{"id":32809,"date":"2026-09-05T11:42:46","date_gmt":"2026-09-05T11:42:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32809"},"modified":"2026-09-05T11:43:25","modified_gmt":"2026-09-05T11:43:25","slug":"xxiii-domingo-do-tempo-comum-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/xxiii-domingo-do-tempo-comum-4\/","title":{"rendered":"XXIII Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<ol>\n<li><strong> INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O tema da fraternidade, dos v\u00ednculos, era muito caro para Jesus. De fato, desde o princ\u00edpio, Jesus enviou os disc\u00edpulos \u201cdois a dois\u201d (Mc 6,7-8). Trata-se de iniciar pela conviv\u00eancia, pelo relacionamento, na experi\u00eancia do amor. O conte\u00fado, as ideias, a busca pelas raz\u00f5es s\u00e3o consequ\u00eancias de um estilo de vida fraternal. A corre\u00e7\u00e3o fraterna \u00e9 um dos caminhos para alcan\u00e7ar a desejada fraternidade. No Evangelho deste domingo, Jesus prop\u00f5e uma pedagogia da reconcilia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser deixada de lado diante dos desafios do nosso tempo, a fim de que possamos viver o amor, \u201ccumprimento perfeito da Lei\u201d, conforme ensinou S\u00e3o Paulo \u00e0 comunidade de Roma.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS<\/strong><\/li>\n<li><strong> I leitura (Ez 33,7-9)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O profeta Ezequiel, que fez a experi\u00eancia do ex\u00edlio babil\u00f4nico, apresenta-se com a imagem militar da sentinela: \u201ceu te estabeleci como vigia para a casa de Israel\u201d (v. 7). De facto, a sentinela era o soldado respons\u00e1vel por cuidar atentamente de um lugar estrat\u00e9gico, identificar perigos e emitir alertas para os outros. Sua miss\u00e3o estava ligada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O profeta \u00e9 algu\u00e9m chamado por Deus para vigiar seu povo, mas essa vigil\u00e2ncia ultrapassa o \u00e2mbito militar, porque deve ser capaz de alcan\u00e7ar o horizonte com os desafios do futuro, interpretar os sinais dos tempos e discernir aquilo que n\u00e3o est\u00e1 plenamente manifestado. O profeta deve ser um pedagogo, capaz de advertir, de ajudar a amadurecer e de ser sinal da salva\u00e7\u00e3o de Deus para todas as pessoas. Tal voca\u00e7\u00e3o exige fidelidade at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o da profecia est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o com todos os irm\u00e3os, aqueles que Deus deseja salvar e que s\u00e3o os destinat\u00e1rios da mensagem prof\u00e9tica. O profeta \u00e9 um construtor de fraternidade e de relacionamentos saud\u00e1veis. Por meio de sua pedagogia, daquilo que orienta e adverte, a palavra prof\u00e9tica quer sempre construir possibilidades de uma vida integralmente feliz para todas as pessoas.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> II leitura (Rm 13,8-10)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o Paulo estabelece o amor como o ponto essencial para compreender todo o dinamismo da vida crist\u00e3 e orientar quem se insere nesse caminho. Toda a Lei, simbolizada pelo Dec\u00e1logo, traduzida em f\u00f3rmulas e c\u00f3digos \u00e9ticos, encontra a sustenta\u00e7\u00e3o na decis\u00e3o de amar, antes e depois de tudo: \u201co amor \u00e9 o cumprimento perfeito da Lei\u201d (v. 10).<\/p>\n<p>Todo o constructo \u00e9tico da humanidade \u00e9 fundamental para orientar a vida e a conviv\u00eancia entre as pessoas. No entanto, corre-se o risco de transformar a \u00e9tica em um manual, sem o sentido daquilo que ela orienta. S\u00e3o Paulo, aos Romanos, aponta o amor como o el\u00e3, o cimento que sustenta o edif\u00edcio \u00e9tico: \u201cN\u00e3o fiqueis devendo nada a ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser o amor m\u00fatuo\u201d (v. 8). Tal exorta\u00e7\u00e3o ajuda a compreender que, ao assumirmos o amor como uma forma de vida, ele precisa ser parte constitutiva de todas as rela\u00e7\u00f5es, de uma experi\u00eancia que exige empenho e esfor\u00e7o cont\u00ednuo para discernir e amadurecer