Semana Santa

ABERTURA DO OLFATO

Evangelhos pascais: Jo 20,1-18; Mc 16,1-8

Seis dias antes da Páscoa, “Maria de Betânia unge o Senhor com uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço. A casa encheu-se com a fragrância do perfume” (Jo 12,3) e o gesto é prenúncio do perfume para o dia da sepultura (Jo 12,7). Segundo o Quarto Evangelho, Cristo começa e acaba a história da sua Paixão e é sepultado num jardim, envolto em panos de linha com os perfumes (Jo 19,40). Na manhã de Páscoa, as mulheres vão ao sepulcro com perfumes (Mc 16,1; Lc 24,1), mas encontram a vida nova. O olfato, pelo qual se cheira a Páscoa, evoca assim a presença invisível e a memória do amor. «Somos o bom odor de Cristo» (2 Cor 2,15), chamados a exalar o perfume da Páscoa do Senhor. O que nos deve entrar pelas narinas é esta boa nova: Cristo ressuscitou dos mortos.

  1. Abre o teu olfato: cheira a Páscoa!

Cheira a Páscoa. O sentido a valorizar é o do olfato. O bom odor tem relação com o perfume. Ele é misturado no óleo da unção, com as substâncias aromáticas. Jesus foi ungido e perfumado pela mulher de Betânia, como sinal de ternura e de amor, de consagração e de esperança. O olfato não se vê, não se prende, permanece na ausência. O perfume é uma presença que não se deixa possuir.  Há memórias espirituais que não se dizem por palavras, apenas regressam como um perfume inesperado. O olfato aparece ligado à memória, à saudade e à presença invisível. O olfato é, por isso, o sentido mais apropriado para celebrar a ressurreição a Páscoa.

Nota: Embora, valorizemos o sentido do tato, é fácil de perceber, nestes dias, como em outros domingos, quanto a riqueza dos textos bíblicos, das orações e dos gestos, nas celebrações de toda a Semana Santa, envolvem todos os sentidos:

Se, nesta Quaresma, valorizamos em negativo a visão (pela renúncia) e o gosto (pelo jejum) e, em positivo, a audição e o tato, fazemo-lo para desembocar na explosão positiva da Páscoa, a festa do sentido último da Vida, fazendo apelo a todos os sentidos, com a luz do círio, o som dos sinos e das sinetas, as cores e o perfume das flores, o beijo à Cruz…

  1. Sinais e atitudes a valorizar na celebração

 

  1. Enfoque pastoral: O olfato é o sentido mais ligado à memória e à profundidade simbólica. Remete para o “bom perfume” do Evangelho e da vida entregue. Ajuda a discernir o que cheira a vida e o que cheira a morte, a verdade ou a hipocrisia. Evoca imagens bíblicas como o perfume derramado, o incenso, a unção. Aponta para uma espiritualidade que se espalha discretamente, sem ruído.
  2. Propostas pessoais e comunitárias
  1. Perguntas para reflexão e exame de consciência: Que rasto deixo na vida dos outros? Exalo o perfume da Páscoa ou outro qualquer? Como vou viver esta Semana Santa?