IV Domingo do Advento

Depois de três semanas de preparação para o Natal, celebração que acontecerá dentro de poucos dias, chegamos ao IV Domingo do Advento. A Palavra de Deus deste Domingo fala-nos de Maria, a jovem simples e humilde que pelo seu “sim” incondicional se tornou participante do Mistério da Encarnação do Filho de Deus, Aquele que veio viver no meio de nós com a missão de concretizar as promessas de libertação e salvação que, ao longo dos tempos e de diversas maneiras, foram feitas por Deus. I LEITURA (Miq 5,1-4) Num tempo em que o povo vivia uma situação difícil devido à ameaça de invasão da sua terra pelos assírios, a qual trará destruição e sofrimento, o profeta Miqueias transmite uma mensagem de esperança. Ele anuncia que após a destruição acontecerá um novo futuro, o qual será realizado por meio de um descendente de David, nascido na pequena cidade de Belém, que reunirá o Povo de Deus, será o seu Pastor e construirá um tempo de segurança e de paz. Toda a sua acção será realizada em nome do Senhor, que fará dele um Rei, que será fonte de paz, e cujo reinado não será construído à maneira dos reinos temporais, mas de acordo com o projecto de Deus. Esta profecia messiânica cumpre-se em Jesus Cristo, o verdadeiro Pastor, que veio com a missão de reunir e conduzir todas as ovelhas e com elas construir um reino de amor, justiça e paz. II LEITURA (Heb 10,5-10) A segunda Leitura, uma passagem da carta aos Hebreus, diz-nos que Jesus Cristo veio para cumprir a missão que Deus lhe confiou, submetendo-se totalmente à Sua vontade. Para cumprir essa missão Ele assumiu a condição humana e, em lugar de oferecer os habituais holocaustos e sacrifícios para expiação dos pecados, ofereceu o seu próprio corpo para santificar a vida de todos – “… nós fomos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo…”. Este texto convida-nos a reflectir sobre o incomensurável amor que Deus tem por cada um de nós, manifestado no seu próprio Filho, que foi enviado para nos conduzir à comunhão com Ele, e ensina-nos que seguindo o exemplo de Jesus Cristo, a obediência à vontade do Pai, estaremos mais próximos de Deus e disponíveis para O acolher em nossos corações. EVANGELHO (Lc 1,39-47) O Evangelho relata-nos o encontro de Maria, mãe de Jesus, com a sua prima Isabel, mãe de João Baptista, episódio habitualmente designado pela Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel. Maria, depois de ter conhecimento que a sua prima Isabel concebeu um filho e já estava no sexto mês, foi ao seu encontro. Depois de saudar a prima com “Shalom” (paz), saudação frequentemente utilizada entre os hebreus, João Baptista exultou de alegria no seio de Isabel. Em resposta à saudação, Isabel que, por acção do Espírito Santo, reconheceu que Maria era portadora d’Aquele que iria dar cumprimento às promessas de Salvação anunciadas pelos profetas, afirmou: “bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre”. E finalizando a sua resposta, Isabel proclama Maria como a “Bem-aventurada”, porque “acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor”, ou seja, Maria é feliz porque confiou plenamente em Deus e na sua Palavra, apesar de todas as dúvidas e das dificuldades que teria de enfrentar. Maria preocupou-se com a sua prima e, por isso, vai ao seu encontro, mesmo sabendo que a viagem seria difícil e penosa. Ela decide pôr-se apressadamente a caminho para poder estar ao lado de alguém que necessitava de ajuda e partilhar a alegria que sentia pela presença do próprio Deus em si. Nestes últimos dias de preparação para a comemoração do Natal do Senhor, somos convidados a seguir o exemplo de Maria: confiar plenamente em Deus e na sua Palavra; sair do nosso comodismo e ir ao encontro daqueles que necessitam da nossa presença e da nossa ajuda, colocando-nos humildemente ao seu serviço; transmitir a alegria que brota do encontro com Jesus, o Emanuel, Deus connosco. IV DOMINGO DO ADVENTO  

Eucaristia para a comunidade Polaca

Convida-se a comunidade Polaca residente no Porto a participar na celebração de uma Eucaristia, que terá lugar na Igreja da Paróquia de S. Salvador de Ramalde, na Quinta-Feira, dia 26, às 16H30. 

