{"id":32991,"date":"2026-10-17T14:02:36","date_gmt":"2026-10-17T14:02:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/?p=32991"},"modified":"2026-10-17T14:02:36","modified_gmt":"2026-10-17T14:02:36","slug":"cem-anos-do-dia-mundial-das-missoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.paroquiaderamalde.pt\/wrdp\/cem-anos-do-dia-mundial-das-missoes\/","title":{"rendered":"Cem anos do Dia Mundial das Miss\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O Dia Mundial das Miss\u00f5es foi institu\u00eddo em 1926 pelo Papa Pio XI, que acolheu uma proposta da Obra para a Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9. O ato fundador \u00e9 um rescrito da Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o dos Ritos, de 14 de abril desse ano, assinado pelo cardeal Vicco. Pio XI fixou o pen\u00faltimo domingo de outubro como dia de ora\u00e7\u00e3o e de recolha de ofertas para as miss\u00f5es, a celebrar em todas as dioceses, par\u00f3quias e institutos do mundo cat\u00f3lico. Assim se tem mantido desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito deste dia remonta a sete anos antes, quando Bento XV publicou a carta apost\u00f3lica <em>Maximum illud (30 de Novembro de 1919)<\/em>. A Primeira Guerra tinha deixado territ\u00f3rios de miss\u00e3o sem mission\u00e1rios, muitos presos, outros expulsos. O Papa criticou os mission\u00e1rios que se ocupavam mais de alargar a influ\u00eancia da sua p\u00e1tria do que as fronteiras do Reino de Deus, e insistiu na forma\u00e7\u00e3o de clero local: \u00abEm na\u00e7\u00e3o alguma e em povo nenhum ela \u00e9 estrangeira\u00bb, escreveu da Igreja. O missi\u00f3logo Jos\u00e9 Antunes da Silva, da Congrega\u00e7\u00e3o do Verbo Divino, considera que este texto representou uma viragem eclesiol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A ideia de miss\u00e3o alargou-se nas d\u00e9cadas seguintes. O Conc\u00edlio Vaticano II, no decreto <em>Ad gentes<\/em>, afirmou que a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por natureza, e com isso a miss\u00e3o deixou de ser uma atividade entre outras para passar a ser a identidade da Igreja. A primeira mensagem de um Papa para este dia apareceu em 1963, escrita por Paulo VI, que viria a ligar a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o humana, com uma frase que ficou: \u00abonde chega o Evangelho, chega igualmente a caridade\u00bb. Jo\u00e3o Paulo II, na <em>Redemptoris missio<\/em>, acentua a frase e pensamento de Paulo VI na <em>Evangelii Nuntiandi<\/em>, de 8 Dezembro 1975, n. 41: \u00abO homem contempor\u00e2neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou ent\u00e3o se escuta os mestres, \u00e9 porque eles s\u00e3o testemunhas\u00bb. Bento XVI avisou que uma miss\u00e3o sem caridade se arrisca a passar por filantropia. Francisco pediu uma Igreja em sa\u00edda e chamou disc\u00edpulo mission\u00e1rio a cada batizado.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, uns pa\u00edses enviavam mission\u00e1rios e outros recebiam-nos. Hoje todos enviam e todos recebem. Portugal, que foi das grandes pot\u00eancias de envio, conta agora com sacerdotes e religiosos vindos de v\u00e1rias partes do mundo, alguns deles de comunidades que mission\u00e1rios portugueses ajudaram a fundar. Bento XVI chamou a isto um providencial interc\u00e2mbio de dons.