{"id":32896,"date":"2026-09-28T10:39:14","date_gmt":"2026-09-28T10:39:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32896"},"modified":"2026-09-28T10:39:14","modified_gmt":"2026-09-28T10:39:14","slug":"arte-de-celebrar-gestos-a-consagracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/arte-de-celebrar-gestos-a-consagracao\/","title":{"rendered":"Arte de celebrar: gestos \u00e0 Consagra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"Corpo\">No momento da narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o e consagra\u00e7\u00e3o, por vezes veem-se sacerdotes que presidem \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u2013 presb\u00edteros e bispos \u2013 tomarem a patena com a m\u00e3o esquerda, segurando sobre ela a h\u00f3stia, enquanto recitam as palavras do Senhor. Ao dizer \u201cTomai e comei\u2026\u201d, alguns olham para a comunidade e at\u00e9 fazem o gesto redondo de oferecer a h\u00f3stia sagrada aos participantes. Depois, sempre segurando a Esp\u00e9cie com o polegar e indicador da m\u00e3o direita, mostram\/elevam o sacramento, quase como um \u00e1rbitro que exibisse o cart\u00e3o amarelo para sancionar comportamentos antidesportivos\u2026. Estar\u00e1 bem esse procedimento? Mera quest\u00e3o de estilo pessoal sem interfer\u00eancia na verdade e qualidade do rito? Algumas observa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p class=\"Corpo\">1. Antes da reforma lit\u00fargica, o <i>Ritus servandus<\/i> e as rubricas do <i>Missal<\/i> estabeleciam com clareza e detalhe o gesto a realizar: o sacerdote tomava a <i>H\u00f3stia<\/i> entre os indicadores e polegares de ambas as m\u00e3os. Tamb\u00e9m o c\u00e1lice se deveria segurar com ambas as m\u00e3os. Esta gestualidade tinha o seu valor est\u00e9tico \u2013 hoje mais advertido porque a celebra\u00e7\u00e3o se faz habitualmente <i>de frente<\/i> para o povo \u2013 e correspondia \u00e0s palavras da narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica no C\u00e2none Romano (OE I): \u00abtomou o p\u00e3o\/o c\u00e1lice <b>em suas santas e ador\u00e1veis m\u00e3os<\/b>\u2026\u00bb.<\/p>\n<p class=\"Corpo\">2. O <i>Ordin\u00e1rio da Missa<\/i> atualmente em vigor simplificou as rubricas. Limita-se a dizer que o sacerdote que preside \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o \u00ab<b>toma o p\u00e3o, sustentando-o um pouco elevado<\/b> sobre o altar\u00bb. Como? N\u00e3o se explica. Contudo, o <i>Cerimonial dos Bispos<\/i> n\u00e3o deixa de dizer que o Bispo, \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o, \u00absegura, <b><i>com as m\u00e3os<\/i><\/b> [note-se o plural], a h\u00f3stia ou o c\u00e1lice\u00bb (106). \u00c9 de crer que, nos primeiros anos ou d\u00e9cadas de vig\u00eancia do novo Missal, esta rubrica mais simples continuou a ser entendida em continuidade com a pr\u00e1tica precedente. Porventura, a \u00fanica inova\u00e7\u00e3o gestual ter\u00e1 sido o abandono progressivo do costume de conservar unidas as polpas dos polegares e dos indicadores, at\u00e9 \u00e0 ablu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a comunh\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"Corpo\">3. Porque ser\u00e1 que se introduziu e divulgou a pr\u00e1tica de o sacerdote, nesse momento, segurar a patena com a m\u00e3o esquerda e tomar a H\u00f3stia com a direita? Porventura porque, nas concelebra\u00e7\u00f5es, se colocam v\u00e1rias h\u00f3stias na mesma patena, para a comunh\u00e3o dos concelebrantes. Alguns celebrantes ter\u00e3o pensado \u2013 ou agido como se pensassem \u2013 que tinham de ter todas as H\u00f3stias nas suas m\u00e3os (ainda que por interposta patena) para garantir a consagra\u00e7\u00e3o das mesmas (!). Ou, ent\u00e3o, foi mimetismo com o gesto de apresenta\u00e7\u00e3o do Corpo do Senhor no momento da Comunh\u00e3o (\u00e0s palavras: \u00ab\u2026 Eis o Cordeiro de Deus!\u2026\u00bb). Lembramos que, no cora\u00e7\u00e3o da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, depois de recitar as palavras ditas pelo Senhor Jesus na Ceia da institui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m est\u00e1 prevista uma ostens\u00e3o da H\u00f3stia consagrada, para adora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Mas s\u00e3o dois gestos que conv\u00e9m diferenciar: \u00e0 Consagra\u00e7\u00e3o, a Sagrada esp\u00e9cie, segura com ambas as m\u00e3os, \u00e9 mostrada para adora\u00e7\u00e3o; antes da Comunh\u00e3o, mostra-se, com a m\u00e3o direita, a H\u00f3stia j\u00e1 partida, sustentada sobre a patena ou o c\u00e1lice (estes, obviamente, segurados com a m\u00e3o esquerda), convidando os fi\u00e9is a abeirarem-se da \u201cCeia do Senhor\u201d.