{"id":32818,"date":"2026-09-08T10:43:13","date_gmt":"2026-09-08T10:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32818"},"modified":"2026-09-08T10:47:22","modified_gmt":"2026-09-08T10:47:22","slug":"enzo-bianchi-o-que-significa-ser-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/enzo-bianchi-o-que-significa-ser-cristao\/","title":{"rendered":"Enzo Bianchi: o que significa ser crist\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p>Faz hoje 8 dias que morreu Enzo Bianchi. Apesar de pouco noticiado entre n\u00f3s, vimos partir uma grande homem e\u00a0<em>um crist\u00e3o de fibra<\/em>.<\/p>\n<p>Foi monge crist\u00e3o, te\u00f3logo, escritor e jornalista italiano, conhecido como o fundador e primeiro prior da Comunidade de Bose, uma comunidade mon\u00e1stica ecum\u00e9nica.<\/p>\n<p>Nascido em 1943 a Castel Boglione, Bianchi abandonou ainda jovem uma poss\u00edvel carreira pol\u00edtica e uma vida ligada \u00e0 A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica para procurar uma forma de vida mais pr\u00f3xima do Evangelho. Passou pela Fran\u00e7a, onde conviveu com o Abb\u00e9 Pierre, e estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com o irm\u00e3o Roger Schutz, fundador da Comunidade de Taiz\u00e9.<\/p>\n<p>Em 1965, iniciou a experi\u00eancia mon\u00e1stica. Instalou-se em Bose, numa pequena localidade abandonada da Serra de Ivrea. A\u00ed come\u00e7ou a experi\u00eancia que viria a dar origem \u00e0 Comunidade de Bose, que reuniu cat\u00f3licos, protestantes e membros de outras tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s numa vida comum de ora\u00e7\u00e3o, trabalho, estudo b\u00edblico e acolhimento.<\/p>\n<p>A comunidade cresceu ao longo das d\u00e9cadas seguintes e tornou-se uma refer\u00eancia internacional no di\u00e1logo ecum\u00e9nico e na espiritualidade crist\u00e3. Tornou-se conhecida tamb\u00e9m pela sua produ\u00e7\u00e3o editorial e pelos encontros sobre B\u00edblia, espiritualidade e ecumenismo.<\/p>\n<p><em>O que significa ser crist\u00e3o?<\/em>\u00a0Essa \u00e9 a pergunta que Enzo nunca deixou de procurar resposta.\u00a0<em>\u00abComo ainda \u00e9 poss\u00edvel ter f\u00e9 na humanidade se a humanidade deu origem a Auschwitz?\u00bb,\u00a0<\/em>perguntou ele certa vez, em voz alta, durante uma viagem a Jerusal\u00e9m com amigos.<\/p>\n<p>A sua linha de racioc\u00ednio conduz-nos diretamente \u00e0 quest\u00e3o que mais profundamente o inquietava: o que resta do cristianismo quando se retira a seguran\u00e7a de um Deus situado al\u00e9m da vida, separado da hist\u00f3ria e das in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia? Enquanto a cr\u00edtica ate\u00edsta \u00e0 religi\u00e3o, principalmente a de Freud, a retrata como uma fuga\u00a0<em>medrosa<\/em>\u00a0diante da dureza da realidade, Enzo\u00a0<em>traz-nos<\/em>\u00a0Jesus Cristo\u00a0para dentro da hist\u00f3ria pela porta da f\u00e9. Se o Verbo entra na carne (encarnou), ent\u00e3o a pr\u00f3pria carne torna-se o lugar onde a quest\u00e3o de Deus se transforma, inevitavelmente, na quest\u00e3o do homem.<\/p>\n<p>O cristianismo de Enzo Bianchi era um cristianismo imanentista que, de modo algum, exclu\u00eda a dimens\u00e3o insond\u00e1vel do mist\u00e9rio. A alteridade de Deus n\u00e3o reside apenas nos c\u00e9us, mas manifesta-se tamb\u00e9m na terra. N\u00e3o est\u00e1 apenas l\u00e1 no alto, mas tamb\u00e9m aqui em baixo.<\/p>\n<p>Grande li\u00e7\u00e3o nos deu Enzo Bianchi! N\u00e3o h\u00e1 f\u00e9 sem obras. N\u00e3o posso amar Deus se n\u00e3o amo o ser humano, a come\u00e7ar por aquele que encontro no meu dia-a-dia.<\/p>\n<p>Na Comunidade de Bose, o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 um adorno espiritual. \u00c9 uma disciplina! Ap\u00f3s o toque do sino das oito da noite, os monges retornam \u00e0s suas celas. Sem televis\u00e3o, sem computadores. S\u00f3 a Palavra. Doze horas de solid\u00e3o at\u00e9 o amanhecer.\u00a0<em>\u00abO sil\u00eancio \u00e9 o meio de entrar em si mesmo.\u00bb<\/em>\u00a0E apontou para Jesus como o crit\u00e9rio decisivo:\u00a0<em>\u00abPara n\u00f3s, crist\u00e3os, Jesus explicou e revelou Deus; e n\u00e3o se deve acreditar naquilo que Ele n\u00e3o nos disse a respeito de Deus.