Concluído o Tempo Pascal, retomamos o tempo litúrgico designado por Tempo Comum. Neste IX Domingo do Tempo Comum, somos convidados a contemplar o Mistério da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, cujo modelo de amor e de perfeita unidade e comunhão nos deve estimular e comprometer a viver da mesma forma com Deus e com os outros.

A Santíssima Trindade é formada por três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que têm a mesma natureza, a mesma divindade, o mesmo poder e a mesma perfeição; é um mistério de um só Deus em três pessoas distintas, consubstanciais e de igual glória, o que é de difícil interpretação e compreensão pela inteligência humana. O mais importante não será procurar decifrar e compreender este Mistério, mas sim acreditar e vivê-lo em toda a sua dimensão.

Os cristãos não professam três deuses, mas um só Deus em três pessoas. É um Deus uno e trino, um Deus que é família, comunidade e amor, que se foi revelando de várias formas ao longo da História da Salvação. Ele revelou-se na Criação – o Amor criador do Pai –, na Encarnação – o Amor filial de Jesus Cristo, que morreu para redimir toda a criação – e no Pentecostes – o Amor do Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, cuja presença e acção realiza a obra santificadora de todos os homens.

A Santíssima Trindade está presente na vida de todos os cristãos, desde o início até ao fim. Somos baptizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, recebemos as bênçãos, em todos os actos litúrgicos, em Seu nome, rezamos o Credo centrados na acção das três pessoas da Santíssima Trindade, dirigimos, na Eucaristia, as nossas orações ao Pai, por meio do Filho e no Espírito Santo, e rezamos frequentemente a Glória, a oração em que é dada glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Como diz o Catecismo da Igreja Católica “o mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da nossa fé e da vida cristã. É o mistério do próprio Deus. É, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé, e a luz que os ilumina. É o ensinamento mais fundamental e essencial na “hierarquia das verdades da fé”. Toda a história da salvação não é senão a história dos caminhos e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, Se reconcilia, e Se une aos homens que se afastam do pecado”. (CIC 234)

Que a celebração desta solenidade aumente em nós a consciência de que estamos cheios do amor e da presença de um Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, para que inspirados na comunhão perfeita das pessoas da Santíssima Trindade sejamos missionários de um amor infinito, que se estende por todos e é gerador de comunhão.

A Palavra de Deus deste Domingo apresenta-nos alguns dos atributos de Deus, designadamente a clemência, a compaixão, a misericórdia e a fidelidade (1.ª Leitura), fala-nos de uma fórmula de bênção trinitária (usada actualmente no início da celebração da Eucaristia) – “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”, com a qual S. Paulo termina a carta aos Coríntios (2.ª Leitura), e fala-nos do infinito Amor de Deus pelo mundo, um Amor que levou a entregar o Seu Filho único, que não veio para julgar e condenar, mas “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Comentários às Leituras retirados do Secretariado Nacional da Liturgia

I LEITURA (Ex 34, 4-6.8-9)
«O Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo»

Deus manifesta-Se a Moisés como um Deus cheio de amor e de ternura para com o Seu povo. Sem deixar de ser justo, antes de tudo e acima de tudo, Ele é o Deus que ama e perdoa.
Compenetrado desta verdade, Moisés não tem receio de interceder pelo Povo, que fora infiel à Aliança, voltando as costas, ao Deus vivo, para se entregar aos ídolos. E Moisés não vê frustrada a sua esperança. Deus continuará no meio do Seu povo, porque Ele é, na verdade, Aquele que salva.

II LEITURA (2 Cor 13, 11-13)
«A graça de Jesus Cristo, o amor de Deus
e a comunhão do Espírito Santo»

Ao iniciarmos as nossas assembleias litúrgicas com o voto de S. Paulo, no final da carta aos Coríntios nós professamos a nossa fé no mistério de um Deus em três Pessoas distintas. Nós reconhecemos que a presença da Trindade é o que constitui a comunidade cristã. Na verdade, é pelo dom gratuito de Jesus Cristo, pelo amor universal do Pai e pela força unitiva do Espírito de caridade que somos congregados em assembleia, para celebrarmos a glória de Deus.
Reunida pela acção da Santíssima Trindade, a comunidade cristã deve empenhar-se em se assemelhar à comunidade trinitária vivendo na busca da perfeição, na alegria e no amor mútuo que se exprime pelo ósculo da paz.

EVANGELHO (Jo 3, 16-18)
«Deus enviou o seu Filho ao mundo,
para que o mundo seja salvo por Ele»

O mistério da Santíssima Trindade é um mistério de amor: amor de um Deus que se revela aos homens e, num gesto de infinita bondade, lhes dá o Seu Filho, o Qual, encarnando e entregando-Se, totalmente, aos homens até à morte de Cruz (Flp 2, 8), veio não para julgá-los, mas para salvá-los.
Perante este amor de Deus, o homem só pode ter uma atitude: aceitar Jesus Cristo como seu Salvador deixar-se penetrar pelo Seu amor e iluminar pela Sua verdade, que é o Seu Evangelho de amor. Recusar Jesus Cristo é recusar a salvação. Deus não condena ninguém. Cada um de nós, com a sua aceitação ou recusa de Cristo, é que decide acerca do seu juízo final.

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE