Noite de fados

Numa iniciativa do grupo “Move-te”, realiza-se na Sexta-Feira, dia 13, às 21H30, na cave do Centro Paroquial, uma noite de fados, que terá a participação de:

Viver é nascer aos poucos

Somos todos frágeis, porque todos temos limites, e não há nada de errado ou mau nisso. A fragilidade é muitas vezes confundida com ausência de valor. Mas o que é frágil não é fraco. Fraqueza é falta de qualidade. E todos atingimos, em muitos momentos das nossas vidas, os confins das nossas forças, talentos e possibilidades. Não por sermos fracos, mas por sermos humanos. Nessas alturas não estamos a falhar. Estamos a passar por um mau bocado, pelo que precisamos e merecemos a compaixão dos outros, não a sua condenação ou abandono. Muitas pessoas são acompanhadas apenas pela solidão, que lhes tenta abortar os sonhos. A solidão é um perigo. Tanto nos pode amassar até ficarmos dóceis, quanto nos pode magoar ao ponto de nos petrificar o coração. Umas vezes coroa-nos, outras crucifica-nos. Precisamos de nos abrir ao outro, ir à procura de nós e, ainda que nada encontremos, não desesperar, porque o que nos salva é dar um passo, outro e outro ainda, sem deixar de nos darmos à luz e de nos abrirmos à luz. Que cada dia me leve ao seguinte. Com esperança, fé e amor. O amor está sempre a nascer, e não para morrer, mas sim para viver e fazer viver. Nada nasce do nada. A felicidade é um equilíbrio em que se tem os pés bem assentes na terra e o coração no alto dos céus. Hoje, nascemos outra vez. Aceitemo-nos e cuidemos bem de nós, como recém-nascidos: frágeis, mas com valor infinito! (© iMissio)

Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

Embora os domingos do Advento tenham precedência sobre as festas do calendário litúrgico, a solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, pelo seu significado em Portugal, será celebrada no dia próprio, 8 de Dezembro, alteração requerida e obtida pela Comissão Episcopal de Liturgia junto da Congregação do Culto Divino. Celebrar neste dia Aquela que foi escolhida para acolher no seu ventre o Filho de Deus, Jesus Cristo, não significa fazer uma interrupção na celebração do Advento, uma vez que Maria é uma das figuras da liturgia deste tempo que nos acompanha na caminhada de preparação para o Natal do Senhor. O dogma da Imaculada Conceição fundamenta-se no facto de a Igreja reconhecer que Maria, desde o primeiro momento da sua existência, foi preservada de toda a mancha de pecado, um privilégio concedido por Deus por causa de seu Filho. Este dogma mariano foi declarado pelo Papa Pio IX, em 8 de Dezembro de 1854, pela bula “INEFFABILIS DEUS”: “A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.” Apesar de a definição do dogma ter acontecido somente no século XIX, a devoção a Nossa Senhora é muito antiga. Exemplo concreto desta devoção é o do povo Português que sempre teve pela Imaculada Conceição uma especial veneração. Na sequência do sentimento manifestado pela generalidade dos Portugueses, D. João IV, no ano de 1646, em Vila Viçosa, proclamou Nossa Senhora da Conceição Rainha e Padroeira de Portugal e, desde esse dia, mais nenhum rei Português usou a coroa na cabeça, prerrogativa que passou a ser unicamente da Imaculada Conceição. Sem dúvida, os Portugueses, particularmente os cristãos, devem sentir-se orgulhosos e agradecidos pela graça de terem a Mãe de Deus e nossa Mãe como Rainha e Padroeira de Portugal. A Palavra de Deus desta solenidade tem como tema central Maria de Nazaré. “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra” – Foi assim, de forma simples e humilde, que Maria se disponibilizou para acolher a vontade de Deus e aceitar incondicionalmente ser a Mãe de Jesus Cristo. É o acolhimento e a aceitação de Maria, demonstrativos da sua grande fé, que vai permitir a Deus, pela acção do Espírito Santo, realizar nela o Mistério da Encarnação, a vinda do Filho de Deus ao mundo, com a missão de dar continuidade ao desígnio salvífico de Deus para toda a humanidade. Maria é o exemplo perfeito da fé, pelo qual todos os crentes devem orientar a sua vida cristã; Ela ensina-nos a estar sempre disponíveis para acolher Deus nos nossos corações e a responder-Lhe, em cada momento e sem hesitação, com o nosso “sim” aos planos que tem para cada um de nós. Peçamos a Maria, nossa Mãe, que interceda junto de Deus por todos os seus filhos e, neste tempo de Advento, os ajude a preparar devidamente a celebração do Mistério da Encarnação de seu Filho, Jesus Cristo. IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA    

