Concluído o Tempo Pascal, retomamos o tempo litúrgico designado por Tempo Comum. Neste VIII Domingo do Tempo Comum, somos convidados a contemplar o Mistério da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, cujo modelo de amor e de perfeita unidade e comunhão nos deve estimular e comprometer a viver da mesma forma com Deus e com os outros.

A Santíssima Trindade é formada por três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que têm a mesma natureza, a mesma divindade, o mesmo poder e a mesma perfeição; é um mistério de um só Deus em três pessoas distintas, consubstanciais e de igual glória, o que é de difícil interpretação e compreensão pela inteligência humana. O mais importante não será procurar decifrar e compreender este Mistério, mas sim acreditar e vivê-lo em toda a sua dimensão.

Os cristãos não professam três deuses, mas um só Deus em três pessoas. É um Deus uno e trino, um Deus que é família, comunidade e amor, que se foi revelando de várias formas ao longo da História da Salvação. Ele revelou-se na Criação – o Amor criador do Pai –, na Encarnação – o Amor filial de Jesus Cristo, que morreu para redimir toda a criação – e no Pentecostes – o Amor do Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, cuja presença e acção realiza a obra santificadora de todos os homens.

A Santíssima Trindade está presente na vida de todos os cristãos, desde o início até ao fim. Somos baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, recebemos as bênçãos, em todos os actos litúrgicos, em Seu nome, rezamos o Credo centrados na acção das três pessoas da Santíssima Trindade, dirigimos, na Eucaristia, as nossas orações ao Pai, por meio do Filho e no Espírito Santo, e rezamos frequentemente a Glória, a oração em que é dada glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Como diz o Catecismo da Igreja Católica “o mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da nossa fé e da vida cristã. É o mistério do próprio Deus. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na “hierarquia das verdades da fé”. Toda a história da salvação não é senão a história dos caminhos e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, Se reconcilia, e Se une aos homens que se afastam do pecado”. (CIC 234)

Que a celebração desta solenidade aumente em nós a consciência de que estamos cheios do amor e da presença de um Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, para que inspirados na comunhão perfeita das pessoas da Santíssima Trindade sejamos missionários de um amor infinito, que se estende por todos e é gerador de comunhão.

Comentários às Leituras retirados do Secretariado da Liturgia

I LEITURA – Dt 4, 32-34.39-40
«O Senhor é Deus, no alto dos céus e cá em baixo na terra,
e não há outro»

Manifestando-Se a Moisés, Deus dá-Se a conhecer como criador, como Aquele que é o Santíssimo. Mas, ao mesmo tempo, este Deus, criador e transcendente, revela-Se como muito próximo do homem, a quem dirige a Sua palavra e por quem se interessa. Sem renunciar à Sua infinita grandeza, Ele procura, incessantemente, estabelecer relações de amizade com o homem, de tal modo que a história das relações entre Deus e a humanidade é um contínuo convite ao diálogo.
Tomar consciência deste amor de Deus, viver segundo as suas exigências é encontrar a verdadeira felicidade e aquela vida que não morre.

II LEITURA – Rm 8, 14-17
«Recebestes o Espírito de adoção filial,
pelo qual exclamamos: ‘Abá, Pai’»

O homem nunca teria a ousadia de chamar a Deus seu Pai se Jesus o Filho de Deus feito Homem, nos não tivesse ensinado a tratá-l’O assim tão familiarmente. Foi, na verdade, Jesus que, depois de nos ter revelado a bondade de Deus, nos tornou Seus filhos, ao dar-nos o Seu Espírito, pelo Qual nos unimos, vitalmente, a Deus.
Filhos de Deus, em Jesus Cristo, herdeiros, com Ele, do mundo novo, em que Deus será tudo em todos, somos, realmente, homens livres! O temor, que caracterizava as relações entre Deus e o homem, foi substituído em nós pelo amor filial.

EVANGELHO – Mt 28, 16-20
«Batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»

Antes de voltar para o Pai, Cristo Ressuscitado transmite à Sua Igreja, representada pelos Apóstolos, os Seus mesmos poderes tornando-a assim continuadora da Sua missão.
Enviados para todos os povos do mundo, os Apóstolos anunciarão, por toda a parte, que Jesus continua vivo e deseja que todos os homens participem da vida do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mediante a fé e o Batismo. Assistidos por Jesus, presente na Sua Igreja, ao longo da história, ensinarão os homens a amar a Deus e os irmãos, mostrando-se, desse modo, discípulos de Jesus.

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE