V Domingo da Quaresma

Abertura do tato

Evangelho: Jo 11,1-45 – A ressurreição de Lázaro

Jesus aproxima-se da dor, chora e toca a realidade da morte, mesmo que sejam outros a quem ordena: «tirai a pedra». O tato simboliza a proximidade, a compaixão e a vida devolvida. “De facto, a luz do amor nasce quando somos tocados no coração, recebendo assim, em nós, a presença interior do amado, que nos permite reconhecer o seu mistério. Compreendemos por que motivo, para João, a fé seja, juntamente com o escutar e o ver, um tocar, como nos diz na sua Primeira Carta: «O que ouvimos, o que vimos (…) e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida é o que vos anunciamos» (1 Jo 1, 1). Por meio da sua encarnação, com a sua vinda entre nós, Jesus tocou-nos e, através dos sacramentos, ainda hoje nos toca; desta forma, transformando o nosso coração, permitiu-nos — e permite-nos — reconhecê-Lo e confessá-Lo como Filho de Deus. Pela fé, podemos tocá-Lo e receber a força da sua graça. 

1. Abre as tuas mãos e os teus braços: toca e deixa-te tocar. 

O sentido a valorizar é o tato. Jesus aproxima-se da dor, chora e toca a realidade da morte, mesmo que sem tocar fisicamente o corpo morto de Lázaro. O tato simboliza a proximidade, a compaixão e a vida devolvida. Tocar é aceitar a vulnerabilidade: só quem se deixa tocar pode verdadeiramente tocar. O tato exprime a encarnação, a proximidade e a fragilidade, como vias espirituais. Este sentido é, por excelência, o sentido do amor. Onde não há um toque de ternura não há amor. Valorizaremos nesta semana o sentido do tato através do contacto com as pessoas e com as pessoas mais frágeis. O tato é o sentido mais exposto: implica proximidade, risco, contacto com a fragilidade. Um cristianismo sem tato torna-se abstrato, uma espécie de gnose. O tato é o sentido da encarnação real, da compaixão, da misericórdia. Há que tocar a carne sofredora de Cristo nos mais pobres, frágeis, doentes e sós. O 5.º domingo da Quaresma era tradicionalmente o Dia dos Enfermos; tinha subjacente a «mistura» do Lázaro de Betânia (Jo 11,2), com o pobre Lázaro da parábola de Lucas (Lc 16, 19-31). São João Paulo II e a Pastoral da Saúde deslocaram-no para 11 de fevereiro. Isso não nos impede de revalorizar, neste domingo ou semana, a pastoral paroquial dos enfermos, embora a meteorologia deste mês seja ainda um tanto adversa de celebrações de enfermos no espaço aberto da paróquia, fora do conforto das residências e lares.

2. Sinais e atitudes a valorizar na celebração 

 

  1. Enfoque pastoral: deixar-se tocar por Cristo e tocar os outros. O tato é o sentido da proximidade e da encarnação. Recorda que a fé cristã é corporal: Deus fez-se carne. Convida a gestos concretos de cuidado, serviço e misericórdia. Implica também respeitar limites, curar feridas e restaurar dignidades. É o sentido da compaixão é sofrer-com, tocar as chagas do outro e do nosso mundo.

 

4. Propostas pessoais e comunitárias

 Realizar gestos concretos de proximidade com os que sofrem.

  1. Perguntas para reflexão e exame de consciência: Que gestos concretos de amor estou disposto a realizar? A quem sou hoje chamado a tocar com gestos concretos de compaixão e cuidado?