{"id":32956,"date":"2026-10-08T10:22:22","date_gmt":"2026-10-08T10:22:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32956"},"modified":"2026-10-08T10:22:22","modified_gmt":"2026-10-08T10:22:22","slug":"leao-xiv-a-missao-da-igreja-no-mundo-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/leao-xiv-a-missao-da-igreja-no-mundo-contemporaneo\/","title":{"rendered":"Le\u00e3o XIV: A miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p>Regressamos \u00e0 Audi\u00eancia Geral de ontem, agora com a publica\u00e7\u00e3o da catequese na \u00edntegra, na qual o Papa faz uma medita\u00e7\u00e3o sobre qual \u00e9 a verdadeira miss\u00e3o da Igreja e de todos os baptizados.<\/p>\n<p>&#8220;<em>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia e bem-vindos!<\/em><\/p>\n<p><em>Retomando a reflex\u00e3o sobre a Constitui\u00e7\u00e3o conciliar Gaudium et spes (GS), hoje consideramos o quarto cap\u00edtulo da primeira parte, dedicado \u00e0 miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo. Em primeiro lugar, o Conc\u00edlio recorda que a Igreja n\u00e3o est\u00e1 \u201cacima\u201d nem \u201cao lado\u201d do mundo, mas como que inserida nele. \u00abMundus reconciliatus Ecclesia\u00bb, escrevia Santo Agostinho (Sermo 96): a Igreja \u00e9 o mundo j\u00e1 reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e com este mundo partilhamos a fragilidade e a beleza (cf. GS, 40).<\/em><\/p>\n<p><em>Assim como o Filho de Deus se encarnou para dar vida ao mundo e para o reconciliar com o Pai, tamb\u00e9m a Igreja habita no mundo como sinal da encarna\u00e7\u00e3o de Deus para manifestar o seu des\u00edgnio de tornar todos n\u00f3s seus filhos numa \u00fanica e grande fam\u00edlia humana. Por isso, a Igreja caminha na hist\u00f3ria, no meio dos povos e das culturas, e \u00abesta interliga\u00e7\u00e3o vital com os povos faz-lhe compreender cada vez mais que a sua miss\u00e3o tem um alcance hist\u00f3rico e implica responsabilidade no que diz respeito \u00e0 maneira como se tecem as rela\u00e7\u00f5es sociais\u00bb (Carta enc. Magnifica humanitas, 19).<\/em><\/p>\n<p><em>A primeira miss\u00e3o da Igreja consiste em ajudar as pessoas a estar atentas \u00e0s profundas interroga\u00e7\u00f5es da vida: aquelas que dizem respeito \u00e0 nossa origem e ao nosso destino, assim como aquelas que se referem ao sentido do amor e da dor (cf. GS, 41). A l\u00f3gica do lucro custe o que custar e a manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o correm o risco de exercer uma press\u00e3o indevida a fim de que as pessoas se conformem com um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso cora\u00e7\u00e3o foi feito para olhar para o alto.<\/em><\/p>\n<p><em>Os Padres do Conc\u00edlio recordam que a miss\u00e3o da Igreja se realiza tamb\u00e9m na contribui\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o da cidade terrena. No entanto, os seus m\u00e9todos e a sua finalidade n\u00e3o s\u00e3o primariamente de ordem pol\u00edtica, mas consistem no testemunho da f\u00e9 e da caridade, com o compromisso em prol da justi\u00e7a, da paz e da fraternidade. Adorando Cristo, o Justo que morreu pelos injustos, o crente n\u00e3o pode aceitar a opress\u00e3o dos pequeninos e dos pobres, nem as estruturas injustas que perpetuam condi\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e injusti\u00e7a. A Doutrina social da Igreja orienta a a\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, que colaboram com todas as pessoas de boa vontade na promo\u00e7\u00e3o do bem comum. Portanto, a Igreja \u00abnada deseja mais ardentemente do que, servindo o bem de todos, poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconhe\u00e7a os direitos fundamentais da pessoa e da fam\u00edlia, e os imperativos do bem comum\u00bb (GS, 42).<\/em><\/p>\n<p><em>Para cumprir com efic\u00e1cia a miss\u00e3o evang\u00e9lica, \u00e9 necess\u00e1rio que cada batizado se comprometa em cooperar com a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, a fim de que a sua f\u00e9 seja viva e se expresse mediante comportamentos coerentes. Com efeito, como recordam os Padres conciliares, a separa\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 professada e vida quotidiana \u00abdeve ser contada entre os mais graves erros do nosso tempo\u00bb (GS, 43).