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa escreve, na sua mensagem do passado dia 1 de outubro relativa a esta efem\u00e9ride: \u00abPortugal \u00e9 tamb\u00e9m, hoje, terra de miss\u00e3o\u00bb. Os bispos lembram que a miss\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se mede em dist\u00e2ncias: passa pelas escolas, pelos locais de trabalho e por quem se afastou da f\u00e9. Pedem \u00e0s comunidades que se interroguem sobre quem est\u00e1 hoje \u00e0 espera de que lhe anunciem Jesus Cristo. Agradecem aos mission\u00e1rios <em>portugueses<\/em> espalhados pelo mundo e recordam os que deram a vida pela miss\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>\u00abUm em Cristo, unidos na miss\u00e3o\u00bb<\/strong><\/h4>\n<p>\u00c9 o tema escolhido pelo Papa Le\u00e3o XIV para este centen\u00e1rio, pr\u00f3ximo do lema que adotou quando foi ordenado bispo, <em>In Illo uno unum (<\/em><em>\u201c<\/em><em>Em um s\u00f3 Cristo somos um\u201d), <\/em>tirado de um serm\u00e3o de Santo Agostinho sobre o Salmo 127. O nosso Papa come\u00e7a por salientar a unidade entre os crist\u00e3os e chama-lhe <strong>a primeira responsabilidade mission\u00e1ria da Igreja<\/strong>. A unidade dos disc\u00edpulos est\u00e1 orientada para a miss\u00e3o, escreve, citando S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00abpara que o mundo creia\u00bb. Pede por isso que as comunidades acolham a diversidade como riqueza.<\/p>\n<p>Le\u00e3o XIV deixa ainda um apelo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao apoio concreto \u00e0s miss\u00f5es, que ser\u00e3o uma grande ajuda para levar o Evangelho aos mais pobres, e pede \u00e0 Igreja que renove o fogo da voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e entre com coragem numa nova era mission\u00e1ria.<\/p>\n<h4><strong>\u00ab\u00c9 a miss\u00e3o que nos move\u00bb<\/strong><\/h4>\n<p>Na Diocese do Porto, o centen\u00e1rio coincide com o arranque do S\u00ednodo diocesano 2026-2028. A carta pastoral que o convoca, <em>Ser Porto: Formar, Reformar, Transformar<\/em>, assinada por D. Manuel Linda e pelos bispos auxiliares, tem por divisa \u00ab<em>\u00c9 a miss\u00e3o que nos move<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>A divisa estabelece uma ordem. Primeiro vem o desejo de que o Evangelho chegue a mais gente, e s\u00f3 depois formar, reformar e transformar: formar quem anuncia, renovar o que j\u00e1 existe, deixar que o encontro com Cristo mude pessoas e <em>comunidades<\/em>. Francisco escrevera algo pr\u00f3ximo na <em>Evangelii gaudium<\/em>, quando sonhava com uma op\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria capaz de mexer nos costumes, nos hor\u00e1rios e na linguagem da Igreja, pondo tudo ao servi\u00e7o da evangeliza\u00e7\u00e3o muito para l\u00e1 de autoconserva\u00e7\u00e3o: uma renova\u00e7\u00e3o eclesial inadi\u00e1vel (<em>cf.Ev. G., 27<\/em>).<\/p>\n<p>Este nosso Outubro de 2026 \u00e9 um trecho desse caminho. A semana de ora\u00e7\u00e3o, as vig\u00edlias, os testemunhos de quem regressou e o ofert\u00f3rio do domingo, 18 outubro, Dia Mundial das Miss\u00f5es, d\u00e3o-lhe rosto.<\/p>\n<p><em>(inf: Secretariado Diocesano das Miss\u00f5es do Porto)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia Mundial das Miss\u00f5es foi institu\u00eddo em 1926 pelo Papa Pio XI, que acolheu uma proposta da Obra para a Propaga\u00e7\u00e3o da F\u00e9. O ato fundador \u00e9 um rescrito da Sagrada Congrega\u00e7\u00e3o dos Ritos, de 14 de abril desse ano, assinado pelo cardeal Vicco. Pio XI fixou o pen\u00faltimo domingo de outubro como dia de ora\u00e7\u00e3o e de recolha de ofertas para as miss\u00f5es, a celebrar em todas as dioceses, par\u00f3quias e institutos do mundo cat\u00f3lico. Assim se tem mantido desde ent\u00e3o. O esp\u00edrito deste dia remonta a sete anos antes, quando Bento XV publicou a carta apost\u00f3lica Maximum illud (30 de Novembro de 1919). A Primeira Guerra tinha deixado territ\u00f3rios de miss\u00e3o sem mission\u00e1rios, muitos presos, outros expulsos. O Papa criticou os mission\u00e1rios que se ocupavam mais de alargar a influ\u00eancia da sua p\u00e1tria do que as fronteiras do Reino de Deus, e insistiu na forma\u00e7\u00e3o de clero local: \u00abEm na\u00e7\u00e3o alguma e em povo nenhum ela \u00e9 estrangeira\u00bb, escreveu da Igreja. O missi\u00f3logo Jos\u00e9 Antunes da Silva, da