Uma visita de categoria eclesial e histórico-cultural foi a que realizaram os párocos da cidade do Porto, acendendo a um espaço da diocese que tradicionalmente é considerado como o primeiro local em que foi edificada uma sede diocesana, a que foi dado o nome de Magnetum (depois Meinedo), no segundo Concílio de Braga, lá pelos anos 572 nos tempos da presença dos Suevos na Península, depois transferida para Portus Cale. Porém a diocese nunca foi extinta, figurando ainda hoje como título de bispos. A extensão da primitiva Diocese de Braga, que se estendia até zonas de Coimbra a Viseu, originou a sua divisão em outros espaços, entre os quais o de Magnetum, instituído “sub Theodomiro Sueuorum Rege”.

A vivência destes tempos e suas edificações, entre as quais as igrejas, foi recordada por um representante da “Rota do Românico”, em que esta igreja está incluída, e que a após múltiplas transformações, exibe ainda hoje o seu pórtico de cariz românico, numa original estrutura de arcadas, em cujo topo se inseriu uma poderosa imagem de Santa Maria das Neves, atualmente  entronizada em nicho nobre, no interior da igreja, e cuja beleza e monumentalidade superou as vicissitudes do templo. Um enquadramento histórico que ajudou a compreender tanto os espaços como os símbolos.

Atualmente, a igreja possui também em capela lateral uma imagem que lembra a figura de Santo Tirso, que merece a devoção e a festa das gentes locais como protetor de enfermidades mentais. Os tempos do maneirismo e do barroco permitiram a ornamentação da igreja com talha e imagens alusivas aos diversos mistérios bíblicos e devocionais, além de um belopainel de azulejos do séc. XVII. A identidade e beleza da imagem da Senhora constitui a capa do livro de D. Domingos de Pinho Brandão sobre as mais notáveis imagens existentes nas igrejas em Portugal.

De há cerca de dois anos a esta parte, encontra-se em construção uma nova igreja, de planta circular que integrará um conjunto com centro paroquial e casa mortuária, permitindo celebrações alargadas, mesmo que a população da paróquia não seja multitudinária, mas sim sensível à participação e à celebração, como evidenciou o pároco atual, André Aguiar Soares, que desempenhou a missão de acolhimento e explanação dos diversos valores funcionais e celebrativos daquele espaço, concebido para acolhimento de meio milhar de fiéis, podendo em circunstâncias mais solenes acolhimento de mais do dobro de fiéis. O espaço está concebido par dar adequada resposta litúrgica à celebração (altar-mor, sacristia, acolhimento).

De Meinedo se rumou a Lousada, onde os párocos puderam contactar com o Centro interpretativa do Rota do Românico, que está disponibilizado desde outubro de 2018, tendo sido acolhidos e orientados pela Diretora, Rosário Correia Machado, que divulgou o sentido de toda esta iniciativa cultural, um projeto que tem como principal função a divulgação do rico património monumental, cujo âmbito de estudo se encontra em alargamento.

Em diálogo, os párocos presentes formularam uma proposta a apresentar ao Bispo da Diocese, em ordem à celebração solene em 11 de outubro da festividade da Senhora de Vandoma, a Padroeira da Cidade do Porto.

(VP)