Apresentamos algumas das mensagens transmitidas pelo Papa Leão XIV, durante a sua passagem em Tenerife, onde existe uma significativa comunidade de migrantes.
“O mar, que rodeia estas ilhas, traz até nós histórias que nem sempre sabemos ler: histórias de dor, de esperança e de busca. Numa cidade sem muralhas, também o coração é chamado a abrir-se para as acolher. Por isso, precisamos aprender a linguagem da proximidade, aquela que se compreende mais com as mãos do que com as palavras.”
“Nas obras de integração destes nossos irmãos – tal como em toda a obra de caridade – a Igreja aprende a ler, na vida concreta daqueles que sofrem no corpo ou no espírito, um sinal vivo que remete para os Santos Evangelhos e que se torna legível, através do tato e da proximidade, quando tocamos nas feridas dos outros”
“Partindo desta convicção, a nossa presença pretende testemunhar que a solidariedade nasce do reconhecimento da dignidade humana e vai além de qualquer conceito secundário ou simples ato de filantropia. Ela é chamada a comprometer-se e a assumir a forma de um processo. O acolhimento abre a porta; a integração ajuda a atravessar o limite. A assistência aplica um bálsamo na ferida e a integração reconstrói o futuro.”
“Partindo desta convicção, a nossa presença pretende testemunhar que a solidariedade nasce do reconhecimento da dignidade humana e vai além de qualquer conceito secundário ou simples ato de filantropia. Ela é chamada a comprometer-se e a assumir a forma de um processo. O acolhimento abre a porta; a integração ajuda a atravessar o limite. A assistência aplica um bálsamo na ferida e a integração reconstrói o futuro.”
“A vós, queridos irmãos migrantes, cabe uma parte nobre e necessária deste caminho: abrir-vos com confiança à comunidade que vos acolhe, aprender a sua língua, respeitar as suas leis, conhecer os seus costumes, participar na vida comum e oferecer com gratidão os vossos dons.”
“convido a não esquecer os tantos migrantes que, vindos da América Latina, das Filipinas e de outras partes do mundo, já fazem parte integrante da comunidade e, com a sua fé, o seu trabalho e os seus dons, ajudam a renová-la”.
“Uma consciência humana, e ainda mais uma consciência cristã, não pode permanecer indiferente diante das vítimas dos naufrágios e da falta de ajuda, diante desses cemitérios do mar. Cada vida perdida nestas rotas é um fracasso para a família humana.”
O Pap adirigiu uma “palavra clara a quem se aproveita do desespero; a quem organiza rotas da morte, trafica pessoas, retém documentos, explora trabalhadores, ameaça mulheres, engana famílias e transforma o sofrimento alheio num negócio”.
“Parai. Convertei-vos. As lágrimas e o sangue destes irmãos clamam a Deus e os seus sofrimentos chegam até Ele. O dinheiro arrancado da vulnerabilidade dos pobres não trará paz, nem honra, nem futuro. Por cada vida perdida, cada família enganada, cada corpo subjugado, cada mulher ameaçada, cada trabalhador explorado, tereis de comparecer perante a justiça divina. Quebrai essas correntes e libertai aqueles que tendes sob o vosso domínio. Restitui o que foi roubado e reparai o que puderdes.”
Somos imagem do coração de Deus quando somos capazes de mostrar ao outro que «tua vida não é um descarte, teu sofrimento não é invisível, tua dignidade não se dissolveu nas águas que atravessaste». Quando oferecemos a possibilidade «de recomeçar, de aprender, de trabalhar, de servir, de participar, de não ficar para sempre preso na condição de vítima»
O coração de Deus transparece em nós quando compreendemos que nossa consciência «não pode permanecer indiferente perante as vítimas», que «cada vida perdida nessas rotas é um fracasso para a família humana».
Um coração que nos chama «ao êxodo e ao encontro» e a compreender que «há vida quando se dá vida». Por isso, é necessário que nos perguntemos: «O que busca o coração?» e que descubramos a riqueza dos pobres, dos pequenos, «aqueles que ninguém considera capazes de pensar e de falar», que «nos deixemos evangelizar por aqueles a quem socorremos».