A Palavra de Deus do XXX Domingo do Tempo Comum assegura-nos que Deus não se esquece do seu Povo, não o abandona e, mesmo nos momentos mais difíceis, Ele está presente oferecendo sempre os caminhos de libertação e salvação.

I LEITURA (Jer 31,7-9)

Na primeira Leitura, o profeta Jeremias dirige-se os exilados na Babilónia, que vivem desanimados e sem esperança, e anuncia que Deus tudo fará para que o seu povo regresse à sua terra.
O profeta transmite que não devem perder a confiança e a esperança em Deus, porque o Senhor, que se apresenta como Pai -«Eu sou um Pai para Israel…»-, irá reunir num só povo todos os homens dispersos e incapazes de sair da situação em que se encontram e oferecer-lhes a libertação e a salvação.
Este trecho mostra claramente a preocupação de Deus com o seu povo, particularmente, nos momentos em que este precisa da sua ajuda.
Num tempo em que os acontecimentos levam a que muitos considerem que Deus nos abandonou, os cristãos não devem perder a confiança e esperança em Deus, porque Ele, que é o nosso Pai, nunca abandonará os seus filhos, caminhará sempre com eles e levá-los-á pelos caminhos que conduzirão à salvação.

II LEITURA (Heb 5,1-6)

A segunda Leitura retoma o tema da passada semana: Jesus Cristo, Filho de Deus e sacerdote do Pai.
Hoje, o texto da Carta aos Hebreus apresenta-nos Jesus Cristo como o sumo-sacerdote eterno e por excelência.
No Antigo Testamento, a figura do sumo-sacerdote era importante, pelo facto de ser considerado o mediador principal entre Deus e os homens. Ele oferecia sacrifícios em expiação dos seus próprios pecados e pelos do seu povo, apresentando a Deus o arrependimento dos homens e trazendo de Deus até aos homens o seu perdão.
Jesus Cristo, que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o sumo-sacerdote por excelência. A sua divindade permite que Ele esteja sempre em comunhão com Deus e a sua humanidade permite que Ele seja mais compreensivo com os homens, pois conhece muito bem as suas fraquezas e debilidades.
Que a reflexão sobre o que nos diz o autor desta carta nos faça aumentar a nossa fé em Jesus Cristo, o sumo-sacerdote capaz de nos conduzir pelos caminhos que nos levam ao Pai. Como Jesus disse, “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim”.(Jo 14, 6)

EVANGELHO ((Mc 10,46-52)

O Evangelho deste domingo relata-nos que um cego, chamado Bartimeu, foi curado por Jesus Cristo.
Este episódio, que descreve mais um dos milagres de Jesus, contém um conjunto de acontecimentos que constituem uma verdadeira catequese.
Bartimeu possuía uma deficiência física, a qual, de acordo com o pensamento de então, era considerada uma consequência de um pecado grave. Devido a este preconceito, as pessoas portadoras de uma deficiência eram vítimas de exclusão social e religiosa.  
Quando percebe que estava a passar Jesus de Nazaré, Bartimeu não se acomoda e procura chamar atenção – «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». A sua atitude é reprimida por muitos dos presentes que tentam impedi-lo de chegar a Jesus, porém, ele não se cala e insiste, até que Jesus ouve a sua súplica e manda chamá-lo. Antes de se aproximar de Jesus, Bartimeu despojou-se da sua capa, a qual fazia parte da sua própria identidade e era a sua maior riqueza, revelando com este gesto a sua decisão de querer mudar de vida, deixar tudo e seguir Jesus. Bartimeu acreditou e Jesus iluminou-o, libertou-o da sua cegueira.
Aplicando este texto às nossas vidas, pode dizer-se que também muitos de nós sentimos Jesus a passar, contudo, não tomamos a iniciativa de o chamar, porque a “cegueira” que nos é causada pelo egoísmo, a ambição, os bens materiais, o poder, etc., distrai-nos e desvia-nos do essencial.
Como Bartimeu, também nós precisamos de ser firmes na fé e tomar a iniciativa de pedir a Jesus Cristo que nos cure da “cegueira” que nos impede de O seguir.

XXX DOMINGO DO TEMPO COMUM