{"id":32960,"date":"2026-10-09T09:22:44","date_gmt":"2026-10-09T09:22:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32960"},"modified":"2026-10-09T09:22:44","modified_gmt":"2026-10-09T09:22:44","slug":"inteligencia-artificial-e-inteligencia-divina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/inteligencia-artificial-e-inteligencia-divina\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia Artificial e Intelig\u00eancia Divina"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\">Mas ningu\u00e9m \u00e9 o que v\u00ea nem \u00e9 aquilo que os outros veem dela. Como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus numa das cartas enviada \u00e0 sua irm\u00e3 C\u00e9line Martin: \u201cEu sou aquilo que Deus pensa de mim\u201d.<\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p>Vivemos na era das imagens das m\u00e1quinas artificiais. Dadosfera, infocracia, colonialidade algor\u00edtma, datacolonialismo, profilagem, pixel-vigil\u00e2ncia, pol\u00edticas da imagem, <i>big brother <\/i>pictol\u00f3gico, antropologia dos <i>likes<\/i>&#8230; S\u00e3o muitos os nomes que ilustram nosso contexto. N\u00e3o vou me estender com isso.<\/p>\n<p>Na era da intelig\u00eancia artificial, vivemos tamb\u00e9m a vis\u00e3o artificial. Voc\u00ea aponta o celular para seu pr\u00f3prio rosto, tira uma <i>selfie<\/i>, posta, curte a postagem de algu\u00e9m, acessa uma p\u00e1gina virtual, v\u00ea v\u00e1rias coisas&#8230; E \u00e9 \u201cvisto(a)\u201d pelo v\u00ea. Esse \u00e9 o grande \u201cparadoxo da vigil\u00e2ncia imag\u00e9tica\u201d que marca a nossa atualidade: \u201csomos vistos (supervisionados) a partir daquilo que vemos (as imagens que produzimos e os lugares em que estamos). Ou seja: os grandes olhos que nos monitoram veem pelos nossos olhos\u201d (Giselle Beiguelman, <i>Pol\u00edticas da imagem: vigil\u00e2ncia e resist\u00eancia na dadosfera<\/i>, p. 63).<\/p>\n<p>Assim, vai sendo criado um grande banco de dados (<i>big data<\/i>) sobre n\u00f3s em algum centro de processamento de dados (<i>data center<\/i>) por a\u00ed, que ningu\u00e9m sabe onde, quem o usa, para que usa, baseado em qu\u00ea, nem como esse conjunto de informa\u00e7\u00f5es virtuais \u00e9 interpretado. O que sabemos \u00e9 que uma imagem equivocada ou limitada de n\u00f3s \u00e9 produzida (<i>data sense<\/i>) e a m\u00e1quina artificial delimita um perfil de cada um(a), a partir do que n\u00f3s mesmos vemos. Voc\u00ea com certeza j\u00e1 se estranhou e teve a sensa\u00e7\u00e3o de estar sendo vigiado(a) quando come\u00e7am a aparecer em seu celular ou computador propagandas sobre algo do qual falou ou viu h\u00e1 poucos minutos. \u00c9 isso! Algum modelo de intelig\u00eancia artificial te rotula. Para ele, voc\u00ea \u00e9 o que voc\u00ea v\u00ea.<\/p>\n<p>Mas ningu\u00e9m \u00e9 o que v\u00ea nem \u00e9 aquilo que os outros veem dela. Como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus numa das cartas enviada \u00e0 sua irm\u00e3 C\u00e9line Martin: \u201cEu sou aquilo que Deus pensa de mim\u201d.<\/p>\n<p>No \u201c<i>data sense<\/i>\u201d de Deus, n\u00e3o somos somente o que vemos, o que clicamos, n\u00e3o somos reduzidos aos nossos <i>likes<\/i>, nada disso. O Cora\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 um \u201c<i>big data<\/i>\u201d muito mais complexo e completo, infinitamente perfeito e amoroso, que nenhuma l\u00f3gica matem\u00e1tica de algoritmos computacionais \u00e9 capaz de compreender.<\/p>\n<p>Se no mundo das m\u00e1quinas e intelig\u00eancias artificiais o que vemos e clicamos geram dados que padronizam o que somos, determinando uma certa identidade algoritmizada nossa; se no mundo dos algoritmos somos vistos pelo que vemos, no Cora\u00e7\u00e3o, na Mente, na Intelig\u00eancia Divina, somos vistos pelo que somos. E no Seu \u201c<i>data sense<\/i>\u201d, n\u00e3o somos padr\u00e3o algor\u00edtmico, mas pessoas profundamente amadas, criadas \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a (\u201c<i>imago Dei<\/i>\u201d). \u00c9 a\u00ed que est\u00e1 o tesouro de nossa magn\u00edfica humanidade. \u201cNenhum sistema de c\u00e1lculo, por mais sofisticado que seja, gera um cora\u00e7\u00e3o que se entrega ou uma consci\u00eancia que discerne o bem\u201d (Le\u00e3o XIV, <i>Magnifica humanitas, <\/i>n. 233).