<\/p>\n<p class=\"Corpo\">4. Sobretudo importa corrigir o erro (menos frequente, mas bem mais grave) de o sacerdote que preside <b>se dirigir aos fi\u00e9is<\/b> (com o olhar e, por vezes, tamb\u00e9m com o gesto da m\u00e3o) enquanto pronuncia as palavras da Ceia. A rubrica, pelo contr\u00e1rio, at\u00e9 prev\u00ea que ele se incline um pouco, enquanto d\u00e1 voz \u00e0s palavras de Cristo, inseridas numa prece dirigida a Deus Pai. O padre (ou bispo) n\u00e3o est\u00e1 a <i>representar<\/i> cenicamente a ceia, funcionando como um ator e interagindo com a assembleia que representaria a parte dos ap\u00f3stolos\u2026 Nesse momento \u2013 desde o in\u00edcio do Pref\u00e1cio at\u00e9 ao final da doxologia \u2013 ele <b>dirige-se ao Pai<\/b> na mais importante ora\u00e7\u00e3o de toda a a\u00e7\u00e3o sagrada. A narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula destac\u00e1vel nem o gui\u00e3o de uma <i>cena <\/i>teatral, mas, sim, <b>parte integrante duma ora\u00e7\u00e3o\/a\u00e7\u00e3o<\/b> que deve ser cada vez mais entendida na sua <b>unidade<\/b>: \u00ab<i>ponto central e culminante de toda a celebra\u00e7\u00e3o, a Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e de consagra\u00e7\u00e3o. O sacer\u00addote convida o povo a elevar os cora\u00e7\u00f5es para o Senhor, na ora\u00e7\u00e3o e na a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, e associa-o a si na ora\u00e7\u00e3o que ele, em nome de toda a comunidade, dirige a Deus Pai por Jesus Cristo, no Esp\u00edrito Santo<\/i>\u00bb (IGMR 78).<\/p>\n<p class=\"Corpo\">5. Concluindo: Neste momento sagrado, a <i>performance<\/i> que se requer do sacerdote celebrante n\u00e3o \u00e9 a de um ator <i>virtuoso<\/i> e arrebatador, mas a de um orante aut\u00eantico, humilde e convicto. Regressemos, pois, \u00e0 simetria, equil\u00edbrio, recolhimento e est\u00e9tica do gesto <i>recebido<\/i> porque a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 teatro: \u00e9 memorial do mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento da narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o e consagra\u00e7\u00e3o, por vezes veem-se sacerdotes que presidem \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u2013 presb\u00edteros e bispos \u2013 tomarem a patena com a m\u00e3o esquerda, segurando sobre ela a h\u00f3stia, enquanto recitam as palavras do Senhor. Ao dizer \u201cTomai e comei\u2026\u201d, alguns olham para a comunidade e at\u00e9 fazem o gesto redondo de oferecer a h\u00f3stia sagrada aos participantes. Depois, sempre segurando a Esp\u00e9cie com o polegar e indicador da m\u00e3o direita, mostram\/elevam o sacramento, quase como um \u00e1rbitro que exibisse o cart\u00e3o amarelo para sancionar comportamentos antidesportivos\u2026. Estar\u00e1 bem esse procedimento? Mera quest\u00e3o de estilo pessoal sem interfer\u00eancia na verdade e qualidade do rito? Algumas observa\u00e7\u00f5es: 1. Antes da reforma lit\u00fargica, o Ritus servandus e as rubricas do Missal estabeleciam com clareza e detalhe o gesto a realizar: o sacerdote tomava a H\u00f3stia entre os indicadores e polegares de ambas as m\u00e3os. Tamb\u00e9m o c\u00e1lice se deveria segurar com ambas as m\u00e3os. Esta gestualidade tinha o seu valor est\u00e9tico \u2013 hoje mais advertido porque a celebra\u00e7\u00e3o se faz habitualmente de frente para o povo \u2013 e correspondia \u00e0s palavras da narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica no C\u00e2none Romano (OE I): \u00abtomou o p\u00e3o\/o c\u00e1lice em suas santas e ador\u00e1veis m\u00e3os\u2026\u00bb. 2. O Ordin\u00e1rio da Missa atualmente em vigor simplificou as rubricas. Limita-se a dizer que o sacerdote que preside \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o \u00abtoma o p\u00e3o, sustentando-o um pouco elevado sobre o altar\u00bb. Como? N\u00e3o se explica. Contudo, o Cerimonial dos Bispos n\u00e3o deixa de dizer que o Bispo, \u00e0 consagra\u00e7\u00e3o, \u00absegura, com as m\u00e3os [note-se o plural], a h\u00f3stia ou o c\u00e1lice\u00bb (106). \u00c9 de crer