nos?<\/i><\/p>\n<p>O Papa fala de uma pergunta muito atual e que nos leva ao cerne da experi\u00eancia de S\u00e3o Francisco. Abord\u00e1-la significa partilhar um desejo: o desejo do Senhor Jesus para a Igreja. Francisco ouviu-o, contemplando o Crucifixo. Devemos sempre voltar a este desejo. Muitas pessoas ao longo da hist\u00f3ria, e tamb\u00e9m hoje, n\u00e3o conseguiram fazer a experi\u00eancia da Igreja tal como Jesus Cristo deseja que ela seja. Isto causa sofrimento, deixa feridas e desilus\u00f5es e, para alguns, pode at\u00e9 tornar-se um impedimento \u00e0 f\u00e9.<\/p>\n<p>No Evangelho &#8211; destacou o Papa -, Jesus alerta para este tipo de trope\u00e7o, ou seja, para o esc\u00e2ndalo que os seus disc\u00edpulos podem causar aos outros, especialmente aos pequenos e aos pobres. \u201cO desejo de Jesus \u2013 vemo-lo no grupo que, desde o in\u00edcio, se forma \u00e0 sua volta \u2013 \u00e9 reunir um povo, no qual seja ultrapassado o que, geralmente, divide os seres humanos\u201d. \u00c0 volta de Jesus, homens e mulheres que, de outra forma, nunca se teriam encontrado nem relacionado, tornam-se irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Se nos reconhecermos irm\u00e3os e irm\u00e3s, quantas discrimina\u00e7\u00f5es e desigualdades poderiam acabar num instante, disse!<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outro aspecto desta unidade revolucion\u00e1ria, continuou o Papa. Jesus diz: &#8220;N\u00e3o deve ser assim entre v\u00f3s&#8221;, ou seja, n\u00e3o deve ser como entre os grandes da Terra e os poderosos do mundo, que procuram visibilidade e dominam sobre os outros. O desejo de Jesus para a Igreja \u00e9 claro: trata-se de se tornar o seu corpo e manifestar a sua vida, de seguir o seu exemplo e exercer um tipo diferente de for\u00e7a, que n\u00e3o humilha, mas eleva.<\/p>\n<p><strong>A Palavra de Deus, os Sacramentos e a pr\u00e1tica do amor fraterno \u2013 evidenciou o Papa &#8211; s\u00e3o caminhos de transforma\u00e7\u00e3o para dar forma em n\u00f3s \u00e0 imagem de Cristo. Francisco percorreu-os. \u201cN\u00e3o dominar, mas servir; n\u00e3o se apoderar, mas receber; n\u00e3o reter, mas devolver: \u00e9 a vida de Deus que repara a Igreja e a torna um povo livre, um lugar onde se respira e se encontra a salva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>O Papa Le\u00e3o disse que temos diferentes responsabilidades e voca\u00e7\u00f5es, mas caminhamos juntos, inspirando-nos, ajudando-nos e corrigindo-nos mutuamente. \u201c\u00c9 importante fazermos a nossa parte. Ent\u00e3o falaremos da Igreja com o carinho com que se fala de uma M\u00e3e, porque reconheceremos que lhe pertencemos. Ser\u00e1 uma forma sincera de querer bem \u00e0quelas pessoas e \u00e0quela hist\u00f3ria em que Jesus Cristo vem at\u00e9 n\u00f3s e permanece conosco\u201d. \u201cPor isso, para partilhar o desejo do Senhor, n\u00e3o \u00e9 preciso mostrarmo-nos melhores do que somos. H\u00e1 que reconhecer e deixar que Jesus Ressuscitado atue na nossa vida, na hist\u00f3ria de todos n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"embed-container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Piazza Santa Maria dos Anjos, o Papa encontrou-se com os jovens, que lhe fizeram tr\u00eas perguntas. A primeira foi de\u00a0Karolina, de Zagreb\u00a0que\u00a0pediu ao Santo Padre, que conselho daria aos jovens que cresceram na espiritualidade franciscana, para poderem