{"id":32934,"date":"2026-10-03T13:16:25","date_gmt":"2026-10-03T13:16:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32934"},"modified":"2026-10-08T10:29:16","modified_gmt":"2026-10-08T10:29:16","slug":"xxvii-domingo-do-tempo-comum-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/xxvii-domingo-do-tempo-comum-4\/","title":{"rendered":"XXVII Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<ol>\n<li><strong> INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A imagem da vinha atravessa os textos sagrados deste domingo. A vinha f\u00e9rtil, amada e cuidada pelo propriet\u00e1rio contrasta com as \u201cuvas azedas\u201d de quem n\u00e3o consegue traduzir o amor recebido na pr\u00e1tica cotidiana de amar. Ao contar a par\u00e1bola dos vinhateiros violentos, Jesus denuncia a dissimula\u00e7\u00e3o das autoridades judaicas que oprimiam o povo e se achavam \u201cdonas da vinha\u201d. A vinha \u00e9 de Deus, e n\u00f3s somos seus colaboradores. Trata-se de configurar a vida nova apontada por S\u00e3o Paulo, que enumera as qualidades espec\u00edficas a serem cultivadas por aqueles que formam a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus.<\/p>\n<ol>\n<li><strong> COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS<\/strong><\/li>\n<li><strong> I leitura (Is 5,1-7)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O trecho da profecia de Isa\u00edas se assemelha a um canto de amor, dividido em estrofes que apresentam tens\u00e3o e harmonia. De fato, a leitura se inicia evocando a imagem do \u201camigo do esposo\u201d \u2013 a forma como o profeta se apresenta \u2013 por meio da par\u00e1bola da vinha f\u00e9rtil: \u201cUm amigo meu possu\u00eda uma vinha em f\u00e9rtil encosta. Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas\u201d (v. 1-2). \u00c9 interessante ressaltar os verbos utilizados pelo propriet\u00e1rio da vinha: cercar, limpar, plantar, edificar, construir, esperar.<\/p>\n<p>Logo a decep\u00e7\u00e3o apareceu. Em vez de produzir uvas boas, a vinha \u201cproduziu uvas selvagens\u201d (v. 2). A desilus\u00e3o veio em forma de questionamento: \u201cO que eu poderia ter feito a mais por minha vinha e n\u00e3o fiz?\u201d (v. 4). O lamento do propriet\u00e1rio se assemelha bastante ao desapontamento de algu\u00e9m que amou muito e n\u00e3o teve seu amor correspondido. Os verbos que acompanham a decis\u00e3o de abandonar a vinha tamb\u00e9m s\u00e3o fortes: desmanchar, devastar, derrubar, pisotear, deixar&#8230; O propriet\u00e1rio n\u00e3o conseguiu mais esperar pelas uvas boas. Esperar se tornou uma frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A imagem da vinha que n\u00e3o produziu uvas \u00e9, certamente, simb\u00f3lica. Trata-se do povo de Israel, resgatado e cuidado por Deus qual vinha sagrada. Os frutos esperados por Deus eram as boas obras, a escolha do caminho do bem e da fidelidade \u00e0 alian\u00e7a; no entanto, o que apareceu foi sangue, \u00f3dio, divis\u00e3o, mentira, falsas acusa\u00e7\u00f5es a Deus, vida religiosa apegada a exterioridades e ritualismos, verdadeiras \u201cuvas azedas\u201d: \u201ceu esperava deles frutos de justi\u00e7a \u2013 e eis injusti\u00e7a; esperava obras de bondade \u2013 e eis iniquidade\u201d (v. 7).