Na diocese do Porto a Peregrinação a Fátima foi momento alto num Jubileu onde se destacaram as celebrações com reclusos e frágeis. Ano Santo de 2025 concluiu-se com o anúncio de um Sínodo Diocesano. “É com alegria e imensa esperança que faço este anúncio”, disse o bispo do Porto.
O Ano Santo de 2025 na diocese do Porto teve um primeiro momento de grande significado quando, a 8 de março, o bispo do Porto presidiu a uma celebração jubilar no Estabelecimento Prisional de Custóias.
Abrir o coração pela esperança e liberdade
O bispo do Porto na sua homilia declarou que as prisões da diocese do Porto seriam durante o Ano Santo de 2025 a catedral nº2. “A partir de agora e durante o ano, este e os demais Estabelecimentos Prisionais constituirão a catedral nº 2 da diocese do Porto”, disse D. Manuel Linda afirmando que “a abertura da porta santa significa a abertura do coração”.
Nesta celebração estiveram representados todos os estabelecimentos prisionais da diocese do Porto, na presença dos seus diretores, de um grupo de reclusos de cada uma das cadeias e de tantos voluntários que colaboram com a Pastoral Penitenciária diocesana.
“Um coração tanta vez fechado em si e nos seus ódios e desejos de vingança, para se abrir ao amor, aos outros e ao bem de todos. Um coração que deixa entrar amizades e relações sociais sadias e que nos deixa sair a nós mesmos para irmos ao encontro dos outros, todos diferentes, mas todos possuidores de qualquer coisa de próprio que nos pode fazer felizes. É que só corações abertos fazem fraternidade”, afirmou D. Manuel Linda.
A este propósito, D. Manuel Linda lembrou que Jesus foi também preso e condenado e que na sua morte por crucifixão foi-lhe dada “uma facada no coração”. Um “coração aberto para simbolizar o que é um coração que ama”, explicou D. Manuel Linda.
O bispo do Porto, no final da sua homilia, falou na liberdade pela qual aguardam os reclusos, desejando que este seja um “tempo de edificação da esperança, da liberdade”.
“Porque acreditamos na liberdade, porque todos nós ansiamos por uma liberdade que será exterior, mas, desde já, tem de começar por ser interior, que tem de nascer a partir do vosso coração tornado cada vez mais sensível e transformado, também eu, em nome do Senhor, vos desejo um tempo de edificação da esperança, da liberdade, de felicidade, da reconstrução da vossa vida familiar e social”, disse D. Manuel Linda na conclusão da sua homilia.
O sofrimento não é o fim
Especial momento de grande intensidade humana, no Ano Santo de 2025, foi a celebração jubilar dos Frágeis e do Mundo da Saúde que decorreu no Pavilhão Multiusos de Gondomar, no sábado 14 de junho.
Nesta celebração, o bispo do Porto afirmou que “o sofrimento não é o fim”, mas, “apenas uma componente da vida que nos permite crescer espiritualmente e abrirmo-nos mais aos outros de quem esperamos a sua companhia e solicitude”.
Recordando o tema do Ano Santo, “Peregrinos de Esperança”, D. Manuel Linda sublinhou que “a esperança tem um nome: chama-se Jesus Cristo”. “Ele acompanha sempre a nossa peregrinação de vida. Se nós somos ‘Peregrinos de esperança’, é Ele o caminho, o companheiro e a meta da nossa peregrinação”, disse o bispo do Porto na Missa que juntou mais de mil pessoas.
Na sua homilia, o bispo do Porto dirigiu-se particularmente aos doentes e frágeis presentes na celebração e assinalou a especial atenção de Jesus, por todos eles. “Grande parte do que sabemos sobre Jesus de Nazaré refere-se às suas intervenções em favor de doentes. O Senhor curou tantas situações de fragilidade”, afirmou.
“Deus está presente junto dos seus filhos libertando-os da aflição, sustentando-os e curando-os em tempo de sofrimento e angústia. Pode fazê-lo diretamente, em situações inexplicáveis, mas faz isso, quase sempre, por intermédio de profissionais de saúde competentes e solícitos, verdadeiros anjos da guarda protetores da saúde humana. A eles, que também se inserem, por direito próprio, nesta celebração, o meu profundo reconhecimento”, disse o bispo do Porto saudando também, os cuidadores, os profissionais de saúde, e instituições presentes neste grande evento.
Convocar um Sínodo Diocesano num Porto peregrino
“Está na hora de convocar um Sínodo Diocesano”, disse o bispo do Porto na Missa da Peregrinação Jubilar ao Santuário de Fátima colhendo de surpresa os peregrinos da diocese do Porto. “Como diria o Senhor Jesus, para tempos novos, odres novos e vestidos novos”, afirmou D. Manuel Linda.
“Somos um Porto peregrino. Somos um Povo que caminha, na esperança dos novos céus e da nova terra”, foi com estas palavras que D. Manuel Linda iniciou a homilia da Peregrinação Jubilar da diocese do Porto ao Santuário de Fátima saudando as dezenas de milhares de diocesanos que na manhã de sábado 20 de setembro peregrinaram à Cova da Iria.
“E como é graciosa esta visão da multidão dos fiéis, reunida em Cristo, como um só Povo, unido na diversidade das proveniências, das comunidades eclesiais, das paróquias, movimentos e associações”, assinalou.
Na Peregrinação da diocese do Porto, estiveram presentes 166 presbíteros, 52 diáconos, 734 acólitos e 171 doentes e frágeis, num total de mais de 19 mil inscrições. Muitos foram os diocesanos que peregrinaram sem inscrição. Segundo os serviços do Santuário de Fátima participaram nesta Eucaristia mais de 70 mil peregrinos.
“Com esta peregrinação jubilar, damos um sinal claro: queremos ser um Porto peregrino, um Povo de Deus que não se instala, que se põe a caminho, pelas vias da esperança”, sublinhou D. Manuel Linda.
D. Manuel Linda salientou que esta peregrinação a Fátima, a terceira segundo indicam os dados históricos, “não pretende ser um fim, mas um início, um arranque a toda a força para algo de novo e de belo que está à nossa frente”.
Uma peregrinação que “pretende marcar um antes e um depois da nossa Diocese, assente no ritmo conciliar e sinodal e na sua consonância com o nosso tempo e cultura”, declarou.
Concluiu a sua homilia exortando os diocesanos a confiarem à Virgem Maria o futuro da diocese do Porto. “Confiemos o futuro da nossa Diocese que tem de ser sinodal e até pode ser antevisto e programado com a realização de um Sínodo”, afirmou D. Manuel Linda.
O Sínodo Diocesano do Porto foi oficialmente convocado na celebração de conclusão do Jubileu de 2025, na catedral do Porto, no domingo 28 dezembro, na Festa da Sagrada Família.
“Após consulta a todos os organismos de participação, nesta igreja mãe da nossa Diocese, no encerramento do Jubileu da Esperança, no dia da Sagrada Família de Nazaré, no contexto da Solenidade da Incarnação e do início de um novo ano civil, é com alegria e imensa esperança que faço este anúncio e convoco um Sínodo Diocesano”, declarou o bispo do Porto.
“Capazes de escutar o Espírito Santo, prontos a partilhar as nossas reflexões, a dialogar e a discernir sobre os caminhos que queremos percorrer juntos”, assinalou D. Manuel Linda.