continuar a ser aut\u00eanticos disc\u00edpulos de Cristo e levar esperan\u00e7a aos jovens sem perder a alegria do Evangelho? O Santo Padre disse que a pr\u00f3pria pergunta j\u00e1 continha parte da resposta, pois testemunhaste \u2013 disse &#8211; o estilo de simplicidade, fraternidade e proximidade que te convenceu e permitiu amadurecer na f\u00e9, inserida numa comunidade, mas aberta a todos. E isto numa regi\u00e3o da Europa que, h\u00e1 apenas trinta anos, conheceu a guerra e a perigosa liga\u00e7\u00e3o entre confiss\u00e3o religiosa e nacionalismo. Na verdade &#8211; continuou o Papa -, a presen\u00e7a dos franciscanos inspirou, durante s\u00e9culos, o di\u00e1logo e ajudou \u00e0 conviv\u00eancia pac\u00edfica entre cat\u00f3licos, ortodoxos e mu\u00e7ulmanos. Hoje, ser fiel a esta tradi\u00e7\u00e3o de proximidade significa ir contracorrente. Cada vez mais se pedir\u00e1 aos crist\u00e3os para serem construtores de paz no seio de sociedades tentadas a instrumentalizar a religi\u00e3o no confronto entre identidades. Portanto, ser testemunha de Cristo continua algo fascinante e exigente, porque alarga a mente e o cora\u00e7\u00e3o al\u00e9m de fronteiras artificiais, ou seja, al\u00e9m dos medos induzidos pela m\u00e1 informa\u00e7\u00e3o e pelos muros dos preconceitos. Evitar a cultura do poder e construir a civiliza\u00e7\u00e3o do amor n\u00e3o \u00e9 algo que se compreenda e aceite de imediato. Com S\u00e3o Francisco, &#8211; disse o Papa &#8211; aprendei a radicalidade evang\u00e9lica, que \u00e9 o oposto do fundamentalismo: n\u00e3o torna cegos nem violentos, mas sens\u00edveis, atentos, sempre no seguimento de Jesus e, por isso, humildes e acolhedores para com todos. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas d\u00e1 muita alegria. Falando da experi\u00eancia de Francisco que reuniu centenas de jovens irm\u00e3os vindos de toda a Europa, todos ocupados em falar sobre Deus, em ora\u00e7\u00f5es, em l\u00e1grimas, em exerc\u00edcios de caridade; e estavam com tanto sil\u00eancio e tanta mod\u00e9stia que a\u00ed n\u00e3o se ouvia nenhum barulho, disse que esse sil\u00eancio \u00e9 o oposto da guerra, com as suas viol\u00eancias, gritos e crueldades. &#8220;As esteiras daqueles frades, tal como hoje os vossos sacos de dormir, falam de paz. Eis a Igreja: uma assembleia de irm\u00e3os e irm\u00e3s, para a qual todos est\u00e3o convidados&#8221;. Testemunhai \u2013 disse o Papa &#8211; este estilo em todo o lado, especialmente numa \u00e9poca em que a tecnologia nos desabitua de estar juntos, entre pessoas de carne e osso. S\u00e3o Francisco intuiu que escolher a pobreza pode aproximar os que est\u00e3o distantes, encoraja ao encontro e convida \u00e0 troca de dons. Intuiu, assim, que o Evangelho n\u00e3o \u00e9 separ\u00e1vel das escolhas de Jesus Cristo, que se fez pobre para nos enriquecer: o Evangelho \u00e9 a sua vida, o seu caminho, a sua confian\u00e7a inabal\u00e1vel no Pai. Se nos reunirmos em seu nome, Ele vem estar no meio de n\u00f3s e a alegria que nos enche o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 livre e sincera. Mais do que as palavras, esta alegria evangeliza e n\u00e3o se pode esconder. Depois a pergunta de\u00a0Giovanni, da cidade italiana de Bolonha: num mundo onde reina a cultura do provis\u00f3rio e em que as escolhas de vida definitiva nos assustam, como podemos dizer-Lhe um \u201csim\u201d total e corajoso, evitando \u201colhar