A Palavra de Deus do XXXII Domingo do Tempo Comum alerta-nos para o facto de que a verdadeira religiosidade não é a que se vive pelas aparências, vaidade e hipocrisia, mas a que se vive com humildade, generosidade do coração e sinceridade, porque somente estas são a verdadeira expressão do amor a Deus e aos outros.

I Leitura (1 Re 17,10-16)

A primeira Leitura, retirada do Livro dos Reis, descreve a primeira actividade do ministério do profeta Elias.
Após anunciar que haveria uma grande seca, Elias recebeu instruções divinas para se dirigir para Oriente e esconder-se junto do ribeiro de Querit, lugar onde sobreviveu milagrosamente. Depois do ribeiro secar, o profeta recebeu do Senhor a instrução para se dirigir a Sarepta, onde uma mulher viúva o sustentaria.
É na sequência destes acontecimentos que o texto de hoje relata o encontro de Elias com uma viúva pobre que, apesar da sua indigência, sacrifica o pouco alimento que restava para si e para o seu filho e alimenta o profeta. Não obstante a sua situação de miséria, ela acolheu e confiou no que o profeta, em nome do Senhor, lhe transmitiu e Deus recompensou-a pela sua generosidade, solidariedade e partilha (a reserva de farinha e azeite não se esgotará, até que a chuva voltasse a cair).
Num tempo em que, pelas mais diversas razões, há uma escassez de alimentos para muitos, somos também chamados a seguir o exemplo da viúva, sendo generosos e solidários com aqueles que estão em situação de necessidade e a partilhar com eles o pouco que possuímos.

II Leitura (Heb 9,24-28)

A segunda Leitura retoma o tema dos domingos anteriores – Jesus Cristo, o sumo-sacerdote.
Esta semana, o autor da Epístola aos Hebreus diz-nos que Jesus Cristo é o sacerdote perfeito. Diferente dos outros sacerdotes, que ofereciam sacríficos com o corpo e sangue de animais, Jesus Cristo ofereceu-se uma só vez em sacrifício, dando o seu corpo e sangue para redimir os pecados dos homens. Ele está agora no verdadeiro santuário, onde, em plena comunhão com o Pai, continua a interceder por todos nós, até que, no final dos tempos, se manifeste novamente “para dar a salvação àqueles que O esperam”.
Renovemos a nossa fé e a esperança em Jesus Cristo. Como nosso intercessor junto de Deus, podemos ter a garantia de que as infidelidades concretizadas pelos nossos pecados não nos afastarão da esperança de, no final da nossa peregrinação, alcançarmos a vida eterna. Como diz S. João, na primeira carta: “Filhinhos meus, escrevo-vos estas coisas para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos junto do Pai um Advogado, Jesus Cristo, o Justo, pois Ele é a vítima que expia os nossos pecados, e não somente os nossos, mas também os de todo o mundo (1 Jo 2, 1)

Evangelho (Mc 12,38-44)

No seu ministério em Jerusalém, Jesus continua a denunciar o modo de proceder dos líderes judaicos.
O Evangelho deste domingo divide-se em duas partes. Na primeira, Jesus, que vê para além das aparências, denuncia e condena os escribas por terem atitudes que, apesar de parecerem religiosas, revelam exibicionismo, pretensiosismo e sobranceria.
Com a condenação da hipocrisia dos escribas, Jesus ensina-nos que, na nossa prática religiosa, devemos procurar amar e honrar Deus e não servirmo-nos d’Ele para simplesmente satisfazer os nossos próprios desejos.
Na segunda parte, Jesus encontrava-se no templo e, observando a atitude dos que faziam as suas ofertas, repara que uma viúva coloca discretamente na caixa do templo duas pequenas moedas, tudo o que possuía, contrastando com outros que, numa manifestação da sua grandeza e superioridade, oferecem solenemente quantias avultadas. Jesus elogia a humildade e generosidade da viúva, pois ela ofereceu tudo o que tinha, enquanto os outros ofereceram o que lhes sobrava.
Um outro ensinamento que Jesus nos transmite é o de que o mais valioso aos olhos de Deus não é a dimensão da nossa oferta, mas a simplicidade dos gestos, a generosidade do coração, o amor colocado em tudo que oferecemos.
Que este texto evangélico nos ajude a entender que a verdadeiro culto a Deus não é aquele que é feito com vaidade e hipocrisia, mas o que passa forçosamente por atitudes de humildade, discrição, generosidade e sinceridade.

XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM