«Tanto quanto a estrutura da igreja o permita, à schola cantorum deve destinar-se um lugar que manifeste claramente a sua natureza, como parte da assembleia dos fiéis, e a função peculiar que lhe está reservada; que facilite o desempenho dessa sua função, e que permita comodamente a todos os seus componentes a participação sacramental plena na Missa» (IGMR 312).

Onde deve situar-se o Coro? Eis uma pergunta que continua a fazer-se com frequência. Na prática, apresentam-se as soluções mais variadas. Coros há que preferem o Coro alto ou tribuna (sobre o pórtico de entrada), outros situam-se nos primeiros bancos da nave, alguns ocupam o presbitério, quer atrás do altar quer de lado, outros colocam-se no transepto, num dos braços, etc. O que está bem e o que não está bem? As orientações pós-conciliares não deixam de ser claras, mesmo que não façam opção por nenhum dos possíveis lugares. O número citado da Instrução Geral do Missal Romano decalca o que está dito na Instrução Musicam Sacram, 23 (EDREL 533). Esta, por sua vez, depende da Instrução de 26 de setembro de 1964, Inter Oecumenici, 97 (EDREL 246): «A posição do grupo coral e do órgão deve fazer ressaltar claramente que os cantores e o organista fazem parte da assembleia dos fiéis, e permitir que eles possam executar do melhor modo o seu ofício litúrgico». Digamos que este é o pensamento da Igreja pós-conciliar sobre tal assunto.

Musicam Sacram 23 não permitia que o coro, sendo misto, tivesse lugar no presbitério. Mas, então, estava em causa a não completa superação da exclusão feminina do exercício de verdadeiros ministérios litúrgicos. Anteriormente, os coros de clérigos, revestidos de vestes corais, tinham assento nos presbitérios. Os coros de leigos, supletivos daqueles, recorriam a crianças para os registos mais agudos. Frequentemente, eram também eles uniformizados com veste talar e roquete, à imitação dos clérigos cuja falta ou insuficiência supriam. Mas, a regra que se generalizou, antes do Vaticano II, foi de os coros de leigos (incluindo os das bandas filarmónicas) serem remetidos para o chamado coro alto, com claros benefícios acústicos, mas dissociando-se, de algum modo, a sua prestação musical (que era «ministerial» nas Missas cantadas e solenes) da efetiva participação litúrgica dos seus membros.

Superada a interdição da presença feminina no presbitério, continuamos a pensar que não deverá ser esse o lugar próprio da schola cantorum. De facto, o Coro é parte integrante da assembleia dos fiéis, cujo canto anima e apoia. Colocar o Coro no Presbitério será dar uma imagem errada do seu ministério que não é servir a presidência, mas sim a assembleia. Para além de, em algumas igrejas e com uma colocação frontal, lhe dar excessivo protagonismo, com o risco de transformar em espetáculo o seu serviço litúrgico que nunca deve ser autorreferencial, mas sempre para a maior glória de Deus e santificação dos homens.

E o que dizer das outras soluções? Regra geral nenhuma delas é perfeita. Importa sim, na construção de novas igrejas, tentar encontrar o lugar próprio do Coro, o que nem sempre tem sido atendido. As soluções do passado, corretas em si mesmas, adaptam-se menos bem à liturgia renovada.

Colocar o Coro nos primeiros bancos da nave tem vantagens ao nível de integração do Coro na assembleia, da participação litúrgica do Coro, da condução do Coro e assembleia. Mas, frequentemente, apresenta problemas acústicos insolúveis e, quando o Coro, no exercício do seu ministério, canta a solo, estabelece uma barreira entre os fiéis e o presbitério (por exemplo, se canta de pé durante a apresentação dos dons a assembleia está sentada). Colocando o Coro num dos braços do transepto, se ele existe, evita-se a última dificuldade, mas não se resolve o problema da acústica e dificulta-se a participação do próprio Coro que perde a visão da área do altar. Muitas das nossas igrejas têm tribuna, o chamado «coro alto». Os documentos da liturgia pós-conciliar não “canonizaram” esse lugar, como localização, recomendada nem o interditaram. Importa, porém, atender aos inconvenientes desse espaço e corrigi-los, na medida do possível. O Coro tem a tentação de se sentir à parte, em contraponto com a presidência, tornando-se polo dialógico do Presbitério e relegando a assembleia para a condição de assistência tendencialmente muda. Além disso, nem sempre é fácil assegurar a participação do Coro na comunhão.

O melhor lugar para o Coro numa determinada igreja será aquele que ofereça a solução mais razoável às dificuldades inerentes. Frequentemente, o melhor lugar (ou o menos mau) será o Coro alto, na condição de se prever um diretor da assembleia e um ministro extraordinário que leve a comunhão ao Coro. Se, por insuficiências de espaço, alguns fiéis da assembleia hão-de ocupar o coro alto, então dê-se a primazia para tal ao Coro dos cantores. (in VP)