{"id":32761,"date":"2026-08-10T13:11:19","date_gmt":"2026-08-10T13:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32761"},"modified":"2026-08-10T13:11:19","modified_gmt":"2026-08-10T13:11:19","slug":"sao-lourenco-e-a-fecundidade-da-semente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/sao-lourenco-e-a-fecundidade-da-semente\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Louren\u00e7o e a fecundidade da semente!"},"content":{"rendered":"<p>A festa de S\u00e3o Louren\u00e7o, di\u00e1cono e m\u00e1rtir, nesta segunda-feira, 10 de agosto, \u00e9 um grande testemunho do sil\u00eancio e do poder de uma semente! Conta a hist\u00f3ria que o imperador Valeriano, em meados do s\u00e9culo III, pediu que Louren\u00e7o entregasse todos os bens da Igreja, dos quais era administrador. Apontando para uma multid\u00e3o de pobres e doentes que, todos os dias, amparava e cuidava, disse: \u00abeste \u00e9 o tesouro da Igreja!\u00bb. Tr\u00eas dias depois, Louren\u00e7o foi morto, por ordem de Valeriano, queimado sobre uma grelha.<\/p>\n<p>De fato, o crit\u00e9rio de amadurecimento que S\u00e3o Paulo sugere na Primeira Leitura permanece sempre atual: \u00abQuem semeia pouco, colher\u00e1 tamb\u00e9m pouco; e quem semeia com largueza colher\u00e1 tamb\u00e9m com largueza\u00bb (2Cor 9,6-10). Trata-se do esfor\u00e7o na semeadura, n\u00e3o tanto da preocupa\u00e7\u00e3o com o fruto. A marca de quem assume semear deve ser, como continua Paulo, \u00absemear com alegria\u00bb.<\/p>\n<p>Alguns poderiam pensar que a semeadura de S\u00e3o Louren\u00e7o fracassou. Na verdade, semear tamb\u00e9m \u00e9 saber perder: \u00abse o gr\u00e3o de trigo que cai na terra n\u00e3o morre, ele continua s\u00f3 um gr\u00e3o de trigo; mas, se morre, ent\u00e3o produz muito fruto\u00bb (Jo 12,24-26). Perder a vida pode tornar-se um modo de ganhar a vida, porque a largueza n\u00e3o se mede pelo sucesso, mas pela capacidade de fazer a vida tornar-se mais vida. N\u00e3o por acaso, a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 aprendeu a dizer: \u00abo sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 semente de novos crist\u00e3os\u00bb.<\/p>\n<p>Jean Valjean, no leito de morte, ao final de\u00a0<i>Os Miser\u00e1veis<\/i>, de Victor Hugo, sentencia: \u00abMorrer n\u00e3o \u00e9 nada, n\u00e3o viver \u00e9 que \u00e9 horr\u00edvel!\u00bb. Talvez esteja a\u00ed uma das grandes perguntas deixadas por S\u00e3o Louren\u00e7o: o que estamos fazendo da nossa vida?<\/p>\n<p>A maior heran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 aquilo que acumulamos, mas aquilo que semeamos. A largueza da nossa hist\u00f3ria n\u00e3o ser\u00e1 medida pelo tamanho dos frutos que conseguimos enxergar, mas pela generosidade com que fomos capazes de entregar a vida. Afinal, uma semente s\u00f3 se torna fecunda quando aceita desaparecer na terra. S\u00e3o Louren\u00e7o nos ensina: viver \u00e9 semear! E semear \u00e9 acreditar que a vida entregue por amor nunca \u00e9 perdida.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Pe. Maicon A. Malacarne &#8211; Professor de Teologia Moral)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A festa de S\u00e3o Louren\u00e7o, di\u00e1cono e m\u00e1rtir, nesta segunda-feira, 10 de agosto, \u00e9 um grande testemunho do sil\u00eancio e do poder de uma semente! Conta a hist\u00f3ria que o imperador Valeriano, em meados do s\u00e9culo III, pediu que Louren\u00e7o entregasse todos os bens da Igreja, dos quais era administrador. Apontando para uma multid\u00e3o de pobres e doentes que, todos os dias, amparava e cuidava, disse: \u00abeste \u00e9 o tesouro da Igreja!\u00bb. Tr\u00eas dias depois, Louren\u00e7o foi morto, por ordem de Valeriano, queimado sobre uma grelha. De fato, o crit\u00e9rio de amadurecimento que S\u00e3o Paulo sugere na Primeira Leitura permanece sempre atual: \u00abQuem semeia pouco, colher\u00e1 tamb\u00e9m pouco; e quem semeia com largueza colher\u00e1 tamb\u00e9m com largueza\u00bb (2Cor 9,6-10). Trata-se do esfor\u00e7o na semeadura, n\u00e3o tanto da preocupa\u00e7\u00e3o com o fruto. A marca de quem assume semear deve ser, como continua Paulo, \u00absemear com alegria\u00bb. Alguns poderiam pensar que a semeadura de S\u00e3o Louren\u00e7o fracassou. Na verdade, semear tamb\u00e9m \u00e9 saber perder: \u00abse o gr\u00e3o de trigo que cai na terra n\u00e3o morre, ele continua s\u00f3 um gr\u00e3o de trigo; mas, se morre, ent\u00e3o produz muito fruto\u00bb (Jo 12,24-26). Perder a vida pode tornar-se um modo de ganhar a vida, porque a largueza n\u00e3o se mede pelo sucesso, mas pela capacidade de fazer a vida tornar-se mais vida. N\u00e3o por acaso, a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 aprendeu a dizer: \u00abo sangue dos m\u00e1rtires \u00e9 semente de novos crist\u00e3os\u00bb. Jean Valjean, no leito de morte, ao final de\u00a0Os Miser\u00e1veis, de Victor Hugo, sentencia: \u00abMorrer n\u00e3o \u00e9 nada, n\u00e3o viver \u00e9 que \u00e9 horr\u00edvel!\u00bb. Talvez esteja a\u00ed uma das grandes perguntas deixadas por S\u00e3o Louren\u00e7o: o que estamos fazendo da nossa vida? A maior heran\u00e7a n\u00e3o \u00e9 aquilo que acumulamos, mas aquilo que semeamos. A largueza da nossa hist\u00f3ria n\u00e3o ser\u00e1 medida pelo tamanho dos frutos que conseguimos enxergar, mas pela generosidade com que fomos capazes de entregar a vida. Afinal, uma semente s\u00f3 se torna fecunda quando aceita desaparecer na terra. S\u00e3o Louren\u00e7o nos ensina: viver \u00e9 semear! E semear \u00e9 acreditar que a vida entregue por amor nunca \u00e9 perdida. (Pe. Maicon A. 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