aquilo que somos, sem esquecer que, por natureza, somos relacionais. \u201cO amor n\u00e3o cansa nem se cansa\u201d, ensinava S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Evangelho (Mt 18,15-20)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Estamos no quarto discurso de Jesus no Evangelho de Mateus, cujo enfoque \u00e9 mais eclesial. A comunidade dos seguidores de Cristo tamb\u00e9m \u00e9 desafiada a superar as divis\u00f5es e a viver a fraternidade segundo a din\u00e2mica do amor, mas com o aux\u00edlio de uma organiza\u00e7\u00e3o que possa favorecer essa experi\u00eancia. Uma comunidade \u201cdesorganizada\u201d tem maior dificuldade de testemunhar o Evangelho e aquela marca identit\u00e1ria pela qual eram reconhecidos os primeiros crist\u00e3os: \u201cVede como eles se amam\u201d.<\/p>\n<p>A pedagogia ensinada por Jesus tinha um ponto de partida: reconhecer no outro um irm\u00e3o, uma irm\u00e3: \u201cSe teu irm\u00e3o pecar&#8230;\u201d (v. 15a). O movimento inaugural do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 a capacidade de enxergar o outro, de ouvi-lo, de acolh\u00ea-lo, de ajud\u00e1-lo com as convers\u00f5es que ele precisa fazer. Quando o outro se torna um advers\u00e1rio que deve ser combatido, o Evangelho vai se apagando e dando lugar a impulsos que logo causam arrependimento.<\/p>\n<p>Diante do pecado do irm\u00e3o, o que fazer? Primeiro, \u201cvai corrigi-lo, mas em particular, a s\u00f3s\u201d (v. 15b). N\u00e3o dando certo, efetua-se o segundo passo: \u201ctoma contigo mais uma ou duas pessoas\u201d (v. 16). Se nem mesmo assim ele ouvir, vem o terceiro passo: \u201cdize-o \u00e0 Igreja\u201d (v. 17a). Persistindo o irm\u00e3o em n\u00e3o ouvir, segue-se o quarto passo: \u201cseja tratado como se fosse um pag\u00e3o ou um pecador p\u00fablico\u201d (v. 17b).<\/p>\n<p>O passo a passo ensinado por Jesus aos disc\u00edpulos n\u00e3o \u00e9 um itiner\u00e1rio para a condena\u00e7\u00e3o, mas de amadurecimento do amor; aquele amor que \u00e9 \u201co v\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o\u201d, conforme ouvimos na segunda leitura. O amor exige aprendizado e discernimento, n\u00e3o \u00e9 um sentimento solto no meio de outros. A abertura para a reconcilia\u00e7\u00e3o demonstra a capacidade de amar e um estilo de vida disposto a amar. De fato, as pessoas a quem Jesus dedicou boa parte da sua miss\u00e3o foram os pag\u00e3os e os pecadores p\u00fablicos. Ao afirmar que \u201cseja tratado como se fosse um pag\u00e3o ou um pecador p\u00fablico\u201d, Jesus n\u00e3o est\u00e1 proferindo uma senten\u00e7a sobre a pessoa que errou, mas est\u00e1 afirmando que, nessa situa\u00e7\u00e3o, ela precisa ainda mais do amor, do tempo e da qualidade do amor.<\/p>\n<p>O poder dos disc\u00edpulos de \u201cligar e desligar\u201d (v. 18) s\u00f3 tem sentido dentro desse estilo de vida de convers\u00e3o, perd\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o. Para chegar a essa maturidade, \u00e9 fundamental compreender bem a import\u00e2ncia da boa conviv\u00eancia entre os disc\u00edpulos de Jesus. Uma pessoa n\u00e3o pode ser reduzida ao seu pecado. Quando somos chamados a intervir para corrigir um erro, n\u00e3o podemos esquecer que quem errou \u00e9 \u201co meu irm\u00e3o\u201d. Todo tipo de humilha\u00e7\u00e3o, de deboche, de ironia \u00e9 nega\u00e7\u00e3o dessa fraternidade.<\/p>\n<p>O monge italiano Enzo Bianchi ajuda a concluir nossa reflex\u00e3o:<\/p>\n<p>O que o crist\u00e3o maduro deve fazer? Admoestar o pecador, certamente, mas com muita caridade. Admoeste-o no momento oportuno, admoeste-o com humildade e clareza, admoeste-o cobrindo a sua vergonha, n\u00e3o a revelando aos outros, portanto, sozinho. Quem faz a corre\u00e7\u00e3o deve ter o cora\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Jesus<\/em>, que perdoa, n\u00e3o despreza e n\u00e3o se alimenta de preconceitos. Deve faz\u00ea-lo com o esp\u00edrito do bom pastor, que, na par\u00e1bola contada imediatamente antes por Jesus, vai buscar a ovelha que se perdeu (cf. Mt 18,12-14). Deve faz\u00ea-lo n\u00e3o porque a lei foi quebrada, mas porque aquele que pecou fez mal a si mesmo, escolheu o caminho da morte e n\u00e3o o da vida.