{"id":32981,"date":"2026-10-15T10:46:25","date_gmt":"2026-10-15T10:46:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32981"},"modified":"2026-10-15T10:47:12","modified_gmt":"2026-10-15T10:47:12","slug":"o-que-acaba-nao-tem-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/o-que-acaba-nao-tem-fim\/","title":{"rendered":"O que acaba n\u00e3o tem fim"},"content":{"rendered":"<p>Falamos pouco do que acaba. \u00c9 natural. \u00c9 muito mais bonito e simples falar do que come\u00e7a. \u00c9 mais agrad\u00e1vel rezar sobre o que se inicia, fazer planos de futuro e de novidade.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que a vida tamb\u00e9m nos constr\u00f3i (e se constr\u00f3i) com os seus fins. Com as partidas. Com o que se rompe sem ser anunciado. E faz sentido, talvez, refletir sobre a import\u00e2ncia do que, em n\u00f3s, vai terminando. Sobre o que deixa de nos servir, de fazer sentido; sobre o que nos encolhe ou obriga a caber em caixas n\u00e3o compat\u00edveis com a nossa grandeza de alma. E de esp\u00edrito.<\/p>\n<p>H\u00e1, no que se encerra, uma m\u00e1goa associada. Uma trag\u00e9dia pequena, mas forte, que nos assola sempre como se fosse a primeira vez. No entanto, h\u00e1 uma beleza no fim. No precip\u00edcio. Quando algo termina, surge uma promessa de infinito; surge um fio esguio de esperan\u00e7a que teimamos em colocar ao peito, mesmo que seja, apenas, vestido e usado por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Faz-me, tamb\u00e9m, sentido pensar sobre o avesso daquilo que acaba.<\/p>\n<p>Se analisarmos bem, o que acaba n\u00e3o tem fim. N\u00e3o acaba, realmente, uma vez que aconteceu. E o que acontece (seja breve ou prolongado) permanece sempre numa parte mais ou menos rec\u00f4ndita de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O que acaba nunca termina porque deixa os ecos do que foi. Do que ensinou. Do que nos mostrou sobre n\u00f3s. Do que j\u00e1 conhec\u00edamos e do que pass\u00e1mos a conhecer. Do novo e do velho.<\/p>\n<p>Talvez o fim traga in\u00fameros in\u00edcios premeditados.<\/p>\n<p>No fundo, nada pode come\u00e7ar sem antes uma outra parte (anterior) ter terminado.<\/p>\n<p>Assim, resta-nos aprender. Fazer o luto do que acaba. Sobra-nos, ainda, espa\u00e7o e tempo para o sil\u00eancio do que n\u00e3o compreendemos e do tanto que quer\u00edamos que tivesse sido diferente.<\/p>\n<p>Mas, a verdade \u00e9 que n\u00e3o foi.<\/p>\n<p>Quem sabe se, um dia, aquilo que parecia um fim definitivo n\u00e3o seria, simplesmente, uma paragem no caminho. Um abrandamento que depois nos levaria (ou levar\u00e1?) a um lugar mais bonito e melhor.<\/p>\n<p>No fim, encontraremos flores. Saibamos n\u00f3s reg\u00e1-las e (re)nascer com elas.<\/p>\n<p>(iMissio)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falamos pouco do que acaba. \u00c9 natural. \u00c9 muito mais bonito e simples falar do que come\u00e7a. \u00c9 mais agrad\u00e1vel rezar sobre o que se inicia, fazer planos de futuro e de novidade. Mas a verdade \u00e9 que a vida tamb\u00e9m nos constr\u00f3i (e se constr\u00f3i) com os seus fins. Com as partidas. Com o que se rompe sem ser anunciado. E faz sentido, talvez, refletir sobre a import\u00e2ncia do que, em n\u00f3s, vai terminando. Sobre o que deixa de nos servir, de fazer sentido; sobre o que nos encolhe ou obriga a caber em caixas n\u00e3o compat\u00edveis com a nossa grandeza de alma. E de esp\u00edrito. H\u00e1, no que se encerra, uma m\u00e1goa associada. Uma trag\u00e9dia pequena, mas forte, que nos assola sempre como se fosse a primeira vez. No entanto, h\u00e1 uma beleza no fim. No precip\u00edcio. Quando algo termina, surge uma promessa de infinito; surge um fio esguio de esperan\u00e7a que teimamos em colocar ao peito, mesmo que seja, apenas, vestido e usado por n\u00f3s. Faz-me, tamb\u00e9m, sentido pensar sobre o avesso daquilo que acaba. Se analisarmos bem, o que acaba n\u00e3o tem fim. N\u00e3o acaba, realmente, uma vez que aconteceu. E o que acontece (seja breve ou prolongado) permanece sempre numa parte mais ou menos rec\u00f4ndita de n\u00f3s. O que acaba nunca termina porque deixa os ecos do que foi. Do que ensinou. Do que nos mostrou sobre n\u00f3s. Do que j\u00e1 conhec\u00edamos e do que pass\u00e1mos a conhecer. Do novo e do velho. Talvez o fim traga in\u00fameros in\u00edcios premeditados. No fundo, nada pode come\u00e7ar sem antes uma outra parte (anterior) ter terminado. Assim, resta-nos aprender. Fazer o luto do que acaba. Sobra-nos, ainda, espa\u00e7o e tempo para o sil\u00eancio do que n\u00e3o compreendemos e do tanto que quer\u00edamos que tivesse sido diferente. Mas, a verdade \u00e9 que n\u00e3o foi. Quem sabe se, um dia, aquilo que parecia um fim definitivo n\u00e3o seria, simplesmente, uma paragem no caminho. Um abrandamento que depois nos levaria (ou levar\u00e1?) a um lugar mais bonito e melhor. No fim, encontraremos flores. Saibamos n\u00f3s reg\u00e1-las e (re)nascer com elas. 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