{"id":32846,"date":"2026-09-14T09:56:52","date_gmt":"2026-09-14T09:56:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32846"},"modified":"2026-09-14T09:56:52","modified_gmt":"2026-09-14T09:56:52","slug":"o-perdao-e-indispensavel-e-se-faltar-nao-se-pode-viver-em-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/o-perdao-e-indispensavel-e-se-faltar-nao-se-pode-viver-em-paz\/","title":{"rendered":"O perd\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel e, se faltar, n\u00e3o se pode viver em paz"},"content":{"rendered":"<p>REFLEX\u00c3O DO PAPAPA NA ORA\u00e7\u00c3O DO ANGELUS<\/p>\n<p><em>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom domingo!<\/em><\/p>\n<p>Hoje, o Evangelho (cf. <em>Mt<\/em> 18, 21-35) fala-nos de um valor fundamental da vida crist\u00e3: o perd\u00e3o. Jesus ensinou-o e testemunhou-o at\u00e9 \u00e0 cruz, onde rezou ao Pai pelos seus perseguidores com as palavras que todos conhecemos: \u00abPerdoa-lhes, Pai, porque n\u00e3o sabem o que fazem\u00bb (<em>Lc<\/em> 23, 34).<\/p>\n<p>No trecho de hoje, Pedro questiona o Mestre precisamente sobre este tema: \u00abSenhor \u2014 pergunta-lhe ele \u2014, se o meu irm\u00e3o me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? At\u00e9 sete vezes?\u00bb (<em>Mt<\/em> 18, 21). As suas palavras revelam um cora\u00e7\u00e3o generoso: com efeito, o n\u00famero sete na B\u00edblia simboliza a plenitude, e \u201cperdoar sete vezes\u201d significa perdoar com grande generosidade. A resposta de Jesus, por\u00e9m, vai al\u00e9m: \u00abN\u00e3o te digo at\u00e9 sete vezes \u2014 afirma Ele \u2014, mas at\u00e9 setenta vezes sete\u00bb (v. 22), ou seja, al\u00e9m de qualquer limite, sem medida.<\/p>\n<p>E para esclarecer melhor o seu pensamento, o Salvador conta a par\u00e1bola de um servo que tinha, para com o seu senhor, uma d\u00edvida t\u00e3o grande que era praticamente imposs\u00edvel de saldar. Tendo obtido a remiss\u00e3o por pura miseric\u00f3rdia, n\u00e3o tinha demonstrado, no entanto, a mesma piedade para com um dos seus companheiros e, por isso, foi repreendido e severamente castigado (vv. 23-30).<\/p>\n<p>Com estas palavras, Jesus lembra-nos que a d\u00e1diva e o perd\u00e3o est\u00e3o na base da nossa exist\u00eancia. Tudo nos \u00e9 dado por Deus num ato de puro amor, e nenhum de n\u00f3s pode dizer-se perfeito na forma como responde a tanta bondade. Por isso, a gratuidade \u2013 que \u00e9 a fonte da nossa pr\u00f3pria vida \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m a melhor regra para a nossa conviv\u00eancia. Experimentamo-lo todos os dias. O perd\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel e, se faltar, n\u00e3o se pode viver em paz: mais cedo ou mais tarde, no cora\u00e7\u00e3o e entre as pessoas, surgem conflitos, acusa\u00e7\u00f5es, rancores e vingan\u00e7as que destroem as rela\u00e7\u00f5es, dividem as fam\u00edlias e desencadeiam guerras.<\/p>\n<p>S\u00f3 o perd\u00e3o liberta e traz de volta a luz, mesmo ali onde a pobreza material e moral do homem, por um momento, tornou o horizonte sombrio e o caminho incerto. O perd\u00e3o, como um vento favor\u00e1vel, afasta at\u00e9 as nuvens mais densas, at\u00e9 que o sol volte a brilhar. O pr\u00f3prio S\u00e3o Pedro experimentou-o v\u00e1rias vezes na sua vida; em particular quando, depois de ter negado e abandonado Jesus durante a Paix\u00e3o, ao encontr\u00e1-Lo ressuscitado, \u00e0 beira do lago, ouviu-Lhe ser dirigida uma \u00fanica pergunta: \u00abSim\u00e3o [\u2026], tu amas-me?\u00bb (<em>Jo<\/em> 21, 15), acompanhada de um convite: \u00abSegue-me!