Inicia-se a 25 de abril, sábado, às 21.30 horas, o Ciclo de Concertos de Órgão da Catedral do Porto de 2026, que se estende em ritmo mensal até novembro.
No primeiro concerto, o organista francês David Cassan (n. 1989) interpreta do Grande Órgão da Catedral obras de Jean-François Dandrieu (1682-1738), Henri Dallier (1849-1934), Maurice Duruflé (1902-1986), Thierry Escaich (n. 1965), Marcel Dupré (1886-1971), bem como uma improvisação do próprio.
David Cassan é um músico eclético de reputação internacional, sendo atualmente uma das figuras mais marcantes do órgão francês. A sua formação inclui estudos de órgão, improvisação e composição no Conservatório de Caen e nos Conservatórios Nacionais Superiores de Música de Paris e de Lyon. Interpreta todo o repertório organístico, com especial destaque para a obra de Johann Sebastian Bach e para os compositores franceses dos séculos XIX e XX. Paralelamente, afirma-se como um improvisador criativo. Leciona órgão no Conservatório de Nancy e improvisação no Conservatório de Saint-Maur-des-Fossés, sendo também presença regular em júris de concursos nacionais e internacionais. Em 2017, foi nomeado organista do Oratório do Louvre, em Paris. Desde 2020, dirige a academia de improvisação ao órgão de Alpe d’Huez e, desde 2025, integra o corpo docente da Schola Cantorum de Paris. Em 2025, sucede a Thierry Escaich como organista cotitular do grande órgão da igreja de Saint-Étienne-du-Mont, em Paris, instrumento histórico associado ao compositor Maurice Duruflé.
Este concerto, como os demais concertos do Ciclo, é de entrada livre.
Uma nota
Do programa, importa salientar a modernidade dos autores escolhidos: começando pelo séc. XVIII, os restantes compositores apresentados situam-se no séc. XX, entre os quais M. Duruflé, cujo Requiem foi apresentado nos concertos do Coro da Sé na semana santa. A proposta improvisação do próprio organista, a partir de um tema proposto, merecerá especial atenção dos ouvintes. Nota-se que os concertos de órgão na Sé do Porto têm merecido particular atenção, reconhecendo tanto a qualidade dos organistas e das obras apresentadas, quanto a sonoridade e qualidade do seu grande órgão, da autoria de Georg Jann (1934-2019), o primeiro que construiu no Porto (em 1985), a que se seguiu o grande órgão da igreja da Lapa.
Este instrumento era considerado pelo Cónego Ferreira dos Santos, promotor da sua construção, na conferência de imprensa que divulgava o evento da inauguração do instrumento, afirmava que se tratava de um “padrão da qualidade da música que a Igreja deve praticar”, afirmando que “O sagrado sem a arte não logra atingir a massa dos homens, a arte sem o sagrado é absorvida pela técnica”.
Instrumento construído ao estilo barroco, de uma sonoridade excepcional, serviu a numerosos intérpretes nos anos subsequentes até à atualidade, para concertos de órgão que costumam encher a catedral, por ele tendo passado alguns dos grandes organistas europeus, como Marie Claire Alain, Olivier Latry e Franz Lerhndorfer, e os portugueses João Vaz, António Esteireiro, João Paiva, Filipe Veríssimo, Tiago Ferreira ou Rui Soares.
(VP)