<\/em><\/p>\n<p><em>A Gaudium et spes\u00a0spes reserva uma men\u00e7\u00e3o especial (cf. ibid.) \u00e0 miss\u00e3o dos fi\u00e9is leigos que, em virtude do Batismo, s\u00e3o chamados a animar o mundo com o esp\u00edrito crist\u00e3o e a vis\u00e3o do Evangelho. Os principais lugares desta a\u00e7\u00e3o, que bem se pode dizer sacerdotal, s\u00e3o indubitavelmente a fam\u00edlia e a atividade de trabalho, mas ela estende-se a todos os ambientes de vida.<\/em><\/p>\n<p><em>Para concluir, a Igreja est\u00e1 sempre atenta ao que acontece e se desenvolve na sociedade (cf. GS, 44). \u00c9 tarefa de todo o Povo de Deus, sobretudo dos pastores e dos te\u00f3logos, discernir o que \u00e9 digno de considera\u00e7\u00e3o nas culturas do nosso tempo, tendo sempre como crit\u00e9rio supremo de discernimento a Palavra de Deus e a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Isto requer um esp\u00edrito equilibrado e livre das modas culturais, capaz de olhar para o mundo de modo positivo e, ao mesmo tempo, firme na preserva\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o da mensagem evang\u00e9lica na sua integralidade. Com efeito, \u00abn\u00e3o \u00e9 certamente diluindo os conte\u00fados e suavizando as exig\u00eancias que se pode tornar o cristianismo atraente\u00bb (Discurso \u00e0 Plen\u00e1ria do Dicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o \u2014 Sec\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es fundamentais da evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo, 28 de maio de 2026).<\/em><\/p>\n<p><em>Car\u00edssimos, enquanto se encontra a caminho na hist\u00f3ria, a Igreja tem como \u00ab\u00fanico fim (&#8230;) o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salva\u00e7\u00e3o de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (GS, 45). Ela tende para esta finalidade sobretudo atrav\u00e9s da santidade pessoal e do amor fraterno. S\u00e3o Paulo VI escrevia: \u00abSem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra far\u00e1 a sua caminhada at\u00e9 atingir o cora\u00e7\u00e3o do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer v\u00e3 e infecunda\u00bb (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 76). Portanto, tornemo-nos d\u00f3ceis \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, a fim de que nos ajude a viver em santidade e caridade, para que o mundo possa acreditar e esperar.&#8221;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regressamos \u00e0 Audi\u00eancia Geral de ontem, agora com a publica\u00e7\u00e3o da catequese na \u00edntegra, na qual o Papa faz uma medita\u00e7\u00e3o sobre qual \u00e9 a verdadeira miss\u00e3o da Igreja e de todos os baptizados. &#8220;Irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia e bem-vindos! Retomando a reflex\u00e3o sobre a Constitui\u00e7\u00e3o conciliar Gaudium et spes (GS), hoje consideramos o quarto cap\u00edtulo da primeira parte, dedicado \u00e0 miss\u00e3o da Igreja no mundo contempor\u00e2neo. Em primeiro lugar, o Conc\u00edlio recorda que a Igreja n\u00e3o est\u00e1 \u201cacima\u201d nem \u201cao lado\u201d do mundo, mas como que inserida nele. \u00abMundus reconciliatus Ecclesia\u00bb, escrevia Santo Agostinho (Sermo 96): a Igreja \u00e9 o mundo j\u00e1 reconciliado com Deus; somos peregrinos na terra e com este mundo partilhamos a fragilidade e a beleza (cf. GS, 40). Assim como o Filho de Deus se encarnou para dar vida ao mundo e para o reconciliar com o Pai, tamb\u00e9m a Igreja habita no mundo como sinal da encarna\u00e7\u00e3o de Deus para manifestar o seu des\u00edgnio de tornar todos n\u00f3s seus filhos numa \u00fanica e grande fam\u00edlia humana. Por isso, a Igreja caminha na hist\u00f3ria, no meio dos povos e das culturas, e \u00abesta interliga\u00e7\u00e3o vital com os povos faz-lhe compreender cada vez mais que a sua miss\u00e3o tem um alcance hist\u00f3rico e implica responsabilidade no que diz respeito \u00e0 maneira como se tecem as rela\u00e7\u00f5es sociais\u00bb (Carta enc. Magnifica humanitas, 19). A primeira miss\u00e3o da Igreja consiste em ajudar as pessoas a estar atentas \u00e0s