que, nos primeiros anos ou d\u00e9cadas de vig\u00eancia do novo Missal, esta rubrica mais simples continuou a ser entendida em continuidade com a pr\u00e1tica precedente. Porventura, a \u00fanica inova\u00e7\u00e3o gestual ter\u00e1 sido o abandono progressivo do costume de conservar unidas as polpas dos polegares e dos indicadores, at\u00e9 \u00e0 ablu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a comunh\u00e3o. 3. Porque ser\u00e1 que se introduziu e divulgou a pr\u00e1tica de o sacerdote, nesse momento, segurar a patena com a m\u00e3o esquerda e tomar a H\u00f3stia com a direita? Porventura porque, nas concelebra\u00e7\u00f5es, se colocam v\u00e1rias h\u00f3stias na mesma patena, para a comunh\u00e3o dos concelebrantes. Alguns celebrantes ter\u00e3o pensado \u2013 ou agido como se pensassem \u2013 que tinham de ter todas as H\u00f3stias nas suas m\u00e3os (ainda que por interposta patena) para garantir a consagra\u00e7\u00e3o das mesmas (!). Ou, ent\u00e3o, foi mimetismo com o gesto de apresenta\u00e7\u00e3o do Corpo do Senhor no momento da Comunh\u00e3o (\u00e0s palavras: \u00ab\u2026 Eis o Cordeiro de Deus!\u2026\u00bb). Lembramos que, no cora\u00e7\u00e3o da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, depois de recitar as palavras ditas pelo Senhor Jesus na Ceia da institui\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m est\u00e1 prevista uma ostens\u00e3o da H\u00f3stia consagrada, para adora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. Mas s\u00e3o dois gestos que conv\u00e9m diferenciar: \u00e0 Consagra\u00e7\u00e3o, a Sagrada esp\u00e9cie, segura com ambas as m\u00e3os, \u00e9 mostrada para adora\u00e7\u00e3o; antes da Comunh\u00e3o, mostra-se, com a m\u00e3o direita, a H\u00f3stia j\u00e1 partida, sustentada sobre a patena ou o c\u00e1lice (estes, obviamente, segurados com a m\u00e3o esquerda), convidando os fi\u00e9is a abeirarem-se da \u201cCeia do Senhor\u201d. 4. Sobretudo importa corrigir o erro (menos frequente, mas bem mais grave) de o sacerdote que preside se dirigir aos fi\u00e9is (com o olhar e, por vezes, tamb\u00e9m com o gesto da m\u00e3o) enquanto pronuncia as palavras da Ceia. A rubrica, pelo contr\u00e1rio, at\u00e9 prev\u00ea que ele se incline um pouco, enquanto d\u00e1 voz \u00e0s palavras de Cristo, inseridas numa prece dirigida a Deus Pai. O padre (ou bispo) n\u00e3o est\u00e1 a representar cenicamente a ceia, funcionando como um ator e interagindo com a assembleia que representaria a parte dos ap\u00f3stolos\u2026 Nesse momento \u2013 desde o in\u00edcio do Pref\u00e1cio at\u00e9 ao final da doxologia \u2013 ele dirige-se ao Pai na mais importante ora\u00e7\u00e3o de toda a a\u00e7\u00e3o sagrada. A narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula destac\u00e1vel nem o gui\u00e3o de uma cena teatral, mas, sim, parte integrante duma ora\u00e7\u00e3o\/a\u00e7\u00e3o que deve ser cada vez mais entendida na sua unidade: \u00abponto central e culminante de toda a celebra\u00e7\u00e3o, a Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e de consagra\u00e7\u00e3o. O sacer\u00addote convida o povo a elevar os cora\u00e7\u00f5es para o Senhor, na ora\u00e7\u00e3o e na a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, e associa-o a si na ora\u00e7\u00e3o que ele, em nome de toda a comunidade, dirige a Deus Pai por Jesus Cristo, no Esp\u00edrito Santo\u00bb (IGMR 78). 5. Concluindo: Neste momento sagrado, a performance que se requer do sacerdote celebrante n\u00e3o \u00e9 a de um ator virtuoso e arrebatador, mas a de um orante aut\u00eantico, humilde e convicto. Regressemos, pois, \u00e0 simetria, equil\u00edbrio, recolhimento e est\u00e9tica do gesto recebido porque a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 teatro: \u00e9 memorial do mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":28815,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32896","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32896","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32896"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32896\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28815"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32896"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32896"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32896"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}