\u00bb<\/em><\/p>\n<p>Descansa em paz, Enzo. Intercede por n\u00f3s.<\/p>\n<p>(iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz hoje 8 dias que morreu Enzo Bianchi. Apesar de pouco noticiado entre n\u00f3s, vimos partir uma grande homem e\u00a0um crist\u00e3o de fibra. Foi monge crist\u00e3o, te\u00f3logo, escritor e jornalista italiano, conhecido como o fundador e primeiro prior da Comunidade de Bose, uma comunidade mon\u00e1stica ecum\u00e9nica. Nascido em 1943 a Castel Boglione, Bianchi abandonou ainda jovem uma poss\u00edvel carreira pol\u00edtica e uma vida ligada \u00e0 A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica para procurar uma forma de vida mais pr\u00f3xima do Evangelho. Passou pela Fran\u00e7a, onde conviveu com o Abb\u00e9 Pierre, e estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com o irm\u00e3o Roger Schutz, fundador da Comunidade de Taiz\u00e9. Em 1965, iniciou a experi\u00eancia mon\u00e1stica. Instalou-se em Bose, numa pequena localidade abandonada da Serra de Ivrea. A\u00ed come\u00e7ou a experi\u00eancia que viria a dar origem \u00e0 Comunidade de Bose, que reuniu cat\u00f3licos, protestantes e membros de outras tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s numa vida comum de ora\u00e7\u00e3o, trabalho, estudo b\u00edblico e acolhimento. A comunidade cresceu ao longo das d\u00e9cadas seguintes e tornou-se uma refer\u00eancia internacional no di\u00e1logo ecum\u00e9nico e na espiritualidade crist\u00e3. Tornou-se conhecida tamb\u00e9m pela sua produ\u00e7\u00e3o editorial e pelos encontros sobre B\u00edblia, espiritualidade e ecumenismo. O que significa ser crist\u00e3o?\u00a0Essa \u00e9 a pergunta que Enzo nunca deixou de procurar resposta.\u00a0\u00abComo ainda \u00e9 poss\u00edvel ter f\u00e9 na humanidade se a humanidade deu origem a Auschwitz?\u00bb,\u00a0perguntou ele certa vez, em voz alta, durante uma viagem a Jerusal\u00e9m com amigos. A sua linha de racioc\u00ednio conduz-nos diretamente \u00e0 quest\u00e3o que mais profundamente o inquietava: o que resta do cristianismo quando se retira a seguran\u00e7a de um Deus situado al\u00e9m da vida, separado da hist\u00f3ria e das in\u00fameras contradi\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia? Enquanto a cr\u00edtica ate\u00edsta \u00e0 religi\u00e3o, principalmente a de Freud, a retrata como uma fuga\u00a0medrosa\u00a0diante da dureza da realidade, Enzo\u00a0traz-nos\u00a0Jesus Cristo\u00a0para dentro da hist\u00f3ria pela porta da f\u00e9. Se o Verbo entra na carne (encarnou), ent\u00e3o a pr\u00f3pria carne torna-se o lugar onde a quest\u00e3o de Deus se transforma, inevitavelmente, na quest\u00e3o do homem. O cristianismo de Enzo Bianchi era um cristianismo imanentista que, de modo algum, exclu\u00eda a dimens\u00e3o insond\u00e1vel do mist\u00e9rio. A alteridade de Deus n\u00e3o reside apenas nos c\u00e9us, mas manifesta-se tamb\u00e9m na terra. N\u00e3o est\u00e1 apenas l\u00e1 no alto, mas tamb\u00e9m aqui em baixo. Grande li\u00e7\u00e3o nos deu Enzo Bianchi! N\u00e3o h\u00e1 f\u00e9 sem obras. N\u00e3o posso amar Deus se n\u00e3o amo o ser humano, a come\u00e7ar por aquele que encontro no meu dia-a-dia. Na Comunidade de Bose, o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 um adorno espiritual. \u00c9 uma disciplina! Ap\u00f3s o toque do sino das oito da noite, os monges retornam \u00e0s suas celas. Sem televis\u00e3o, sem computadores. S\u00f3 a Palavra. Doze horas de solid\u00e3o at\u00e9 o amanhecer.\u00a0\u00abO sil\u00eancio \u00e9 o meio de entrar em si mesmo.\u00bb\u00a0E apontou para Jesus como o crit\u00e9rio decisivo:\u00a0\u00abPara n\u00f3s, crist\u00e3os, Jesus explicou e revelou Deus; e n\u00e3o se deve acreditar naquilo que Ele n\u00e3o nos disse a respeito de Deus.\u00bb Descansa em paz, Enzo. Intercede por n\u00f3s. (iMissio)<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":32819,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[77],"tags":[],"class_list":["post-32818","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-ao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32818\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}