\u00bb (v. 19). Tal como no in\u00edcio, no dia do seu primeiro encontro, como se quase nada tivesse acontecido. E esta caridade, que esquece e cura, marcar\u00e1, para o primeiro dos Ap\u00f3stolos, a confirma\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Pe\u00e7amos, ent\u00e3o, \u00e0 Virgem Maria, M\u00e3e da Miseric\u00f3rdia, que nos ajude a perdoar sempre, mesmo quando \u00e9 dif\u00edcil dar o primeiro passo, e a difundir, com coragem e perseveran\u00e7a, a luz serena e curativa do amor que vence o \u00f3dio e desarma todo o rancor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REFLEX\u00c3O DO PAPAPA NA ORA\u00e7\u00c3O DO ANGELUS Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom domingo! Hoje, o Evangelho (cf. Mt 18, 21-35) fala-nos de um valor fundamental da vida crist\u00e3: o perd\u00e3o. Jesus ensinou-o e testemunhou-o at\u00e9 \u00e0 cruz, onde rezou ao Pai pelos seus perseguidores com as palavras que todos conhecemos: \u00abPerdoa-lhes, Pai, porque n\u00e3o sabem o que fazem\u00bb (Lc 23, 34). No trecho de hoje, Pedro questiona o Mestre precisamente sobre este tema: \u00abSenhor \u2014 pergunta-lhe ele \u2014, se o meu irm\u00e3o me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? At\u00e9 sete vezes?\u00bb (Mt 18, 21). As suas palavras revelam um cora\u00e7\u00e3o generoso: com efeito, o n\u00famero sete na B\u00edblia simboliza a plenitude, e \u201cperdoar sete vezes\u201d significa perdoar com grande generosidade. A resposta de Jesus, por\u00e9m, vai al\u00e9m: \u00abN\u00e3o te digo at\u00e9 sete vezes \u2014 afirma Ele \u2014, mas at\u00e9 setenta vezes sete\u00bb (v. 22), ou seja, al\u00e9m de qualquer limite, sem medida. E para esclarecer melhor o seu pensamento, o Salvador conta a par\u00e1bola de um servo que tinha, para com o seu senhor, uma d\u00edvida t\u00e3o grande que era praticamente imposs\u00edvel de saldar. Tendo obtido a remiss\u00e3o por pura miseric\u00f3rdia, n\u00e3o tinha demonstrado, no entanto, a mesma piedade para com um dos seus companheiros e, por isso, foi repreendido e severamente castigado (vv. 23-30). Com estas palavras, Jesus lembra-nos que a d\u00e1diva e o perd\u00e3o est\u00e3o na base da nossa exist\u00eancia. Tudo nos \u00e9 dado por Deus num ato de puro amor, e nenhum de n\u00f3s pode dizer-se perfeito na forma como responde a tanta bondade. Por isso, a gratuidade \u2013 que \u00e9 a fonte da nossa pr\u00f3pria vida \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m a melhor regra para a nossa conviv\u00eancia. Experimentamo-lo todos os dias. O perd\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel e, se faltar, n\u00e3o se pode viver em paz: mais cedo ou mais tarde, no cora\u00e7\u00e3o e entre as pessoas, surgem conflitos, acusa\u00e7\u00f5es, rancores e vingan\u00e7as que destroem as rela\u00e7\u00f5es, dividem as fam\u00edlias e desencadeiam guerras. S\u00f3 o perd\u00e3o liberta e traz de volta a luz, mesmo ali onde a pobreza material e moral do homem, por um momento, tornou o horizonte sombrio e o caminho incerto. O perd\u00e3o, como um vento favor\u00e1vel, afasta at\u00e9 as nuvens mais densas, at\u00e9 que o sol volte a brilhar. O pr\u00f3prio S\u00e3o Pedro experimentou-o v\u00e1rias vezes na sua vida; em particular quando, depois de ter negado e abandonado Jesus durante a Paix\u00e3o, ao encontr\u00e1-Lo ressuscitado, \u00e0 beira do lago, ouviu-Lhe ser dirigida uma \u00fanica pergunta: \u00abSim\u00e3o [\u2026], tu amas-me?\u00bb (Jo 21, 15), acompanhada de um convite: \u00abSegue-me!\u00bb (v. 19). Tal como no in\u00edcio, no dia do seu primeiro encontro, como se quase nada tivesse acontecido. E esta caridade, que esquece e cura, marcar\u00e1, para o primeiro dos Ap\u00f3stolos, a confirma\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o. 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