profundas interroga\u00e7\u00f5es da vida: aquelas que dizem respeito \u00e0 nossa origem e ao nosso destino, assim como aquelas que se referem ao sentido do amor e da dor (cf. GS, 41). A l\u00f3gica do lucro custe o que custar e a manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o correm o risco de exercer uma press\u00e3o indevida a fim de que as pessoas se conformem com um estilo de vida centrado no consumo de bens materiais, mas o nosso cora\u00e7\u00e3o foi feito para olhar para o alto. Os Padres do Conc\u00edlio recordam que a miss\u00e3o da Igreja se realiza tamb\u00e9m na contribui\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o da cidade terrena. No entanto, os seus m\u00e9todos e a sua finalidade n\u00e3o s\u00e3o primariamente de ordem pol\u00edtica, mas consistem no testemunho da f\u00e9 e da caridade, com o compromisso em prol da justi\u00e7a, da paz e da fraternidade. Adorando Cristo, o Justo que morreu pelos injustos, o crente n\u00e3o pode aceitar a opress\u00e3o dos pequeninos e dos pobres, nem as estruturas injustas que perpetuam condi\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia e injusti\u00e7a. A Doutrina social da Igreja orienta a a\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os, que colaboram com todas as pessoas de boa vontade na promo\u00e7\u00e3o do bem comum. Portanto, a Igreja \u00abnada deseja mais ardentemente do que, servindo o bem de todos, poder desenvolver-se livremente sob qualquer regime que reconhe\u00e7a os direitos fundamentais da pessoa e da fam\u00edlia, e os imperativos do bem comum\u00bb (GS, 42). Para cumprir com efic\u00e1cia a miss\u00e3o evang\u00e9lica, \u00e9 necess\u00e1rio que cada batizado se comprometa em cooperar com a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, a fim de que a sua f\u00e9 seja viva e se expresse mediante comportamentos coerentes. Com efeito, como recordam os Padres conciliares, a separa\u00e7\u00e3o entre f\u00e9 professada e vida quotidiana \u00abdeve ser contada entre os mais graves erros do nosso tempo\u00bb (GS, 43). A Gaudium et spes\u00a0spes reserva uma men\u00e7\u00e3o especial (cf. ibid.) \u00e0 miss\u00e3o dos fi\u00e9is leigos que, em virtude do Batismo, s\u00e3o chamados a animar o mundo com o esp\u00edrito crist\u00e3o e a vis\u00e3o do Evangelho. Os principais lugares desta a\u00e7\u00e3o, que bem se pode dizer sacerdotal, s\u00e3o indubitavelmente a fam\u00edlia e a atividade de trabalho, mas ela estende-se a todos os ambientes de vida. Para concluir, a Igreja est\u00e1 sempre atenta ao que acontece e se desenvolve na sociedade (cf. GS, 44). \u00c9 tarefa de todo o Povo de Deus, sobretudo dos pastores e dos te\u00f3logos, discernir o que \u00e9 digno de considera\u00e7\u00e3o nas culturas do nosso tempo, tendo sempre como crit\u00e9rio supremo de discernimento a Palavra de Deus e a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja. Isto requer um esp\u00edrito equilibrado e livre das modas culturais, capaz de olhar para o mundo de modo positivo e, ao mesmo tempo, firme na preserva\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o da mensagem evang\u00e9lica na sua integralidade. Com efeito, \u00abn\u00e3o \u00e9 certamente diluindo os conte\u00fados e suavizando as exig\u00eancias que se pode tornar o cristianismo atraente\u00bb (Discurso \u00e0 Plen\u00e1ria do Dicast\u00e9rio para a Evangeliza\u00e7\u00e3o \u2014 Sec\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es fundamentais da evangeliza\u00e7\u00e3o no mundo, 28 de maio de 2026). Car\u00edssimos, enquanto se encontra a caminho na hist\u00f3ria, a Igreja tem como \u00ab\u00fanico fim (&#8230;) o advento do reino de Deus e o estabelecimento da salva\u00e7\u00e3o de todo o g\u00e9nero humano\u00bb (GS, 45). Ela tende para esta finalidade sobretudo atrav\u00e9s da santidade pessoal e do amor fraterno. S\u00e3o Paulo VI escrevia: \u00abSem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra far\u00e1 a sua caminhada at\u00e9 atingir o cora\u00e7\u00e3o do homem dos nossos tempos; ela corre o risco de permanecer v\u00e3 e infecunda\u00bb (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 76). 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