Na passada Quarta-Feira iniciou-se o tempo da Quaresma, período de quarenta dias que antecede a festa da Ressurreição de Jesus Cristo.

A Quaresma é um tempo litúrgico de preparação para a celebração da Páscoa do Senhor, um tempo que nos convida à oração, ao jejum e à esmola, práticas que não se devem centrar apenas em gestos externos, mas em práticas que nascem do nosso interior e são uma expressão da nossa identidade cristã.

A oração deve ser o sinal da nossa relação com Deus e da nossa predisposição de fazer a Sua vontade; o jejum deve ser a renúncia a tudo o que possa contribuir para nos separar do amor a Deus e ao próximo; a esmola não se deve limitar a uma mera entrega de bens materiais, mas deve ser um sinal da verdadeira caridade fraterna.

A Quaresma é, pois, um tempo que deve ajudar-nos a renovar a nossa fé e a suscitar em nós uma grande vontade de mudança de vida, de uma verdadeira conversão, para que cresça a nossa relação de amor com Deus e com o próximo.

Que este tempo nos ajude a viver em coerência com o nosso compromisso baptismal e a ter uma maior consciência da salvação que nos é oferecida por Deus em Jesus Cristo.

 

“Começamos a Quaresma com um texto que nos possibilita refletir sobre o projeto de Deus a respeito do ser humano. O livro do Gênesis (Gen 2,7-9;3,1-7 nos apresenta o homem sendo criado como o ponto alto de toda a criação, como imagem e semelhança de Deus. Exatamente por isso ele deverá proceder como superior a tudo e não se deixar influenciar por nenhuma qualidade de qualquer coisa criada, deverá permanecer sempre livre!

É nesse exato momento que entra o a perversão do Mal ao provocar no homem o forte e imperioso desejo de experimentar a fruta proibida, ao ponto de apequenar-se cedendo às qualidades olfativas e visuais da fruta em detrimento da orientação do Criador.

Foi o primeiro ato em que o ser humano demonstrou que abria mão de sua liberdade para satisfazer seus instintos, sua curiosidade e, tragicamente, querer ser igual a Deus. Deixou de se reconhecer criatura, homem, vindo da terra, do húmus e querendo, com seu próprio poder chegar a ser onipotente. O ser humano trocou a humildade pela soberba, eis o primeiro pecado.

No trecho da Carta aos Romanos (Rom 5,12-19), São Paulo nos fala sobre os modos de vida de Adão e de Cristo. O primeiro, como vimos no início de nossa reflexão, mostrou-se fraco. Contudo, essa debilidade foi herdada por todos nós, seus descendentes. Somos conscientes de que titubeamos e fracassamos diante das tentações.

Em Cristo temos exatamente a realização da vocação da natureza humana, ser superior a tudo sendo imagem de Deus, sendo livre!

Mais ainda, não podemos comparar a graça de Deus ao pecado de Adão, nos fala o Apóstolo. Se “pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida em uma situação de pecado, assim também, pela desobediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça”, que é ser plenamente livre e plenamente unida a Deus.

No Evangelho (Mt 4,1-11), Jesus, o Homem Perfeito, a verdadeira imagem do Pai, vence o Mal ao manter-se submisso ao Pai e mostrar-se um homem livre. Não será a comida, a satisfação de suas necessidades biológicas que irá submetê-lo às propostas do Mal; nem a tentação do orgulho, da vaidade, do ser renomado, do ser famoso, do prestígio irá fazê-lo aceitar a imposição de Satanás e nem a sedução do poder o derrotará em sua fidelidade ao Pai.

Para nós, a ação de Jesus, sua postura, nos interpela quando em nossa vida somos tentados a satisfazer nossas necessidades naturais, nossos desejos de prestígio e nossa sede de poder. Olhemos para o Homem Perfeito, a Imagem Visível do Deus Invisível, e suas respostas serenas às perturbadoras tentações”. (in Vaticano News)

I DOMINGO DA QUARESMA