Realizou-se no dia 19 de setembro, na Universidade Católica (Porto) o Colóquio sob o tema A Doutrina Social da Igreja no atual contexto politico e social, promovido pelo Secretariado Diocesano da pastoral Social, tendo reunido duas comunicações centrais: uma pelo politólogo, José Pacheco Pereira; e outra do teólogo, Jorge Teixeira da Cunha, com a moderação do jornalista Henrique Cunha, da Renascença, que situou o sentido desta iniciativa como reflexão sobre a importância na sociedade da Doutrina Social da Igreja.

Da apresentação e do diálogo emergente, há várias ideias que importa reter. Seja a primeira a que constituiu uma mensagem final de Pacheco Pereira: a Doutrina Social da Igreja é um valor na sociedade portuguesa. Recordando a várias fases do seu desenvolvimento, desde Leão XIII ao Papa atual, Leão XIV, passando por Pio XI, Pio XII, João Paulo II e Francisco, afirmou a continuidade e atualização dos mesmos princípios fundamentais. Lembrou, na sociedade portuguesa o pensamento e os movimentos que conduziram à afirmação do estatuto democrático em Portugal, valorizando os movimentos políticos e sociais e as figuras que fundamentaram a afirmação do ideal democrático na sociedade portuguesa, lembrando o Bispo D. António Ferreira Gomes e a ação pedagógica de figuras como Francisco Sá Carneiro, cuja intervenção tinha por fundamento essa Doutrina. Lembrou quatro pontos especialmente relevantes da Doutrina Social da Igreja: o valor do trabalho, no seu aspeto ético e de valorização da pessoa; a valor e promoção da dignidade dos pobres como ideal social; a defesa e promoção do conceito de Bem Comum como objetivo da democracia social; a construção da felicidade como projeto humano, que leve à superação dos conflitos, à superação da crueldade e contraponto ao poder; o combate à ignorância, sentida como um mal, pela promoção da leitura e do conhecimento.

Por seu lado, Jorge Cunha propôs que a Pastoral Social continua uma das missões da Igreja, constituindo uma exigência de sempre, e considerou quatro tarefas essenciais da Doutrina Social: a ordenação da vida humana com ética social, reabilitando a capacidade de orientar; a promoção da liberdade e democracia como uma atitude e ação global, para além de todos os formalismos legais, passando das regras à disponibilidade e à empatia; a promoção do Estado Social, para além de todo o relativismo legal, vincando os direitos sociais para além das leis; a valorização do Trabalho como processo de dignificação humana.

Duas ideias: salvar o Estado Social é mais importante que as formas de caridade; neste contexto é essencial a valorização do sistema educativo, como promotor de valores e formas de capacitar para a convivência.

Outros aspetos abordados: a ideologia não é coisa má, importa que crie ideais; importa superar a degradação da política, para que se torne modo de convívio salutar; a doutrina social deve ajudar à superação do populismo acrítico; sobretudo importa afirmar e realizar a atitude ética e de equilíbrio entre o pensamento e a ação.

Outros conceitos: mudar a linguagem; valorizar a representação do valor do trabalho, respeitar a privacidade. Falou-se também da “escola pública”, salientando-se a afirmação: toda a escola é púbica; a importância das vivências sociais mais do que a definição de metas ou objetivos. (VP)