Partilha da Luz da Paz de Belém

Em todas as Eucaristias do próximo fim de semana, o grupo dos Escuteiros irá partilhar a Luz da Paz de Belém, recolhida na Gruta da Natividade, em Belém, para ser distribuída pelo mundo.    Este símbolo de Esperança e de Paz é um convite às comunidades cristãs a unirem-se em oração pela paz e a participarem na construção de um mundo mais solidário e fraterno. A Luz da Paz de Belém nasceu de uma iniciativa conjunta de um canal público de televisão austríaca com os Escuteiros da Áustria. Este símbolo é recolhido todos os anos, desde 1989, na Gruta da Natividade, em Belém, e distribuído a toda a Europa a partir da cidade de Linz, com a colaboração dos Escuteiros dos vários países, que, por sua vez, o fazem chegar às diversas Paróquias.

A mulher na Igreja

A mulher na Igreja Se a verdade é mulher, não teremos razões para suspeitar que todos os filósofos, na medida em que foram dogmáticos, pouco entenderam de mulheres?” É com estas palavras que Nietzsche inicia a sua obra Para Além do Bem e do Mal, escrita em Sils-Maria, 1885. Esta afirmação aplica-se não só aos filósofos, mas também aos teólogos, e, em geral, infelizmente, aos dirigentes, por princípio homens, da Igreja Católica. Embora se não excluam traços maternos em Deus, a Bíblia chama a Deus Pai e não Mãe. Em primeiro lugar, porque se vivia numa sociedade patriarcal, e, depois, porque era necessário evitar toda uma linguagem que lembrasse as deusas pagãs da fertilidade… É claro que Deus não é sexuado; portanto, chamar-lhe Pai é uma metáfora. Assim, tanto poderíamos dirigir-nos a ele como a ela, isto é, tanto poderemos chamar-lhe Pai como Mãe. E acrescento mesmo: o Deus que Jesus anunciou é o Deus bom e os cristãos deveriam dirigir-se-lhe sempre como Pai e Mãe (Pai/Mãe) – veja-se o famoso quadro de Rembrandt “O Regresso do Filho Pródigo” e repare-se nas mãos do Pai… No Credo cristão, referimo-nos a Deus como Pai omnipotente criador do céu e da terra. Não dizemos: Mãe omnipotente. Isso está também vinculado à concepção da biologia grega, concretamente aristotélica, que, no acto da geração, atribuía toda a actividade ao sémen masculino. Portanto, a mulher era considerada essencialmente passiva. Não se esqueça que o óvulo feminino só em 1827 foi descoberto. Por isso, Santo Tomás de Aquino, na sequência de Aristóteles dirá expressamente que “a mulher é algo de falhado”: de facto, de si, a força activa do sémen está orientada para gerar uma realidade plenamente semelhante, portanto, do sexo masculino; a geração do feminino acontece devido a uma fraqueza. Daqui concluirá que por natureza a mulher é subordinada ao homem, que os filhos devem amar mais o pai do que a mãe, que o sacerdócio está vedado às mulheres, que as mulheres não podem pregar, pois a pregação é um exercício de sabedoria e autoridade, etc… Estas e outras razões, como, por exemplo, influências gnósticas e o celibato obrigatório dos padres, contribuíram para que a Igreja Católica se tornasse altamente hierarquizada e masculinizada, patriarcal. Note-se como a própria língua, que é sedimentação e forma de um mundo, está, no referente à autoridade, estruturada de modo machista: basta pensar que, se já não nos causa hoje dificuldade ouvir falar em ministra, por exemplo, ainda constitui autêntica agressão dizer, por exemplo, uma bispa… E que nome dar a uma católica feita cardeal?!… As mulheres têm toda a razão quando criticam a Igreja oficial, pois ela discrimina-as de modo indigno. Mas têm obrigação de ser amigas de Jesus, pois ele não só não as discriminou como as defendeu sempre. Pense-se – só exemplos – na samaritana, na adúltera…; pense-se sobretudo em Maria Madalena, a primeira a fazer a experiência avassaladora de fé de que Jesus, o crucificado, ressuscitou, está vivo em Deus para sempre; ela reuniu de novo os discípulos, que tinham fugido, de tal modo que até Santo Tomás a chamou a “Apóstola dos Apóstolos”… Constitui, pois, uma amarga desilusão que o Sínodo que terminou em Outubro com a aprovação do Papa mantenha as portas fechadas à possibilidade da ordenação das mulheres. Contra o Evangelho e os direitos humanos, continua o “clericalismo” que Francisco tanto diz ser “a peste” da Igreja. (Pe, Anselmo Borges in Diário Notícias)