Congrega\u00e7\u00e3o do Verbo Divino, considera que este texto representou uma viragem eclesiol\u00f3gica. A ideia de miss\u00e3o alargou-se nas d\u00e9cadas seguintes. O Conc\u00edlio Vaticano II, no decreto Ad gentes, afirmou que a Igreja \u00e9 mission\u00e1ria por natureza, e com isso a miss\u00e3o deixou de ser uma atividade entre outras para passar a ser a identidade da Igreja. A primeira mensagem de um Papa para este dia apareceu em 1963, escrita por Paulo VI, que viria a ligar a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o humana, com uma frase que ficou: \u00abonde chega o Evangelho, chega igualmente a caridade\u00bb. Jo\u00e3o Paulo II, na Redemptoris missio, acentua a frase e pensamento de Paulo VI na Evangelii Nuntiandi, de 8 Dezembro 1975, n. 41: \u00abO homem contempor\u00e2neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou ent\u00e3o se escuta os mestres, \u00e9 porque eles s\u00e3o testemunhas\u00bb. Bento XVI avisou que uma miss\u00e3o sem caridade se arrisca a passar por filantropia. Francisco pediu uma Igreja em sa\u00edda e chamou disc\u00edpulo mission\u00e1rio a cada batizado. Durante d\u00e9cadas, uns pa\u00edses enviavam mission\u00e1rios e outros recebiam-nos. Hoje todos enviam e todos recebem. Portugal, que foi das grandes pot\u00eancias de envio, conta agora com sacerdotes e religiosos vindos de v\u00e1rias partes do mundo, alguns deles de comunidades que mission\u00e1rios portugueses ajudaram a fundar. Bento XVI chamou a isto um providencial interc\u00e2mbio de dons. \u00c9 neste contexto que a Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa escreve, na sua mensagem do passado dia 1 de outubro relativa a esta efem\u00e9ride: \u00abPortugal \u00e9 tamb\u00e9m, hoje, terra de miss\u00e3o\u00bb. Os bispos lembram que a miss\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se mede em dist\u00e2ncias: passa pelas escolas, pelos locais de trabalho e por quem se afastou da f\u00e9. Pedem \u00e0s comunidades que se interroguem sobre quem est\u00e1 hoje \u00e0 espera de que lhe anunciem Jesus Cristo. Agradecem aos mission\u00e1rios portugueses espalhados pelo mundo e recordam os que deram a vida pela miss\u00e3o. \u00abUm em Cristo, unidos na miss\u00e3o\u00bb \u00c9 o tema escolhido pelo Papa Le\u00e3o XIV para este centen\u00e1rio, pr\u00f3ximo do lema que adotou quando foi ordenado bispo, In Illo uno unum (\u201cEm um s\u00f3 Cristo somos um\u201d), tirado de um serm\u00e3o de Santo Agostinho sobre o Salmo 127. O nosso Papa come\u00e7a por salientar a unidade entre os crist\u00e3os e chama-lhe a primeira responsabilidade mission\u00e1ria da Igreja. A unidade dos disc\u00edpulos est\u00e1 orientada para a miss\u00e3o, escreve, citando S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00abpara que o mundo creia\u00bb. Pede por isso que as comunidades acolham a diversidade como riqueza. Le\u00e3o XIV deixa ainda um apelo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao apoio concreto \u00e0s miss\u00f5es, que ser\u00e3o uma grande ajuda para levar o Evangelho aos mais pobres, e pede \u00e0 Igreja que renove o fogo da voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria e entre com coragem numa nova era mission\u00e1ria. \u00ab\u00c9 a miss\u00e3o que nos move\u00bb Na Diocese do Porto, o centen\u00e1rio coincide com o arranque do S\u00ednodo diocesano 2026-2028. A carta pastoral que o convoca, Ser Porto: Formar, Reformar, Transformar, assinada por D. Manuel Linda e pelos bispos auxiliares, tem por divisa \u00ab\u00c9 a miss\u00e3o que nos move\u00bb. A divisa estabelece uma ordem. Primeiro vem o desejo de que o Evangelho chegue a mais gente, e s\u00f3 depois formar, reformar e transformar: formar quem anuncia, renovar o que j\u00e1 existe, deixar que o encontro com Cristo mude pessoas e comunidades. 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