1. A virtude e a prática da Penitência continuam a ser elementos necessários da preparação pascal: a prática externa da Penitência, tanto dos indivíduos como de toda a comunidade, há-de ser o resultado da conversão do coração. Não se esqueça a participação da Igreja na acção penitencial e insista-se na oração pelos pecadores, introduzindo-a frequentemente na oração universal. (Cf. Congregação para o Culto divino, Preparação e Celebração das Festas pascais, 1988 [As Festas Pascais], n. 14: EDREL 3863)
  2. Exortem-se os fiéis para que, segundo a lei e as tradições da Igreja, se abeirem neste tempo do sacramento da Penitência e possam assim participar de alma purificada nos mistérios pascais. É muito conveniente que o sacramento da Penitência se celebre, durante o tempo da Quaresma, segundo o rito para reconciliar vários penitentes com confissão e absolvição individual, tal como vem indicado no Ritual Romano. (Cf. Ibid, 15: EDREL 3864)
  3. Este exercício da Penitência, como caminho necessário para a Páscoa, é-nos apontado, com insistência, pelas orações litúrgicas. Trata-se de seguir Cristo, “mestre e exemplo da humanidade reconciliada” pelo caminho que novamente é aberto à Igreja, desde o “deserto quaresmal”, para chegar à “montanha santa, de coração contrito e humilhado”, a fim de tomar consciência da sua vocação, escutar a palavra, cantar o louvor e fazer a experiência do amor misericordioso de Deus. (Cf. Prefácio da Quaresma, V).
  4. Não se trata de um exercício estéril, mas, mais que exercício, de um dom do Amor divino. Com efeito, “ao homem, náufrago do pecado e da morte” abre-se “o porto da misericórdia e da paz”. Deste modo, se prepara o Banquete e a Festa, oferecendo uma “segunda tábua de salvação” para “a Igreja, santa e também pecadora” e restitui-se a dignidade baptismal. (Cf. Prefácio da Quaresma, VI).
  5. A realização deste projecto quaresmal encontra algumas dificuldades muito concretase é sumamente exigente, particularmente hoje, para os ministros do Sacramento da Reconciliação (Bispos e Padres). Tais dificuldades pressionam, em alguns casos, soluções que, sendo fáceis, são falsas, porque esvaziam o conteúdo do sacramento, como encontro e acolhimento pessoal, entre o pecador e Deus misericordioso.
  6. Inimigas de uma boa celebração: a rotina, a pressa, o cansaço dos confessores (em menor número), a espera excessiva dos penitentes. Apesar dessas adversidades, importa, com paciência, alguma criatividade e persistência, fazer das “confissões”, uma autêntica e gozosa celebração sacramental da reconciliação.
  7. Sem dúvida que a dificuldade maior é a crise do «sentido do pecado», que se verifica na cultura contemporânea. Sem exagerar, tal facto é causa evidente de um aumento de conflitos na vida social e traduz-se, até em cristãos de prática sacramental, num empobrecimento espiritual, manifesto num avassalador sentimentalismo que substituiu a sensibilidade delicada e apurada. Por reação, assinte-se também a fenómenos de retorno formalista de uma mentalidade escrupulosa. O reconhecimento do pecado tem de andar de mãos dadas com a experiência libertadora da misericórdia divina. No Sacramento da Reconciliação não se poderá fazer tudo, mas importará aceitar tal desafio para uma pastoral objectiva da Evangelização e para uma Catequese ampla e englobante de crianças, jovens e adultos.
  8. Outra dificuldade é a duração da Celebraçãoquando se recorre ao Rito da Reconciliação de vários penitentes com Confissão e absolvição individual… Não deve ser longa (o máximo 1 hora) e os fiéis devem poder contar com isso. Tal implica um número razoável de confessores, um ritmo ágil (sem pressa, nem “buracos”), um programa variado, com alternâncias de silêncio, canto e palavra e, porventura, gestos e atitudes significativas e marcantes. Cuide-se, particularmente, do momento mais longo da confissão e absolvição individual, sem deixar de privilegiar o silêncio, alimentado por breves e oportunas intervenções de palavra e canto.
  9. Onde, apesar de tudo, não seja possível realizar essa Celebração, segundo o Rito referido, seja por falta de confessores suficientes, seja por razões de horário ou outras, não deixe de aproveitar-se e valorizar-se o “ajuntamento” tradicional dos fiéis para as “confissões”, lançando mão dos elementos propostos pelo Ritual. Neste caso, talvez se possa solicitar a colaboração de outros ministérios laicais para o canto, para leitura, para um discreto e eficiente acolhimento, os quais intervirão ajudando os penitentes com indicações práticas (quem são os confessores e onde se encontram, etc., entregando folhetos com orações e esquemas de exame de consciência), propondo cânticos mais conhecidos de carácter penitencial, lendo perícopes, etc.

(Secretariado Diocesano da Liturgia)