Ano Santo 2025: peregrinos de esperança

Por Secretariado Diocesano da Liturgia Está prestes a começar o Jubileu do ano 2025. Se considerarmos o que pode e deve ser este tempo de graça na vida da Igreja – universal, particular, local – e na caminhada dos cristãos em Igreja, forçoso é reconhecer que andamos algo distraídos, surdos ou indiferentes a esta mobilização geral. De facto, têm sido tantos os «anos especiais» – da Eucaristia, Paulino, da Fé, da misericórdia… – que nem o ressoar da trombeta bíblica do yobel a anunciar o ano da graça e da redenção nos desperta… Em 11 de fevereiro de 2022, em carta ao presidente do então Conselho Pontifício para a nova evangelização (hoje Dicastério para a evangelização), o Papa Francisco pôs em marcha a sua preparação, lançando o lema que o deveria animar: «peregrinos de esperança». Propunha que a dimensão espiritual do Jubileu, que convida à conversão, se articulasse com uma atenção social solidária e com uma urgente preocupação ecológica. Já então convidou a dedicar o ano anterior ao evento jubilar – este, de 2024, que está a chegar ao seu termo – a uma grande “sinfonia” de oração «para recuperar o desejo de estar na presença do Senhor, escutá-Lo e adorá-Lo». Segundo a praxe secular, cada jubileu é proclamado através da publicação de uma bula pontifícia, um documento autenticado com o selo papal que outrora era feito de chumbo trazendo numa face a efígie dos Apóstolos Pedro e Paulo e no verso o nome do Pontífice. A “bula” era esse selo metálico, em forma de bola. No caso presente, a “bula” foi promulgada em 9 de maio do corrente ano de 2024 e tem como primeiras palavras, que lhe servem também de título, a frase de Rm 5, 5: «Spes non confundit» (a esperança não engana). O grande voto é o de que «o Jubileu seja, para todos, ocasião de reanimar a esperança» (n. 1). Recomendamos a leitura deste texto fundamental. Nele se determina que o ano jubilar será inaugurado com a abertura da porta santa da basílica de São Pedro, no Vaticano, em 24 de dezembro p.f.. As portas santas das outras 3 basílicas papais (a catedral – S. João de Latrão –, Santa Maria Maior e São Paulo fora de muros) serão abertas a 28 de dezembro, 1 e 5 de janeiro, respetivamente. Embora mantendo e enriquecendo o sentido da peregrinação e da “romagem”, o “ano santo” não restringe a Roma a possibilidade de viver esta extraordinária experiência de graça. Como já acontecera em anteriores jubileus – e ainda está vivo na memória o grande jubileu do ano 2000 – também nas Igrejas particulares se poderá fazer a experiência jubilar. Assim, na Bula de proclamação, o Papa determina  que, no domingo 29 de dezembro do corrente ano, em todas as catedrais e concatedrais – e só nessas igrejas – se celebra a abertura solene do Jubileu. Nas Igrejas particulares do mundo católico, o encerramento do ano santo ocorrerá em 28 de dezembro de 2025, no mesmo dia em que serão também encerradas em Roma as «portas santas» das basílicas Lateranense, Santa Maria Maior e São Paulo. O Jubileu Ordinário terminará com o encerramento da Porta Santa da Basílica Papal de São Pedro, no Vaticano, na dia 6 de janeiro de 2026, solenidade da Epifania do Senhor. O Secretariado Nacional de Liturgia publicou um subsídio com os textos litúrgicos e as normas para a concessão da indulgência jubilar. Para a celebração da abertura do ano jubilar nas Igrejas particulares são dadas orientações. Esta celebração apenas se pode realizar nas Igrejas catedrais ou concatedrais, sendo excluída a possibilidade de celebração noutras igrejas, mesmo importantes como santuários. A celebração configura-se como uma “Missa estacional”, nos termos do Cerimonial dos Bispos. Estão previstas 3 etapas: 1) reunião do Povo de Deus numa outra igreja para os ritos de introdução; 2) peregrinação/procissão dessa igreja para a catedral; c) celebração eucarística na catedral. Na Diocese do Porto prevê-se que tenha lugar na Igreja de Santo Ildefonso a collectio ou reunião do Povo de Deus. Após os ritos de introdução, com a proclamação do Evangelho e a leitura de algumas passagens da Bula Papal de proclamação, formar-se-á a procissão com destaque para uma cruz significativa que a abrirá e depois ficará colocada no presbitério da Catedral, perto do altar, durante todo o ano santo. Esta cruz estará também em destaque nos ritos iniciais da Eucaristia na Catedral, começando esta celebração com a bênção e aspersão da água, memória viva do Batismo.

