O Bispo do Porto, na celebração de encerramento do Ano jubilar na Diocese, anunciou a convocação de um sínodo diocesano, a realizar nos próximos tempos. Trata-se de um projeto exigente, que foi saudado já por várias entidades eclesiais.

Esta convocatória de um sínodo diocesano deve fazer-nos reviver o sínodo da Igreja Universal, proposto pelo Papa Francisco, e que teve a sua segunda sessão em outubro de 2024, concluindo um processo iniciado em 2021, orientado pelo tema “Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão, missão”, e cujas linhas de orientação continuam em processo de avaliação até 2027.

Para a realização ao longo de 2024, as comunidades diocesanas, incluindo da Diocese do Porto, enviaram contributos auscultados a todos os fiéis cristãos e oportunamente enviados para Roma, a fim de servirem de tema de estudo pelos membros da múltiplas comissões então organizadas.

A dimensão mais importante a considerar e que constituiu uma novidade histórica é que o projeto não se designou de sínodo dos Bispos mas sínodo da Igreja. De facto a tradição sinodal acentuava esta realização como uma assembleia dos Bispos de todo o mundo para buscarem pontos e dimensões novas de evangelização. Esse objetivo continuou a ser central, mas agora com novos dados: importaria ouvir e ter presentes todas as dimensões do povo de Deus. E assim foi possível ver nas comissões sinodais homens e mulheres, Cardeais, Bispos, sacerdotes, teólogos e leigos provindos de todo o universo eclesial.

Acentuou-se o valor do Sínodo como syn-odós, caminho comum, o ideal de caminhar em conjunto e em união com Cristo e com as comunidades humanas, na sua fé a nas suas culturas.

Esta dimensão importa que seja igualmente assumida e constitui certamente  intenção do Bispo diocesano e dos seus Bispos Auxiliares: escutar as comunidades, confrontar as vozes, acolher propostas de caminho comum, associar vontades e projetos, procurar obter soluções criativas para a carência de sacerdotes, valorizar todas as funções laicais, discernir pistas novas de evangelização e ação pastoral, responder aos problemas e anseios da juventude, valorizar as associações de cristãos leigos empenhados.

O Bispo definiu como constitutivo do projeto lançado que se tornasse uma  “efetiva implementação da sinodalidade”, propondo: “Capazes de escutar o Espírito Santo, prontos a partilhar as nossas reflexões, a dialogar e a discernir sobre os caminhos que queremos percorrer juntos”. Nas suas palavras, avulta a “muita alegria e imensa esperança” nesta convocatória do sínodo diocesano. É promissor que o anúncio tenha sido recebido com grande aplauso dos fiéis presentes na catedral do Porto, nesse domingo da Sagrada Família, último do ano jubilar de 2025.

Entre os seus objetivos primordiais encontra-se o conhecimento da realidade eclesial, social e cultural, o fomento da fé e dos valores cristãos na sociedade, o projeto de tornar a Igreja mais interligada e comprometida entre todo o Povo de Deus e a sua afirmação na sociedade civil, fomentando nas instituições laicas os valores e os critérios do Evangelho. A laicidade deve tornar-se também um caminho de acolhimento.

A relação e continuidade do ano jubilar foi reafirmada como caminho de uma fé reavivada, a renovação do coração pelo perdão e reconciliação, e um compromisso reforçado diante da caridade e da justiça.

Lembrando as numerosas iniciativas propostas e realizadas no jubileu (iniciativas, peregrinações, caminhadas, celebrações, partilha de esperanças, sonhos e testemunhos), o Bispo salientou que as práticas de sinodalidade já desenvolvidas no sínodo da Igreja universal estimulam o crescimento e a dinâmica da Igreja diocesana, como palavra de ordem nos próximos anos.

Espera-se assim que, se “a partir de hoje, o Sínodo fica em marcha”, como apontou D. Manuel Linda, a consciência de todo o povo cristão se possa tornar uma consciência da sociedade, superando os desalinhos sociais, os conflitos inúteis, a agressividade das palavras, as formas de rejeição, e construindo a sociedade mais justa, pelo desenvolvimento, pela partilha, pela justiça social, pela valorização cultural, pela eliminação da pobreza, pela construção de um espírito aberto e solidário que se manifeste nas famílias e nas ruas, transformando a convivência em ambiente festivo e comunicante dos grandes valores da nossa identidade humana.