{"id":32834,"date":"2026-09-11T10:03:13","date_gmt":"2026-09-11T10:03:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32834"},"modified":"2026-09-11T10:03:13","modified_gmt":"2026-09-11T10:03:13","slug":"espirito-inventivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/espirito-inventivo\/","title":{"rendered":"Esp\u00edrito Inventivo"},"content":{"rendered":"<div>O esp\u00edrito humano \u00e9 inventivo no sentido de encontrar formas originais de compreender o mundo que ajudam muitos outros a compreender tamb\u00e9m. Com a intelig\u00eancia artificial, qual o futuro do esp\u00edrito inventivo humano?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depende de n\u00f3s.<\/div>\n<div>Antes de a intelig\u00eancia artificial atingir o impacto que tem hoje nas nossas vidas, devo reconhecer que muito do nosso pensamento se estava a orientar para lidar com pequenas e aborrecidas tarefas que consumiam muito da nossa aten\u00e7\u00e3o, sem impacto profundo na compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos e do sentido da nossa exist\u00eancia. Por exemplo, tarefas como responder a e-mails, ou consumir conte\u00fado nos feeds das redes sociais. Curiosamente, o mesmo efeito n\u00e3o se obt\u00e9m quando estendemos a roupa porque esses momentos podem tornar-se de solitude, isto \u00e9, de encontro com os nossos pensamentos. Uma das promessas da intelig\u00eancia artificial \u00e9 a de aliviar o tempo ocupado por essas tarefas, de modo a termos mais tempo para sermos inventivos. \u00c9 o que est\u00e1 a acontecer? Eu achava que sim at\u00e9 dia 8 de setembro de 2026.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A OpenAI, empresa que criou o ChatGPT, p\u00f4s 10 000 agentes a falar entre si e, ap\u00f3s 88h e centenas de milhares de milh\u00f5es de tokens gastos, afirma ter apresentado uma solu\u00e7\u00e3o para um dos problemas do Mil\u00e9nio relacionado com a mec\u00e2nica de fluidos. Divulgaram num documento de 166 p\u00e1ginas como l\u00e1 chegaram, e disponibilizaram v\u00e1rios materiais para n\u00f3s, humanos, verificarmos se a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem ou n\u00e3o. Quer isso dizer que a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o faz de n\u00f3s melhores inventores, mas gradualmente nos torna\u00a0<em>verificadores<\/em>? Nem isso, a OpenAI usou o GPT-6 Astra para verificar o trabalho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E quando houver rob\u00f3tica suficientemente avan\u00e7ada que permita implementar solu\u00e7\u00f5es para problemas, que funcionam, mas cuja compreens\u00e3o humana levaria algum tempo a verificar, o que resta ao ser humano para inventar?<\/div>\n<div>O medo de nos tornarmos menos inventivos pode ter mais a ver com uma vis\u00e3o utilitarista dominante das coisas. Talvez se orient\u00e1ssemos essa vis\u00e3o para a ess\u00eancia das coisas, em vez da sua utilidade, poder\u00edamos descobrir como o saber aprender a pensar com gosto \u00e9 a g\u00e9nese do nosso esp\u00edrito inventivo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Reparem que n\u00e3o foi a intelig\u00eancia artificial que inventou o problema, fomos n\u00f3s. E at\u00e9 pode chegar \u00e0 solu\u00e7\u00e3o que agora temos de verificar, mas quem aspira a saber aprender a pensar com gosto v\u00ea nesta \u201cverifica\u00e7\u00e3o\u201d uma oportunidade para isso. E quem sabe se, ao verificar, n\u00e3o surgir\u00e3o na mente ideias novas a inventar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi de preocupa\u00e7\u00e3o, mas enquanto serenamente escrevia esta opini\u00e3o, apercebi-me de como tudo pode depender da nossa disposi\u00e7\u00e3o interior para pensar com gosto nas coisas profundas. Na verdade, da intelig\u00eancia artificial a este n\u00edvel n\u00e3o recebi mais um e-mail ou entretenimento f\u00fatil, mas uma oportunidade para pensar.<\/div>\n<div>O futuro do esp\u00edrito inventivo humano est\u00e1 ainda aberto. Tamb\u00e9m esse depende daquilo que inventarmos pelo caminho.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>(Miguel Oliveira Pan\u00e3o)<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esp\u00edrito humano \u00e9 inventivo no sentido de encontrar formas originais de compreender o mundo que ajudam muitos outros a compreender tamb\u00e9m. Com a intelig\u00eancia artificial, qual o futuro do esp\u00edrito inventivo humano? Depende de n\u00f3s. Antes de a intelig\u00eancia artificial atingir o impacto que tem hoje nas nossas vidas, devo reconhecer que muito do nosso pensamento se estava a orientar para lidar com pequenas e aborrecidas tarefas que consumiam muito da nossa aten\u00e7\u00e3o, sem impacto profundo na compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos e do sentido da nossa exist\u00eancia. Por exemplo, tarefas como responder a e-mails, ou consumir conte\u00fado nos feeds das redes sociais. Curiosamente, o mesmo efeito n\u00e3o se obt\u00e9m quando estendemos a roupa porque esses momentos podem tornar-se de solitude, isto \u00e9, de encontro com os nossos pensamentos. Uma das promessas da intelig\u00eancia artificial \u00e9 a de aliviar o tempo ocupado por essas tarefas, de modo a termos mais tempo para sermos inventivos. \u00c9 o que est\u00e1 a acontecer? Eu achava que sim at\u00e9 dia 8 de setembro de 2026. A OpenAI, empresa que criou o ChatGPT, p\u00f4s 10 000 agentes a falar entre si e, ap\u00f3s 88h e centenas de milhares de milh\u00f5es de tokens gastos, afirma ter apresentado uma solu\u00e7\u00e3o para um dos problemas do Mil\u00e9nio relacionado com a mec\u00e2nica de fluidos. Divulgaram num documento de 166 p\u00e1ginas como l\u00e1 chegaram, e disponibilizaram v\u00e1rios materiais para n\u00f3s, humanos, verificarmos se a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem ou n\u00e3o. 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E at\u00e9 pode chegar \u00e0 solu\u00e7\u00e3o que agora temos de verificar, mas quem aspira a saber aprender a pensar com gosto v\u00ea nesta \u201cverifica\u00e7\u00e3o\u201d uma oportunidade para isso. E quem sabe se, ao verificar, n\u00e3o surgir\u00e3o na mente ideias novas a inventar. A minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi de preocupa\u00e7\u00e3o, mas enquanto serenamente escrevia esta opini\u00e3o, apercebi-me de como tudo pode depender da nossa disposi\u00e7\u00e3o interior para pensar com gosto nas coisas profundas. Na verdade, da intelig\u00eancia artificial a este n\u00edvel n\u00e3o recebi mais um e-mail ou entretenimento f\u00fatil, mas uma oportunidade para pensar. O futuro do esp\u00edrito inventivo humano est\u00e1 ainda aberto. Tamb\u00e9m esse depende daquilo que inventarmos pelo caminho. 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