<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> II leitura (Fl 4,6-9)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Como a videira est\u00e1 unida aos ramos, S\u00e3o Paulo recorda \u00e0 comunidade de Filipos que o seguidor de Jesus deve permanecer unido a Ele na ora\u00e7\u00e3o: \u201capresentai as vossas necessidades a Deus, em ora\u00e7\u00f5es e s\u00faplicas, acompanhadas de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u201d (v. 6). A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o el\u00e3, aquilo de mais consistente que pode sustentar a f\u00e9 e guiar no caminho da viv\u00eancia da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>Ao permanecerem unidos a Cristo, sustentados pela intimidade da vida de ora\u00e7\u00e3o, os crist\u00e3os configuram um novo estilo de vida. S\u00e3o Paulo enumera algumas das \u201cqualidades\u201d que marcam a nova identidade do seguidor de Jesus: \u201cocupai-vos com tudo o que \u00e9 verdadeiro, respeit\u00e1vel, justo, puro, am\u00e1vel, honroso, tudo o que \u00e9 virtude ou de qualquer modo mere\u00e7a louvor\u201d (v. 8). N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil assumir essas atitudes, poss\u00edveis apenas se estamos bem unidos a Cristo.<\/p>\n<p>De fato, o testemunho, a coragem e a autenticidade de S\u00e3o Paulo s\u00f3 podem ser compreendidos \u00e0 luz do Evangelho de Jesus Cristo, que o ap\u00f3stolo buscou viver e comunicar, tornando-se \u2013 para aquela comunidade e para n\u00f3s \u2013 um modelo fundamental para a viv\u00eancia da f\u00e9.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Evangelho (Mt 21,33-43)<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Deus criou o mundo como um jardim, na harmonia, na conex\u00e3o, no equil\u00edbrio (Gn 1). De fato, o jardim, no C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, \u00e9 onde se d\u00e1 o encontro do amado e da amada \u2013 portanto, \u00e9 o lugar do amor. No Evangelho de Jo\u00e3o, Maria Madalena vai ao t\u00famulo para ver o corpo de Jesus morto, sem saber da ressurrei\u00e7\u00e3o, e, na entrada, confunde Jesus com um jardineiro (Jo 20,11-18). Jesus \u00e9 o jardineiro da nova cria\u00e7\u00e3o! A vinha \u00e9 o projeto, \u00e9 o jardim que Deus sonhou.<\/p>\n<p>O Evangelho deste domingo retoma a par\u00e1bola contada por Jesus sobre um propriet\u00e1rio que plantou, cuidou e arrumou tudo, para que sua vinha tivesse todo o necess\u00e1rio para produzir uvas boas, e, em seguida, confiou-a a alguns vinhateiros. Aconteceu que, no tempo da colheita, como estava distante, esse propriet\u00e1rio enviou seus servos para recolher os frutos, mas os vinhateiros os receberam com viol\u00eancia: apedrejaram alguns e assassinaram outros. O dono da vinha aguardou com paci\u00eancia e, mais adiante, enviou outros servos, que foram recebidos com a mesma viol\u00eancia. Por fim, fez uma \u00faltima tentativa: enviou seu filho para, com a autoridade de herdeiro, buscar os frutos. Tamb\u00e9m o filho foi morto.<\/p>\n<p>Jesus contou a par\u00e1bola aos doutores da Lei e aos chefes dos sacerdotes, ou seja, ela era direcionada a um grupo que se achava acima de todas as normas, com autoridade sobre todas as \u201cvinhas\u201d. A vinha \u00e9 do Pai, e todos somos colaboradores. Ningu\u00e9m \u00e9 dono! A par\u00e1bola retoma toda a hist\u00f3ria de Israel: os profetas foram enviados para resgatar a vinha perdida, e, depois, tamb\u00e9m Jesus, o Filho amado. Todos foram mortos pelas autoridades, que trabalhavam para sustentar o pr\u00f3prio poder.<\/p>\n<p>Tudo que vivemos faz parte de um grande plano de amor, de uma grande vinha sonhada por Deus. A vinha convida ao equil\u00edbrio do cuidado, \u00e0 tarefa de fazer da vida uma \u201cuva boa\u201d. Os frutos bons n\u00e3o s\u00e3o atitudes isoladas, mas dependem do jardim inteiro, de uma conex\u00e3o de vidas, de uma rede na qual \u00e9 poss\u00edvel reconhecer Deus passeando no vento fresco de cada tarde (Gn 3,8).