No XXIX Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus relembra-nos que os verdadeiros discípulos têm de seguir o exemplo do próprio Jesus Cristo, que “não veio para ser servido, mas para servir”.

I LEITURA (Is 53,10-11)

Na primeira Leitura, constituída por versículos do IV Cântico do Servo do Livro de Isaías, o autor apresenta-nos o “Servo do Senhor” como alguém que é esmagado pelo sofrimento e entrega a sua vida como sacrifício de expiação. Na lógica de Deus, o caminho de sofrimento do Servo não será inútil, pois servirá para eliminar os pecados do mundo – “ …o Justo, meu Servo, justificará a muitos e tomará sobre si as suas iniquidades”- e permitirá que se cumpra o Seu desígnio, que é o de que todos alcancem a justiça e a salvação.
Esta relato do “Servo do Senhor “ é o que melhor prefigura a vida e missão de Jesus Cristo, que por espírito de sacrifício e de entrega total pelos outros redimiu os pecados do mundo.

II LEITURA (Heb 4,14-16)

Continuamos a leitura da carta aos Hebreus, uma carta dirigida a comunidades cristãs que, devido a um contexto cultural adverso, começaram a sentir dificuldades em permanecer fiéis ao Evangelho.
No sentido de revitalizar a fé daquelas comunidades, o autor apresenta Jesus Cristo, Filho de Deus, como o sumo sacerdote que, depois de se oferecer a si mesmo em sacrifício a Deus, “penetrou os céus” e apresentou-se diante d’Ele a fim de alcançar a misericórdia para todos os pecadores.
Jesus Cristo, que pela sua encarnação se tornou em tudo semelhante aos homens, excepto no pecado, tem um conhecimento tão profundo das limitações e fragilidades desses mesmos homens, que nos dá a certeza de que Ele é o nosso melhor mediador junto a Deus e Aquele que, em quaisquer circunstâncias, intercede por nós.
Por tudo isto, o autor convida os Hebreus, e os cristãos de todos os tempos, a permanecer firmes na profissão da fé em Jesus Cristo. Acolher os seus ensinamentos e seguir o seu exemplo aproxima-nos de Deus e da salvação em que confiamos e esperamos alcançar.
Como Ele próprio nos disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6)

 

EVANGELHO (Mc 10,35-45)

No seu caminho em direcção a Jerusalém, Jesus continua a lembrar aos seus discípulos que os valores e exigência do Reino não são compatíveis com a maneira humana de pensar.
Depois de ter feito o terceiro anúncio da Paixão, é confrontado com o pedido despropositado dos discípulos Tiago e João: «Concede-nos que, na tua glória, nos sentemos um à tua direita e outro à tua esquerda». Ao procurarem ter um lugar de destaque, estes discípulos colocaram acima de tudo o egoísmo, a ambição e a grandeza, atitudes que nada têm a ver com os ensinamentos e o exemplo de Jesus, sendo mesmo inconciliáveis com o projecto de vida por Ele proposto.
A atitude dos dois discípulos, além de causar a indignação dos outros, foi reprovada por Jesus – “Não sabeis o que pedis” -.
Com este pedido, Jesus constata que os discípulos não apreenderam o que Ele tem vindo a ensinar, principalmente no que respeita à sua identidade e às exigências do discipulado.
Por isso, ao ver que os discípulos continuam a deixar-se conduzir por uma lógica dos homens e não de Deus, chama-os à atenção para o facto de que é pela doação e o serviço aos outros que conseguirão um lugar de destaque e transmite-lhes a atitude que devem ter para se tornarem grandes e serem realmente os primeiros – «Quem entre vós quiser tornar-se grande, será vosso servo, e quem quiser entre vós ser o primeiro, será escravo de todos;».
O Evangelho deste Domingo convida-nos a reflectir sobre a forma como vivemos na sociedade, em geral, e na comunidade cristã, em particular. Será que temos bem presente que só fazendo da nossa vida um serviço aos outros, sendo servos de todos, é que poderemos ser realmente grandes e primeiros??

 

Neste Domingo a Igreja celebra o “Dia Mundial das Missões”.

A celebração deste dia pretende lembrar a todos os cristãos a vocação missionária recebida no baptismo e, ao mesmo tempo, incentivar a cooperação missionária pelo mundo.

Na sua Mensagem para o Dia Mundial das Missões, que tem como tema “ide e convidai a todos para o banquete” (cf. Mt 22, 9), o Papa Francisco aproveita “para agradecer aos missionários e missionárias que, respondendo ao chamamento de Cristo, deixaram tudo e partiram para longe da sua pátria a fim de levar a Boa Nova aonde o povo ainda não a recebera ou só recentemente é que a conheceu”

E na sua reflexão, o Papa refere que os discípulos-missionários devem preocupar-se com todas as pessoas, independentemente da sua condição social ou moral. A missão para todos requer o empenho de todos. Por isso é necessário continuar o caminho rumo a uma Igreja, toda ela, sinodal-missionária ao serviço do Evangelho. De per si a sinodalidade é missionária e, vice-versa, a missão é sempre sinodal. Por conseguinte, hoje, é ainda mais urgente e necessária uma estreita cooperação missionária seja na Igreja universal, seja nas Igrejas Particulares”.

XXIX DOMINGO DO TEMPO COMUM