Por Secretariado Diocesano da Liturgia
Nesta Páscoa de 2026, a Igreja Católica, em França, registou um significativo aumento de Batismos de adultos (com mais de 18 anos): segundo relatório da Conferência Episcopal, publicado na última assembleia plenária (finais de março), foram 13.234, quase 28% de aumento em relação à Páscoa de 2025. A estes números devem somar-se 8.152 adolescentes (entre os 12 e os 17 anos), um crescimento de 10% em relação ao ano passado (entretanto, nem todas as dioceses disponibilizam esta informação, que peca por defeito). Quanto às Confirmações de adultos (sem contabilizar os crismados que se enquadram no percurso catequético), há que aguardar pelo Pentecostes para termos os dados do ano corrente. Em 2025, o número cresceu de 9.427 para 11.218. Trata-se, sobretudo, de «recomeços»: adultos que viviam à margem da comunidade católica de fé e de vida, mas agora regressam; batizados na infância, não eram «praticantes» assíduos ou eram mesmo «não praticantes».
Estes dados estatísticos merecem alguma atenção. Até à pandemia do COVID 19, a média anual dos Batismos de adultos superava pouco os 4.000. A partir de 2022, os números começam a subir de ano para ano, com valores cada vez mais significativos. Nos últimos cinco anos, mais do que triplicaram. Algo de paralelo se passou com o Batismo de adolescentes que, no mesmo período, passaram de 1.547 para 8.152. Também entre 2022 e 2025 (quatro anos), os confirmados adultos passaram de 4.036 para 11.218… Em suma: o fenómeno é consistente.
Limitando a análise ao Batismo de adultos, 42% tem entre 18 e 25 anos e 40% entre 26 e 40 anos; 62% são mulheres; 71% vivem nas cidades e 29% em ambiente rural; um quarto dos neófitos são estudantes, havendo muitos operários, técnicos e administrativos (34%), mas também professores, quadros, profissões liberais (19%)… 45% procedem de famílias com tradição cristã, 19% não têm antecedentes religiosos e de 27% não se conhece o ambiente religioso de proveniência; 7% provêm de religiões não cristãs (2% muçulmanos). Quanto à geografia, todo o mapa de França é contemplado, destacando-se a Província eclesiástica de Poitiers pela maior percentagem de crescimento (53%) e a Província de Paris pelo número total de neófitos adultos: 3184 (seguem-se Marselha, com 1437, e Lyon, com 1200).
O relatório que estamos a resumir, apresenta o resultado de uma sondagem a 1450 catecúmenos de 60 dioceses. Factos ou fatores que desencadearam o processo de conversão: uma provação (luto, doença…): 40%; interrogações sobre a fé cristã: 34%; uma experiência espiritual forte: 32%; a beleza de uma igreja, mosteiro, capela: 23%; o interesse pela Bíblia: 22%; o testemunho de cristãos do ambiente familiar, escolar ou social: 19%; o Batismo de um familiar ou próximo: 16%; a persuasão de influenciadores cristãos nas redes sociais: 11%… Registe-se que 40% dos «convertidos» viveu uma provação (doença, luto…) que desencadeou uma busca de sentido para a vida. Um terço afirma ter vivido uma experiência espiritual forte… 61% já tinha começado a ler a Bíblia que, no entanto era totalmente desconhecida pelos restantes 39%. Registe-se que 66% lia a Bíblia recorrendo aos dispositivos eletrónicos…
E depois do Batismo? Uma sondagem feita a neófitos de 65 dioceses diz-nos que muitos são assíduos à leitura ou escuta da Sagrada Escritura, com diferentes modalidades. No primeiro ano após o Batismo, 8% desconectou da comunidade, 26% confessam que por vezes se sentem sós; 72% persevera, com o apoio de familiares, amigos, comunidade, antigos companheiros de catecumenado. 40% vive alguma forma de compromisso nas suas paróquias ou movimentos, participando nas suas atividades e celebrações, empenhando-se em ações de voluntariado e serviços aos mais pobres. Quanto à assiduidade à Eucaristia, 49% nunca falta aos domingos, 17% frequenta a Santa Missa também nos dias de semana; 24% é menos regular (menos uma vez por mês) e 15% participa mais raramente. Não é perfeito, mas bom seria que os demais batizados, desde a infância, apresentassem índices de participação comparáveis!
E no resto da Europa? Embora com menos evidência, assiste-se a fenómeno semelhante na Suíça e na Bélgica. Há alguns dados promissores na Inglaterra, mas de leitura mais complexa, devido a alguma crise do anglicanismo. Noutros países, como a Holanda, a Alemanha e a Áustria o movimento é menos notório. Nos países latinos (Itália, Espanha, Portugal), o mais assinalável é a diminuição do Batismo de crianças (devido à quebra da natalidade e não só), havendo algumas indicações, não tão assinaláveis, de aumento do Batismo de adultos, nomeadamente junto de comunidades imigrantes. Também foi notícia um muito significativo aumento de conversões nos USA, mas, em geral, ainda abaixo das médias em torno do ano 2000.
Voltaremos a este tema, muito merecedor não apenas de registo, mas de aprofundamento.