DESENVOLVIMENTO DA CAMINHADA
II Domingo da Quaresma A
ABERTURA DO OUVIDO
Evangelho: Mt 17,1-9 – A Transfiguração
No monte, o Pai não convida a olhar, mas a escutar: «Escutai-O». A fé nasce da escuta da Palavra e da obediência confiante ao Filho. “São Paulo usará uma fórmula que se tornou clássica: «fides ex auditu — a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). O conhecimento associado à palavra é sempre conhecimento pessoal, que reconhece a voz, se lhe abre livremente e a segue obedientemente. Por isso, São Paulo falou da «obediência da fé» (cf. Rm 1, 5; 16, 26)” (LF 29). Não esquecer que “escutar” é uma das formas verbais mais importantes da espiritualidade e da prática sinodais: Disse Leão XIV, na abertura do seu primeiro Consistório: “Estou aqui para escutar (…) a dinâmica sinodal implica, por excelência, a escuta” (Discurso, 7.1.2026).
- Abre os teus ouvidos: escuta!
O sentido a ativar nesta semana é o do ouvido. “Escutai-O”, é o convite mais radical no alto do monte. Escutar é um exercício espiritual: Deus passa muitas vezes pela voz discreta do que não faz ruído. A escuta surge como condição da mística do instante — ouvir o mundo, o outro e o silêncio de Deus. Somos desafiados a abrir o ouvido do coração, como nos sugere São Bento, na sua Regra. “A escuta não é apenas a recolha do discurso sonoro. Antes de tudo, é atitude, é inclinar-se para o outro, é disponibilidade para acolher o dito e o não dito” (Cardeal Tolentino Mendonça).
- Sinais e atitudes a valorizar na celebração
- Convidar à escuta atenta da Palavra.
- Cuidar da proclamação da Palavra.
- Fazer um breve silêncio meditativo após o Evangelho.
- Neste como noutros domingos, o cântico de ofertório e o cântico final podem ser substituídos pelo silêncio.
- Enfoque pastoral: aprender a escutar a Palavra de Deus. A audição ocupa um lugar central na tradição bíblica: “Escuta, Israel”. Na Quaresma, escutar é mais do que ouvir: é acolher a Palavra, deixar-se interpelar. Convida ao silêncio interior, para discernir a voz de Deus no meio do ruído. É também escuta do outro, especialmente de quem não costuma ser ouvido. Supõe conversão da linguagem: menos palavras vazias, mais escuta verdadeira, escuta humilde e escuta empática.
- Propostas pessoais e comunitárias
- Reservar um tempo para a escuta de quem nos pede para ser escutado.
- Incentivar e realçar a importância da Leitura orante da Palavra (lectio divina).
- Criar espaços de silêncio e escuta em casa.
- Desafiar a viver um dia da semana, sem os “ruídos” do telemóvel.
- Reduzir conscientemente o ruído exterior e interior (palavras, ecrãs, estímulos constantes).
- Renunciar ou limitar o uso dos auscultadores (headphones);
- Dar aos fiéis, uma citação bíblica de uma frase do Evangelho, que devem procurar e enviar por SMS a três amigos.
- Escolher um momento fixo do dia para escutar a Palavra de Deus, acolhendo-a.
- Cuidar das palavras usadas no quotidiano, evitando murmuração, agressividade ou banalidade.
5. Perguntas para reflexão e exame de consciência: A quem estou verdadeiramente a escutar? Que vozes me impedem de escutar Jesus?