Tempo roubado: o que podemos fazer?

A esperança é algo pelo qual sentimos um desejo profundo, intenso. Sentimos saudade. É assim o tempo de Advento, que acaba de iniciar. Ele que ajuda cada um de nós a preparar-se para o Natal, é enriquecido com uma motivação diferente, digamos que extra, que faz deste tempo uma oportunidade para viver um verdadeiro itinerário espiritual. Este ano temos o convite que o Papa Francisco dirigiu aos fiéis e a todos os homens de boa vontade em vista do grande Jubileu de 2025, que terá início na véspera de Natal: Peregrinos da Esperança. A peregrinação, em particular a Roma, é uma dimensão fundamental do Jubileu e convida todos a iniciarem o caminho. É o convite a sermos homens e mulheres de esperança, por isso, a caminhar para um outro horizonte, um horizonte mais elevado. A meter-se a caminho, a falar de esperança, a não ceder ao desânimo. Um tempo de esperança em que podemos mais uma vez deixar-nos iluminar pelas antigas profecias messiânicas que, antes do nascimento de Cristo, alimentaram a confiança no povo de Israel. Ainda hoje Deus não se esqueceu de nós, mas continua a mostrar-nos os sinais da sua presença e da sua solicitude. Como? Em primeiro lugar, dando-nos diariamente a sua Palavra que conforta os nossos corações e os abre à esperança. Depois, com tantos gestos e tantas vidas doadas. O Advento é o tempo de olhar com novos olhos a história que vivemos e captar a ação de Deus. O problema é que vivemos com muita pressa! Pressa para chegar não sei onde… Ao projetarmo-nos num depois que ainda não existe, ficamos impedidos de desfrutar o momento presente e de nos envolvermos com seriedade e cuidado nas nossas atividades quotidianas, livres das preocupações do amanhã e da ansiedade do futuro. Estamos sempre com tanta pressa que somos incapazes de nos dar algo que nos faça bem e que nos ajuda a recuperar aquelas dimensões livres da existência que hoje se assemelham a miragens intangíveis. Educarmo-nos para acalmar e esperar é um dos desafios mais urgentes a enfrentar hoje para não sermos esmagados por situações que mudam rapidamente, graças às novas tecnologias, mas sobretudo pela corrida atrás de uma falsa felicidade. O que podemos fazer para que o nosso tempo não nos seja roubado? Talvez não muito, mas precisamos de aceitar o desafio. Procurar realizar as nossas tarefas um pouco mais devagar; sermos mais conscientes de nós mesmos e do que estamos a fazer; dar mais tempo a nós mesmos e às nossas relações essenciais; deixar fluir a vida em nós e à nossa volta… Sem dúvida que será cansativo inicialmente, mas os benefícios e até a eficiência não tardarão a chegar. Sejamos peregrinos da esperança. Isto exige coragem e grande determinação, mas não será isso que nos pede de novo o Advento? (© iMissio)