A certeza da vitória de Jesus sobre a morte continua a ecoar ao longo de cada hora deste “grande domingo” que é o tempo pascal. Mas hoje a liturgia do III Domingo da Páscoa lembra-nos, especificamente, que também nós podemos experimentar a presença de Jesus, vivo e ressuscitado, nos caminhos que todos os dias percorremos. Essa experiência transforma-nos, renova-nos, santifica-nos e faz de nós testemunhas vivas do Ressuscitado.
I Leitura (Act 2,14.22-33)
A primeira leitura é um extrato do discurso de Pedro na manhã de Pentecostes. Anuncia aos habitantes de Jerusalém e ao mundo que, aquele Jesus assassinado pelas autoridades judaicas, derrotou a maldade, a injustiça, a violência e a própria morte. Pedro, com ousadia profética, garante: “disso todos nós somos testemunhas”. É esta Boa Notícia que os discípulos de Jesus de todas as épocas continuam a anunciar ao mundo.
Interpelações:
Sentimo-nos investidos dessa missão? Os homens desiludidos e desorientados que todos os dias se cruzam connosco nos caminhos do mundo encontram em nós – testemunhas de Cristo ressuscitado – uma proposta de vida definitiva e de realização plena? Somos nós que contaminamos o mundo com a Boa Notícia de Jesus e lhe oferecemos uma alternativa à desilusão e ao desespero, ou é o mundo que nos domestica e nos convence a abandonar os valores propostos por Jesus?
II Leitura (1 Ped 1,17-21)
Na segunda leitura, um autor cristão do séc. I lembra aos batizados a vocação fundamental a que são chamados: a santidade. Para dar mais força ao seu apelo a uma vida santa, recorda-lhes que foram resgatados por um preço bem alto: pelo sangue precioso de Cristo. Ao ressuscitar e glorificar o seu Filho Jesus, Deus caucionou a proposta de vida que Ele nos veio oferecer.
Interpelações:
A sua proposta tem de continuar hoje a chegar aos homens. Sentimos que isso nos diz respeito? Nós que encontramos Jesus, que acolhemos a sua mensagem, que decidimos segui-l’O, que aceitamos viver ao seu estilo, damos testemunho dessa Boa Notícia que Ele nos deixou? A nossa vida é um anúncio, ao vivo e a cores, dessa vida nova que Deus quer oferecer a todos os seus filhos e filhas?
Evangelho (Lc 24,13-35)
No Evangelho o “catequista” Lucas convida-nos a acompanhar dois discípulos que, abalados pela aparente falência do projeto de Jesus, desistem da comunidade cristã e põem-se a caminho de uma outra vida. No entanto Jesus, sem se identificar, acompanha-os no caminho, ajuda-os a encontrar respostas, devolve-lhes a esperança. Eles só reconhecem Jesus quando, à mesa, Ele parte e reparte o pão. O relato – com um evidente “sabor” eucarístico – é uma maravilhosa parábola sobre os nossos desencontros e encontros com Jesus ressuscitado: Ele nunca deixará de nos acompanhar no caminho, de nos explicar o sentido da vida e de nos alimentar com a sua Palavra e o seu Pão.
Interpelações:
Os discípulos de Emaús perceberam que quando alguém encontra Jesus tem de tornar-se sua testemunha. Nós, que todos os domingos nos sentamos à mesa eucarística, que descobrimos a presença de Jesus vivo no meio da comunidade reunida, que nos alimentamos da sua Palavra e do seu Pão, damos testemunho d’Ele? Sentimos a urgência de o levar ao encontro do mundo? Os nossos gestos são um anúncio vivo desse Jesus que, ainda hoje, quer oferecer a todos os homens e mulheres a vida nova e definitiva? (Dehonianos)