<\/p>\n<p><strong>III. PISTAS PARA REFLEX\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>A imagem da vinha nos convida a aprofundar a vida crist\u00e3 naquilo que significa produzir \u201cuvas boas\u201d. A f\u00e9 exige a pr\u00e1tica da f\u00e9, a configura\u00e7\u00e3o de um estilo de vida. Qual \u00e9 a qualidade da \u201cuva\u201d que eu sou? Que tipo de frutos minha comunidade est\u00e1 produzindo? A viv\u00eancia da f\u00e9 n\u00e3o pode ser confundida com ativismo. Como estou permitindo que Deus me ajude a produzir frutos para seu Reino? Quais espa\u00e7os estou abrindo para que Deus possa trabalhar na vinha que eu sou? <span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Vida Pastoral-Paulus)<\/em><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/2026-10-04-A-Dom-XXVII-TC.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>XXVII DOMINGO DO TEMPO COMUM<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>INTRODU\u00c7\u00c3O GERAL A imagem da vinha atravessa os textos sagrados deste domingo. A vinha f\u00e9rtil, amada e cuidada pelo propriet\u00e1rio contrasta com as \u201cuvas azedas\u201d de quem n\u00e3o consegue traduzir o amor recebido na pr\u00e1tica cotidiana de amar. Ao contar a par\u00e1bola dos vinhateiros violentos, Jesus denuncia a dissimula\u00e7\u00e3o das autoridades judaicas que oprimiam o povo e se achavam \u201cdonas da vinha\u201d. A vinha \u00e9 de Deus, e n\u00f3s somos seus colaboradores. Trata-se de configurar a vida nova apontada por S\u00e3o Paulo, que enumera as qualidades espec\u00edficas a serem cultivadas por aqueles que formam a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus. COMENT\u00c1RIO DOS TEXTOS B\u00cdBLICOS I leitura (Is 5,1-7) O trecho da profecia de Isa\u00edas se assemelha a um canto de amor, dividido em estrofes que apresentam tens\u00e3o e harmonia. De fato, a leitura se inicia evocando a imagem do \u201camigo do esposo\u201d \u2013 a forma como o profeta se apresenta \u2013 por meio da par\u00e1bola da vinha f\u00e9rtil: \u201cUm amigo meu possu\u00eda uma vinha em f\u00e9rtil encosta. Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas\u201d (v. 1-2). \u00c9 interessante ressaltar os verbos utilizados pelo propriet\u00e1rio da vinha: cercar, limpar, plantar, edificar, construir, esperar. Logo a decep\u00e7\u00e3o apareceu. Em vez de produzir uvas boas, a vinha \u201cproduziu uvas selvagens\u201d (v. 2). A desilus\u00e3o veio em forma de questionamento: \u201cO que eu poderia ter feito a mais por minha vinha e n\u00e3o fiz?\u201d (v. 4). O lamento do propriet\u00e1rio se assemelha bastante ao desapontamento de algu\u00e9m que amou muito e n\u00e3o teve seu amor correspondido. Os verbos que acompanham a decis\u00e3o de abandonar a vinha tamb\u00e9m s\u00e3o fortes: desmanchar, devastar, derrubar, pisotear, deixar&#8230; O propriet\u00e1rio n\u00e3o conseguiu mais esperar pelas uvas boas. Esperar se tornou uma frustra\u00e7\u00e3o. A imagem da vinha que n\u00e3o produziu uvas \u00e9, certamente, simb\u00f3lica. Trata-se do povo de Israel, resgatado e cuidado por Deus qual vinha sagrada. Os frutos esperados por Deus eram as boas obras, a escolha do caminho do bem e da fidelidade \u00e0 alian\u00e7a; no entanto, o que apareceu foi sangue, \u00f3dio, divis\u00e3o, mentira, falsas acusa\u00e7\u00f5es a Deus, vida religiosa apegada a exterioridades e ritualismos, verdadeiras \u201cuvas azedas\u201d: \u201ceu esperava deles frutos de justi\u00e7a \u2013 e eis injusti\u00e7a; esperava obras de bondade \u2013 e eis iniquidade\u201d (v. 7). II leitura (Fl 4,6-9) Como a videira est\u00e1 unida aos ramos, S\u00e3o Paulo recorda \u00e0 comunidade de Filipos que o seguidor de Jesus deve permanecer unido a Ele na ora\u00e7\u00e3o: \u201capresentai as vossas necessidades a Deus, em ora\u00e7\u00f5es e s\u00faplicas, acompanhadas de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u201d (v. 6). A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o el\u00e3, aquilo