III Domingo do Advento

No III Domingo do Advento, conhecido como “Domingo da Alegria”, a Palavra de Deus convida-nos a manifestar a nossa alegria, pelo facto de estar cada vez mais próxima a celebração da vinda de Jesus, Aquele que é a presença libertadora e salvadora de Deus no meio dos homens. A alegria a que somos convidados não se resume a uma manifestação exterior, mas a uma verdadeira alegria no Senhor, a qual resulta do facto de acreditarmos na presença salvadora de Deus no meio de nós e que, renovados continuamente pelo seu amor, caminhamos com Ele no sentido de alcançarmos a salvação. I LEITURA (Sof 3,14-18) A primeira Leitura, constituída por uma passagem da Profecia de Sofonias, situa-se numa época em que as práticas idolátricas seguidas por vários reis levaram a que se instalasse a injustiça e a corrupção em todos os sectores da vida política, social e religiosa. Entretanto, influenciado por esta situação, o Povo de Israel abandonou o seu Deus e o compromisso de fidelidade à Aliança. É neste contexto que o profeta, depois de ter anunciado um castigo divino com a intenção de chamar o Povo à conversão, muda o seu discurso e dirige-se agora ao Povo exortando-o à alegria – “Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém”- porque o Senhor revogou a sentença que o condenava e está agora no seu meio para o reconduzir no caminho que o levará à salvação, demonstrando assim a sua misericórdia e o seu amor. Hoje, também nós somos convidados à conversão e a viver com alegria, pois o nosso Deus está no meio de nós para nos perdoar e salvar, porque nos ama, independentemente das nossas infidelidades. II LEITURA (Filip 4,4-7) Na segunda Leitura, S. Paulo convida os Filipenses à Alegria – “Alegrai-vos sempre no Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos”, porque “O Senhor está próximo”. Paulo, que se encontrava preso devido ao anúncio do Evangelho, escreve à comunidade de Filipos para agradecer a ajuda fraterna, desejar que a bondade dos Filipenses seja conhecida por todos (melhor forma de dar testemunho do Evangelho), recomendar que vivam tranquilos, sem inquietações e que, em quaisquer circunstâncias, apresentem os seus pedidos a Deus, ou seja, dialoguem com Ele através de orações, súplicas e acção de graças. Com este texto, S. Paulo transmite-nos que a nossa bondade e o nosso diálogo com Deus, através do qual agradecemos os dons recebidos e apresentamos os nossos problemas, dificuldades e o reconhecimento pelas nossas infidelidades, são o caminho que nos leva a viver na alegria do Senhor. EVANGELHO (Lc 3,10-18) Em continuação do relato da pregação de João Baptista de um baptismo de penitência para remissão dos pecados, o Evangelho deste Domingo, narra-nos as respostas dadas por João aos que o procuraram para serem baptizados. Perante a mesma pergunta colocada pelo povo em geral, os publicanos e os soldados – “Que devemos fazer?”-, João recomenda ao povo a solidariedade e a partilha com os mais necessitados – “Quem tem duas túnicas (…)reparta”-, aos publicanos que sejam honestos, justos e que não explorem – “Não exijais nada (…) prescrito”-  e aos soldados que não pratiquem a violência, não abusem do poder e se contentem com o seu salário- “Não pratiqueis violência (…) e contentai-vos com o vosso soldo”-. Embora as atitudes recomendadas sejam diferentes, todas elas têm em comum a mensagem implícita de que a verdadeira conversão não passa simplesmente por uma atitude interior, mas exige gestos que expressem uma evidente mudança de vida. E para desfazer quaisquer dúvidas em relação à sua pessoa, João anuncia a vinda do Messias, que irá baptizar no Espirito Santo e no fogo, um baptismo que não será apenas um convite à conversão, mas que nos torna portadores de uma vida nova em Cristo. Os comportamentos concretos recomendados por João aplicam-se a todos aqueles que, em todos os tempos, são capazes de colocar a mesma questão: “Que devo fazer?” De facto, João indica o que devemos fazer, qual o sentido que devemos dar à nossa vida, para que aconteça em nós a verdadeira conversão. E esta só sucede quando escolhemos o caminho do amor, da fraternidade, da solidariedade, da partilha, da justiça e da paz, únicas vias que nos levam a preparar devidamente a vinda de Jesus e a acolher plenamente Aquele que é a fonte da verdadeira alegria. III DOMINGO DO ADVENTO