<\/p>\n<p><strong>III. PISTAS PARA REFLEX\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Seguir Jesus Cristo \u00e9 uma quest\u00e3o de v\u00ednculos! N\u00e3o se pode fazer sozinho! Este tempo, marcado pelo individualismo, pelo ego\u00edsmo, pelo narcisismo, vai na contram\u00e3o da proposta de Jesus e entra em choque com o dinamismo comunit\u00e1rio. A comunidade \u00e9 o lugar dos irm\u00e3os que aprendem a conviver e amar, mas tamb\u00e9m erram, fracassam e precisam ser reintegrados mediante a corre\u00e7\u00e3o fraterna, que s\u00f3 o verdadeiro amor consegue alcan\u00e7ar. \u00c9 preciso muita aten\u00e7\u00e3o para que a corre\u00e7\u00e3o n\u00e3o se torne humilha\u00e7\u00e3o, julgamento, ironia. O Evangelho \u00e9 direto e pontual: o outro \u00e9 o \u201cteu irm\u00e3o\u201d. Na comunidade crist\u00e3, o primado \u00e9 da fraternidade!<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/2026-09-06-A-Dom-XXIII-TC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>XXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL O tema da fraternidade, dos v\u00ednculos, era muito caro para Jesus. De fato, desde o princ\u00edpio, Jesus enviou os disc\u00edpulos \u201cdois a dois\u201d (Mc 6,7-8). Trata-se de iniciar pela conviv\u00eancia, pelo relacionamento, na experi\u00eancia do amor. O conte\u00fado, as ideias, a busca pelas raz\u00f5es s\u00e3o consequ\u00eancias de um estilo de vida fraternal. A corre\u00e7\u00e3o fraterna \u00e9 um dos caminhos para alcan\u00e7ar a desejada fraternidade. No Evangelho deste domingo, Jesus prop\u00f5e uma pedagogia da reconcilia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser deixada de lado diante dos desafios do nosso tempo, a fim de que possamos viver o amor, \u201ccumprimento perfeito da Lei\u201d, conforme ensinou S\u00e3o Paulo \u00e0 comunidade de Roma. COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS I leitura (Ez 33,7-9) O profeta Ezequiel, que fez a experi\u00eancia do ex\u00edlio babil\u00f4nico, apresenta-se com a imagem militar da sentinela: \u201ceu te estabeleci como vigia para a casa de Israel\u201d (v. 7). De facto, a sentinela era o soldado respons\u00e1vel por cuidar atentamente de um lugar estrat\u00e9gico, identificar perigos e emitir alertas para os outros. Sua miss\u00e3o estava ligada \u00e0 prote\u00e7\u00e3o. O profeta \u00e9 algu\u00e9m chamado por Deus para vigiar seu povo, mas essa vigil\u00e2ncia ultrapassa o \u00e2mbito militar, porque deve ser capaz de alcan\u00e7ar o horizonte com os desafios do futuro, interpretar os sinais dos tempos e discernir aquilo que n\u00e3o est\u00e1 plenamente manifestado. O profeta deve ser um pedagogo, capaz de advertir, de ajudar a amadurecer e de ser sinal da salva\u00e7\u00e3o de Deus para todas as pessoas. Tal voca\u00e7\u00e3o exige fidelidade at\u00e9 o fim. No cora\u00e7\u00e3o da profecia est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o com todos os irm\u00e3os, aqueles que Deus deseja salvar e que s\u00e3o os destinat\u00e1rios da mensagem prof\u00e9tica. O profeta \u00e9 um construtor de fraternidade e de relacionamentos saud\u00e1veis. Por meio de sua pedagogia, daquilo que orienta e adverte, a palavra prof\u00e9tica quer sempre construir possibilidades de uma vida integralmente feliz para todas as pessoas. II leitura (Rm 13,8-10) S\u00e3o Paulo estabelece o amor como o ponto essencial para compreender todo o dinamismo da vida crist\u00e3 e orientar quem se insere nesse caminho. Toda a Lei, simbolizada pelo Dec\u00e1logo, traduzida em f\u00f3rmulas e c\u00f3digos \u00e9ticos, encontra a sustenta\u00e7\u00e3o na decis\u00e3o de amar, antes e depois de tudo: \u201co amor \u00e9 o cumprimento perfeito da Lei\u201d (v. 10). Todo o constructo \u00e9tico da humanidade \u00e9 fundamental para orientar a vida e a conviv\u00eancia entre as pessoas. No entanto, corre-se o risco de transformar a \u00e9tica em um manual, sem o sentido daquilo que ela orienta. S\u00e3o Paulo, aos Romanos, aponta