de mais consistente que pode sustentar a f\u00e9 e guiar no caminho da viv\u00eancia da Palavra de Deus. Ao permanecerem unidos a Cristo, sustentados pela intimidade da vida de ora\u00e7\u00e3o, os crist\u00e3os configuram um novo estilo de vida. S\u00e3o Paulo enumera algumas das \u201cqualidades\u201d que marcam a nova identidade do seguidor de Jesus: \u201cocupai-vos com tudo o que \u00e9 verdadeiro, respeit\u00e1vel, justo, puro, am\u00e1vel, honroso, tudo o que \u00e9 virtude ou de qualquer modo mere\u00e7a louvor\u201d (v. 8). N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil assumir essas atitudes, poss\u00edveis apenas se estamos bem unidos a Cristo. De fato, o testemunho, a coragem e a autenticidade de S\u00e3o Paulo s\u00f3 podem ser compreendidos \u00e0 luz do Evangelho de Jesus Cristo, que o ap\u00f3stolo buscou viver e comunicar, tornando-se \u2013 para aquela comunidade e para n\u00f3s \u2013 um modelo fundamental para a viv\u00eancia da f\u00e9. Evangelho (Mt 21,33-43) Deus criou o mundo como um jardim, na harmonia, na conex\u00e3o, no equil\u00edbrio (Gn 1). De fato, o jardim, no C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, \u00e9 onde se d\u00e1 o encontro do amado e da amada \u2013 portanto, \u00e9 o lugar do amor. No Evangelho de Jo\u00e3o, Maria Madalena vai ao t\u00famulo para ver o corpo de Jesus morto, sem saber da ressurrei\u00e7\u00e3o, e, na entrada, confunde Jesus com um jardineiro (Jo 20,11-18). Jesus \u00e9 o jardineiro da nova cria\u00e7\u00e3o! A vinha \u00e9 o projeto, \u00e9 o jardim que Deus sonhou. O Evangelho deste domingo retoma a par\u00e1bola contada por Jesus sobre um propriet\u00e1rio que plantou, cuidou e arrumou tudo, para que sua vinha tivesse todo o necess\u00e1rio para produzir uvas boas, e, em seguida, confiou-a a alguns vinhateiros. Aconteceu que, no tempo da colheita, como estava distante, esse propriet\u00e1rio enviou seus servos para recolher os frutos, mas os vinhateiros os receberam com viol\u00eancia: apedrejaram alguns e assassinaram outros. O dono da vinha aguardou com paci\u00eancia e, mais adiante, enviou outros servos, que foram recebidos com a mesma viol\u00eancia. Por fim, fez uma \u00faltima tentativa: enviou seu filho para, com a autoridade de herdeiro, buscar os frutos. Tamb\u00e9m o filho foi morto. Jesus contou a par\u00e1bola aos doutores da Lei e aos chefes dos sacerdotes, ou seja, ela era direcionada a um grupo que se achava acima de todas as normas, com autoridade sobre todas as \u201cvinhas\u201d. A vinha \u00e9 do Pai, e todos somos colaboradores. Ningu\u00e9m \u00e9 dono! A par\u00e1bola retoma toda a hist\u00f3ria de Israel: os profetas foram enviados para resgatar a vinha perdida, e, depois, tamb\u00e9m Jesus, o Filho amado. Todos foram mortos pelas autoridades, que trabalhavam para sustentar o pr\u00f3prio poder. Tudo que vivemos faz parte de um grande plano de amor, de uma grande vinha sonhada por Deus. A vinha convida ao equil\u00edbrio do cuidado, \u00e0 tarefa de fazer da vida uma \u201cuva boa\u201d. Os frutos bons n\u00e3o s\u00e3o atitudes isoladas, mas dependem do jardim inteiro, de uma conex\u00e3o de vidas, de uma rede na qual \u00e9 poss\u00edvel reconhecer Deus passeando no vento fresco de cada tarde (Gn 3,8). III. PISTAS PARA REFLEX\u00c3O A imagem da vinha nos convida a aprofundar a vida crist\u00e3 naquilo que significa produzir \u201cuvas boas\u201d. A f\u00e9 exige a pr\u00e1tica da f\u00e9, a configura\u00e7\u00e3o de um estilo de vida. Qual \u00e9 a qualidade da \u201cuva\u201d que eu sou? Que tipo de frutos minha comunidade est\u00e1 produzindo? A viv\u00eancia da f\u00e9 n\u00e3o pode ser confundida com ativismo. 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