para tr\u00e1s depois de deitar a m\u00e3o ao arado\u201d, atribuindo um peso excessivo aos esfor\u00e7os e \u00e0s ren\u00fancias do caminho? O que o ajudou no seu percurso vocacional? O Papa fala de uma pergunta corajosa, repleta do desejo daquilo que n\u00e3o passa. Hoje em dia, tendemos a falar negativamente do provis\u00f3rio. Outrora, era a Igreja que educava com insist\u00eancia para o sentido do provis\u00f3rio: este mundo passa, o tempo corre, as coisas terrenas s\u00e3o mut\u00e1veis. S\u00f3 Deus permanece, porque \u00e9 eterno. Temos, portanto, de nos perguntar o que mudou, para n\u00e3o estarmos entre aqueles que lamentam o passado e, por isso, n\u00e3o enfrentam o presente nem assumem responsabilidades em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. Hoje com uma interpreta\u00e7\u00e3o por vezes confusa da liberdade, iludimo-nos a pensar que a vida nunca se resolve de uma vez para sempre, porque o contexto em que vivemos muda rapidamente e n\u00f3s pr\u00f3prios tamb\u00e9m mudamos muito. Com isso, por\u00e9m, aumentam o medo e a possibilidade de nos perdermos. Neste contexto, a coragem de fazer uma escolha definitiva \u00e9 talvez o ato mais revolucion\u00e1rio. &#8220;Decidir para sempre n\u00e3o nos aprisiona numa jaula, mas abre-nos a um dinamismo maior. Amar \u00e9 um \u00eaxodo, uma estrada por descobrir, um caminho que Deus percorre conosco, e este \u00e9 o verdadeiro sentido de toda a voca\u00e7\u00e3o&#8221;. A B\u00edblia inspira-nos a viver assim: como quem \u00e9 chamado a levantar-se, a percorrer a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, recebendo como um dom a orienta\u00e7\u00e3o e o sentido do Senhor, para amar segundo os seus des\u00edgnios. A f\u00e9, a confian\u00e7a e a fidelidade revelam aqui o seu indissol\u00favel entrela\u00e7amento. Desta forma, na f\u00e9, &#8211; disse o Papa -, desmascaramos a ilus\u00e3o de que os problemas se resolvem fugindo, traindo ou tentando dar alguns passos por caminhos sempre diferentes, sem nunca irmos longe. Com efeito, \u00e9 poss\u00edvel multiplicar experi\u00eancias, contactos e consumos, permanecendo, no entanto, sempre no mesmo ponto. &#8220;O custo humano \u00e9 elevado e o vazio interior, profundo. N\u00e3o raro, chega-se a usar as pessoas e a ser usado por elas. \u201cPara sempre\u201d \u00e9, ent\u00e3o, uma gra\u00e7a \u00e0 qual o pr\u00f3prio Deus nos ajuda a responder com a nossa fidelidade, para uma vida em plenitude&#8221;. E o conselho do Papa: &#8220;desde a adolesc\u00eancia, \u00e9 importante aprender a conhecer-se a si mesmo, a decidir e a arriscar \u2013 ou seja, a responder ao Senhor que chama \u2013 sem deixar de o fazer na idade adulta, no \u00e2mbito de decis\u00f5es j\u00e1 feitas e perante as que ainda est\u00e3o por tomar. \u00c9 uma aventura na qual ningu\u00e9m deve sentir-se sozinho e que, tal como a f\u00e9, durar\u00e1 at\u00e9 ao \u00faltimo instante&#8221;. Falando da sua experi\u00eancia, disse que o \u201cSenhor nunca me deixou sozinho: acompanhou-me sempre, dando-me tamb\u00e9m pessoas com quem caminhar. Assim, enquanto vocacionado ao sacerd\u00f3cio, membro da comunidade agostiniana, mission\u00e1rio, encontrei como<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":32751,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32750","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32750\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}