o amor como o el\u00e3, o cimento que sustenta o edif\u00edcio \u00e9tico: \u201cN\u00e3o fiqueis devendo nada a ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser o amor m\u00fatuo\u201d (v. 8). Tal exorta\u00e7\u00e3o ajuda a compreender que, ao assumirmos o amor como uma forma de vida, ele precisa ser parte constitutiva de todas as rela\u00e7\u00f5es, de uma experi\u00eancia que exige empenho e esfor\u00e7o cont\u00ednuo para discernir e amadurecer aquilo que somos, sem esquecer que, por natureza, somos relacionais. \u201cO amor n\u00e3o cansa nem se cansa\u201d, ensinava S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. Evangelho (Mt 18,15-20) Estamos no quarto discurso de Jesus no Evangelho de Mateus, cujo enfoque \u00e9 mais eclesial. A comunidade dos seguidores de Cristo tamb\u00e9m \u00e9 desafiada a superar as divis\u00f5es e a viver a fraternidade segundo a din\u00e2mica do amor, mas com o aux\u00edlio de uma organiza\u00e7\u00e3o que possa favorecer essa experi\u00eancia. Uma comunidade \u201cdesorganizada\u201d tem maior dificuldade de testemunhar o Evangelho e aquela marca identit\u00e1ria pela qual eram reconhecidos os primeiros crist\u00e3os: \u201cVede como eles se amam\u201d. A pedagogia ensinada por Jesus tinha um ponto de partida: reconhecer no outro um irm\u00e3o, uma irm\u00e3: \u201cSe teu irm\u00e3o pecar&#8230;\u201d (v. 15a). O movimento inaugural do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 a capacidade de enxergar o outro, de ouvi-lo, de acolh\u00ea-lo, de ajud\u00e1-lo com as convers\u00f5es que ele precisa fazer. Quando o outro se torna um advers\u00e1rio que deve ser combatido, o Evangelho vai se apagando e dando lugar a impulsos que logo causam arrependimento. Diante do pecado do irm\u00e3o, o que fazer? Primeiro, \u201cvai corrigi-lo, mas em particular, a s\u00f3s\u201d (v. 15b). N\u00e3o dando certo, efetua-se o segundo passo: \u201ctoma contigo mais uma ou duas pessoas\u201d (v. 16). Se nem mesmo assim ele ouvir, vem o terceiro passo: \u201cdize-o \u00e0 Igreja\u201d (v. 17a). Persistindo o irm\u00e3o em n\u00e3o ouvir, segue-se o quarto passo: \u201cseja tratado como se fosse um pag\u00e3o ou um pecador p\u00fablico\u201d (v. 17b). O passo a passo ensinado por Jesus aos disc\u00edpulos n\u00e3o \u00e9 um itiner\u00e1rio para a condena\u00e7\u00e3o, mas de amadurecimento do amor; aquele amor que \u00e9 \u201co v\u00ednculo da perfei\u00e7\u00e3o\u201d, conforme ouvimos na segunda leitura. O amor exige aprendizado e discernimento, n\u00e3o \u00e9 um sentimento solto no meio de outros. A abertura para a reconcilia\u00e7\u00e3o demonstra a capacidade de amar e um estilo de vida disposto a amar. De fato, as pessoas a quem Jesus dedicou boa parte da sua miss\u00e3o foram os pag\u00e3os e os pecadores p\u00fablicos. Ao afirmar que \u201cseja tratado como se fosse um pag\u00e3o ou um pecador p\u00fablico\u201d, Jesus n\u00e3o est\u00e1 proferindo uma senten\u00e7a sobre a pessoa que errou, mas est\u00e1 afirmando que, nessa situa\u00e7\u00e3o, ela precisa ainda mais do amor, do tempo e da qualidade do amor. O poder dos disc\u00edpulos de \u201cligar e desligar\u201d (v. 18) s\u00f3 tem sentido dentro desse estilo de vida de convers\u00e3o, perd\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o. Para chegar a essa maturidade, \u00e9 fundamental compreender bem a import\u00e2ncia da boa conviv\u00eancia entre os disc\u00edpulos de Jesus. Uma pessoa n\u00e3o pode ser reduzida ao seu pecado. Quando somos chamados a intervir para corrigir um erro, n\u00e3o podemos esquecer que quem errou \u00e9 \u201co meu irm\u00e3o\u201d. Todo tipo de humilha\u00e7\u00e3o, de deboche, de ironia \u00e9 nega\u00e7\u00e3o dessa fraternidade. O monge italiano Enzo Bianchi ajuda a concluir nossa reflex\u00e3o: O que o crist\u00e3o maduro deve fazer? Admoestar o pecador, certamente, mas com muita caridade. Admoeste-o no momento oportuno, admoeste-o com humildade e clareza, admoeste-o cobrindo a sua vergonha, n\u00e3o a revelando aos outros, portanto, sozinho. 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