Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo, disse Jesus aos seus discípulos.
Como viver esse Evangelho no dia de hoje?
Peçamos o dom de Deus para sermos generosos! Há pessoas que se agarram em suas coisas e dinheiro de modo que, mesmo podendo dar, não partilham nada. São pessoas de mãos secas! Ao contrário, há pessoas que têm pouco, mas são generosas, desapegadas, deixam que a necessidade do próximo entre pelos seus olhos e chegue ao seu coração. Deus reconhece tais gestos e Jesus promete a quem age assim uma boa medida, sacudida e transbordante, para terem mais e poderem partilhar mais ainda.
Palavras do Santo Padre
«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (v. 36). Não se trata de um slogan de efeito, mas de um compromisso de vida.[…] Se olharmos para a história da salvação, veremos que toda a revelação de Deus é um amor incessante e incansável pelos homens: Deus é como um pai ou como uma mãe que ama com um amor insondável, derramando-o copiosamente sobre cada criatura. A morte de Jesus na cruz é o ápice da história de amor de Deus pelo homem. Um amor tão grande que só Deus o pode concretizar. É evidente que, comparado com este amor desmedido, o nosso amor será sempre imperfeito. Mas quando Jesus nos pede para ser misericordiosos como o Pai, não pensa na quantidade! Pede aos seus discípulos que se tornem sinal, canais, testemunhas da sua misericórdia. E a Igreja não pode deixar de ser sacramento da misericórdia de Deus no mundo, em todos os tempos e para a humanidade inteira. Portanto, cada cristão está chamado a ser testemunha da misericórdia, e isto acontece no caminho da santidade. […] A misericórdia exprime-se antes de tudo no perdão: «Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados» (v. 37). Jesus não tenciona subverter o curso da justiça humana, mas recorda aos discípulos que para manter relações fraternas é preciso suspender o juízo e a condenação. Com efeito, o perdão é o pilar que sustenta a vida da comunidade cristã, porque é nele que se manifesta a gratuitidade do amor com que Deus nos amou primeiro. O cristão deve perdoar! Mas por quê? Porque foi perdoado. […] Não temos o poder de condenar o nosso irmão que erra, não estamos acima dele: ao contrário, temos o dever de o resgatar para a dignidade de filho do Pai e de o acompanhar no seu caminho de conversão. (Audiência Geral de 21 de setembro de 2016)