<\/p>\n<p>A pol\u00edtica da imagem que Deus tem \u00e9, na verdade, uma Teologia da Imagem. E, nela, somos \u201cimagem Dele\u201d, somos um cora\u00e7\u00e3o segundo o Seu Cora\u00e7\u00e3o Humano e Divino. O ser humano \u00e9 o seu cora\u00e7\u00e3o, \u201cverdade \u00edntima de cada pessoa\u201d (Papa Francisco, <i>Dilexit nos<\/i>, n. 6). \u201cEm \u00faltima an\u00e1lise, pode-se dizer que eu sou o meu cora\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me p\u00f5e em comunh\u00e3o com as outras pessoas. O algoritmo que atua no mundo digital mostra que os nossos pensamentos e as decis\u00f5es da nossa vontade s\u00e3o muito mais \u2018<i>standard<\/i>\u2019 do que pens\u00e1vamos. S\u00e3o facilmente previs\u00edveis e manipul\u00e1veis. N\u00e3o \u00e9 o caso do cora\u00e7\u00e3o\u201d (<i>Dilexit nos, <\/i>n. 14).<\/p>\n<p>A imagem humana que Deus v\u00ea \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano, t\u00e3o superior a qualquer dado limitador, que a Escritura encontra uma elucida\u00e7\u00e3o m\u00edstica sobre isso na express\u00e3o que diz: \u201co homem v\u00ea a imagem aparente, Deus v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o\u201d (1Sm 16,7). Ainda mais a intelig\u00eancia artificial \u2013 que \u00e9 produzida segundo \u00e0 nossa pr\u00f3pria imagem (\u201c<i>imago hominis<\/i>\u201d), a partir de aspectos limitados de nossa intelig\u00eancia humana \u2013 somente \u201cv\u00ea\u201d dados padronizados, estat\u00edsticas, probabilidades. Mas a Intelig\u00eancia Divina, por mais que nossos dados testemunhem contra n\u00f3s, Ela nos v\u00ea com outro olhar, com um olhar outro.<\/p>\n<p>Assim, para al\u00e9m de toda pol\u00edtica das imagens na dadosfera, n\u00e3o nos esque\u00e7amos do que verdadeiramente somos na Teologia das Imagens na Teosfera. Parafraseando o que est\u00e1 em Mt 10,31 e em Lc 12,7: V\u00f3s valeis mais do que muitos dados.<\/p>\n<p>(Prof. Dr. Elvis Rezende Messias &#8211; Fil\u00f3sofo, te\u00f3logo, doutor em Filosofia da Educa\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas ningu\u00e9m \u00e9 o que v\u00ea nem \u00e9 aquilo que os outros veem dela. Como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus numa das cartas enviada \u00e0 sua irm\u00e3 C\u00e9line Martin: \u201cEu sou aquilo que Deus pensa de mim\u201d. Vivemos na era das imagens das m\u00e1quinas artificiais. Dadosfera, infocracia, colonialidade algor\u00edtma, datacolonialismo, profilagem, pixel-vigil\u00e2ncia, pol\u00edticas da imagem, big brother pictol\u00f3gico, antropologia dos likes&#8230; S\u00e3o muitos os nomes que ilustram nosso contexto. N\u00e3o vou me estender com isso. Na era da intelig\u00eancia artificial, vivemos tamb\u00e9m a vis\u00e3o artificial. Voc\u00ea aponta o celular para seu pr\u00f3prio rosto, tira uma selfie, posta, curte a postagem de algu\u00e9m, acessa uma p\u00e1gina virtual, v\u00ea v\u00e1rias coisas&#8230; E \u00e9 \u201cvisto(a)\u201d pelo v\u00ea. Esse \u00e9 o grande \u201cparadoxo da vigil\u00e2ncia imag\u00e9tica\u201d que marca a nossa atualidade: \u201csomos vistos (supervisionados) a partir daquilo que vemos (as imagens que produzimos e os lugares em que estamos). Ou seja: os grandes olhos que nos monitoram veem pelos nossos olhos\u201d (Giselle Beiguelman, Pol\u00edticas da imagem: vigil\u00e2ncia e resist\u00eancia na dadosfera, p. 63). Assim, vai sendo criado um grande banco de dados (big data) sobre n\u00f3s em algum centro de processamento de dados (data center) por a\u00ed, que ningu\u00e9m sabe onde, quem o usa, para que usa, baseado em qu\u00ea, nem como esse conjunto de informa\u00e7\u00f5es virtuais \u00e9 interpretado. O que sabemos \u00e9 que uma imagem equivocada ou limitada de n\u00f3s \u00e9 produzida (data sense) e a m\u00e1quina artificial delimita um perfil de cada um(a), a partir do que n\u00f3s mesmos vemos. Voc\u00ea com certeza j\u00e1 se estranhou e teve a sensa\u00e7\u00e3o de estar sendo vigiado(a) quando come\u00e7am a aparecer em seu celular ou computador propagandas sobre algo do qual falou ou viu h\u00e1 poucos minutos. \u00c9 isso! Algum modelo de intelig\u00eancia artificial te rotula. Para ele, voc\u00ea \u00e9 o que voc\u00ea v\u00ea. Mas ningu\u00e9m \u00e9 o que v\u00ea nem \u00e9 aquilo que os outros veem dela. Como dizia Santa Teresinha do Menino Jesus numa das cartas enviada \u00e0 sua irm\u00e3 C\u00e9line Martin: \u201cEu sou aquilo que Deus pensa de mim\u201d. No \u201cdata sense\u201d de Deus, n\u00e3o somos somente o que vemos, o que clicamos, n\u00e3o somos reduzidos aos nossos likes, nada disso. O Cora\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 um \u201cbig data\u201d muito mais complexo e completo, infinitamente perfeito e amoroso, que nenhuma l\u00f3gica matem\u00e1tica de algoritmos computacionais \u00e9 capaz de compreender. Se no mundo das m\u00e1quinas e intelig\u00eancias artificiais o que vemos e clicamos geram dados que padronizam o que somos, determinando uma certa identidade algoritmizada nossa; se no mundo dos algoritmos somos vistos pelo que vemos, no Cora\u00e7\u00e3o, na Mente, na Intelig\u00eancia Divina, somos vistos pelo que somos. E no Seu \u201cdata sense\u201d, n\u00e3o somos padr\u00e3o algor\u00edtmico, mas pessoas profundamente amadas, criadas \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a (\u201cimago Dei\u201d). \u00c9 a\u00ed que est\u00e1 o tesouro de nossa magn\u00edfica humanidade. \u201cNenhum sistema de c\u00e1lculo, por mais sofisticado que seja, gera um cora\u00e7\u00e3o que se entrega ou uma consci\u00eancia que discerne o bem\u201d (Le\u00e3o XIV, Magnifica humanitas, n. 233). A pol\u00edtica da imagem que Deus tem \u00e9, na verdade, uma Teologia da Imagem. E, nela, somos \u201cimagem Dele\u201d, somos um cora\u00e7\u00e3o segundo o Seu Cora\u00e7\u00e3o Humano e Divino. O ser humano \u00e9 o seu cora\u00e7\u00e3o, \u201cverdade \u00edntima de cada pessoa\u201d (Papa Francisco, Dilexit nos, n. 6). \u201cEm \u00faltima an\u00e1lise, pode-se dizer que eu sou o meu cora\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me p\u00f5e em comunh\u00e3o com as outras pessoas. O algoritmo que atua no mundo digital mostra que os nossos pensamentos e as decis\u00f5es da nossa vontade s\u00e3o muito mais \u2018standard\u2019 do que pens\u00e1vamos. S\u00e3o facilmente previs\u00edveis e manipul\u00e1veis. N\u00e3o \u00e9 o caso do cora\u00e7\u00e3o\u201d (Dilexit nos, n. 14). A imagem humana que Deus v\u00ea \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o humano, t\u00e3o superior a qualquer dado limitador, que a Escritura encontra uma elucida\u00e7\u00e3o m\u00edstica sobre isso na express\u00e3o que diz: \u201co homem v\u00ea a imagem aparente, Deus v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o\u201d (1Sm 16,7). Ainda mais a intelig\u00eancia artificial \u2013 que \u00e9 produzida segundo \u00e0 nossa pr\u00f3pria imagem (\u201cimago hominis\u201d), a partir de aspectos limitados de nossa intelig\u00eancia humana \u2013 somente \u201cv\u00ea\u201d dados padronizados, estat\u00edsticas, probabilidades. Mas a Intelig\u00eancia Divina, por mais que nossos dados testemunhem contra n\u00f3s, Ela nos v\u00ea com outro olhar, com um olhar outro. Assim, para al\u00e9m de toda pol\u00edtica das imagens na dadosfera, n\u00e3o nos esque\u00e7amos do que verdadeiramente somos na Teologia das Imagens na Teosfera. Parafraseando o que est\u00e1 em Mt 10,31 e em Lc 12,7: V\u00f3s valeis mais do que muitos dados. (Prof. Dr. Elvis Rezende Messias &#8211; Fil\u00f3sofo, te\u00f3logo, doutor em Filosofia da Educa\u00e7\u00e3o) &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":32961,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"nf_dc_page":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[77],"tags":[],"class_list":["post-32960","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-ao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32960","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32960"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32960\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32960"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32960"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32960"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}