Estamos na quinta e última semana da Quaresma. Está cada vez mais próximo o dia da celebração da Páscoa da Ressurreição do Senhor.

Esta é a altura de fazermos um profundo exame de consciência sobre a maneira como temos vivido este tempo e quais as alterações que ele produziu na nossa vida.

Apesar de se repetir todos os anos, o itinerário quaresmal é sempre diferente. Em cada ano, a nossa reflexão, que é expectável ser cada vez mais consciente e clara, passa pelo reconhecimento das nossas fragilidades, que infelizmente se repetem, e aponta-nos um novo caminho para que se realize em nós uma verdadeira conversão. E a procura desse novo caminho não se deve reduzir apenas ao tempo da Quaresma, mas deve ter continuidade e fazer sempre parte da nossa forma de ser cristãos.

É altura de colocar a nós próprios algumas questões sobre a forma como temos aproveitado este tempo para nos aproximarmos de Deus e dos irmãos.

Que caminho já percorremos até agora? O que já conseguimos mudar na nossa vida?

Procuramos ir ao encontro do Senhor através da oração pessoal, da meditação na Palavra de Deus e da Eucaristia?

Procuramos o Sacramento da Reconciliação Penitencial, fazendo a experiência de encontro com Jesus Cristo, que é o rosto da misericórdia de Deus?

Fizemos jejum, como exercício de autocontrole e de capacidade de domínio dos nossos impulsos, privando-nos de alimentos ou de coisas materiais, especialmente daquelas que mais gostamos?

Procuramos ser um exemplo de tolerância nas relações com todos os outros, particularmente com aqueles que nos são mais próximos?

Procuramos não ofender os outros com palavras ou atitudes, contribuindo para a concórdia e a paz?

Procuramos acolher os irmãos e olhar para eles com amor?

Procuramos perdoar todos aqueles que nos ofenderam?

Procuramos superar o nosso egoísmo, que torna o nosso coração insensível e nos impede de ir ao encontro daqueles que mais precisam de ajuda?

Com as respostas a estas questões (e muitas outras suscitadas pela nossa reflexão) podemos avaliar se percorremos ou não o caminho da conversão que nos propusemos fazer.

A conversão contínua e profunda dos corações é o que Deus espera de todos. E Ele não se cansa de esperar, não nos deixa de amar e aguarda ansiosamente pelo nosso regresso.

Aproveitemos bem os restantes dias da Quaresma, porque ainda há tempo para regressarmos à casa do Pai que, como o da parábola do filho pródigo, vem ao nosso encontro e de braços abertos para nos receber.